CAROLINA MARIA DE JESUS: SUA ESCRITA, SUA VIDA

  • Andréia Márcia de Castro Galvão
  • Universidade do Minho – Portugal
  • oidegas@gmail.com

RESUMO: O objetivo desse ensaio é fazer uma reflexão sobre a vida de Carolina Maria de Jesus mediante suas três obras autobiográficas: Quarto de despejo (1960), Casa de alvenaria: diário de uma exfavelada (1961) e Diário de Bibita (1986). Acredita-se que Carolina tenha rompido com paradigmas sócio-culturais de sua época, na medida em que conseguiu, não obstante sua condição de extrema marginalidade, fazer-se ‘ouvir’ por meio da escrita de seu cotidiano. Nesse sentido, observadas algumas denúncias e reivindicações históricas da crítica feminista, é possível perceber que, à sua maneira, a autora conferiu um significado particular à sua condição de mulher, negra, pobre, escritora, mãe e, distanciando-se do ‘ideal feminino’, proclamou um ’empoderamento’ invulgar, considerado o seu contexto de existência.

PALAVRAS-CHAVE: Escrita – Crítica feminista –  Marginalidade – Ideal feminino – Empoderamento

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