Vol.13 Ano XIII nº 1 - Janeiro - Junho de 2016

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MAIS DE TRÊS MILHÕES E QUINHENTOS MIL (3.500.000) LEITORES!

É com imensa satisfação que lançamos mais um número da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais (Volume 13, Ano XIII, Número 1 – Janeiro / Junho – 2016).

Nesse momento, temos novamente que expressar os nossos sinceros agradecimentos e a nossa gratidão a todos(as) que se envolveram, com desprendimento e coragem, na efetividade desta revista. Muito do que foi feito, desde o mês de dezembro de 2004, em prol da melhoria, expansão e diversificação deste periódico científico, deveu-se ao envolvimento da Secretaria Executiva, dos Conselhos Editorial e Consultivo, bem como de nosso Webmaster. Ao lado disso, devemos, com muita alegria, agradecer a todos aqueles que enviaram seus artigos, pois, fazendo isso, contribuíram para que Fênix – Revista de História e Estudos Culturais pudesse se consolidar, ao longo de um período de pouco mais de onze (11) anos. Por fim, é fundamental registrar uma especial manifestação de agradecimento aos(às) nossos(as) leitores(as): sem eles(as), nada disso teria sido possível. Foi graças ao interesse e ao apoio deles(as) que esse projeto editorial obteve acolhida tão positiva.

O site www.revistafenix.pro.br entrou no ar em dezembro de 2004 com o objetivo de trazer ao público leitor uma publicação que se caracterizasse pela agilidade, universalidade e gratuidade. Essa preocupação, porém, não encerrava as expectativas depositadas na sua criação. Pelo contrário, o grande propósito era tornar acessível uma publicação capaz de incentivar a interlocução acadêmica e a ampla divulgação de pesquisas instigantes e de alto nível, procurando traduzir a dinâmica e a diversidade dos diálogos interdisciplinares da pesquisa histórica e dos Estudos Culturais.

Os resultados positivos obtidos com esse projeto, considerando também a atual edição, materializam-se na publicação de NOVENTA E DUAS (92) RESENHAS QUINHENTOS E VINTE E SETE (527) ARTIGOS, oriundos de diferentes estados: Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Pernambuco, Piauí, Paraíba, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Distrito Federal..

Ademais, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais acolheu VINTE (20) DOSSIÊS, a saber: Chico Buarque & Vianinha: arte e política no Brasil Contemporâneo (organizado pela Editoria), História Oral (organização de Paulo Roberto de Almeida), Homenagem a Jorge Andrade – 50 anos d’A Moratória: Encruzilhadas da Literatura e da História (organização de Diógenes Maciel), Cinema-História (organização de Sheila Schvarzman), Teoria da História (organização de Pedro Spinola Pereira Caldas), História e Visualidades (organização de Alcides Freire Ramos), Teorias do Espetáculo e da Recepção (organização de Robson Camargo), Mundo Romano (organização de Ana Teresa Marques Gonçalves), Estudos Literários (organizado pela Editoria), História da Ciência (organização de Antonio Augusto Passos Videira), História Cultural & Multidisciplinaridade (organizado por Sandra Pesavento, Mônica Pimenta Velloso e Antonio Herculano) Sandra Jatahy Pesavento: a Historiadora e suas Interlocuções (organizado por Nádia Maria Weber Santos, Maria Luiza Martini e Miriam de Souza Rossini), Jogos Teatrais no Brasil: 30 Anos (organizado por Ingrid Dormien Koudela e Robson Corrêa de Camargo), O Tapete Voador – Teorias do Espetáculo e da Recepção (organizado por Marcus Mota e Robson Corrêa de Camargo), Tempo e História (organizado por André Fabiano Voigt), Histórias Visuais: Experiências de Pesquisa entre História e Arte (organizado por Maria Elizia Borges e Heloisa Selma Fernandes Capel), História e Saúde (organizado por Iranilson Buriti de Oliveira), Encontros entre Brasil e Itália: Intercâmbios Acadêmicos[organizado por Rodrigo de Freitas Costa e Fulvia Zega (Università degli Studi di Genova)],História e Literatura abordagens e diálogos (organizado por Euclides Antunes de Medeiros e Olivia Macedo Miranda Cormineiro) e, neste número, o Dossiê Cartas (Francisco Alcides do Nascimento e Frederico Osanam Amorim Lima).

Vale salientar que, ao longo desse período, Fênix – Revista de História e Estudos Culturais deu passos decisivos para o seu amadurecimento e aceitação no meio acadêmico. Isto pode ser afirmado não somente por ter sido incluída no Portal de Periódicos de Acesso Livre da CAPES e em um importante indexador internacional, o DOAJ – Directory of Open Access Journals, ambas ocorridas em 2006, mas também pelo fato de ela ter melhorado sua avaliação no QUALIS CAPES. Atualmente, é avaliada como B1 (Qualis Capes da área de História). Tudo isso contribuiu para o aumento de seu impacto junto à comunidade acadêmica nacional e internacional das áreas de História, Letras e Artes. Outra comprovação dessa melhora merece destaque: o aumento considerável da remessa de artigos, a predominância da colaboração de doutores e o recebimento de artigos internacionais. Acrescente-se como indicador importante para a avaliação das atividades desenvolvidas, nesses últimos anos, o número de visitas ao site www.revistafenix.pro.br e de Downloads dos arquivos. Em outros termos: até o momento, Fênix – Revista de História e Estudos Culturais recebeu a prestigiosa atenção de MAIS DE TRÊS MILHÕES E QUINHETOS MIL (3.500.000) LEITORES, assim distribuídos: 70% dos acessos originam-se do Brasil, e os 30% restantes são internacionais (Portugal, EUA, México, França, Itália, Espanha, Alemanha, Suécia, Inglaterra, entre outros).

Para melhorar ainda mais, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais, desde o início de 2013, por decisão de seus editores, passou a lançar seus números de seis em seis meses. Essa mudança, longe de apontar para um estreitamento do espaço utilizado para a divulgação de artigos e resenhas, tem permitido a otimização dos recursos humanos e materiais disponíveis para o cumprimento de todas as etapas de trabalho envolvidas na edição de uma revista científica.

Frente a isso, é motivo de muita alegria poder publicar neste número DEZOITO (18) excelentes ARTIGOS, cujos autores(as) são:  Durval Muniz de Albuquerque Júnior (Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN), Edwar de Alencar Castelo Branco/Fábio Leonardo Castelo Branco Brito (Universidade Federal do Piauí – UFPI), Chiara Vangelista (Università degli Studi di Genova – Itália), Francisco Pereira Smith Júnior (Universidade Federal do Pará – UFPA), Antonia Márcia Nogueira Pedroza (Universidade Federal do Ceará – UFC), Iraci del Nero da Costa/Francisco Vidal Luna (Universidade de São Paulo – USP), Lia Sipaúba Proença Brusadin/Maria Regina Emery Quites (Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG), Marco Antonio Bettine de Almeida/Renan Vidal Mina (Universidade de São Paulo – USP), Arnaldo Lucas Pires Junior (Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ), Marcos Gonçalves (Universidade Federal do Paraná – UFPR), Virgílio Coelho de Oliveira Júnior (Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG), Régia Agostinho da Silva (Universidade Federal do Maranhão – UFMA), Julierme Morais (Universidade Estadual de Goiás – UEG), Emília Teles da Silva (Universidade Federal Fluminense – UFF), Gladir da Silva Cabral/Maria de Lourdes Souza Farias (Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC), Miguel Ángel González-Abellás (Washburn University – Kansas), Alexandre Fernandes Corrêa (Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ) e Carlo Romani (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO).

Como se isso não bastasse, a seção reservada às Resenhas presenteia o leitor com duas (02) avaliações críticas que merecem ser vistas mais de perto, cujos autores são: Fernando C. Santos (UFU) e Jaqueline Ferreira da Mota (Universidade de São Paulo – USP).

Ao lado disso, é motivo de muita alegria poder publicar, na SEÇÃO LIVRENOVE (09) excelentes ARTIGOS, cujos autores(as) são: Adriana Angelita da Conceição (Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP), Beatriz Polidori Zechlinski (Universidade Federal do Paraná – UFPR), Diogo Cesar Nunes (Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ), Mauro Dillmann (Universidade Federal do Rio Grande – FURG), Nelson Tomelin Jr. (Universidade Federal do Amazonas – UFAM/Manaus), Roberg Januário dos Santos (Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará – UNIFESSPA) / Iranilson Buriti (Universidade Federal de Campina Grande – UFCG), Robson Carlos da Silva (Universidade Estadual do Piauí – UESPI), Tadeu Pereira dos Santos (Universidade Federal de Uberlândia – UFU) / Maria Clara Tomaz Machado (Universidade Federal de Uberlândia – UFU) e Vinicius Cranek Gagliardo (Universidade Estadual Paulista – UNESP/Franca).

Como se isso não bastasse, a seção reservada às RESENHAS presenteia o leitor com DOIS (02) textos instigantes. De fato, merecem ser vistas, mais de perto, as avaliações críticas de Camila Mota Farias (Universidade Estadual do Ceará – UECE) e Rodrigo Francisco Dias (Universidade Federal de Uberlândia – UFU).

Mais uma vez, agradecemos pelas resenhas e artigos enviados e, antecipadamente, pelo apoio na divulgação deste periódico.

Boa leitura a todos!

Alcides Freire Ramos, Rosangela Patriota e Rodrigo de Freitas Costa
Editores da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais

  • Durval Muniz de Albuquerque Júnior

RESUMO: Este artigo trata da produção de novas maneiras de ver e dizer o Nordeste, notadamente o sertão nordestino, de novas visibilidades e dizibilidades para as paisagens, para as relações sociais e para as configurações culturais ditas nordestinas e/ou sertanejas produzidas por um grupo de artistas e intelectuais na última década do século passado e nas duas décadas desse século. Ele toma para análise a produção cinematográfica de Paulo Caldas e Lívio Ferreira, a produção literária de Xico Sá e a produção no campo da fotografia de Fred Jordão para mostrar como vêm sendo construídas outras paisagens que rompem com as imagens clichês que por tanto tempo representaram a natureza e a realidade nordestinas.

PALAVRAS-CHAVE: Cinema – literatura – fotografia – Nordeste – sertão – paisagens

  • Edwar de Alencar Castelo Branco
  • Fábio Leonardo Castelo Branco Brito

RESUMO: Este trabalho reflete sobre algumas ressonâncias da obra de Torquato Neto nas letras e nas artes piauienses, operando uma apropriação histórica desse material. Com o objetivo de traçar um perfil de referências que poderiam ser apontadas como vestígios da fragmentária obra torquateana na conformação de uma arte contemporânea no Piauí e buscando contextualizar a cidade de Teresina no início da década de 1970, o texto faz, a partir da noção esquizo-analítica de literatura menor, uma leitura histórica da obra “Os caçadores de prosódias”, de Durvalino Couto Filho, na qual é possível perceber uma série de ressonâncias torquateanas.

PALAVRAS-CHAVE: História – Linguagem – Literatura menor – Torquato Neto

  • Chiara Vangelista

RESUMO: O livro sobre a primeira viagem no Brasil da escritora italiana Gemma Ferruggia (1867-1930) é aqui analisado na vertente da interpretação da imigração italiana ao extremo norte do Brasil no período da borracha. A perspectiva de Ferruggia resulta no especial interesse pela atenção dedicada à cultura e à sociedade brasileiras e pela inserção da imigração italiana num discurso mais abrangente sobre todas as migrações na área. No jogo literário realizado pela escritora, a análise pontual do contexto social da imigração é por assim dizer, suavizada e amenizada por uma apresentação de si quase caricatural, marcada por uma auto ironia antifeminista que atravessa o livro inteiro.

PALAVRAS-CHAVE: Literatura de viagem – Brasil –  Amazônia – Migrações – Gênero

  • Francisco Pereira Smith Júnior

RESUMO: Os anos de 1890 a 1920 se destacaram na história das migrações internacionais no Pará. Houve neste período uma eficaz propaganda migratória na Europa fazendo com que o Estado recebesse um significativo número de imigrantes europeus. Esses imigrantes fizeram parte de um exercito de estrangeiros que tinham o papel de povoar e trabalhar na Amazônia. Neste cenário, destacaram-se muitos espanhóis que vieram viver o sonho do “eldorado amazônico”, juntos com suas famílias e recomeçaram sua história de vida.

PALAVRAS-CHAVE: Espanhóis – imigrantes – contratos – Pará

  • Antonia Márcia Nogueira Pedroza

RESUMO: A proposta deste artigo é analisar as fronteiras que se delineiam, a partir de mecanismos jurídicos e práticas sociais, entre a liberdade e a escravidão. Numa abordagem que se insere no campo da história social da escravidão, reconstituiremos o processo pelo qual a liberdade foi entendida, usurpada e reivindicada por vários sujeitos sociais. Para tanto, buscaremos desvendar as tramas dos costumes e da justiça institucionalizada na província do Ceará, no século XIX. O corpus documental que permite tal investigação é formado, dentre outras fontes, pelos relatórios dos presidentes de província e informações jornalísticas de O Cearense 1846 a 1884, no qual a escravização ilegal e a precariedade da liberdade eram temas recorrentes.

PALAVRAS-CHAVE: Escravidão ilegal – Liberdade precária – século XIX – Ceará

  • Iraci del Nero da Costa
  • Francisco Vidal Luna

RESUMO: Neste texto indicamos as muitas semelhanças e as poucas dissimilitudes existentes, ao abrir-se o século XIX, nas estruturas de posse de escravos de São Paulo e Minas Gerais, duas capitanias limítrofes que, à época, conheciam momentos econômicos distintos. Enquanto em Minas Gerais o clima era de esgotamento da atividade de exploração do ouro e dos diamantes, em São Paulo se conhecia o dinamismo decorrente da ampliação das atividades agrícolas. Mesmo assim, os dados contemplados em nosso estudo revelaram que as referidas estruturas de posse de cativos guardavam um alto grau de similitude. Ademais, o perfil de tais estruturas diferia radicalmente daquele desenhado pela historiografia brasileira tradicional.

PALAVRAS-CHAVE: Escravidão – Estrutura de posse de escravos – São Paulo e Minas Gerais

  • Lia Sipaúba Proença Brusadin
  • AutorMaria Regina Emery Quites

RESUMO: No século XVIII, no Brasil colônia, as igrejas das Ordens Terceiras seguiam um programa iconográfico estabelecido pelas Ordens Primeiras no Reino. Essa arte barroca no interior dos templos era pedagógica e devocional. O presente estudo tem como objetivo analisar a iconografia e os elementos iconológicos das esculturas da Paixão de Cristo dos retábulos da Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo de Ouro Preto (MG). Empregou-se o método iconográfico-iconológico a partir da leitura da interface entre retábulo e imagem de devoção. Portanto, por meio da interpretação da mensagem iconográfica foi possível compreender o imaginário do homem religioso daquele período.

PALAVRAS-CHAVE: Iconografia – Iconologia – Escultura – Ordem Terceira do Carmo de Ouro Preto

  • Marco Antonio Bettine de Almeida
  • Renan Vidal Mina

RESUMO: O artigo em questão focaliza a influência da ferrovia na difusão socioespacial do futebol em Rio Claro em um período histórico delimitado, que se estende do final do século XIX até a primeira metade do século XX. Dentre os referenciais teóricos do período pode-se citar o ano de 1892, o qual corresponde ao estabelecimento das oficinas da Companhia Paulista em Rio Claro; o ano de 1909, que oficializa a fundação do Rio Claro Futebol Clube; e o ano de 1948, o qual formaliza o ingresso do referido clube no profissionalismo. Portanto, objetivou-se compreender: a influência da Companhia Paulista desde a formação até a profissionalização do Rio Claro Futebol Clube; os aspectos sociais, culturais, políticos e econômicos mais amplos que se encontram envolvidos neste processo; e a lógica elitista que esteve presente como plano de fundo na origem desta agremiação.

PALAVRAS-CHAVE: Ferrovia – Futebol – Rio Claro Futebol Clube

  • Arnaldo Lucas Pires Junior

RESUMO: Neste artigo visamos analisar o processo de animalização e detração étnica dos inimigos presentes nas charges publicadas na imprensa ilustrada durante a Guerra do Paraguai (1864-1870). Através do exame de um grupo representativo de imagens, buscaremos demonstrar de que forma este processo discursivo se construiu, sempre atentando para as particularidades contextuais de cada nação e de cada órgão da imprensa analisado. Defendemos que o processo de detração do inimigo se constitui enquanto movimento fundamental de um conjunto amplo de iniciativas de construção identitária postos em prática durante a guerra. Caricaturistas brasileiros e paraguaios desenhavam seus inimigos como animais para tentar explicar e, por conseguinte, justificar toda animalidade que viam em uma das mais sangrentas guerras da América do Sul.

PALAVRAS-CHAVE: Charges – Guerra do Paraguai – Imprensa Ilustrada

  • Marcos Gonçalves

RESUMO: Este trabalho aproxima-se da obra do escritor argentino Rodolfo Walsh (1927-1977) mediante a contextualização de dois textos clássicos de sua autoria: Operación masacre (1957) e Caso Satanowsky (1958). Além de definirem uma gradual transformação na escrita de Walsh, ambos sinalizam para uma compreensão histórica que o autor desenvolve sobre a sociedade argentina na década de 1950, submetida à criminalização e corrupção do poder político.

PALAVRAS-CHAVE: Rodolfo Walsh – Literatura e política – Operación massacre – Caso Satanowsky

  • Virgílio Coelho de Oliveira Júnior

RESUMO: Este artigo é uma análise dos processos editoriais de Eça de Queiroz. O objetivo é destacar as relações entre esses processos e as representações de leituras e leitores no contexto do século XIX. Nesse sentido, compreende-se que a obra literária é um complexo artefato social e cultural, constituída por meio de várias etapas, entre elas, a edição. Todavia, editar não se restringe às elaborações materiais ou formais do texto e nem se limita ao trabalho do editor. Antes disso, trata-se também de uma construção simbólica, fundamental para se compreender os significados que constituem uma determinada produção literária, além de reveladora do papel desempenhado pelos diferentes agentes envolvidos no fenômeno da leitura, como: o leitor, o escritor e o editor.

PALAVRAS-CHAVE: Eça de Queiroz – História do livro – da leitura e das edições – Sociedade portuguesa oitocentista

  • Régia Agostinho da Silva

RESUMO: Este artigo trata da trajetória de Francisca Clotilde, escritora cearense que publicou o livro A divorciada em 1904, abordando a temática da mulher e do direito ao divórcio. Francisca Clotilde escreveu um romance de tese na qual defendia o direito das mulheres do início do século XX a se divorciarem dos maridos, caso os mesmos não se mostrassem bons companheiros. Fato inusitado para o período, já que o divórcio republicano só foi permitido em 1977 no Brasil. Desta maneira consideramos Francisca Clotilde pioneira a abordar temática tão delicada no universo das mulheres de classes médias cearenses.

PALAVRAS-CHAVE: Francisca Clotilde – mulheres – divórcio

  • Julierme Morais

RESUMO: Nesse artigo nos propomos a uma análise crítica e propositiva da historiografia do cinema brasileiro através do mapeamento de seus principais autores, temas, conceitos, recortes históricos e preocupações explanatórias. Fazemos isso com o intuito de sugerir aos pesquisadores algumas orientações no sentido da abordagem teórico-metodológica. Para esse fim, o artigo está dividido em três partes. Na primeira, consideramos a historiografia da Sétima Arte nacional destacando a contribuição de vários pesquisadores. Na segunda, refletimos acerca da mudança de perspectiva dos estudos históricos da década de 1970, considerando como as pesquisas sobre o cinema brasileiro se adaptaram em relação a essa mudança. Finalmente, destacamos algumas perspectivas teóricas e metodológicas que enfatizam o diálogo com a Teoria da História e com a História da Historiografia.

PALAVRAS-CHAVE: História da historiografia – Historiografia brasileira – cinema

  • Emília Teles da Silva

RESUMO: Este trabalho analisa a cinebiografia indiana, realizada em 2008, de um imperador mogol do século XVI, Akbar. Embora tenha sido um imperador notável sob muitos aspectos, o filme Jodhaa Akbar se concentra no seu relacionamento com uma princesa rajput. O trabalho busca mostrar que retratar o envolvimento romântico do imperador muçulmano com sua rainha hindu é uma escolha com conotações políticas. Em nossa análise, apresentamos outras três biografias do imperador buscando semelhanças e diferenças na representação do casamento, da princesa e do imperador.

PALAVRAS-CHAVE: Jodhaa Akbar – Bollywood – biografia – Akbar

  • Gladir da Silva Cabral
  • Maria de Lourdes Souza Farias

RESUMO: O presente trabalho tem como objetivo discutir como as canções de Violeta Parra ajudam a construir uma representação rica e complexa da identidade cultural latinoamericana. A fundamentação teórica desta investigação consiste nas contribuições dos pensadores dos estudos culturais, principalmente no que diz respeito aos movimentos da construção da identidade na modernidade. Entre os autores citados estão Stuart Hall, Néstor García Canclini e Anthony Giddens, que auxiliam no entendimento e na análise das canções de Violeta Parra. Como resultado, pode-se observar o caráter híbrido da obra de Violeta, sua força afirmativa e de resistência cultural, a denúncia da desigualdade das relações de poder estabelecida na sociedade. Além disso, as canções de Violeta Parra trazem em si mesmas um caráter educativo muito forte, enquanto propõem uma leitura crítica da história e da vida social de seu país.

PALAVRAS-CHAVE: Cultura – Identidade – Educação – Modernidade

  • Miguel Ángel González-Abellás

RESUMO: Neste artigo, nosso objetivo é mostrar como a música pop galega na década de oitenta refletiu o problema do contrabando e do tráfico de drogas no momento em que este ocorreu, através do humor, especificamente a retranca galega, e da intertextualidade com a literatura espanhola séria de períodos de crise anteriores. Para este fim, vamos analisar duas músicas de figuras importantes da cena musical galega: “Todo por la napia” do grupo Siniestro Total e “Contrabando de amigo” de Antón Reixa.

PALAVRAS-CHAVE: Antón Reixa, Siniestro Total, intertextualidade, tráfico de drogas, retranca

  • Alexandre Fernandes Corrêa

RESUMO: Reflexão sobre as dominantes socioculturais na estrutura da subjetividade contemporânea. Visitando autores clássicos e modernos da cultura sociológica, propomos uma reflexão sobre as possibilidades de novos reposicionamentos da teoria social para a compreensão da formação subjetiva na atualidade, com o foco de análise na estrutura moral e política.

PALAVRAS-CHAVE: Subjetividade – Moral – Política – Cultura Sociológica 

  • Carlo Romani

RESUMO: Este ensaio busca refletir sobre o uso da biografia como forma de construção da narrativa histórica e discutir o estatuto da biografia no âmbito da historiografia. Para isso, empreendemos uma reflexão sobre a produção da biografia do italiano Oreste Ristori, iniciada como um estudo acadêmico das formas internacionalistas de organização e difusão do movimento anarquista entre os séculos XIX e XX. A partir dessa experiência pessoal na escrita de uma biografia, discutem-se as relações entre a biografia, a história e a historiografia: os diferentes usos das biografias na história, as formas de narratividade, a relação entre o particular e o geral, a preponderância da subjetividade e o indivíduo elevado à condição de categoria histórica. São analisadas as diferentes perspectivas sobre esse gênero literário e discutem-se questões específicas do método de pesquisa voltado para a escrita da biografia.

PALAVRAS-CHAVE: Biografia – subjetividade – indivíduo – cultura libertária