A HISTORIOGRAFIA DO CINEMA BRASILEIRO: PERSPECTIVAS
PARA UMA ABORDAGEM TEÓRICOMETODOLÓGICA

  • Julierme Morais
  • Universidade Estadual de Goiás – UEG
  • juliermemorais27@gmail.com

RESUMO: Nesse artigo nos propomos a uma análise crítica e propositiva da historiografia do cinema brasileiro através do mapeamento de seus principais autores, temas, conceitos, recortes históricos e preocupações explanatórias. Fazemos isso com o intuito de sugerir aos pesquisadores algumas orientações no sentido da abordagem teórico-metodológica. Para esse fim, o artigo está dividido em três partes. Na primeira, consideramos a historiografia da Sétima Arte nacional destacando a contribuição de vários pesquisadores. Na segunda, refletimos acerca da mudança de perspectiva dos estudos históricos da década de 1970, considerando como as pesquisas sobre o cinema brasileiro se adaptaram em relação a essa mudança. Finalmente, destacamos algumas perspectivas teóricas e metodológicas que enfatizam o diálogo com a Teoria da História e com a História da Historiografia.

PALAVRAS-CHAVE: História da historiografia – Historiografia brasileira – cinema

ALLEN, Robert; GOMERY, Douglas. Film and History: theory and practice. Boston: Mc Graw-Hill, 1993.

BERNARDET, Jean-Claude. Historiografia clássica do cinema brasileiro: metodologia e pedagogia. São Paulo: Annablume, 1995.

BERNARDET, Jean-Claude. Brasil em tempo de cinema. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1967.

KORNIS, Mônica Almeida. História e cinema: um debate metodológico. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, vol. 5, n. 10, 1992.

BERNARDET, Jean-Claude; GALVÃO, Maria Rita. Cinema: repercussões em caixa de eco ideológica (As ideias de “nacional” e “popular” no pensamento cinematográfico brasileiro). São Paulo: Brasilense, 1983.

CERTEAU, Michel de. A operação historiográfica. In: CERTEAU, Michel de. A escrita da história. Rio de Janeiro: Forense-Universitária, 2007.

CORREIA JUNIOR, Fausto Douglas. A Cinemateca Brasileira: das luzes aos anos de chumbo. São Paulo: Editora Unesp, 2010.

CUENCA, Carlos Fernández. Historia del cine. Madri, Afrodisio Aguado, 1949.

FOUCAULT, Michel. A arqueologia do Saber. 7ª ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2008.

GALVÃO, Maria Rita Eliezer. Burguesia e cinema: o caso Vera Cruz. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1981.

KOSELLECK, Reinhart. Futuro passado – contribuição à semântica dos tempos históricos. Rio de Janeiro: Contraponto, 2006.

LAGNY, Michèle. De l´histoire du cinema: méthodes historique et históire du cinema. Armand Colin, 1992.

LAPIERRE, Marcel. Les cent visages du cinéma. Paris, Bernard Grasset, 1948.

LE GOFF, Jacques; NORA, Pierre (Orgs.). História – novos problemas, novas abordagens, novos objetos. Trad. Henrique Mesquita. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1976, 3 vols.

LE GOFF, Jacques. A História Nova. In: NOVAIS, Fernando & SILVA, Rogério F. da (Orgs.). Nova História em Perspectiva. São Paulo: Cosac & Naify, 2011.

MORAIS, Julierme. Eficácia Política de uma crítica: Paulo Emílio Salles Gomes e a constituição de uma teia interpretativa da história do cinema brasileiro. Dissertação (Mestrado em História), Universidade Federal de Uberlândia, 2010.

MORAIS, Julierme. Paulo Emílio Salles Gomes e a eficácia discursiva de sua interpretação histórica: reflexões sobre história e historiografia do cinema brasileiro. Tese (Doutorado em História), Universidade Federal de Uberlândia, 2014.

MORAIS, Julierme. Paulo Emílio Salles Gomes professor: a fundação das bases da pesquisa histórica sobre cinema brasileiro na academia. In: DIAS, Rodrigo Francisco; FREITAS, Talitta Tatiane Martins. (Org.). Olhares dissertativos: Cinema, Crítica, Teatro. São Paulo: Edições Verona, 2015.

MORAIS, Julierme. Paulo Emílio Salles Gomes e a adesão ao cinemanovismo: matriz intelectual nas congruências entre Cinema Novo e modernismo literário. In: CAPEL, Heloísa S. F.; PATRIOTA, Rosangela; RAMOS, Alcides F (Org.). Criações artísticas, representações da história: diálogos entre arte e sociedade. São Paulo: Hucitec, Goiânia: Editora da PUC Goiás, 2010.

MORAIS, Julierme. A história contada por Paulo Emílio Salles Gomes e a valorização estética do Cinema Novo em detrimento dos filmes da Companhia Cinematográfica Vera Cruz. O Olho da História, n. 14, Salvador (BA), 2010b, p. 1-10

NÓVOA, Jorge. Cinematógrafo. Laboratório da razão poética e do “novo” pensamento. In: NÓVOA, Jorge; FRESSATO, Soleni; FEIGELSON, Kristian (Org.). Cinematógrafo: um olhar sobre a história. Salvador. EDUFBA; São Paulo: Editora UNESP, 2009.

PINTO, Pedro Plaza. Paulo Emilio e a emergência do cinema novo: débito, prudência e desajuste no diálogo com Glauber Rocha e David Neves. Tese de Doutorado. Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, 2008.

RAMOS, Alcides Freire. Historiografia do cinema brasileiro diante da fronteira entre o trágico e o cômico: redescobrindo a chanchada. FênixRevista de História e Estudos Culturais. Uberlândia, Vol. 2, Ano II, n°. 4, outubro/novembro/dezembro de 2005, p. 1-15. Disponível em: www.revistafenix.pro.br. Acessado em: 26.09.2012.

RAMOS, Fernão (Org.). História do cinema brasileiro. São Paulo: Art Editora, 1987.

RAMOS, Fernão; MIRANDA, Luiz Felipe A. (Orgs.). Enciclopédia do cinema brasileiro. 2ª ed. São Paulo: Editora SENAC, 2004.

RÜSEN, Jörn. Razão histórica – Teoria da História I: os fundamentos da ciência histórica. Trad. Estevão de Rezende Martins. Brasília: Ed. da UNB, 2010.