Vol.11 Ano XI nº 2 - Julho - Dezembro de 2014

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DEZ ANOS DE EXISTÊNCIA!
MAIS DE DOIS MILHÕES (2.000.000) DE LEITORES!

É com imensa satisfação que lançamos o número que comemora os DEZ (10) ANOS DE EXISTÊNCIA da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais (Volume 11, Ano XI, Número 2 – Julho / Dezembro – 2014).

Nesse momento de celebração, devemos recordar: muito do que foi feito, desde o mês de dezembro de 2004, em prol da melhoria, expansão e diversificação deste periódico científico, deveu-se ao envolvimento da Secretaria Executiva, dos Conselhos Editorial e Consultivo, bem como de nosso Webmaster. Devemos, aqui, expressar os nossos mais sinceros agradecimentos e a nossa gratidão a todos(as) que se envolveram, com desprendimento e coragem, nessa empreitada. Os esforços empreendidos por todas essas pessoas foram de grande importância para o bom encaminhamento dos trabalhos, mantendo a qualidade editorial e publicando artigos de excelência. Ao lado disso, devemos, com muita alegria, agradecer a todos aqueles que enviaram seus artigos, pois, fazendo isso, contribuíram para a consolidação da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais, ao longo desses dez (10) anos. Por fim, mas não menos importante, devemos aqui registrar uma especial manifestação de agradecimento aos nossos leitores: sem eles, nada disso teria sido possível. Foi graças ao interesse e ao apoio dos nossos leitores que esse projeto editorial obteve acolhida tão positiva.

Quando, o site www.revistafenix.pro.br entrou no ar, em dezembro de 2004, o nosso objetivo era o de trazer ao público leitor uma publicação que se caracterizasse pela agilidade, universalidade e gratuidade. Essa preocupação, porém, não encerrava as expectativas depositadas na sua criação. Pelo contrário, o grande propósito era tornar acessível uma publicação capaz de incentivar a interlocução acadêmica e a ampla divulgação de pesquisas de alto nível, procurando traduzir a dinâmica e a diversidade dos diálogos interdisciplinares da pesquisa histórica e dos Estudos Culturais.

Os resultados positivos obtidos com esse projeto, considerando também a atual edição, materializam-se na publicação de OITENTA E CINCO (85) RESENHAS QUATROCENTOS E SETENTA E QUATRO ARTIGOS (474) ARTIGOS, oriundos de diferentes estados: Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Pernambuco, Piauí, Paraíba, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Distrito Federal.

Ademais, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais acolheu DEZOITO (18) DOSSIÊS, a saber: Chico Buarque & Vianinha: arte e política no Brasil Contemporâneo (organizado pela Editoria), História Oral (organização de Paulo Roberto de Almeida), Homenagem a Jorge Andrade – 50 anos d’A Moratória: Encruzilhadas da Literatura e da História (organização de Diógenes Maciel), Cinema-História (organização de Sheila Schvarzman), Teoria da História (organização de Pedro Spinola Pereira Caldas), História e Visualidades (organização de Alcides Freire Ramos), Teorias do Espetáculo e da Recepção (organização de Robson Camargo), Mundo Romano (organização de Ana Teresa Marques Gonçalves), Estudos Literários (organizado pela Editoria), História da Ciência (organização de Antonio Augusto Passos Videira), História Cultural & Multidisciplinaridade (organizado por Sandra Pesavento, Mônica Pimenta Velloso e Antonio Herculano) Sandra Jatahy Pesavento: a Historiadora e suas Interlocuções (organizado por Nádia Maria Weber Santos, Maria Luiza Martini e Miriam de Souza Rossini), Jogos Teatrais no Brasil: 30 Anos (organizado por Ingrid Dormien Koudela e Robson Corrêa de Camargo), O Tapete Voador – Teorias do Espetáculo e da Recepção (organizado por Marcus Mota e Robson Corrêa de Camargo), Tempo e História (organizado por André Fabiano Voigt), Histórias Visuais: Experiências de Pesquisa entre História e Arte (organizado por Maria Elizia Borges e Heloisa Selma Fernandes Capel), História e Saúde (organizado por Iranilson Buriti de Oliveira) e Encontros entre Brasil e Itália: Intercâmbios Acadêmicos [organizado por Rodrigo de Freitas Costa e Fulvia Zega (Università degli Studi di Genova)].

Vale salientar que, ao longo desse período, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais deu passos decisivos para a sua consolidação no meio acadêmico. Isto pode ser afirmado não somente por ter sido incluída no Portal de Periódicos de Acesso Livre da CAPES e em um importante indexador internacional, o DOAJ – Directory of Open Access Journals, ambas ocorridas em 2006, mas também pelo fato de ela ter melhorado sua avaliação no QUALIS CAPES. Atualmente, é avaliada como B1 (Qualis Capes da área de História). Tudo isso contribuiu para o aumento de seu impacto junto à comunidade acadêmica nacional e internacional das áreas de História, Letras e Artes.

Outra comprovação dessa melhora merece destaque: o aumento considerável da remessa de artigos, a predominância da colaboração de doutores e o recebimento de artigos internacionais. Acrescente-se como indicador importante para a avaliação das atividades desenvolvidas, nesses últimos anos, o número de visitas ao site www.revistafenix.pro.br e de Downloads dos arquivos. Em outros termos: até o momento, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais recebeu MAIS DE DOIS MILHÕES (2.000.000) DE LEITORES, assim distribuídos: 70% dos acessos originam-se do Brasil, e os 30% restantes são internacionais (Portugal, EUA, México, França, Itália, Espanha, Alemanha, Suécia, Inglaterra, entre outros).

Para melhorar ainda mais, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais, desde o início de 2013, por decisão de seus editores, passou a lançar seus números de seis em seis meses. Essa mudança, longe de apontar para um estreitamento do espaço utilizado para a divulgação de artigos e resenhas, tem permitido a otimização dos recursos humanos e dos materiais disponíveis para o cumprimento de todas as árduas etapas de trabalho, envolvidas na edição de uma revista científica de qualidade.

Mais um bom exemplo dessa preocupação constante com a qualidade pode ser verificado neste número, que ora vem a público. Nessa edição comemorativa, o periódico Fênix publica um DOSSIÊ intitulado Encontros entre Brasil e Itália: Intercâmbios Acadêmicos, sob a organização do Prof. Dr. Rodrigo de Freitas Costa (Universidade Federal do Triângulo Mineiro – UFTM) e da Profa. Dra. Fulvia Zega (Università degli Studi di Genova), que conta com a colaboração de SETE (07) pesquisadores: Alcides Freire Ramos (Universidade Federal de Uberlândia – UFU), Chiara Vangelista (Università degli Studi di Genova – Itália), Cléria Botelho da Costa (Universidade de Brasília – UnB), Edgard Vidal (Centre National de La Recherche Scientifique – Paris), Paulo Roberto Monteiro de Araújo (Universidade Presbiteriana Mackenzie), Rodrigo de Freitas Costa (Universidade Federal do Triângulo Mineiro – UFTM) e Rosangela Patriota (Universidade Federal de Uberlândia – UFU).

Nesse número comemorativo, para nós, é uma honra poder publicar DEZESSEIS (16) excelentes ARTIGOS na SEÇÃO LIVRE, cujos autores(as) são: Adalmir Leonidio (Universidade de São Paulo – USP), André Luis Bertelli Duarte (Universidade Federal de Uberlândia – UFU), Carolina Coelho Fortes (Universidade Federal Fluminense – UFF/Goytacazes), Cíntia Christiele Braga Dantas (Universidade Federal de Uberlândia – UFU), Fábio Feltrin de Souza (Universidade Federal da Fronteira Sul – UFFS), Frederico Osanan Amorim Lima (Universidade Federal do Piauí – UFPI) / Francisco José Leandro Araújo de Castro (Universidade Federal do Piauí – UFPI), Genesco Alves de Sousa (Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC) / Ricardo Oliveira de Freitas (Universidade do Estado da Bahia – UNEB), Heloisa Selma Fernandes Capel (Universidade Federal de Goiás – UFG), Ivone Maria Xavier de Amorim Almeida (Universidade da Amazônia – UNAMA/PA), Josette Monzani (Universidade Federal de São Carlos – UFSCar) / Daniela Ramos de Lima (Universidade Federal de São Carlos – UFSCar), Juliana Prestes Ribeiro de Faria (Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP) / Marco Antônio Penido Rezende (Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG), Leila Teresinha Maraschin (Universidade Federal de Santa Maria – UFSM), Maria Betânia B. Albuquerque (Universidade do Estado do Pará – UEPA), Maria Simone Morais Soares (Universidade Federal da Paraíba – UFPB) / Maria Berthilde Moura Filha (Universidade Federal da Paraíba – UFPB), Nádia Maria Weber Santos (Centro Universitário La Salle – Unilasalle) e Robson Mendonça Pereira (Universidade Estadual de Goiás – UEG).

Como se isso não bastasse, a seção reservada às RESENHAS presenteia o leitor com CINCO (05) textos instigantes. De fato, merecem ser vistas, mais de perto, as avaliações críticas de Ademir Luiz da Silva (Universidade Estadual de Goiás – UEG), Elson de Assis Rabelo (Universidade Federal do Vale do São Francisco – UNIVASF), Ivan Luís Lima Cavalcanti (Universidade Federal da Paraíba – UFPB), Leomir C. Hilário (Universidade Estadual do Rio de Janeiro – UERJ) e Talitta Tatiane Martins Freitas (Universidade Federal de Uberlândia – UFU).

Mais uma vez, agradecemos pelas resenhas e artigos enviados e, antecipadamente, pelo apoio na divulgação deste periódico.

Boa leitura a todos!

Alcides Freire Ramos, Rosangela Patriota e Rodrigo de Freitas Costa
Editores da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais

RESUMO: O artigo faz uma análise da forma como as culturas portuguesa e brasileira tem representado em sua literatura dois tipos básicos de bandido, o justiceiro e o vingador. Por que determinadas culturas parecem tolerar bem mais do que outras estes tipos sociais? Mais que isso, por que algumas delas, por vezes, os transformam em heróis nacionais? Para o estudo foram usados partes dos escritos autobiográficos de Camilo Castelo Branco (Memórias do cárcere) e o romance O Cabeleira, de Franklin Távora.

PALAVRAS-CHAVE: Justiceiro – Vingador – Literatura Portuguesa – Literatura Brasileira

ESUMO: Na construção historiográfica do teatro brasileiro moderno, as formas da comédia popular foram “superadas” a partir da implantação de novas formas teatrais, expoentes de uma visão de mundo mais condizente com as conquistas da modernidade. Este artigo procura demonstrar que esta construção teórica e discursiva legitima um determinado projeto cultural e civil para o país que remonta ao século XIX e recebe nova roupagem em meados do século XX.

PALAVRAS-CHAVE: Comédia – Teatro – Modernização – Cultura Brasileira

RESUMO: Muito se debateu, e ainda se debate, sobre as contribuições das teorias pós-modernas à História. Buscaremos, neste artigo, situar o contexto de surgimento e as definições dadas ao conjunto dessas teorias, no intuito de analisar a obra A Condição Pós-Moderna, de Jean-François Lyotard. Esta análise verificará tanto as ideias centrais do autor sobre os saberes, quanto os diálogos que estabelece com outros pensadores. Embora considerada por muitos estudiosos uma obra datada, tendo sido alvo de duras críticas, nosso principal objetivo é perceber em que medida seus postulados podem se aplicar ao fazer historiográfico. Objetivamos igualmente demonstrar que muito das críticas voltadas ao dito paradigma pós-moderno não se aplicam às ideias de Lyotard, bem como estas se conciliam de maneira enriquecedora e crítica ao saber histórico.

PALAVRAS-CHAVE: Pós-Modernismo – Jean-François Lyotard – Historiografia

RESUMO: Nos filmes de Glauber Rocha existe uma tentativa de materializar o processo de conscientização, por meio da trajetória de personagens que buscam superar a condição de dependência, típica de um país subdesenvolvido que um dia fora colônia. A superação dessa condição seria alcançada pela revolução, que no caso brasileiro aconteceria não pela via da razão esclarecida, mas sim pelo transe, pela instabilidade das consciências. A proposta aqui é pensar por quais motivos o uso do método dialético é insuficiente na leitura do transe revolucionário de Glauber Rocha. A busca pelo método mais adequado de interpretação do universo glauberiano seria solucionada após a descoberta do delírio, entendido como uma espécie de anti-método, ou, desvio do caminho.

PALAVRAS-CHAVE: Dialética – Transe – Delírio – Revolução da Consciência

RESUMO: O objetivo deste artigo é examinar a relação entre as telas sobre o rapto de cativas pintada pelo bávaro Johann Moritz Rugendas e a construção de um discurso nacional na Argentina. Essas imagens construíram uma fundação para a Argentina em meados do século XIX quando transformara a cativa raptadas por índios num dispositivo de desejo. O gesto do pintor-viajante, cruzado com discursos da geração romântica de 1837, escreveram as fronteiras, as linhas divisórias entre o “nós” e o “eles”, com violência. Essa construção classificou os personagens que estariam dentro e os que estariam fora dos contornos nacionais. Também buscamos analisar a impureza dessa formulação de Rugendas, na medida em que essa imagem fundacional (o ato de raptar) é impura, é uma avaria, está contaminada e sobreposta por vários tempos.

PALAVRAS-CHAVE: Rugendas – Argentina – Rapto – Geração de 1837 – Nação

RESUMO: O artigo a seguir aborda a linguagem artística no jornalismo experimental praticado por uma parcela da juventude em Teresina-PI, nos anos iniciais da década de 1970, no sentido de instaurar novos signos de comunicação e abrir canais de comunicação em meio a um clima de censura. Durvalino Couto Filho, Torquato Neto, Carlos Galvão, Edmar Oliveira, Paulo José Cunha, entre outros, por meio de uma atividade de produção artístico-jornalística, como os suplementos culturais Hora Fatal, O Estado Interessante, bem como o mimeografado Gramma, na esteira da literatura/arte marginal, buscavam, gradativamente, quebrar com uma cultura dita do “verbo engravatado”, uma cultura “oficial” na cidade, bem como prospectar novos sentidos com a linguagem.

PALAVRAS-CHAVE: Linguagem – Jornalismo experimental – Juventude – Cultura

RESUMO: O artigo apresenta uma análise da obra e do processo criativo do fotógrafo afro-brasileiro Eustáquio Neves, tendo como corpus a série fotográfica “Máscara de punição” (2002-2003). As reflexões são inspiradas na “Filosofia da fotografia” de Vilém Flusser (1985), assim com nas contribuições de Stuart Hall (2005), Muniz Sodré (2005) e Boris Kossoy (1999; 2002). O artigo pretende contribuir para o estudo das referências simbólicas que envolvem os processos de valorização e de reconhecimento das identidades afro-brasileiras no âmbito da cultura nacional.

PALAVRAS-CHAVE: Identidade Afro brasileira – Imagem – Representação

RESUMO: O artigo discute o lugar do pintor e professor da Escola Nacional de Belas Artes (RJ) Modesto Brocos y Gomez (1852-1936) no debate sobre a identidade da arte brasileira no final do século XIX e inícios do século XX. Evidencia os primórdios do debate sobre a arte nacional na Academia Imperial de Belas Artes e o posicionamento do pintor compostelano em sua obra escrita e pictórica, bem como as relações estabelecidas entre o pensamento do pintor, suas vinculações institucionais e apropriações pela crítica de arte. Parte da hipótese que a recepção da obra do pintor acompanha os movimentos de parte da elite intelectual brasileira e as tensões políticas que se estabelecem no final do Império e início da República.

PALAVRAS-CHAVE: Modesto Brocos – Identidade Nacional – Crítica de Arte

RESUMO: A corda é, juntamente com a Santa e a berlinda, um dos signos mais antigos do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, festa religiosa ligada ao catolicismo devocional que acontece na Cidade de Belém/PA, há mais de duzentos anos. Este artigo pretende investigar a Corda como parte integrante da Festa de Nazaré. Sua vitalidade e permanência advém das disputas e embates travadas por setores populares e elite dirigente da Festa. A análise deste signo da festividade como espaço onde se processa o fenômeno luta cultural encontra amparo nas discussões teóricas de Stuart Hall (2006). Na mesma proporção, considerar a corda como espaço de tensão e disputa é percebe-la, como o momento da articulação de diferenças culturais, ou melhor dizendo, o entre-lugar.

PALAVRAS-CHAVE: Catolicismo Devocional – Luta Cultural – Entre-Lugar

RESUMO: Este artigo apresenta uma leitura do curta-metragem de animação Tempestade (Cesar Cabral, Coala Filmes, 2010) enquanto aporte a códigos culturais. A proposição de uma animação como fonte documental pauta-se na aproximação entre os pressupostos oferecidos, em especial, pelo historiador Marc Ferro e pelo filósofo Gaston Bachelard, além da análise de documentos processuais, os quais representam marcas do papel da memória e do imaginário no processo de criação, a partir da visão da crítica genética.

PALAVRAS-CHAVE: Animação – Memória – Imaginário – Processo Criativo – Fonte documental

RESUMO: O presente artigo trata das relações arquitetônicas e tecnológicas que se teceram entre o Brasil e a África Ocidental no âmbito da arquitetura de terra, considerando-se que estes foram resultado do nosso processo de colonização. Desta forma procedeu-se com uma releitura do passado através da comparação entre as descrições dos viajantes e a iconografia pertinente, que nos permitiu identificar materiais, técnicas e elementos arquitetônicos semelhantes dos dois lados do Atlântico, e assim inferir a existência de inter-relações tecnológicas entre o Brasil e a África Ocidental.

PALAVRAS-CHAVE: Literatura de viagem – História da Técnica – Relações entre Brasil e África Ocidental

RESUMO: Este trabalho aborda alguns aspectos referentes ao mito do rei Midas, inicialmente conforme os versos 85-193 do Livro XI das Metamorfoses de Ovídio, em que é contada a trajetória deste personagem em dois momentos distintos. A seguir, são apresentadas outras versões e interpretações diferentes deste mito, que poderiam conduzi-lo a novas associações, inclusive à figura do tradutor.

PALAVRAS-CHAVE: Reflexões – Metamorfoses – Midas – Tradutor

RESUMO: Trata-se o presente artigo de uma análise sobre os diversos significados que as plantas, bebidas e alimentos assumiam no Brasil colonial, bem como das relações de poder que os perpassavam. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa histórica baseada nos relatos de cronistas e viajantes, bem como nas cartas de padres jesuítas e de outras ordens que, ao andarem por estas paragens nos séculos XVI e XVII, descreveram o cotidiano dos primeiros habitantes e suas impressões sobre a fartura da terra e dos alimentos. Com base nos pressupostos da história cultural, em particular da história da alimentação, procura-se evidenciar a ambiguidade e complexidade com que eram vistos os alimentos no Brasil colonial, destacando suas dimensões místicas. Vistas como alimento, remédio ou veneno, plantas, comidas e bebidas possuíam forte carga simbólica, além de serem práticas atravessadas por fortes relações de poder.

PALAVRAS-CHAVE: História – Alimentação – Relações de Poder – Brasil Colônia

RESUMO: O presente artigo tem por objetivo discutir a formação dos arraiais nos Sertões de Piranhas e Piancó (Paraíba), Sertões do Seridó e Açu (Rio Grande do Norte) e Sertão de Jaguaribe (Ceará) em fins do século XVII. Os arraiais surgiram no contexto da “Guerra dos Bárbaros”, conflitos entre colonos e povos indígenas, enquanto pontos fixos militares, os quais, posteriormente, constituíram-se nas primeiras aglomerações urbanas dos referidos Sertões. O trabalho é resultante da pesquisa de mestrado desenvolvida entre 2010 e 2012 no âmbito do PPGAU – UFPB, cujo objetivo estava voltado para a compreensão da formação e a estruturação da rede urbana no Sertão de Piranhas e Piancó na Capitania da Paraíba durante o século XVIII. Teve por base uma revisão historiográfica do tema e a pesquisa documental em arquivos como o AHU (Arquivo Histórico Ultramarino), os Documentos Históricos do Arquivo Nacional, o Acervo do Cartório I Oficio de Notas “Cel João Queiroga” (Pombal-PB), o Instituto Histórico e Geográfico Paraibano e o Arquivo Histórico do Estado da Paraíba.

PALAVRAS-CHAVE: Arraiais – Guerra dos Bárbaros – Sertões

RESUMO: Meus estudos de representações e sensibilidades sobre a loucura em textos literários do início do século XX (através da história cultural) remontam a 1998, quando eu encontrei, nos registros médicos do hospital psiquiátrico São Pedro, em Porto Alegre (Brasil), doze cartas escritas por um paciente mental que nunca foram enviadas. Como psiquiatra e historiadora, estou interessada na idéia de que o “louco” tem de si e de sua loucura. Posteriormente, examinei outros textos de ficção na literatura brasileira (Lima Barreto e Rocha Pombo) e Quebec (Émile Nelligan) que se relacionam com ‘escritos de asilo’, a partir dos quais observei como a escrita de ficção – que nesse contexto estimula a criatividade – é revelada como fonte e expressão da memória e (re) construção da identidade dos indivíduos (escritores, aqui!) em situação de exclusão social. Neste artigo, gostaria de compartilhar, resumida e comparativamente, os resultados desta pesquisa, que completa 15 anos em suas diversas etapas, a partir dos textos dos autores mencionados.

PALAVRAS-CHAVE: Memória – Histórias de loucura – Literatura – Asilo – Sensibilidades

RESUMO: Neste artigo pretendo abordar as categorias de modernidade e modernização cultural na cidade de São Paulo durante nos anos 1910. O foco de análise se volta para a vivência cotidiana destas mudanças por um protagonista privilegiado, o presidente de Estado Altino Arantes. Este manteve um registro diário e pormenorizado de eventos (festas, óperas, films), espaços (teatros, cinemas, salões) e atores culturais. Em diversos momentos comenta de maneira crítica alguns destes eventos, revelando uma percepção elitista e tradicional, mas não menos interessante acerca do universo cultural provinciano da capital paulista e dos limites da fantasia da modernidade.

PALAVRAS-CHAVE: Modernidade – Cultura – São Paulo – Escrita de si

DOSSIÊ ENCONTROS ENTRE BRASIL E ITÁLIA: INTERCÂMBIOS ACADÊMICOS

RESUMO: Este artigo, através do estudo de três fotografias, analisa momentos relativos à Missão Rondon no interior do Brasil, seja no que se refere aos acontecimentos propriamente ditos, seja relativo às representações históricas delas (fotografias) advindas. Ao mesmo tempo, o texto apresenta reflexões metodológicas para o uso da fotografia em estudos históricos.

PALAVRAS-CHAVE: Fotografia e História – Análise Visual – Missão Rondon – Índios brasileiros – Theodore Roosevelt

RESUMO: Este texto visa discutir de que maneira, por intermédio do teatro, é possível apreender a circularidade cultural e, por que não dizer, política entre o Brasil e Itália. Embora sejam amplamente conhecidas as interconexões que se estabeleceram entre esses dois países, em termos artísticos, na cidade de São Paulo, seja em relação às artes cênicas, ao cinema, às artes plásticas, à literatura e à arquitetura, não podemos, quando nos reportamos a esta temática, ignorar o impacto que a encenação de Morte Acidental de um Anarquista, em 1982, pela Companhia Estável de Repertório (C.E.R.), que teve à frente o ator e produtor Antonio Fagundes, sob a direção de Antônio Abujamra.

PALAVRAS-CHAVE: Teatro Brasileiro – Dramaturgia Italiana – Antonio Fagundes – Dario Fo – Companhia Estável de Repertório (CER) – Morte Acidental de um Anarquista

RESUMO: Este artigo discute o processo de recepção do teatro de Luigi Pirandello no Brasil nos anos 1920, tendo por pressuposto a valorização dos diálogos sociais e culturais estabelecidos entre Brasil e Itália desde o século XIX. Assim, realçamos breves aspectos da imigração italiana, a importância estética do autor e as suas propostas de renovação teatral com o objetivo de aprofundar, no âmbito do conhecimento histórico, os estudos sobre as práticas culturais e artísticas de uma época.

PALAVRAS-CHAVE: Luigi Pirandello – Teatro brasileiro – Diálogos culturais

RESUMO: Com este texto, desejo discutir a circularidade cultural e política entre o Brasil e a Itália, elegendo as obras cinematográficas de Paulo César Saraceni como foco principal. Porto das Caixas e O Desafio serão discutidos de maneira mais detalhada de modo a mostrar os diálogos existentes entre Saraceni e o cinema italiano.

PALAVRAS-CHAVE: Cinema Brasileiro – Paulo César Saraceni – Cinema Italiano

RESUMO: O artigo trata da questão da relação cultural entre Brasil e Itália a partir da análise do filme A Grande Beleza. Deste modo, a preocupação é elaborar uma interpretação crítica da contemporaneidade social e cultural de ambos os países.

PALAVRAS-CHAVE: Contemporaneidade – Cultura – Monumento – Beleza – Circularidade

RESUMO: Seguiremos a trajetória pictórica e musical muito diferente de dois pintores do início do século XX: o uruguaio Joaquin Torres-García e o italiano Luigi Russolo. Ambos compõem a vanguarda do momento, um do construtivismo e o outro do futurismo, trabalhando juntos para a revista “Cercle et Carré” em Paris. Ambos estão fazendo uma sutil alquimia da música e da pintura, um sem abandonar o último, o outro removendo as artes plásticas para inovar na música. Analisar a influência teórica da teosofia entre os membros da revista nos permite entender temas posteriores de ambas as estéticas, em particular para a compreensão de temas recorrentes no criador do construtivismo latino-americano.

PALAVRAS-CHAVE: Joaquin Torres-García – Luigi Russolo – Música e pintura – Teosofia

RESUMO: O propósito deste artigo é refletir sobre o contar histórias enquanto uma tradição oral legada por nossos ancestrais e que se apresenta envolta no manto da memória, logo tangenciada por diferentes temporalidades. Visa ainda compreende-lo enquanto um discurso dialógico que encerra múltiplas vozes, plenas de significações e que possibilita visibilidade ao outro. Utiliza como argumento a compreensão de que as narrativas quando silenciadas podem transfigurar-se em memórias subterrâneas, que possibilitam a exclusão social. Metodologicamente, foi elaborado a partir de informações históricas e com a utilização de algumas entrevistas de história oral.

PALAVRAS-CHAVE: Contar história – Tradição – Memória subterrânea