FREYRE & FOUCAULT: CASA-GRANDE & SENZALA
COMO MICROFÍSICA DO PODER
Fábio Lopes da Silva
RESUMO: Adaptável”, “sutil”, móvel”, “plástica”: eis os termos com que o Freyre caracteriza a
experiência colonial portuguesa no Brasil. Distorção nostálgica de uma realidade em que a repressão deu
sempre o tom? Talvez. Mas não se deve deixar de reconhecer que adaptabilidade, sutileza, mobilidade e
plasticidade são precisamente os traços atribuídos por Foucault ao poder — pelo menos, em suas formas
mais modernas. Esse é o dado inicial a partir de que pretendo aproximar as obras de Michel Foucault e
Gilberto Freyre. Hipótese geral do ensaio: Freyre é, quanto ao dispositivo colonial, uma analista da face
polimorfa, capilar e plástica do poder.
PALAVRAS-CHAVE: Sociologia freyriana – Genealogia do poder – Dispositivo colonial no Brasil
ABSTRACT: “Adaptable”, “subtle”, “flexible”: these are the terms invoked by Gilberto Freyre in order
to characterize the Portuguese colonial enterprise in Brazil. Nostalgic distortion of a reality marked by
violence and repression? Perhaps. But it must be recognized that adaptablity, sublety and flexibility were
the hard core of Foucauldian concept of power. This resemblance between the two authors is the point of
departure of this essay. My hypothesis: Freyre is an analyst of the capilar, plastic and polymorphous
aspects of Portuguese colonial power.
KEYWORDS: Gilberto Freyre’s Sociology – Genealogy of power – Portugueses colonial enterprise in
Brazil
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