Vol .2 Ano II nº 2 - Abril/ Maio/ Junho de 2005

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A edição de Fênix – Revista de História e Estudos Culturais correspondente ao trimestre abril/maio/junho (volume 2, Ano II, n. 2) chega a público trazendo importantes contribuições de forte impacto na historiografia contemporânea, particularmente ao campo da História & Linguagens. De um lado, por meio de diversos ensaios oriundos de pesquisas que privilegiaram a interlocução com as linguagens artísticas e com o universo das narrativas. De outro, esta edição publica resultados de pesquisas que tiveram por suporte documental e pressupostos metodológicos as discussões referentes à História Oral.

Em relação ao diálogo História e Estética encontram-se as reflexões de Alcides Freire Ramos, Anderson Luís Nunes da Mata e Christian Alves Martins voltadas ao cinema, à literatura e à música. Para tanto, apropriações do rural e do urbano pelo cinema brasileiro, no período de 1950 a 1968, ao serem discutidas por Ramos, revelam aspectos significativos do debate político e cultural do Brasil de então. Em contraponto a esse momento de nossa história recente, Anderson da Mata apresenta um instigante percurso sobre a produção literária de Bernardo Carvalho, norteado pelo conceito de deriva de Michel Maffesoli, a fim de refletir sobre “a idéia do vazio existente por trás da verdade”.

Por sua vez, Christian Martins, como uma espécie de síntese das reflexões que o antecederam, discute temas como indignação social, postura política da arte e do artista, a partir das entrevistas e depoimentos de Chico Buarque de Hollanda. Assim sendo, esses artigos, em suas abordagens particulares, fornecerão ao leitor e/ou estudioso indícios acerca das múltiplas questões propostas pela produção estética do Brasil Contemporâneo.

Essas proposições, efetivadas por um corpus documental definido, são enriquecidas com a presença do artigo de Felipe Charbel Teixeira que, em um sofisticado caminho teórico, discute as contribuições de historiadores e antropólogos para a constituição dos princípios de autoridade presentes nas narrativas das ciências humanas. Em outro lugar, mas com preocupações similares, Francismar de Carvalho analisa relatos de viajantes, em especial os de Hercules Florence, com vistas a observar “os condicionamentos de percepção de uma experiência, de resposta às expectativas do poder e, finalmente, o fato de serem passíveis de reutilização para afirmação de identidades nacionais”.

Ao encerrar esse conjunto reflexivo, o leitor deparar-se-á com o Dossiê História Oral , organizado por Paulo Roberto de Almeida, no qual perspectivas e olhares interpretativos são apresentados por jovens pesquisadores, com a intenção de definir um campo investigativo, como desdobramento de práticas metodológicas. Nesse sentido, Rosângela Petuba constrói suas reflexões a partir do rememorar de ferroviários, na cidade de Ponta Grossa – Pr; Francisco Gleison Monteiro, com o intento de discutir a formação dos cabarés e a transformação dos mesmos em zona de prostituição em Tianguá – CE, busca “ elementos que venham propiciar imagens e vestígios de personagens que permearam o universo das tramas desenroladas no meretrício”, no período 1950 a 2002. Por outro lado, Rejane Rodrigues discute como a oralidade e a literatura contribuíram para a preservação da história de Antônio Dó, na cidade de São Francisco, no Norte de Minas.

Ainda compõe o Dossiê, a resenha do livro Muitas Memórias, Outras Histórias (São Paulo: Olho D’Água, 2004) de autoria de Ivani Rosa. Neste texto, o interessado em aprofundar as discussões sobre o lugar da História Oral na pesquisa histórica encontrará o convite para o mergulho em uma leitura densa e de grande acuidade sobre o tema.

Por fim, Fênix – Revista de História e de Estudos Culturais, mais uma vez, oferece aos seus leitores diversidade temática, acrescida de diferenciadas perspectivas de trabalho. Dessa maneira, reconhecendo a História como o espaço da pluralidade, essa publicação renova o convite a todos, que compartilham dessa postura, a torná-la, a cada edição, um lugar de debate e de reflexão.

Rosangela Patriota
Editora da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais

PARA UM ESTUDO DAS REPRESENTAÇÕES DA CIDADE E DO CAMPO NO CINEMA BRASILEIRO

  • Alcides Freire Ramos

RESUMO: Este artigo é um ensaio voltado para a história cultural que aborda alguns momentos da história do cinema brasileiro (1950-1968) de modo a compreender transformações significativas no tratamento de temas como rural e urbano.

PALAVRAS-CHAVE: História cultural – cinema brasileiro

À DERIVA: ESPAÇO E MOVIMENTO EM BERNARDO CARVALHO

  • Anderson Luís Nunes da Mata

RESUMO: O artigo contém a análise quatro tipos de movimentos presentes na construção das personagens e dos romances Teatro Nove noites Mongólia , de Bernardo Carvalho. Tomando o conceito de “deriva”, de Michel Maffesoli, analiso de que forma os movimentos sobre territórios, gêneros, nomes e textos são fundamentais para a compreensão da idéia do vazio existente por trás da verdade, isto é, as construções sociais e, sobretudo, narrativas, apresentadas pela obra de Carvalho.

PALAVRAS-CHAVE: Bernardo Carvalho – deriva – verdade

O INCONFORMISMO SOCIAL NO DISCURSO DE CHICO BUARQUE

  • Christian Alves Martins

RESUMO: Este artigo tem como objetivo primordial discutir a indignação social percebida pela leitura e análise das entrevistas de Chico Buarque de Hollanda. Em verdade, este artigo procura refletir sobre a formação e postura do artista, idealizada pela memória coletiva, que reconhece a função social de seu trabalho, ao retratar o mundo através de sua arte.

PALAVRAS-CHAVE: Chico Buarque – entrevistas – indignação

NARRATIVA E FRONTEIRA CULTURAL

  • Felipe Charbel Teixeira

RESUMO: Trata-se, neste artigo, da análise das implicações éticas envolvidas na construção de narrativas no campo disciplinar das ciências humanas. Tomando como ponto de partida a questão do encontro colonial, procura-se discutir as contribuições recentes de historiadores e antropólogos acerca da questão da autoridade envolvida na construção de narrativas.

PALAVRAS-CHAVE: Narrativa – ética – cultura

PERSPECTIVAS TEÓRICAS ACERCA DA LEITURA E ANÁLISE DE RELATOS DE VIAJANTES: HERCULES FLORENCE, NARRADOR

  • Francismar Alex Lopes de Carvalho

RESUMO: O objetivo deste ensaio é descortinar algumas propriedades características dos relatos de viajantes em geral, atentando para os relatos monçoeiros como os de Hercules Florence, em particular, e sugerir algumas perspectivas para a leitura e análise destes textos. Procura-se entender os relatos de viajantes como textos e, como tais, sujeitos a alguns condicionamentos de produção e circulação, dos quais me interessam três em especial: os condicionamentos de percepção de uma experiência, de resposta às expectativas do poder e, finalmente, o fato de serem passíveis de reutilização para afirmação de identidades nacionais.

PALAVRAS-CHAVE: Narrativa – representação – memória –  identidade nacional, informação

DOSSIÊ: HISTÓRIA ORAL

DOSSIÊ HISTORIA ORAL: UMA BREVE APRESENTAÇÃO

  • Paulo Roberto de Almeida

SER TRABALHADOR FERROVIÁRIO NA CIDADE DE PONTA GROSSA: ESCUTANDO OUTRAS FALAS, DESVENDANDO OUTRAS MEMÓRIAS (1940-2000)

  • Rosangela Petuba

RESUMO: O presente artigo busca apresentar algumas reflexões desenvolvidas num trabalho coletivo de pesquisa com memórias e narrativas orais de trabalhadores ferroviários na cidade de Ponta Grossa/ PR.

PALAVRAS-CHAVE: Trabalhadores-ferroviários – memórias –  narrativas orais

TRILHAS E MEMÓRIAS DO MUNDO DA CANCELA

  • Francisco Gleison da Costa Monteiro

RESUMO: O objetivo deste artigo é analisar o processo de formação dos primeiros cabarés da antiga cancela e a transformação em zona de baixo meretrício em Tianguá-Ceará. Nesse movimento, procuram-se elementos que venham propiciar imagens e vestígios de personagens que permearam o universo das tramas desenroladas no meretrício entre os primeiros anos da cancela, na década de 1950, até o fechamento da “zona”, em 2002.

PALAVRAS-CHAVE: História – memória – prostituição

ODUVALDO VIANNA FILHO E O CINEMA NOVO: APONTAMENTOS EM TORNO DE UM DEBATE ESTÉTICO-POLÍTICO

  • Rejane Meireles Amaral Rodrigues

RESUMO: O presente artigo tem por finalidade analisar como a vida de Antônio Dó, um pequeno sitiante da cidade de São Francisco, localizada no Norte de Minas no início do século XX, ficou registrada na memória coletiva do povo de São Francisco. Pretende-se, também, refletir como a oralidade e a literatura contribuíram para a preservação desta história, além de questionar se a população sanfranciscana o tem como mito.

PALAVRAS-CHAVE: Antônio Dó – memória – mito

PESQUISA HISTÓRICA E PRÁTICA SOCIAL: TENDÊNCIAS E POSSIBILIDADES

  • Ivani Rosa
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