ESPAÇO E LUGAR: CESTARIA CANELA RAMKOKAMEKRÁ

RESUMO: O presente artigo tem como objetivo analisar os processos de elaboração da cestaria do povo indígena Canela Ramkokamekrá da aldeia Escalvado, município de Fernando Falcão, no estado do Maranhão, situado na Amazônia Legal brasileira. Apresentamos, em uma abordagem interdisciplinar entre Geografia e Antropologia, a relação entre o território ocupado pelo povo e sua produção cultural a partir do conceito de lugar e de modelos classificatórios de trançados. A metodologia usada foi pesquisa de campo para coleta de dados, o registro fotográfico das etapas de confecção de um tipo de cestaria de buriti e sua classificação e análise segundo os tipos de trançado e seu significado cultural. Percebe-se, a partir dos dados apresentados, que o processo de elaboração da cestaria relaciona-se com a memória e com o espaço geográfico em que habita esta população.

PALAVRAS-CHAVE: Canela Ramkokamekrá, lugar, cestaria

ALMEIDA FILHO, Carlos Lourenço de. O confronto entre conhecimentos Canela e ocidentais no âmbito do corpo forte. Dissertação (Mestrado em Antropologia). Universidade Federal da Paraíba -UFPA, 2016. 

BARROS, Nilvânia M.A. Tudo isso é bonito. Festival de máscaras ramkokamekrá. Imagem, memória, Curt Nimuendaju. Dissertação (Mestrado em Antropologia). Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, 2013.

BOAS, Franz. Primitive Art,  Petrópolis: Editora Vozes Ltda, 2014. 

BRASIL. Leis e Decretos. Lei no 1.806, de 06 de janeiro de 1953. Brasília: Palácio do Planalto, 1953

BRASIL. Leis e Decretos. Lei no 5.173, de 27 de outubro de 1966. Brasília: Palácio do Planalto, 1966.

COUTO, Jorge. A Construção do Brasil: ameríndios, portugueses e africanos, do início do povoamento a finais do Quinhentos. 3a Ed. Rio de Janeiro: Forense, 2011

CROCKER, William .The Canela (Eastern Timbira), I: An Ethnographic Introduction (Crocker 1990) Smithsonian Contributions to Anthropology

FEITOSA, Antonio Cordeiro. Ambiente e paisagem no Maranhão Colonial: ação de índios e conquistadores na modelagem das paisagens culturais. São Luís: In: CARVALHO, Conceição de Maria Belfort de; CUTRIM, Kláutenys Dellane Guedes; CÂMARA, Roselis Barbosa (Orgs). Espaço, cultura e turismo. São Luís: EDUFMA, 2017.

FEITOSA, Antonio Cordeiro. O Programa Grande Carajás no Contexto da Amazônia Oriental. Maringá: Boletim de Geografia, UEM, 6(1): 05-18, 1988.

GELL, Alfred. Arte e agência: uma teoria antropológica. Tradução: Jamille Pinheiro Dias. Coleção Agronautas. São Paulo: UBU Editor, 2018.

HEMMING, John. Ouro vermelho: a conquista dos índios brasileiros. São Paulo: Edusp, 2007.

HOLZER, Revista Território, Rio de janeiro: Laboratório de Gestão do Território-UFRJ, ano IV, no 7, p. 70, jul-dez 1999.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia Estatística. Censo 2010. Agencia IBGE de notícias. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/14262-asi-censo-2010-populacao-indigena-e-de-8969-mil-tem-305-etnias-e-fala-274-idiomas. Acesso em 18 de junho de 2019.

INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Canela_Ramkokamekr%C3%A1#Localiza.C3.A7.C3.A3o. Acesso em 10.09.2019, 17h:46

LAGROU, Els, Arte indígena no Brasil: agência, alteridade e relação./ Els Lagrou. Belo Horizonte: C/ Arte, 2009.

LADEIRA, Elisa (Org.). Timbira: nossas coisas e saberes: coleções de museus e produção da vida. São Paulo: CTI, 2012.

LAGROU, Els; SEVERI, Carlo. Quimeras em diálogo: grafismo e figuração nas artes indígenas. Coleção sociologia e antropologia. Rio de Janeiro: Sete Letras, 2013.

LÉVI-STRAUSS, Claude. A via das máscaras. Lisboa, editorial Presença, 1979. 

LIMA, Olavo Correia e AROSO, Olir Correia Lima. Pré-História Maranhense. São Luís: Gráfica Escolar, 1989.

LOPES, Raimundo. Uma região tropical. Rio de Janeiro, Cia. Editora Fon-Fon e Seleta, 1970.

MENENDEZ, Larissa. A alma vestida: estudo sobre a cestaria paumari. Tese (Doutorado em Ciências Sociais…), f. 157. 2011 – Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2011.

MORENO, Diogo de Campos. Jornada do Maranhão: por ordem de sua Majestade, feita em 1614. Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial, 2011. Volume 161

MULLER, Regina Polo. De como cincoenta e duas pessoas reproduzem uma sociedade indígena: os Asurini do Xingu. Tese (Doutorado em.Antropologia..), f. 350. .  – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas,Nome da Faculdade, ,FFLCH, Universidade de São Paulo,1987. 

MUNN, Nancy D. Walbiri Graphic Signs: na Analysis. American Anthropologist. Local: Editora, 1973, Cornell University Press. 

PAES, Francisco Simões. Rastros do espírito: fragmentos para a leitura de algumas fotografias dos Ramkokamekrá por Curt Nimuendaju. Rev. Antropol., São Paulo, v. 47, cn. 1, p. 267-307, 2004.

RIBEIRO, Berta. A civilização da palha. (Doutorado em Antropologia Social), f. 530. 1980. FFLCH, Universidade de São Paulo, 1980. Universidade de São Paulo, 1980.

______. Arte indígena e linguagem visual. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1989.

RIBEIRO, Francisco de Paula. Memoria sobre as nações gentias que presentemente habitam o Continente do Maranhão. Rio de Janeiro: Revista Trimestral de História e Geographya, Tomo III, 1841.

______. Descripção do território de Pastos Bons, nos sertões do Maranhão. Rio de Janeiro: Revista Trimestral de História e Geographya, Tomo XII, IHGB. 1849.

TODOROV, Tzvetan. A conquista da América: a questão do outro. São Paulo: Martins Fontes, 1983.

VIDAL, Lux (Org.). Grafismo indígena. São Paulo: Studio Nobel; FAPESP, EDUSP, 1992.

VELTHEM, Lúcia Hussak van. O Belo é a fera: a estética da produção e da predação entre os Wayana. Tese (Doutorado em Antropologia Social), 1995.  – Universidade de São Paulo, 1995.