Vol. 15 Ano XV nº 1 - Janeiro - Junho de 2018

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MAIS DE QUATRO MILHÕES E QUINHENTOS MIL (4.500.000) LEITORES!

É com imensa satisfação que lançamos mais um número da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais (Volume 15, Ano XV, Número 1 – Janeiro / Julho – 2018).

Nesse momento, temos novamente que expressar os nossos sinceros agradecimentos e a nossa gratidão a todos(as) que se envolveram, com desprendimento e coragem, na efetividade desta revista. Muito do que foi feito, desde o mês de dezembro de 2004, em prol da melhoria, expansão e diversificação deste periódico científico, deveu-se ao envolvimento da Secretaria Executiva, dos Conselhos Editorial e Consultivo, bem como de nosso Webmaster. Ao lado disso, devemos, com muita alegria, agradecer a todos aqueles que enviaram seus artigos, pois, fazendo isso, contribuíram para que Fênix – Revista de História e Estudos Culturais pudesse se consolidar, ao longo dos últimos quatorze (14) anos. Por fim, é fundamental registrar uma especial manifestação de agradecimento aos(às) nossos(as) leitores(as): sem eles(as), nada disso teria sido possível. Foi graças ao interesse e ao apoio deles(as) que esse projeto editorial obteve acolhida tão positiva.

O site www.revistafenix.pro.br entrou no ar em dezembro de 2004 com o objetivo de trazer ao público leitor uma publicação que se caracterizasse pela agilidade, universalidade e gratuidade. Essa preocupação, porém, não encerrava as expectativas depositadas na sua criação. Pelo contrário, o grande propósito era tornar acessível uma publicação capaz de incentivar a interlocução acadêmica e a ampla divulgação de pesquisas instigantes e de alto nível, procurando traduzir a dinâmica e a diversidade dos diálogos interdisciplinares da pesquisa histórica e dos Estudos Culturais.

Os resultados positivos obtidos com esse projeto, considerando também a atual edição, materializam-se na publicação de CENTO E TRÊS (103) RESENHAS QUINHENTOS E NOVENTA (590) ARTIGOS, oriundos de diferentes estados: Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Pernambuco, Piauí, Paraíba, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Distrito Federal.

Ademais, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais acolheu VINTE E DOIS (22) DOSSIÊS, a saber: Chico Buarque & Vianinha: arte e política no Brasil Contemporâneo (organizado pela Editoria), História Oral (organização de Paulo Roberto de Almeida), Homenagem a Jorge Andrade – 50 anos d’A Moratória: Encruzilhadas da Literatura e da História (organização de Diógenes Maciel), Cinema-História (organização de Sheila Schvarzman), Teoria da História (organização de Pedro Spinola Pereira Caldas), História e Visualidades (organização de Alcides Freire Ramos), Teorias do Espetáculo e da Recepção (organização de Robson Camargo), Mundo Romano (organização de Ana Teresa Marques Gonçalves), Estudos Literários (organizado pela Editoria), História da Ciência (organização de Antonio Augusto Passos Videira), História Cultural & Multidisciplinaridade (organizado por Sandra Pesavento, Mônica Pimenta Velloso e Antonio Herculano) Sandra Jatahy Pesavento: a Historiadora e suas Interlocuções (organizado por Nádia Maria Weber Santos, Maria Luiza Martini e Miriam de Souza Rossini), Jogos Teatrais no Brasil: 30 Anos (organizado por Ingrid Dormien Koudela e Robson Corrêa de Camargo), O Tapete Voador – Teorias do Espetáculo e da Recepção (organizado por Marcus Mota e Robson Corrêa de Camargo), Tempo e História (organizado por André Fabiano Voigt), Histórias Visuais: Experiências de Pesquisa entre História e Arte (organizado por Maria Elizia Borges e Heloisa Selma Fernandes Capel), História e Saúde (organizado por Iranilson Buriti de Oliveira), Encontros entre Brasil e Itália: Intercâmbios Acadêmicos [organizado por Rodrigo de Freitas Costa e Fulvia Zega (Università degli Studi di Genova)], História e Literatura abordagens e diálogos (organizado por Euclides Antunes de Medeiros e Olivia Macedo Miranda Cormineiro), Dossiê Cartas (Organizado por Francisco Alcides do Nascimento e Frederico Osanam Amorim Lima), Escola sem Partido e formação humana (organizado por Nivaldo Alexandre de Freitas e Merilin Baldan) e, neste número, História e Humor (organizado por João Pedro Rosa Ferreira, Leandro Antônio de Almeida e Thaís Leão Vieira).

Vale salientar que, ao longo desse período, Fênix – Revista de História e Estudos Culturais deu passos decisivos para o seu amadurecimento e aceitação no meio acadêmico. Como comprovação disso, merece destaque: o aumento considerável da remessa de artigos, a predominância da colaboração de doutores e o recebimento de artigos internacionais. Acrescente-se como indicador importante para a avaliação das atividades desenvolvidas, nesses últimos anos, o número de visitas ao site www.revistafenix.pro.br e de Downloads dos arquivos. Em outros termos: até o momento, Fênix – Revista de História e Estudos Culturais recebeu a prestigiosa atenção de MAIS DE QUATRO MILHÕES E QUINHETOS MIL (4.500.000) LEITORES, assim distribuídos: 70% dos acessos originam-se do Brasil, e os 30% restantes são internacionais (Portugal, EUA, México, França, Itália, Espanha, Alemanha, Suécia, Inglaterra, entre outros).Para melhorar ainda mais, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais, desde o início de 2013, por decisão de seus editores, passou a lançar seus números de seis em seis meses. Essa mudança, longe de apontar para um estreitamento do espaço utilizado para a divulgação de artigos e reshas, tem permitido a otimização dos recursos humanos e materiais disponíveis para o cumprimento de todas as  etapas de trabalho envolvidas na edição de uma revista científica.

Frente a isso, é motivo de muita alegria poder publicar neste número OITO (08) excelentes ARTIGOS na SEÇÃO LIVRE, cujos autores(as) são: Evander Ruthieri da Silva, Fábio de Godoy Del Picchia Zanoni, Felipe Azevedo Cazetta, Frank Antônio Mezzomo, Cristina Saitê de Oliveira Pátaro, Fábio Sexugi, Heloisa Selma Fernandes Capel, Nilton Mullet Pereira, Bruno Chepp, Paulo Roberto Alves Teles, Sandra de Cássia Araújo Pelegrini e Gustavo Batista Grégio.

Neste número, com muito entusiasmo, publicamos o DOSSIÊ HISTÓRIA E HUMOR, cuja organização foi feita pelos Professores João Pedro Rosa Ferreira, Leandro Antônio de Almeida e Thaís Leão Vieira. Os interessados nesse assunto poderão conferir as reflexões de Marilda Lopes Pinheiro Queluz, Maria Conceição Pires e Ciro, Rozinaldo Antonio Miani, Viviane Guimarães, André Duarte Bertelli, Alan Lobo, João Paulo Capelotti, Marco Aurélio Ferreira da Silva, Francisco Ocampo. Além das reflexões desses autores, o dossiê traz duas entrevistas com Elias Thomé Saliba (USP) e João Luís Lisboa (Univ. Nova Lisboa).

Como se isso não bastasse, a seção reservada às RESENHAS presenteia o leitor com TRÊS (03) textos instigantes. De fato, merecem ser vistas, mais de perto, as avaliações críticas de Welson Ribeiro Marques, Samuel Nogueira Mazza e Alfredo Bronzato da Costa Cruz,

Mais uma vez, agradecemos pelas resenhas e artigos enviados e, antecipadamente, pelo apoio na divulgação deste periódico.

Boa leitura a todos!

Alcides Freire Ramos, Rosangela Patriota e Rodrigo de Freitas Costa
Editores da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais

  • Heloisa Selma Fernandes Capel

RESUMO: A comunicação explora o posicionamento artístico do artista compostelano e professor da Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro Modesto Brocos y Gomez (1852-1936) sob o ponto de vista espanhol. Explora, especialmente, sua obra La Defensa de Lugo (1887) e sua recepção na imprensa espanhola. Por meio dela, procura investigar o lugar de Modesto Brocos no âmbito da produção artística na Galícia, a relação com o escultor Isidoro Brocos (1841-1914) e sua vinculação aos temas do costumbrismo associado às obras de reconstrução histórica, religiosa e alegórica.

PALAVRAS-CHAVE: Costumbrismo- Regionalismo – Modesto Brocos

  • Evander Ruthieri da Silva

RESUMO: O artigo versa a respeito das relações entre sensibilidades políticas e a imaginação literária de H. Rider Haggard (1856-1925), com ênfase em seu romance Jess (1886), o qual narra a devolução da colônia do Transvaal, na África do Sul, aos bôeres no início da década de 1880. A análise da produção literária e ensaística do romancista em questão evidencia, simultaneamente, um engajamento fervoroso com as práticas políticas coloniais e as marcas do ressentimento e da humilhação com a perda territorial, questões traduzidas e ressignificadas a partir das sendas da ficção.

PALAVRAS-CHAVE: História e Literatura – África do Sul – H. Rider Haggard

  • Frank Antônio Mezzomo
  • Cristina Saitê de Oliveira Pátaro
  • Fabio Sexugi

RESUMO: O artigo visa analisar as configurações e arranjos envolvidos nas relações entre católicos carismáticos de Campo Mourão – PR e o poder público municipal e estadual, em vista da realização do evento anual Cristo É Nosso Show, bem como da construção de um pavilhão homônimo edificado numa parceria público-privada dentro de um parque municipal de exposições. As fontes envolvem reportagens da imprensa local, registros fotográficos, documentos oficiais do poder público, além do estatuto da Associação de Evangelização Cristo É Nosso Show. Os resultados sugerem o protagonismo do laicato nesse catolicismo carismático, além de indicar a relevância da dilatação da noção de laicidade no Brasil, na medida em que evidencia arranjos e configurações dinâmicos e complexos entre os poderes público e religioso.

PALAVRAS-CHAVE: Renovação Carismática Católica – Evento religioso – Espaço público – Leigos – Catolicismos

  • Paulo Roberto Alves Teles

RESUMO: O presente artigo é fruto de investigações iniciais e tem como objetivo analisar o processo de formação do fundamentalismo islâmico contemporâneo e o atentado contra a Associação Mútua Israelita Argentina (AMIA) em Buenos Aires. Para isso, utilizamos como metodologia a análise historiográfica sobre o nascimento do fundamentalismo islâmico e os seus principais elementos ideológicos como também obras e reportagens que se debruçaram sobre o atentado contra a AMIA. O trabalho se dedica a retomar o debate acadêmico sobre o nascimento do fundamentalismo islâmico como uma ferramenta de ativismo político e nesse sentido, entende que o atentado promovido em Buenos Aires teria sido um desdobramento desse posicionamento ideológico. Soma-se a isso, os elementos antissemitas históricos presentes na Argentina, que reúne simultaneamente as maiores comunidades judaicas e árabes da América Latina.

PALAVRAS-CHAVE: Extremismo – Fundamentalismo Islâmico – América Latina

  • Fábio de Godoy Del Picchia Zanoni

RESUMO: A censura parece não apenas mobilizar modicamente o interesse dos pesquisadores, como também servir de analisador fulcral das dinâmicas culturais latu sensu. No entanto e apesar da reposição da centralidade do tema da censura, o ato censório costuma ser perspectivado como jurídico, estatal e, acima de tudo, irracional. Partindo dos ditos e escritos confeccionados no interior de regimes políticos marcados pelo autoritarismo e pelo viés religioso, tanto no Brasil e em Portugal, o presente artigo pretende mostrar como uma nova abordagem focada na racionalidade e na produtividade da censura não se faz apenas possível, mas, sobretudo, desejável para a ampliação da compreensão das práticas culturais na contemporaneidade.

PALAVRAS-CHAVE: Censura – Irracionalidade – Foucault – Brasil – Portugal

  • Nilton Mullet Pereira
  • Bruno Chepp

RESUMO: Este artigo busca dar atenção a dois conjuntos de questões relativos às praticas de leitura e escrita nas salas de aula de História. De um lado, apresenta dados de uma investigação sobre as diferentes práticas de leitura e escrita geralmente usadas nesse contexto; de outro lado, aborda as práticas ainda não possíveis de catalogar. Trata-se, portanto, de uma reflexão sobre a potência que transita, por vezes, fora das salas de aula e que pode permitir a produção de novas práticas de leitura e escrita e, sobretudo, provocar os jovens para que produzam narrativas históricas através da criação e da imaginação. Nesse sentido, o artigo apresenta o pensamento do exterior (Fora) de Michel Foucault como elemento teórico que permite pensar nossa relação com a linguagem e com as práticas de leitura e de escrita.

PALAVRAS-CHAVE: Ensino de História – leitura; escrita – fabulação

DOSSIÊ "HISTÓRIA E HUMOR"

APRESENTAÇÃO DOSSIÊ: HISTÓRIA E HUMOR

  • João Pedro Rosa Ferreira
  • Leandro Antonio de Almeida
  • Thaís Leão Vieira
  • Marilda Lopes Pinheiro Queluz

RESUMO: O objetivo deste texto é analisar as representações humorísticas da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) a partir das charges de J. Carlos e de Belmonte, considerando os principais mecanismos da linguagem do humor gráfico, como a paródia, os processos de intertextualidade, as metáforas visuais, a ironia e a ambiguidade dos enunciados verbais e não verbais. Entre as estratégias dos desenhistas para provocar o riso, a reflexão e a crítica dos fatos noticiados, destaca-se a tentativa de buscar referências conhecidas do público leitor, imagens, frases e cenas populares que levariam a uma rápida compreensão do que ocorria na Europa. Os líderes mundiais, envolvidos no conflito, foram retratados como personagens famosos da literatura, do teatro, do cinema, em situações inusitadas. Seus traços exagerados e satíricos combatiam o fascismo e o nazismo, evidenciando a incoerência, o nonsense e os horrores da guerra.

PALAVRAS-CHAVE: Segunda Guerra Mundial – charge – J. Carlos, Belmont

  • Ciro Lins Silva
  • Maria da Conceição Francisca Pires

RESUMO: Pretendemos com esse artigo analisar a vida do chargista Henrique de Souza Filho, o Henfil, a partir dos personagens os Fradins. Para tal análise, empregaremos a categoria “escrita de si”, criada por Foucault, que propõe investigar os mecanismos desenvolvidos pelos sujeitos para a criação de espaços autônomos de subjetividade. Diferente das pesquisas históricas já desenvolvidas com essa perspectiva analítica, não centramos nossas atenções em cartas ou diários, mas em sua produção gráfica. Argumentamos que os personagens Fradins são parte do processo de construção de si do autor, pois entendemos que foi através desses personagens que o autor deu vida e voz aos questionamentos cultivados durante a infância e juventude, expondo enfaticamente os limites de seu contexto histórico e a dualidade que carregava em si mesmo, entre a sua criação religiosa conservadora e a necessidade de se forjar enquanto um sujeito livre e autônomo. Um sujeito de si, para si e em diálogo com o mundo.

PALAVRAS-CHAVE: Henfil – Escrita de si – Quadrinhos – Humor

  • Rozinaldo Antonio Miani
  • Viviane Guimarães

RESUMO: Desde suas origens, a charge está associada à realização de críticas e até mesmo de denúncia em diversas questões da sociedade. O objetivo desse trabalho é apresentar algumas charges que saíram dos papéis e ganharam as ruas em manifestações sociais, auxiliando os manifestantes na transmissão das ideias de sua causa, levando em consideração os estudos da filosofia da linguagem de Mikhail Bakhtin que evidencia a natureza ideológica do signo. Portanto, pretende-se apresentar as significações, realizando uma análise das charges por meio da metodologia de análise de imagens de Panofsky, apontando de que forma as charges transmitem os mesmos discursos das manifestações, atuando como uma ferramenta persuasiva.

PALAVRAS-CHAVE: Comunicação visual – charge – humor – Carlos Latuff – manifestações sociais

  • André Luis Bertelli Duarte

RESUMO: O artigo investiga a construção cômica de d. João VI em três objetos artísticos distintos: Carlota Joaquina (Raimundo Magalhães Jr., 1939); D. João VI (Hélder Costa, 1979); e Carlota Joaquina, princesa do Brazil (Carla Camurati, 1995). O objetivo é compreender como esta caricatura histórica foi apropriada como alegoria do poder instituído em diferentes contextos. Desta forma, contribui para o entendimento dos usos do humor entre a história e a política.

PALAVRAS-CHAVE: D. João VI – humor – política

  • Alan Lobo de Souza

RESUMO: Neste artigo, considero que a questão fundante das polêmicas nos discursos sobre o humor se iniciam em torno do que (supostamente) não faz rir. Entretanto, as práticas que constroem e mantêm o imaginário coletivo em relação aos limites do ato humorístico articulam-se de modos distintos: de um lado, a compreensão de que a trama das relações históricas envolvidas nas polêmicas promove uma discussão para além do campo do humor, e, de outro, a observação de que os dois debates são distintos e interdependentes. Ciente desse duplo funcionamento, proponho analisar brevemente a relação entre os limites do humor e o politicamente correto em uma entrevista com o então diretor do Jornal humorístico Charlie Hebdo, divulgada no programa “Roda Viva Internacional” da TV Cultura no ano de 2015. Por fim, arrisco tecer algumas considerações sobre a disputa de sentidos nos discursos sobre o humor.

PALAVRAS-CHAVE: humor – liberdade de expressão – polêmica – memória discursiva

  • João Paulo Capelotti

RESUMO: A partir da análise de 486 acórdãos proferidos entre 1997 e 2014 pelo Supremo Tribunal Federal (STF), pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), e pelos Tribunais de Justiça (TJ) de todas as unidades federativas brasileiras, o artigo sintetiza as questões centrais discutidas em ações judiciais ajuizadas por pessoas que se sentiram ofendidas e buscam reparação pecuniária em vista de charges, esquetes televisivos, textos satíricos e outras manifestações humorísticas. Primeiramente, observa-se que algumas cortes preocupam-se em qualificar o texto como humorístico e sublinhar a intenção cômica de seu autor, de modo a estabelecer parâmetros de julgamento diversos daqueles de outras formas de manifestação do pensamento constitucionalmente protegidas. Não obstante, muitas vezes se ensaia uma aproximação com standards construídos pela jurisprudência para notícias, nem sempre e não necessariamente aplicáveis às manifestações humorísticas. Noutra parcela dos casos, há apreciação de questões estéticas pelos magistrados, o que se mostra temerário.

PALAVRAS-CHAVE: Liberdade de expressão – abuso – humor

  • Marco Aurélio Ferreira da Silva

RESUMO: O presente artigo tem por objeto os hábitos e os costumes de uma sociabilidade mundana que se instalava na cidade de Fortaleza. A estrada escolhida para tal foi a prática cômica (caráter ético-moral) dos pasquins pilhéricos, que apesar de se proporem a promover o lazer, traziam consigo um forte discurso de moralização. Pois sua linguagem humorística, insultuosa e pornográfica foi eficaz por usar de um “cômico de palavras” capaz de gerar uma lógica do prazer que tanto excitava quanto docilizava os corpos. Produzia-se, com isso, um tipo de “humor a favor”, o “humor costumbrista” (“humor de costumes”), que buscava por meio do riso corrigir, regular e modelar hábitos. Um riso com a função de correção e de flexibilizar o desvio social.

PALAVRAS-CHAVE: Sociabilidade – controle – humor – vergonha

  • Francisco Ocampo

RESUMO: Este artigo investiga os fatores lingüísticos e históricos associados ao humor na composição rimada Oh! Que país bom! de Vital Aza. Pode-se ver facilmente que o humor é produzido por uma constante mudança de códigos entre francês e espanhol, reforçada por uma rima consoante em que ambas as línguas se harmonizam, combinadas ao longo de 16 quadras octossílabas. No entanto, uma análise mais detalhada revelará múltiplas fontes de humor, relacionadas não apenas ao contexto linguístico, mas também ao contexto histórico, cultural e ideológico da composição. O objetivo central da análise é mostrar que as abordagens formalistas e exclusivamente linguísticas do humor não podem identificar todos os fatores associados a uma interpretação humorística do texto.

PALAVRAS-CHAVE: Bisociação, dialoguismo – projeto comunicativo – orientação para com os outros – função divertida – contexto histórico – afrancesamiento, casticismo, ladino

  • Rui Zink

RESUMO: O Fiel Inimigo foi um semanário satírico português em formato de jornal tabloide, com 24 páginas, que durou 48 números, tendo o primeiro saído nas bancas em 3 de julho de 1993 e o último a 27 de maio de 1994. Teve como diretor Júlio Pinto (1949-2000), jornalista e humorista, resistente à ditadura derrubada pela “Revolução dos Cravos” em 1974. O autor foi editor do jornal e faz neste artigo um relato pessoal sobre a aventura jornalística de produzir um semanário de humor com uma escassez de meios de arrepiar um espartano. Ao mesmo tempo, contextualiza, problematiza e reflete sobre a evolução da escrita humorística periódica em Portugal dos últimos anos do século XX e dos constrangimentos que a condicionavam.

PALAVRAS-CHAVE: Jornalismo humorístico – sátira política – Júlio Pinto – O Fiel Inimigo

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