Vol. 2 Ano II nº 3 - Julho/ Agosto/ Setembro de 2005

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  Correspondendo às perspectivas dos órgãos de fomento à pesquisa e favorecendo a prática de divulgação de trabalhos em veículos de acesso livre, a presente edição da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais, trimestre julho/agosto/setembro de 2005, vem a público apresentando significativos resultados de pesquisas que beneficiam o debate intelectual, a troca de experiências e enriquecem a produção do conhecimento. Neste contexto, os diálogos entre História e Linguagens são realçados por análises que envolvem a música, o teatro, a dança, a literatura e o cinema. Por fim, além de duas excelentes resenhas, este número traz duas expressivas reflexões voltadas para questões sócio-culturais (relatos de viajantes e família).

Com efeito, abrindo esta edição, Rosangela Patriota recupera as perspectivas históricas e culturais dos idos de 1960, discutindo a importância e a singularidade da presença do poeta e vocalista do The Doors naquela sociedade. Afinal, “Morrison é sempre uma das lembranças recorrentes, seja por suas canções e poesias, seja por sua postura inconformista diante da realidade” e, por isso, lembrá-lo é uma forma de reavaliar nossa postura política, social e intelectual.

Por sua vez, o diálogo História e Teatro, nesta edição da Fênix, é enriquecido por duas importantes reflexões no campo da dramaturgia internacional e nacional. Lajosy Silva, valorizando a memória histórica na dramaturgia de Tennessee Williams, lança um olhar original para os escritos deste dramaturgo e ultrapassa as análises puramente psicológicas que muitas vezes são feitas com relação a esta obra. Por sua vez, Dolores Puga Alves de Sousa analisa o curso da tragédia, da antiguidade clássica até os anos de 1970, lançando mão da noção de tradição explicitada por Raymond Williams e, sem perder vista a historicidade, trata das apropriações brasileiras de Medéia de Eurípedes (431 a. C.) realizadas por Oduvaldo Vianna Filho (1972) e Paulo Pontes (1975).

No que diz respeito à relação entre expressão corporal e construções simbólicas, Daniela Reis, com competência acadêmica, discute, no artigo O balé do Rio de Janeiro e de São Paulo entre as décadas de 1930 e 1940: concepções de identidade nacional no corpo que dança, as distintas representações de identidade nacional por meio da dança durante a primeira metade do século XX e demonstra as sutis afinidades entre arte e sociedade.

Partindo do trabalho de importantes artistas e intelectuais, os artigos de Bruno Flávio Lontra Fagundes e Alcides Freire Ramos oferecem válidas contribuições no que se refere ao diálogo entre produção artística e momento histórico. O primeiro, analisa a representação de leitores e da leitura em textos de João Guimarães Rosa considerando que a “literatura é concebida como textos da cultura que são transferidos em livros como suporte material”. Já o segundo, valoriza a parceria entre Fernando Peixoto, Maurício Capovila e João Batista de Andrade com vistas a avaliar o impacto das propostas da estética do lixo nos filmes Gamal – o delírio do sexo (1969) e O profeta da fome (1970).

Por outro lado, tomando experiências de viajantes como mote de pesquisa, Janaina Zito Losada chama a atenção do leitor para o significado da relação entre homem e natureza nos séculos XVIII/XIX e possibilita compreender os meandros que envolvem a composição de duas narrativas distintas que tratam do mesmo assunto: as memórias e os diários do viajante Hipólito José da Costa Pereira. Fechando a sessão a de artigos, Fábio Luiz Lopes da Silva trata das imbricações entre família e pedofilia por meio das observações de Michel de Foucault acerca da genealogia da família moderna, com o objetivo de mostrar que a constituição desta, “em sua vertente burguesa, é parte de um jogo de diferenciações em face da subjetividade e da sexualidade proletárias”.

O leitor ainda conta com as resenhas de dois importantes livros. Maria Abadia Cardoso apresenta as reflexões de José D’Assunção Barros em O Campo da História: Especialidades e Abordagens, onde os interessados poderão entrar em contato com um balanço sobre a historiografia realizado com amplas problematizações que deixam evidentes as “possibilidades do conhecimento histórico no que tange à sua Teoria e Metodologia”. Já Kátia Eliane Barbosa sugere a leitura de Anos 70: ainda sob a tempestade, organizado por Adauto Novaes em fins da década de 1970, e agora relançado pelas editoras Aeroplano e Senac Rio. Nesta obra, os pesquisadores da arte encontrarão importantes avaliações sobre a variedade de assuntos que envolvem as produções artísticas do período de maior repressão militar no Brasil.

Por fim, desejamos que os estudos aqui apresentados sejam estímulos para o amplo debate acadêmico e, certamente, para a disseminação do conhecimento. Neste espaço, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais, utilizando-se das prerrogativas da internet, agradece a seus colaboradores e espera que o acesso livre da produção científica possa contribuir para futuras análises.

Rodrigo de Freitas Costa
Secretaria Executiva

HISTÓRIA – PERFORMANCE – POESIA: JIM MORRISON, O XAMÃ DA DÉCADA DE 1960

  • Rosangela Patriota

RESUMO: Sob a perspectiva das experiências norte-americanas e tendo como eixo temático o poeta e vocalista do The Doors, Jim Morrison, este artigo visa refletir sobre as possibilidades históricas e culturais que alimentaram o debate político e estético da década de 1960.

PALAVRAS-CHAVE: Jim Morrison – Década de 1960 – História & Linguagens

MEMÓRIA HISTÓRICA NA DRAMATURGIA DE TENNESSEE WILLIAMS

  • Lajosy Silva

RESUMO: Este artigo pretende discutir a memória histórica na dramaturgia do norte-americano Tennessee Williams. Na maioria das vezes, sua dramaturgia é vista sob uma perspectiva psicológica, desconsiderando as questões históricas e a contextualização sóciopolítica dos Estados Unidos em seus trabalhos. Em relação a isso, há inúmeras possibilidades de leitura que ultrapassam as análises psicológicas que geralmente são feitas no que diz respeito à construção das personagens, o tema da loucura e da cultura sulista.

PALAVRAS-CHAVE: História – Teatro – Crítica – Revisionismo – Política

TRADIÇÕES E APROPRIAÇÕES DA TRAGÉDIA: GOTA D’ÁGUA NOS CAMINHOS DA MEDÉIA CLÁSSICA E DA MEDÉIA POPULAR

  • Dolores Puga Alves de Sousa

RESUMO: Este artigo analisa o curso da tragédia, da antiguidade clássica até os anos de 1970, mantendo, através da pesquisa, o diálogo entre o passado e o presente. Nesse sentido, busca-se entender a maneira como a tradição trágica chega à nossa sociedade e modifica-se de acordo com os períodos históricos, percebendo que tudo o que se pode considerar certo é a continuidade da “tragédia” como palavra, segundo a afirmação de Raymond Williams. Dessa forma, faz-se compreender – em um duplo movimento de tempos históricos – a apropriação que o teatro brasileiro faz da peça trágica grega Medéia de Eurípedes (431 a. C.), revivida por meio da adaptação Medéia de Oduvaldo Vianna Filho (em 1972) e, sobretudo, da re–elaboração Gota D’água (em 1975) de Chico Buarque e Paulo Pontes, como forma de expressão da resistência democrática durante a ditadura militar no Brasil.

PALAVRAS-CHAVE: Tragédia – Oduvaldo Vianna Filho – Chico Buarque – Medéia – Gota D’água

O BALÉ DO RIO DE JANEIRO E DE SÃO PAULO ENTRE AS DÉCADAS DE 1930 E 1940: CONCEPÇÕES DE IDENTIDADE NACIONAL NO CORPO QUE DANÇA

  • Daniela Reis

RESUMO: O presente artigo objetiva traçar o processo de um pensamento sobre a “dança brasileira”, buscando, também, refletir sobre as intricadas relações entre esta e a produção artística do Brasil da primeira metade do século XX, bem como a política nacionalista vigente deste período. A contextualização histórica tem por proposição analisar a obra de arte diretamente inserida e articulada em seu meio social, portanto, em diálogo constante com este. Diante disto, busca-se discutir as distintas representações de identidade nacional por meio da dança, entendendo-as como construções sociais que trazem em essência os valores e ideais de grupos específicos.

PALAVRAS-CHAVE: Balé e Estado Novo – Balé romântico – IV Centenário

“SUA ALTA OPINIÃO COMPÕE MINHA VALIA” LEITOR, LEITURA E CULTURA LETRADA EM ALGUNS CONTOS DE JOÃO GUIMARÃES ROSA

  • Bruno Flávio Lontra Fagundes

RESUMO: Este artigo analisa a representação de leitores e da leitura que realizam alguns textos literários de João Guimarães Rosa, vistos do ponto de vista no qual literatura é concebida como textos da cultura que são transferidos em livros como suporte material.

PALAVRAS-CHAVE: Representação cultural – Leitura – Leitores

SOB O SÍGNO DA ESTÉTICA DO LIXO: AS PARCEIRAS DE FERNANDO PEIXOTO COM MAURICE CAPOVILLA E JOÃO BATISTA DE ANDRADE

  • Alcides Freire Ramos

RESUMO: Este artigo discute as parcerias que Fernando Peixoto manteve com Maurício Capovila e João Batista de Andrade. Os filmes resultantes desses encontros, Gamal – o delírio do sexo (1969) e O profeta da fome (1970), são aqui analisados de modo a salientar o impacto das propostas da estética do lixo sobre esses artistas.

PALAVRAS-CHAVE: Cinema Brasileiro – Teatro Brasileiro – Fernando Peixoto

ENTRE MAMUTES E ACÁCIAS: VIAGEM E NATUREZA EM HIPÓLITO JOSÉ DA COSTA PEREIRA (SÉC. XVIII/XIX)

  • Janaina Zito Losada

RESUMO: Este artigo analisa as percepções da natureza na leitura de Hipólito José da Costa Pereira, naturalista e viajante, com o estudo de dois documentos escritos a partir de sua viagem aos Estados Unidos, quais sejam: a Memória sobre a viagem aos Estados Unidos, publicada em 1858 na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, e o Diário de minha viagem à Filadélphia (1798-1799) publicado em 1955. A partir destes dois documentos, desejamos investigar as disparidades e as permanências das temáticas e das abordagens que Hipólito realiza sobre os elementos da natureza, na produção de seus discursos e, ao mesmo tempo, na busca aos parâmetros acadêmicos de seu tempo. Assim, seguiremos a temporalidade do viajante, inicialmente com o diário de Hipólito, seguido da sua Memória; e por intermédio de suas descrições descortinaremos as sensações e pensamentos de um homem e suas observações, retomando a experiência de uma viagem setecentista.

PALAVRAS-CHAVE: Natureza – Viagem – Hipólito José da Costa Pereira

A PEDOF(AM)ILIA MODERNA: NOTAS FOUCAULDIANAS SOBRE UM CASO DE PEDOFILIA

  • Fábio Luiz Lopes da Silva

RESUMO: Recentemente, as polícias americana e européia desbarataram uma rede de pedofilia em que os próprios pais trocavam uns com os outros fotos pornográficas de seus filhos. Pois bem: repulsa é o mínimo que sentimos frente a casos como esse. Mas de onde virá tal nojo? Ora, a tendência é explicá-lo com base na interdição ao incesto. Contudo, a partir das observações de Foucault acerca da genealogia da família moderna, pretendo questionar essas explanações usuais. Para começar, tentarei mostrar que a constituição da família moderna, em sua vertente burguesa, é parte de um jogo de diferenciações em face da subjetividade e da sexualidade proletárias. Depois disso, argumentarei que é justamente esse jogo de diferenciações o que se encontra ameaçado pelo comportamento dos pais pedófilos da Internet. Por fim, procurarei sustentar que o nojo em face deles vem da recusa em aceitar a suspensão do sistema de diferenciações a que eu me referia.

PALAVRAS-CHAVE: Pedofilia – Família moderna – Genealogia do poder

O CAMPO DA HISTÓRIA: ESPECIALIDADES E ABORDAGENS

  • Maria Abadia Cardoso

“ANOS 70: AINDA SOB A TEMPESTADE”, ORGANIZAÇÃO DE ADAUTO NOVAES

  • Kátia Eliane Barbosa
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