Vol. 10 Ano X nº 1 - Janeiro - Junho de 2013

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UM MILHÃO E QUINHENTAS MIL (1.500.000) CONSULTAS!

É com imensa satisfação que lançamos mais um número da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais (Volume 10, Ano X, Número 1 – Janeiro / Junho – 2013).

O site www.revistafenix.pro.br entrou no ar em dezembro de 2004 com o objetivo de trazer ao público leitor uma publicação que se caracterizasse pela agilidade, universalidade e gratuidade. Essa preocupação, porém, não encerrava as expectativas depositadas na sua criação. Pelo contrário, o grande propósito era tornar acessível uma publicação capaz de incentivar a interlocução acadêmica e a ampla divulgação de pesquisas instigantes e de alto nível, procurando traduzir a dinâmica e a diversidade dos diálogos interdisciplinares da pesquisa histórica e dos Estudos Culturais.

Os resultados positivos obtidos com esse projeto, considerando também a atual edição, materializam-se na publicação de SETENTA E DUAS (72) RESENHAS QUATROCENTOS E QUATORZE (414) ARTIGOS, oriundos de diferentes estados: Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Pernambuco, Piauí, Paraíba, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Distrito Federal.

Ademais, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais acolheu DEZESSETE (17) DOSSIÊS, a saber: Chico Buarque & Vianinha: arte e política no Brasil Contemporâneo (organizado pela Editoria), História Oral (organização de Paulo Roberto de Almeida), Homenagem a Jorge Andrade – 50 anos d’A Moratória: Encruzilhadas da Literatura e da História (organização de Diógenes Maciel), Cinema-História (organização de Sheila Schvarzman), Teoria da História (organização de Pedro Spinola Pereira Caldas), História e Visualidades (organização de Alcides Freire Ramos), Teorias do Espetáculo e da Recepção (organização de Robson Camargo), Mundo Romano (organização de Ana Teresa Marques Gonçalves), Estudos Literários (organizado pela Editoria), História da Ciência (organização de Antonio Augusto Passos Videira), História Cultural & Multidisciplinaridade (organizado por Sandra Pesavento, Mônica Pimenta Velloso e Antonio Herculano) Sandra Jatahy Pesavento: a Historiadora e suas Interlocuções (organizado por Nádia Maria Weber Santos, Maria Luiza Martini e Miriam de Souza Rossini), Jogos Teatrais no Brasil: 30 Anos (organizado por Ingrid Dormien Koudela e Robson Corrêa de Camargo), O Tapete Voador – Teorias do Espetáculo e da Recepção (organizado por Marcus Mota e Robson Corrêa de Camargo), Tempo e História (organizado por André Fabiano Voigt), Histórias Visuais: Experiências de Pesquisa entre História e Arte (organizado por Maria Elizia Borges e Heloisa Selma Fernandes Capel) e História e Saúde (organizado por Iranilson Buriti de Oliveira).

Vale salientar que, ao longo desse período, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais deu passos decisivos para a sua consolidação no meio acadêmico. Isto pode ser afirmado não somente por ter sido incluída no Portal de Periódicos de Acesso Livre da CAPES e em um importante indexador internacional, o DOAJ – Directory of Open Access Journals, ambas ocorridas em 2006, mas também pelo fato de ela ter melhorado sua avaliação no QUALIS CAPES. Tudo isso contribuiu para o aumento de seu impacto junto à comunidade acadêmica nacional e internacional das áreas de História, Letras e Artes.

Como comprovação dessa melhora merece destaque o aumento considerável da remessa de artigos, a predominância da colaboração de doutores e o recebimento de artigos internacionais. Outro indicador importante para a avaliação das atividades desenvolvidas nesses últimos anos diz respeito ao número de visitas ao site www.revistafenix.pro.br, isto é, até o momento, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais recebeu cerca de UM MILHÃO E QUINHENTAS MIL (1.500.000) CONSULTAS, assim divididas: 70% dos acessos originam-se do Brasil, e os 30% restantes são internacionais (Portugal, EUA, México, França, Itália, Espanha, Alemanha, Suécia, Inglaterra, entre outros).

Para melhorar ainda mais, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais, desde o início de 2013, por decisão de seus editores, passou a lançar seus números de seis em seis meses. Essa mudança, longe de apontar para um estreitamento do espaço utilizado para a divulgação de artigos e resenhas, tem permitido a otimização dos recursos humanos e materiais disponíveis para o cumprimento de todas as etapas de trabalho envolvidas na edição de uma revista científica.

Nunca é demais lembrar: tudo o que foi feito, desde o mês de dezembro de 2004, em prol da melhoria, expansão e diversificação deste periódico científico, deveu-se ao envolvimento da Secretaria Executiva, dos Conselhos Editorial e Consultivo, bem como de nosso Webmaster. O desprendimento e a coragem dos diretamente envolvidos nessa empreitada foram de grande importância para o bom encaminhamento dos trabalhos, mantendo a qualidade editorial e publicando artigos de excelência.

Mais um bom exemplo dessa afirmação pode ser verificado neste número, que ora vem a público. Para nós é uma honra poder publicar os excelentes artigos de Ailton Pereira Morila (UFES), Aldo Dinucci (UFS), Alfredo Julien (UFS), Angela Nucci (UNICAMP), Carlos Nogueira (UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA), Cléria Botêlho da Costa (UnB), Daniel da Silva Klein (UFAC), Danielle Heberle Viegas (PUCRS), Emília Saraiva Nery (UFU), Fábio Lopes da Silva (UFSC), Francisco Alcides do Nascimento (UFPI) e Francisco das Chagas F. Santiago Júnior (UFRN).

Como se isso não bastasse, a seção reservada às Resenhas presenteia o leitor com quatro (04) avaliações críticas que merecem ser vistas mais de perto, cujos autores são: Rosangela Patriota Ramos (UFU), Rodrigo Francisco Dias (UFU), José Wellington Dias Soares (UFMG), Márcio Henrique Muraca (UFU) e Andreza Santos Cruz Maynard (UNESP).

Mais uma vez, agradecemos pelas resenhas e artigos enviados e, antecipadamente, pelo apoio na divulgação deste periódico.

Boa leitura a todos!

Alcides Freire Ramos, Rosangela Patriota e Rodrigo de Freitas Costa
Editores da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais

RESUMO: Neste artigo são discutidos dois procedimentos largamente empregados nas análises das cenas de assembleia na Ilíada e na Odisseia: o da atribuição de significados para os vocábulos dêmos e laós e o da determinação de como teria se operado a composição dos poemas, vinculando-os, por esse procedimento, a referências sociais externas, que acabam servindo de pontos de referências para a condução da análise.

PALAVRAS-CHAVE: Ágora – Ilíada – Odisseia

RESUMO: Como veremos nas páginas seguintes, o Encheirídion de Epicteto desperta interesse desde a Antiguidade. Durante a Idade Média Europeia foi olvidado, enquanto o mesmo não se deu entre os cristãos bizantinos, que chegaram a lhe dedicar três paráfrases. Com o fim de Bizâncio, chegou à Europa através da Renascença Italiana, sendo difundido pelos católicos. Posteriormente traduzido por simpatizantes da Reforma, que viam nele um apoio contra a ortodoxia romana cristã, acabou sendo duramente atacado pelos agostinianos, crítica cujos ecos foram propalados por Pascal. Em sua versão de popularização do Encheirídion de Epicteto, Leopardi defende a filosofia epictetiana dos ataques de Pascal.

PALAVRAS-CHAVE: Epicteto – Estoicismo – Helenismo – Pascal – Leopardi

RESUMO: O presente artigo analisa algumas canções do final do século XIX e início do século XX na cidade de São Paulo. Uma das temáticas mais frequentes destas canções é o amor. E é nestas canções de amor que podemos encontrar temas como desilusões e saudades; visões da mulher; casamento; promessas, desejos e juras perpassadas por questões do cotidiano e do contexto histórico como urbanização, migração e imigração.

PALAVRAS-CHAVE: Canção Popular – Canções de Amor – Cultura Popular – Cidade de São Paulo – Final do século XIX e início do XX

RESUMO: F. M. Dostoiévski não se tornou célebre apenas por seus romances, mas foi um dos mais importantes jornalistas de sua época. Além de atuar nos jornais Tempo e Época, trabalhou como editor-chefe do periódico Cidadão quando passou a escrever uma coluna intitulada Diário de um escritor. Foi esta produção que impulsionou a criação de um jornal homônimo, publicado entre 1876 e 1881. Esta produção reforça a percepção de um ideário político inserido em seus romances e contos, mostrando como mesmo sob o disfarce da ficção, a literatura russa constituiu um campo de debate de diversas questões frente à censura do governo. Estes dados anunciam elementos utópicos em O Sonho de um homem ridículo – Narrativa fantástica, publicado em 1877, no Diário de um escritor, seja pela crítica do autor a determinadas correntes filosóficas do séc. XIX seja pela constituição de um projeto humanista segundo um modelo filosófico-religioso que iria inspirar toda uma safra de pensadores dentro e fora da Rússia.

PALAVRAS-CHAVE: Dostoiévski, Fiódor Mikhailovitch – Utopia – Misticismo russo – Sobornost

RESUMO: A herança que os Grimm nos deixaram não se resume aos duzentos e dez contos dos Kinder- und hausmärchen, cujo estilo tem seduzido gerações e gerações de leitores e ouvintes, e conduzido a inúmeras adaptações (contos de autor, filmes, desenhos animados, banda-desenhada, música…). Como veremos neste artigo, o legado destes autores está também no método de recolha e de edição que eles definiram e divulgaram, e na dignidade e notoriedade que vieram trazer tanto às literaturas orais e populares como à literatura infanto-juvenil.

PALAVRAS-CHAVE: Grimm – Contos – Recolha e Edição

RESUMO: O texto que segue propõe uma periodização sobre as praticas envolvendo as festas juninas em Rio Branco, enfocando elementos que marcaram épocas distintas tais como os arraiais de salões voltados para a elite, os de rua com suas atrações populares e aqueles direcionados para exibições de competições entre quadrilhas. Evidencia-se, nesse sentido, as características que foram sendo modificadas no conjunto das festas juninas, analisando-se para tanto notícias de jornal e fontes bibliográficas.

PALAVRAS-CHAVE: Festas Juninas – Cultura – Sociabilidade

RESUMO: A cidade apresenta-se como desafio, problema a ser interpretado, compreendido como objeto de estudo; e, por ser também objeto de múltiplos saberes, discursos e olhares, a partir dela se constroem múltiplas imagens, que têm como suporte a arquitetura, a publicidade, a fotografia, o cartaz, o selo, a pintura, a literatura, correspondências. Isto para citar alguns dos registros com os quais o historiador trabalha em sua oficina. O presente artigo discorre acerca das cartas escritas em e sobre Oeiras (PI), na década de 1980, pelo intelectual Possidônio Queiroz. Para a construção do texto, destacamos o fato de Possidônio Queiroz ter cantado esta cidade em música, crônicas, discursos, conferências, saudações e cartas, e, mesmo assim, ter sido esquecido. Contudo, tendo em vista que a fonte “cartas” ainda não foi explorada, temos a pretensão de anunciar seu uso na construção da narrativa historiográfica para destacar as Oeiras de Possidônio.

PALAVRAS-CHAVE: Oeiras – Imagem – Cartas – Narrativa Historiográfica – Memória

RESUMO: O artigo objetiva compreender a sensibilidade presente na memória autobiográfica de uma guerrilheira sobrevivente, no conflito conhecido como Guerrilha do Araguaia ocorrida no norte do Brasil, no Estado do Pará (1972-1974), em plena ditadura militar brasileira (1964-1985). Conflito liderado pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e empreendido por jovens universitários dos quais poucos sobreviveram. O argumento utilizado será o de que a memória autobiográfica além de ser um relato de si, ela se configura como uma relação do sujeito/narrador com o outro, com o mundo da vida. Relação que se expressa por meio dos sentimentos, da sensibilidade, portanto é uma construção sensível do narrador e do mundo em que ele vive. Metodologicamente, buscaremos identificar e compreender a sensibilidade da narradora expressa em narrativas de sobreviventes e em documentos, forma do ser humano relacionar-se e interagir com o outro.

PALAVRAS-CHAVE: Guerrilha do Araguaia – Guerrilheira – Autobiografia – Memória – Ditadura Militar

RESUMO: Este artigo, concebido a partir de uma interlocução existente entre a História Urbana e a História Visual, busca comunicar a respeito de um estudo de caso realizado em Canoas/RS. O objetivo da investigação foi o de analisar o(s) modo(s) de apreensão da urbanização da cidade através da fotografia em dois tempos (1952/1978). O recorte temporal limitado pelos anos citados é caracterizado por intensas transformações territoriais e populacionais em Canoas, que foram registradas, entre outras produções, pelas fotografias. Em termos teórico-metodológicos, adotou-se a ideia de que a fotografia é tanto um suporte material (documento) quanto uma elaboração cultural (representação) da realidade em questão. São destaques do texto as especificidades da constituição de um trabalho com fotografias vinculadas a uma cidade metropolitana, a elucidação das diferentes temporalidades do processo de urbanização das cidades brasileiras e as possibilidades de pesquisa decorrentes do cruzamento de fontes orais e imagéticas..

PALAVRAS-CHAVE: Fotografia e História – Fotografia e Oralidade – Urbanização – Cidades metropolitanas – Canoas/RS (Brasil)

RESUMO: Este artigo trata, inicialmente, de uma problematização sobre o lugar “privilegiado” dos músicos, especialmente do baiano Tom Zé, para interpretar suas canções e trajetórias musicais. Em seguida, aborda-se o debate sobre a existência de uma hierarquia entre a Literatura e a Canção na proposta de uma linha evolutiva na Música Popular Brasileira. Por fim, aponta-se os elementos questionadores das noções de autor e obra na arte de Tom Zé, tais como: o plágio de outras músicas e o princípio da obra aberta.

PALAVRAS-CHAVE: Hermenêutica – Estética – Tom Zé

RESUMO: Sob a inspiração de Sodré (1998) e de suas observações a respeito do papel do samba na redefinição do espaço urbano carioca em princípios do século XX, este ensaio aborda acontecimentos bem mais recentes: os pagodes que, desde meados dos anos 1970, acontecem na quadra do bloco carnavalesco Cacique de Ramos. Entrevistas que fiz com os participantes dessas rodas de samba revelam a peculiar relação desses eventos com a geografia carioca. Argumentarei que a especificidade dessa relação foi determinante no reposicionamento das populações e dos valores afrodescendentes.

PALAVRAS-CHAVE: Cacique de Ramos – Samba – Espaço

RESUMO: Este texto visa mostrar a emergência e manutenção de padrões raciais na história recente dos EUA partir das imagens de raça e terror racial nos quadrinhos dos X-Men. Comparando a concepção de raça em diferentes momentos dos X-Men e demonstrando seu papel na re-construção da identidade e do imaginário racial norte-americano, observaremos as possibilidades de análise histórica e o uso dos gibis como fontes para a história social e cultural. A partir de uma postura de uma história das imagens dos quadrinhos, mostraremos como a idéia de raça foi construída visualmente e como a própria crítica de tal concepção garantiu sua manutenção nos últimos cinquenta anos da história norte-americana.

PALAVRAS-CHAVE: Historiografia e histórias em quadrinhos – X-Men – Raça e terror racial