Vol. 14 Ano XIV nº 1 - Janeiro - Junho de 2017

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MAIS DE TRÊS MILHÕES E QUINHENTOS MIL (3.500.000) LEITORES!

É com imensa satisfação que lançamos mais um número da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais (Volume 14, Ano XIV, Número 1 – Janeiro / Julho – 2017).

Nesse momento, temos novamente que expressar os nossos sinceros agradecimentos e a nossa gratidão a todos(as) que se envolveram, com desprendimento e coragem, na efetividade desta revista. Muito do que foi feito, desde o mês de dezembro de 2004, em prol da melhoria, expansão e diversificação deste periódico científico, deveu-se ao envolvimento da Secretaria Executiva, dos Conselhos Editorial e Consultivo, bem como de nosso Webmaster. Ao lado disso, devemos, com muita alegria, agradecer a todos aqueles que enviaram seus artigos, pois, fazendo isso, contribuíram para que Fênix – Revista de História e Estudos Culturais pudesse se consolidar, ao longo dos últimos treze (13) anos. Por fim, é fundamental registrar uma especial manifestação de agradecimento aos(às) nossos(as) leitores(as): sem eles(as), nada disso teria sido possível. Foi graças ao interesse e ao apoio deles(as) que esse projeto editorial obteve acolhida tão positiva.

O site www.revistafenix.pro.br entrou no ar em dezembro de 2004 com o objetivo de trazer ao público leitor uma publicação que se caracterizasse pela agilidade, universalidade e gratuidade. Essa preocupação, porém, não encerrava as expectativas depositadas na sua criação. Pelo contrário, o grande propósito era tornar acessível uma publicação capaz de incentivar a interlocução acadêmica e a ampla divulgação de pesquisas instigantes e de alto nível, procurando traduzir a dinâmica e a diversidade dos diálogos interdisciplinares da pesquisa histórica e dos Estudos Culturais.

Os resultados positivos obtidos com esse projeto, considerando também a atual edição, materializam-se na publicação de NOVENTA E OITO (98) RESENHAS e QUINHENTOS E SESSENTA E QUATRO (564) ARTIGOS, oriundos de diferentes estados: Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Pernambuco, Piauí, Paraíba, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Distrito Federal

Ademais, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais acolheu VINTE E UM (21) DOSSIÊS, a saber: Chico Buarque & Vianinha: arte e política no Brasil Contemporâneo (organizado pela Editoria), História Oral (organização de Paulo Roberto de Almeida), Homenagem a Jorge Andrade – 50 anos d’A Moratória: Encruzilhadas da Literatura e da História (organização de Diógenes Maciel), Cinema-História (organização de Sheila Schvarzman), Teoria da História (organização de Pedro Spinola Pereira Caldas), História e Visualidades (organização de Alcides Freire Ramos), Teorias do Espetáculo e da Recepção (organização de Robson Camargo), Mundo Romano (organização de Ana Teresa Marques Gonçalves), Estudos Literários (organizado pela Editoria), História da Ciência (organização de Antonio Augusto Passos Videira), História Cultural & Multidisciplinaridade (organizado por Sandra Pesavento, Mônica Pimenta Velloso e Antonio Herculano) Sandra Jatahy Pesavento: a Historiadora e suas Interlocuções (organizado por Nádia Maria Weber Santos, Maria Luiza Martini e Miriam de Souza Rossini), Jogos Teatrais no Brasil: 30 Anos (organizado por Ingrid Dormien Koudela e Robson Corrêa de Camargo), O Tapete Voador – Teorias do Espetáculo e da Recepção (organizado por Marcus Mota e Robson Corrêa de Camargo), Tempo e História (organizado por André Fabiano Voigt), Histórias Visuais: Experiências de Pesquisa entre História e Arte (organizado por Maria Elizia Borges e Heloisa Selma Fernandes Capel), História e Saúde (organizado por Iranilson Buriti de Oliveira), Encontros entre Brasil e Itália: Intercâmbios Acadêmicos [organizado por Rodrigo de Freitas Costa e Fulvia Zega (Università degli Studi di Genova)], História e Literatura abordagens e diálogos (organizado por Euclides Antunes de Medeiros e Olivia Macedo Miranda Cormineiro), Dossiê Cartas (Francisco Alcides do Nascimento e Frederico Osanam Amorim Lima) e, neste número, Escola sem Partido e formação humana.

Vale salientar que, ao longo desse período, Fênix – Revista de História e Estudos Culturais deu passos decisivos para o seu amadurecimento e aceitação no meio acadêmico. Como comprovação disso, merece destaque: o aumento considerável da remessa de artigos, a predominância da colaboração de doutores e o recebimento de artigos internacionais. Acrescentese como indicador importante para a avaliação das atividades desenvolvidas, nesses últimos anos, o número de visitas ao site www.revistafenix.pro.br e de Downloads dos arquivos. Em outros termos: até o momento, Fênix – Revista de História e Estudos Culturais recebeu a prestigiosa atenção de MAIS DE TRÊS MILHÕES E QUINHETOS MIL (3.500.000) LEITORES, assim distribuídos: 70% dos acessos originam-se do Brasil, e os 30% restantes são internacionais (Portugal, EUA, México, França, Itália, Espanha, Alemanha, Suécia, Inglaterra, entre outros).Para melhorar ainda mais, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais, desde o início de 2013, por decisão de seus editores, passou a lançar seus números de seis em seis meses. Essa mudança, longe de apontar para um estreitamento do espaço utilizado para a divulgação de artigos e resenhas, tem permitido a otimização dos recursos humanos e materiais disponíveis para o cumprimento de todas as etapas de trabalho envolvidas na edição de uma revista científica.

Frente a isso, é motivo de muita alegria poder publicar neste número QUINZE (15) excelentes ARTIGOS na SEÇÃO LIVRE, cujos autores(as) são: Alice Freyesleben, Rosane Kaminski, Anderson Ribeiro Oliva, Angela Teixeira de Almeida, Lúcia Helena Oliveira Silva, Carlos Nogueira, Daniel Venâncio de Oliveira Amaral, Euclides de Freitas Couto, Denise Castilhos de Araujo, Daniela Muller de Quevedo, ​Edegar Luis Tomazzoni, Alexia Alves Silva, Eucleia Gonçalves Santos, Vanderlei Sebastião de Souza, Julierme Morais, Magno Francisco de Jesus Santos, Paula Otero dos Santos, Edlene Oliveira Silva, José Santos da Costa Júnior, Paulo Souto Maior Júnior, Roberto Manoel Andreoni Adolfo, Rodrigo de Freitas Costa, Socorro Queiroga e Kaline Gonzaga Barboza.

Neste número, com muito entusiasmo, publicamos o DOSSIÊ ESCOLA SEM PARTIDO E FORMAÇÃO HUMANA, cuja organização foi feita pelos Professores Nivaldo Alexandre de Freitas e Merilin Baldan. Os interessados nesse assunto, tão polêmico e atual, poderão conferir as reflexões de Nivaldo Alexandre de Freitas, Wanderley José Deina, Flávio Carvalho, Jair Miranda de Paiva, Jaime Farias Dresch, Merilin Baldan, Lygia de Sousa Viégas e Thaís Seltzer Goldstein.

Como se isso não bastasse, a seção reservada às RESENHAS presenteia o leitor com QUATRO (04) textos instigantes. De fato, merecem ser vistas, mais de perto, as avaliações críticas de Robson Pereira da Silva/Antonio de Lion, Luciana Angelice Biffi, Guilherme Zufelato e Ygor Klain Belchior.

Mais uma vez, agradecemos pelas resenhas e artigos enviados e, antecipadamente, pelo apoio na divulgação deste periódico.

Boa leitura a todos!

Alcides Freire Ramos, Rosangela Patriota e Rodrigo de Freitas Costa
Editores da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais

RESUMO: O presente artigo propõe interpretar alguns possíveis significados dos discursos sobre a produção artístico-literária paranaense nos anos compreendidos entre 1920 a 1950 a partir de um aporte teórico-metodológico dos Estudos culturais baseado em autores como Stuart Hall, Nestor Canclini, Roger Chartier e Raymond Williams. Considerando as principais mudanças substantivas advindas da modernidade em Curitiba, capital do Estado, busca-se compreender como artistas, escritores e críticos de arte procuraram, em seus discursos, dar sentido às novas conjunturas sociais por eles vivenciadas a partir da associação semântica do par global/local com as noções de progresso/atraso. Para tanto, utilizou-se de um corpo documental composto de textos extraídos dos periódicos locais que circulavam no período analisado, sobretudo, da revista Joaquim.

PALAVRAS-CHAVE: crítica de arte – Curitiba – moderno – estudos culturais

RESUMO: No presente ensaio proponho a realização de um duplo movimento reflexivo. Inicialmente, mapeio uma parte das tentativas de desclassificação e subalternização das cosmovisões religiosas ou das cosmologias africanas perante as fórmulas ocidentais de pensar o sagrado. Isso explicaria o silêncio ou as abordagens simplistas e periféricas concedidas às religiões africanas na produção científica até as últimas décadas do século XX. Na segunda parte do texto discuto com um variado grupo de pensadores – como Valentin Mudimbe, Achille Mbembe, Elungu P.E.A., Ariane Djossou, Kwame Appiah, John Mbiti e Benjamin Ray, entre outros – os caminhos conceituais sobre a ideia de cosmologia africana. O objetivo é compartilhar uma outra interpretação, menos eurocentrada, sobre essas experiências africanas e, mais especificamente, sobre a cosmologia iorubá, na África Ocidental.

PALAVRAS-CHAVE: Cosmologias africanas – religiões africanas – racismo epistêmi

RESUMO: A década de 1950 é reconhecida como “Anos Dourados” devido às intensas transformações econômicas, culturais e sociais ocorridas a partir dos governos de Getulio Vargas (no seu segundo governo 1951-1954) e Juscelino Kubitschek (1956-1961). Houve uma crescente mudança de hábitos, pois as cidades começaram a crescer, tanto territorial como populacionalmente, em um processo crescente de “modernização” através da popularização do cinema norte-americano e da entrada da televisão. Essas mudanças nos permitem pensar como a mulher tem sido retratada nos meios midiáticos (revista, rádio e a musica), a partir de duas matrizes (a mulher do lar e a leviana) e como certos produtos refletiam essa dicotomia. E também analisaremos a penetração de duas cantoras e compositoras de grande talento no cenário musical, antes monopolizado pelos homens, Dolores Duran e Maysa.

PALAVRAS-CHAVE: Anos Dourados – representação feminina – Música Popular – Compositoras

RESUMO: Em 2009, Afonso Cruz (Figueira da Foz, 1971) publicava um livro singular, intitulado Enciclopédia da Estória Universal, que recebeu o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco (Associação Portuguesa de Escritores). Esta obra deu início a uma série à qual o autor juntou já quatro volumes, subintitulados Recolha de Alexandria (2012), Arquivos de Dresner (2013), Mar (2014) e As Reencarnações de Pitágoras (2015). Como veremos neste artigo, esta Enciclopédia cumpre perfeitamente os pressupostos da decisão de importantes organizações científicas internacionais, como o Conselho Internacional paras as Ciências (ISCU), o Conselho Internacional para as Ciências Sociais (ISSC) e o Conselho Internacional para a Filosofia e as Ciências Humanas (CIPSH), que definiram 2016 como o “Ano Internacional para o Entendimento Global” (IYGU, segundo o sintagma original em inglês: “International Year of Global Understanding”).

PALAVRAS-CHAVE: Afonso Cruz – literatura – conhecimento – cultura – entendimento global

RESUMO: Neste estudo procuramos investigar, por meio da análise de periódicos, o processo de popularização do futebol na cidade de Oliveira – MG, entre os anos de 1920 e 1930, período que corresponde à introdução e à expansão socioespacial dessa prática entre seus aficionados. Notadamente, a apropriação do jogo pelas camadas populares gerou o acirramento das tensões interclassistas, especialmente em função da perda da exclusividade pelos grupos hegemônicos. Não obstante, observa-se na crônica esportiva local a emergência de temáticas que revelam os novos significados assumidos pela prática esportiva na cidade: o pertencimento clubístico, as rivalidades e a proliferação das formas não institucionalizadas do jogo de futebol pelas vias públicas. Essas metamorfoses anunciam a redefinição dos sentidos que os jogos de futebol assumem na década de 1930, evidenciando, portanto, as variáveis socioculturais que ilustram seu processo de popularização.

PALAVRAS-CHAVE: História do futebol – Popularização – Pertencimento clubístico. Rivalidades

RESUMO: Sabe-se que no Brasil, ainda é muito pequeno o número de mulheres que participam do espaço político, o que motivou essa reflexão, uma vez que o maior número de indivíduos no país é do sexo feminino. Este artigo objetiva refletir a respeito da participação e dos espaços ocupados por mulheres de uma cidade da região metropolitana do Rio Grande do Sul, na política municipal. Para tanto, parte-se da seguinte problemática: quais os espaços ocupados por mulheres na política de municípios da região metropolitana de Porto Alegre? E como essas mulheres percebem a política e seus próprios atos? Discute-se a ocupação do espaço público pelas mulheres, assim como a política. A fim de verificar como as mulheres se relacionam/relacionaram com a política, realizou-se uma pesquisa qualitativa, com o uso de entrevistas semiestruturadas, aplicada em oito mulheres.

PALAVRAS-CHAVE: Gênero – Política – Mulheres

RESUMO: A Regionalização turística da Região das Hortênsias (Serra Gaúcha) consiste em parcerias de entidades locais e intermunicipais para identificação e desenvolvimento de seus atrativos e de suas potencialidades turístico-culturais. As organizações de Nova Petrópolis atuam juntamente com Gramado, Canela, Picada Café e São Francisco de Paula, constituindo um dos maiores polos turísticos do Rio Grande. O objetivo principal deste estudo é analisar a importância de Nova Petrópolis como destino turístico-culturalna Região das Hortênsias, por meio de observação direta, de pesquisa documental e de entrevistas com representantes de entidades e de empresas do turismo municipal, regional e nacional. As visões representativas dos gestores de operadoras e agências de viagens e turismo confirmaram a imagem de Nova Petrópolis e sua importância no contexto da oferta turística regional. Os resultados mostram que o desenvolvimento do turismo é em razão da preservação da cultura, nos eventos e na materialização de patrimônios que enaltecem a tradição germânica do município.

PALAVRAS-CHAVE: Turismo – Cultura – Nova Petrópolis (RS, Brasil)

RESUMO: Tendo como ponto de partida a posse de Afrânio Peixoto (1876-1947) na Academia Brasileira de Letras, em sucessão a Euclides da Cunha (1866-1909), o objetivo deste artigo é entender como o debate sobre o sertão e os sertanejos mobilizou os intelectuais brasileiros a partir da publicação da obra Os Sertões, de Euclides da Cunha. De forma mais específica, nosso interesse é entender como Afrânio Peixoto, um médico e escritor nascido e identificado com o sertão baiano, se apropria da obra e das representações de Euclides da Cunha para se projetar entre os intelectuais brasileiro no início do século XX, sobretudo no concorrido espaço da Academia Brasileira de Letras. Deste modo, o presente artigo busca analisar as aproximações e distanciamentos de Afrânio Peixoto em relação a Euclides Cunha, seja no que tange as leituras e interpretação sobre o sertão, seja na descrição de suas personalidades ou de suas identidades intelectuais.

PALAVRAS-CHAVE: Afrânio Peixoto – Euclides da Cunha – Sertão – Interpretações do Brasil

RESUMO: Uma vez que os números não são enunciados transparentes, espelhando ou refletindo de forma direta e não problemática a realidade, eles podem ser lidos como componentes estratégicos que participam do processo de criação de leituras sobre o mundo. Este texto parte de uma pesquisa sobre o governo da infância a partir de uma análise de discurso que toma as informações demográficas divulgadas pela comissão estadual da Legião Brasileira de Assistência (LBA), na Paraíba, como dispositivo central na biopolítica que tomou os corpos infantis como objeto de governo e controle, sob o discurso da saúde e do bem-estar da população infantil. Não fazendo necessariamente um exercício de história econômica ou demográfica, partimos do pressuposto de que esse tipo de enunciado foi parte fundamental de um discurso cultural e socialmente construído em prol da vida e da saúde, fazendo da infância um objeto eminentemente político sobre o qual relações específicas de poder poderiam ser exercidas.

PALAVRAS-CHAVE: Infância – Corpo – Gramática dos números – História da Paraíba

RESUMO: Muito conhecido por sua trajetória como crítico e historiador de cinema brasileiro, Paulo Emílio Salles Gomes (1916-1977) faleceu há exatos 40 anos. Apesar de inúmeras celebrações em torno de sua memória e pesquisas de vulto sobre sua contribuição à cultura brasileira, sua atuação políticoideológica ainda constitui-se num tema pouco explorado pelos pesquisadores. Para tentar, de algum modo, contribuir para a reversão desse quadro e incitar novos investimentos na fase da vida de Paulo Emílio que consideramos um processo de formação, no presente artigo nos propomos a uma análise crítica de sua atuação enquanto militante político de esquerda nas décadas de 1930 e 1940. Para tanto, nos amparamos teoricamente nos conceitos de espaço de experiências, horizonte de expectativa e formação, tomados de empréstimo, respectivamente, de Reinhart Koselleck e Jörn Rüsen.

PALAVRAS-CHAVE: Paulo Emílio Salles Gomes – militância política – formação – espaço de experiências – horizonte de expectativas

RESUMO: A romaria do Divino Pai Eterno é uma das mais significativas e emblemáticas manifestações de fé do Brasil. Iniciada em meados do século XIX, essa festa de caráter popular passou por inúmeras transformações em seu enredo, com a inserção de novas práticas e com o combate ao catolicismo tido como popular, especialmente a partir da chegada dos padres redentoristas. Um dos elementos desse catolicismo das camadas populares é o depósito dos ex-votos como forma de testemunhar e agradecer os milagres. Esses objetos são instrumentos da comunicação entre os homens e o sagrado e podem ser fontes valiosas para a compreensão do cotidiano da população pobre. Neste artigo, o objeto de estudo são as pinturas que representam os milagres no cotidiano dos carreiros. Com isso, busca-se compreender o processo de musealização dos ex-votos da Sala dos Milagres da Basílica do Divino Pai Eterno, em Trindade, Goiás.

PALAVRAS-CHAVE: Ex-voto – Sala dos Milagres – Divino Pai Eterno – Trindade

RESUMO: Este artigo analisa as imagens de João Goulart nos documentários Jango (1984), de Silvio Tendler, Dossiê Jango (2013), de Paulo Henrique Fontenelle e O dia que durou 21 anos (2013), de Camilo Tavares, compreendendo as condições de produção dessas narrativas em diálogo com a historiografia, bem como sentidos, significados, imaginários e práticas sociais que as informam. Quais discursos sobre Jango e o golpe de 64 são preponderantes nesses documentários? Que memória está sendo reverberada ou criada nessas películas?

PALAVRAS-CHAVE: João Goulart – História – Documentário

RESUMO: A historiografia brasileira da escravidão a partir dos anos 1980 assistiu a diversas reformulações, tanto teórico-metodológicas quanto institucionais. Como objeto de estudo, a escrita da história neste período de transição ainda carece de avaliações mais profundas e sistemáticas. Alguns autores, no entanto, na maioria historiadores da escravidão, dedicaram-se a analisar, em alguns artigos, determinados pontos singulares destas mudanças historiográficas. Nenhum deles, porém, deu ênfase à pertinência das articulações entre a escrita da história e o seu contexto sócio-político e institucional de produção. O presente artigo, portanto, depois de evidenciar tal lacuna temática nos estudos sobre a escravidão, pretende fazer alguns apontamentos que revelem tais relações entre texto e contexto; primeiramente fazendo algumas considerações acerca do contexto institucional, e, em segundo lugar, sobre o contexto sócio-político, tudo isso estabelecendo os devidos nexos com as obras/autores elencados.

PALAVRAS-CHAVE: Historiografia – instituição – escravidão.

RESUMO: O amplo trabalho intelectual, literário e teatral desenvolvido pelo escritor Luigi Pirandello na Itália possui enorme reconhecimento de público e de crítica. Esse autor teve seu nome não só relacionado a importantes momentos e aspectos históricos e ideológicos de seu país, como também recebeu em 1936 o Prêmio Nobel de Literatura e tornou-se reconhecido como promotor do teatro moderno italiano no início do século XX. Suas proposições foram muito discutidas no Brasil no início dos anos 1920 e isso ocorreu de diversas formas. Além das companhias teatrais que encenaram peças de Pirandello, sobretudo em São Paulo, logo no início do século XX, muitos artistas e intelectuais brasileiros tomaram a obra do dramaturgo como referência. Frente a isso, este artigo pretende discutir especificamente a releitura que o crítico teatral Antônio de Alcântara Machado faz da obra do escritor italiano. Logo nos anos 1920, Alcântara Machado procurava fomentar um teatro moderno no Brasil, para tanto tinha um olhar atento para as vanguardas europeias do início do século e procurava dialogar com elas. Nesse ambiente, a sua atenção em relação ao teatro de Luigi Pirandello foi essencial para o projeto de favorecer a modernidade teatral em terras brasileiras.

PALAVRAS-CHAVE: Modernidade Teatral – Luigi Pirandello – Antônio de Alcântara Machado

RESUMO: Este trabalho tem como objetivo evidenciar a circulação do Manual de Escrever Cartas Novo Secretario Portuguez ou Código Epistolar na Província da Paraíba por meio de dois jornais oitocentistas: A Regeneração (1861) e O Publicador (1864). Tendo caráter histórico e considerando que a fonte primária circulou por lares e por instituições de ensino da província paraibana, difundindo as regras da escrita epistolar e nos dando pistas do projeto civilizador no século XIX, utilizando-se dos jornais para divulgação dos anúncios. A pesquisa foi construída a partir da ideia, de que além do caráter documental, os manuais de civilidade se constituíram como fontes de pesquisa com interesses históricos, culturais, educacionais entre outros, permitindo ao pesquisador utilizar tanto sua forma, quanto seu conteúdo. Como resultado, observamos a estreita ligação da escrita epistolar com o ideário civilizatório e da presença das regras epistolares ao longo da história, sendo os jornais um dos veículos para divulgação e circulação desses.

PALAVRAS-CHAVE: Civilidade – Escrita epistolar – Manuais de Escrever Cartas – Jornais oitocentistas

DOSSIÊ "ESCOLA SEM PARTIDO E FORMAÇÃO HUMANA"

RESUMO: Este artigo objetiva discutir o papel que o movimento Escola Sem Partido pode ter na formação humana caso o projeto de lei que o torna efetivo seja aprovado no Congresso Nacional. O argumento que se defende é que o Escola Sem Partido é mais um instrumento da falsa formação, pois ele limita a liberdade e a consciência, já que a formação de sujeitos autônomos pressupõe experiência do pensamento mediante o contato afetivo com o diferente, o que é vetado pelo projeto em questão. Procurase mostrar que a prática docente colocada em suspeição é algo antigo que traz consigo a regressão da formação humana, articulado às novas demandas econômicas. Termina-se apontando que o projeto encoraja uma proposta conservadora de formação meramente técnica, para a adaptação a um mundo do trabalho já em declínio e, por isso, contribui para a falsa formação. O artigo se fundamenta nos autores da Teoria Crítica.

PALAVRAS-CHAVE: Autonomia – Falsa formação – Teoria Crítica – Escola Sem Partido

RESUMO: O artigo faz uma análise geral do Programa Escola Sem Partido, a partir do pensamento de Hannah Arendt. Apresenta os pontos principais do pensamento da autora em torno da educação, estabelecendo uma relação crítica com o Escola Sem Partido, especialmente no que diz respeito à heteronomia proposta pelo programa aos professores e professoras, em contraposição à necessária autonomia que fundamenta a responsabilidade com o mundo e, deste modo, a autoridade na educação. Na perspectiva arendtiana, o programa ou movimento Escola Sem Partido, corrompe o próprio sentido da educação.

PALAVRAS-CHAVE: Educação – Natalidade – Liberdade – Responsabilidade

RESUMO: Nossa discussão realiza, primeiramente, uma breve contextualização da situação social e política do Brasil na atualidade, e realiza um excurso histórico e legislativo sobre os projetos de lei do Programa Escola sem Partido. Em seguida, trata-se do movimento principal deste artigo, fizemos a problematização conceitual, pedagógica e social destes projetos e avaliamos os danos que podem causar à vida democrática e plural. Por fim, indicamos o movimento crescente de resistência, que defende a diversidade e a liberdade e se opõe à discriminação e à censura, a qual é ratificada pelo deputado Jean Wyllys no Projeto de Lei Escola Livre.

PALAVRAS-CHAVE: Filosofia – Educação – Escola Livre – Escola sem Partido

RESUMO: Este artigo investiga o programa denominado escola sem partido na perspectiva da cartografia. Consideramos que o programa se sustenta numa imagem dogmática do pensamento e demonstra que, a par de sua tosca leitura sobre realidade da educação e com o pretexto de defender alunos, crianças, adolescentes e até universitários, denominados “audiência cativa”, o programa representa um avanço do conservadorismo, da simplificação, dos clichês na educação, levando à impotência do professor, mediante incentivo a delações e judicialização do espaço de ensinar. Sustenta, em defesa da escola, que há sinais de potências curriculares e de pensamento criativo na escola. Finalmente, aponta a necessidade de defesa da escola como construção do espaço público, da convivência com o conflito, da afirmação da pluralidade, da convivência respeitosa na divergência, diante do pouco compromisso com a aceitação das diferenças demonstrado pelo programa citado.

PALAVRAS-CHAVE: Escola Sem Partido – Cartografia – Dogmatismo – Defesa da escola

RESUMO: O Projeto Escola Sem Partido (ESP) materializa-se na forma de uma campanha em âmbito nacional que visa combater a “doutrinação ideológica” nas escolas. O movimento defende a aprovação de uma legislação que não apenas assegure a liberdade de ensinar, mas que também regulamente este preceito constitucional. Neste sentido, divulga textos preliminares para serem utilizados como referência para projetos de lei nas diferentes esferas de governo – federal, estadual e municipal. Esta medida obteve grande repercussão no contexto das eleições municipais de 2016, nas quais diversos candidatos aos cargos de prefeito e vereador apoiaram e até se comprometeram publicamente a apresentar projetos de lei nos moldes do anteprojeto divulgado pela campanha ou a votar a favor dos mesmos logo após o início de seus mandatos. O objetivo deste artigo é analisar os dados referentes às eleições de 2016, identificando quais foram os partidos políticos que apoiaram o movimento. A partir da emergência do discurso do ESP, discute-se a importância da atuação democrática do professor.

PALAVRAS-CHAVE: Escola Sem Partido – Política educacional – Doutrinação – Ideologia – Discurso

RESUMO: O presente artigo tem como objeto de estudo o Programa Escola Sem Partido, tendo como objetivo compreender a sua tese neoliberal e neoconservadora propagada por diferentes grupos que se aglutinam em torno do apanágio de “ódio à democracia”. O entendimento deste ódio e os movimentos de intolerância são fundamentais para analisar o Programa Escola Sem partido que toma para si os holofotes enquanto ações que operacionalizam as suas teses têm sido implementadas na sociedade brasileira e, em particular, no campo educacional. A apreensão de como esses grupos se aglutinam em torno destas ideias neoliberais e neoconservadoras é, então, apresentado por meio da contraposição do cenário norteamericano e da atual conjuntura brasileira, destacando os elementos que têm promovido a negação da educação para todos.

PALAVRAS-CHAVE: Escola Sem Partido – Neoconservadorismo – Liberalismo

RESUMO: O presente artigo tem por objetivo contribuir com reflexões sobre os impactos do projeto Escola sem Partido, por meio do qual um grupo político de orientação conservadora tem buscado aprovar projetos de lei que tornem proibida a prática pedagógica livre e democrática, sob o argumento de que tal prática seria doutrinação ameaçadora aos valores morais e religiosos das famílias. Especial enfoque será dado aos impactos psicossociais de tal projeto, apontando seu caráter medicalizante, na medida em que a tentativa de amordaçar professores e a expressão da diferença na escola pode produzir sofrimentos variados que, se não compreendidos politicamente, recaem na patologização, criminalização e judicialização da educação. Esperamos, com o debate proposto, contribuir com a construção de uma escola efetivamente democrática, e que forme para o respeito à diversidade e aos direitos humanos.

PALAVRAS-CHAVE: Escola Sem Partido – Medicalização – Psicologia – Pensamento Crítico