RETRATOS MEMORIAIS: NASCIMENTO/MORTE DA LINHAGEM FAMILIAR BURGUESA

  • Maria Elizia Borges
  • Universidade Federal de Goiás – UFG
  • maelizia@terra.com.br
  • Julliana Rodrigues de Oliveira
  • Universidade Federal de Goiás – UFG
  • rodriguesdeoliveira5@gmail.com

RESUMO: Este artigo propõe abordar alguns aspectos dos retratos memoriais instalados em monumentos perpétuos construídos em cemitérios brasileiros, datados dos séculos XIX e XX, período em que se iniciou o costume de ornamentar o túmulo com o busto do falecido. Aos poucos a fotografia de porcelana ocupou essa mesma função em túmulos de menor porte. Trata-se de tipos específicos de ornamentos relevantes na composição da construção funerária. O gênero do retrato memorial aqui destacado para a análise iconográfica se restringe a um só tipo de produção artística: bustos e fotografias que retratam o casal, uma representação simbólica do nascimento e da perpetuação do núcleo familiar burguês. As várias poses dos retratados atendem às funções de preservar a memória familiar dos falecidos e de satisfazer os anseios dos seus descendentes, que desejam eternizá-los perante a comunidade. Podem-se ainda identificar os costumes da família brasileira diante da morte, mediante o uso desses ornamentos peculiares.

PALAVRAS-CHAVE: Retratos memoriais – Bustos – Fotografias de porcelana – Cemitérios brasileiros, séculos XIX e XX

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