NEM SÓ DE BISPO VIVE A DIOCESE: O GOVERNO ESPIRITUAL DE RAIMUNDO SEVERINO
DE MATTOS NA AMAZÔNIA OITOCENTISTA (1857-1861)

  • Allan Azevedo Andrade
  • Universidade federal do Pará - UFPA
  • allan.andrade89@hotmail.com
  • Fernando Arthur de Freitas Neves
  • Universidade federal do Pará - UFPA
  • fafn@ufpa.br

RESUMO: Após D. José Torres renunciar seu bispado, a diocese do Pará ficou desprovida de um prelado em 1857 até a chegada do 10° bispo em 1861. Nesse período, ficou responsável pela administração espiritual do bispado o sacerdote Raimundo de Mattos, considerado peça fundamental do projeto ultramontano de D. José quando ainda era bispo diocesano. Portanto, o período de vacância da diocese sob a direção de Raimundo de Mattos, correspondeu à continuidade da missão do bispo resignatário, entretanto, sem sua legitimidade da expressão espiritual como assinalam as fontes oriundas da Igreja, relatórios da presidência, e os jornais de circulação no Pará.

PALAVRAS-CHAVE: Ultramontanismo – Raimundo de Mattos – Igreja – Vacância – Diocese

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