HISTÓRIAS VISUAIS: EXPERIÊNCIAS DE PESQUISA ENTRE HISTÓRIA E ARTE

  • Maria Elizia Borges
  • Universidade Federal de Goiás – UFG
  • maelizia@terra.com.br
  • Heloisa Selma Fernandes Capel
  • Universidade Federal de Goiás – UFG
  • hcapel@gmail.com

Historiadores interessados em tratar temáticas da cultura por meio da visualidade artística, ou mesmo, historiadores da arte ciosos do status da história em suas pesquisas. Este dossiê poderia ter sido pensado como um diálogo entre historiadores e historiadores da arte, mas se conformou como algo além. Diálogos pressupõem campos de formação distintos, que se confrontam e estabelecem acordos, influências mútuas a partir de áreas estanques. Os resultados deste encontro demonstraram a natureza conjunta deste corpo de estudos entre a arte e a história, espaços intervalares entre a história e as artes visuais. Ontologicamente, história e arte estão imbricadas, embora suas preocupações íntimas possam acentuar especificidades em sua expressão formal, ou mesmo nas bases histórico-culturais que as compõem. As pesquisas apresentadas neste dossiê caminharam nos campos da visualidade, demarcação de amplo espectro, que atende às inquietações teórico-metodológicas dos que lidam com imagens sob a perspectiva cultural.

O vocabulário é impróprio, impõe metáforas auditivas ao falar dos silêncios da imagem. Mas eles existem, faixas não figurativas no espaço ou no tempo e são, por si sós, significativos. A imagem é ao mesmo tempo mais móvel e mais inerte que o texto, por vezes antecipando aquilo que só será formulado mais tarde no plano do pensamento claro, mas muitas vezes também reproduzindo com atraso e obstinação expressões formais, motivos e temas fora de moda que, todavia, permaneceram inscritos nos códigos que a regem. O que torna a decifração mais árdua e, portanto, apaixonante. (VOVELLE, Michel. As Almas do Purgatório. São Paulo: UNESP, 2010, p. 14-15.)