Vol. 4 Ano IV nº 1 - Janeiro/ Fevereiro/ Março de 2007

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É com imensa satisfação que lançamos mais um número da “Fênix – Revista de História e Estudos Culturais” (Volume 4, Ano IV, Número 1 – Janeiro/Fevereiro/Março/2007).

O site www.revistafenix.pro.br entrou no ar em dezembro de 2004 com o objetivo de divulgar uma publicação que se ​caracterizasse pela agilidade, universalidade e gratuidade tanto na divulgação quanto no acesso. Essa preocupação, porém, não encerrava as expectativas depositadas na sua criação. Pelo contrário, o grande propósito era tornar acessível uma publicação capaz de incentivar a interlocução acadêmica e a ampla divulgação de pesquisas instigantes e de alto nível, procurando traduzir a dinâmica e a diversidade dos diálogos interdisciplinares da pesquisa histórica e dos Estudos Culturais.

Os resultados positivos obtidos com esse projeto, considerando também a atual edição, materializam-se na publicação de quinze (15) resenhas e cento e treze (113) artigos, oriundos de diferentes estados do Brasil: Piauí, Paraíba, Pernambuco, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Ademais, a “Fênix – Revista de História e Estudos Culturais” acolheu oito (08) dossiês, a saber: Chico Buarque & Vianinha: arte e política no Brasil Contemporâneo (organizado pela Editoria), História Oral (organização de Paulo Roberto de Almeida), Homenagem a Jorge Andrade – 50 anos d’A Moratória: Encruzilhadas da Literatura e da História (organização de Diógenes Maciel), Cinema-História (organização de Sheila Schvarzman), Teoria da História (organização de Pedro Spinola Pereira Caldas), História e Visualidades (organização de Alcides Freire Ramos), Teorias do Espetáculo e da Recepção (organização de Robson Camargo) e Mundo Romano (organização de Ana Teresa Marques Gonçalves).

Vale salientar que, ao longo desse período, a “Fênix – Revista de História e Estudos Culturais” deu passos decisivos para a sua consolidação no meio acadêmico. Isto pode ser afirmado não somente por ter sido incluída no Portal de Periódicos de Acesso Livre da CAPES e em um importante indexador internacional, o DOAJ – Directory of Open Access Journals, ambas ocorridas em 2006, mas também pelo fato de ela ter melhorado sua avaliação no QUALIS/CAPES. Tudo isso contribuiu para o aumento de seu impacto junto à comunidade acadêmica nacional e internacional das áreas de História, Letras e Artes. Como comprovação dessa melhora, deve-se destacar o aumento considerável da remessa de artigos, a predominância da colaboração de doutores e o recebimento de artigos internacionais. Outro indicador importante, para a avaliação das atividades desenvolvidas nesses últimos anos, diz respeito ao número de visitas ao site www.revistafenix.pro.br, isto é, até o momento, a “Fênix – Revista de História e Estudos Culturais” recebeu mais de quarenta e cinco mil (45.000) consultas, assim divididas: 70% dos acessos originam-se do Brasil, e os 30% restantes são internacionais (Portugal, EUA, México, França, Itália, Espanha, Alemanha, Moçambique, Suécia, Inglaterra, entre outros). Por fim, cabe sublinhar que, como coroamento de todo esse processo, a “Fênix – Revista de História e Estudos Culturais” concorreu a recursos de Edital de apoio a publicações científicas e, com base no bom desempenho desses últimos anos, foi contemplada e já está recebendo recursos financeiros do CNPq e da Capes.

Entretanto, é preciso que se diga: muito pouco teria sido feito sem o envolvimento da Secretaria Executiva e dos Conselhos Editorial e Consultivo. O desprendimento e a coragem dos diretamente envolvidos nessa empreitada foram de grande importância para o bom encaminhamento dos trabalhos, mantendo a qualidade editorial e publicando artigos de excelência. Acima de Tudo, devemos aqui registrar uma especial menção aos nossos leitores e colaboradores: sem eles, nada disso teria sido possível. Por esta razão, queremos expressar nossos mais sinceros agradecimentos a todos aqueles que, acessando o site ou enviando seus artigos, contribuíram e contribuem para que a “Fênix – Revista de História e Estudos Culturais” tenha sido tão bem recebida.

Com efeito, mais um bom exemplo dessa afirmação pode ser verificado nesse número, que ora vem a público. Nele, o leitor será motivado a conhecer melhor a contribuição dos pesquisadores brasileiros que se dedicam ao estudo da História Antiga, graças ao EXCELENTE Dossiê Mundo Romano, organizado por Ana Teresa Marques Gonçalves e que é composto por artigos de Pedro Paulo Abreu Funari, Renata Senna Garraffoni,  Luciane Munhoz de Omena, Norma Musco Mendes, Gilvan Ventura da Silva, Cláudio Umpierre Carlan, Fábio Duarte Joly, Regina Maria Bustamante e da própria organizadora, Ana Teresa Marques Gonçalves.

Como se isso não bastasse, ao consultar a seção livre, o leitor entrará em contato com instigantes incursões pelos Estudos Literários com os artigos de Socorro de Fátima Pacífico Vilar, Luiz Mousinho e Adalmir Leonídio. Por outro lado, os interessados nas questões de cunho teórico terão a oportunidade de aprofundar seus conhecimentos nos artigos de Alexandre Costa, Ivan Ducatti, Deise Zandoná e Ana Teresa Contier. Completando essa seção, há um artigo de igual interesse: o de Dolores Puga, que discute a noção de teatro engajado a partir das obras de Vianinha, Paulo Pontes e Chico Buarque.

A expectativa em relação a esse novo número é a de que ele tenha aceitação semelhante aos anteriores.

Mais uma vez, agradecemos pelos artigos enviados e, antecipadamente, pelo apoio na divulgação deste periódico.

Boa leitura a todos!

Alcides Freire Ramos, Pedro Spinola Pereira Caldas e Rosangela Patriota
Editores da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais

ALVA E IDÉIA: DUAS REVISTAS E UM PASSADO PARA A VIDA LITERÁRIA PARAIBANA DO SÉCULO XIX

  • Socorro de Fátima Pacífico Vilar

RESUMO: Com o objetivo de tornar visível as práticas literárias e culturais paraibanas do século XIX, buscamos, neste ensaio, discutir o conteúdo das revistas Alva: Jornal Literário (1850) e A Idéia: Revista Crítica Noticiosa e Literária (1879), a partir da perspectiva do que era uma revista literária à época no Brasil, na tentativa de reconduzi-las ao seu presente da elaboração, de modo que sua leitura seja inteligível em relação ao que foram no passado. Trata-se de duas revistas que embora tenham sido muito referidas pelos historiadores, têm conteúdo inédito como fonte para a história da literatura paraibana, uma vez que estes o julgavam de pouco valor literário. Indo de encontro a esta posição, este ensaio mostra como seus textos são os fundadores da prosa de ficção paraibana.

PALAVRAS-CHAVE: Revistas literárias – Literatura paraibana – História cultural do século XIX

FICÇÃO E EXPERIÊNCIA: O PARTICULAR, O FRAGMENTO E O INSTANTE

  • Luiz Antonio Mousinho

RESUMO: O texto se propõe a analisar o conto A mensagem, de Clarice Lispector, visto em relação com aspectos da obra da autora. O processo interpretativo procura refletir sobre o narrador (W. Benjamin; G. Genette) e a questão da experiência (Walter Benjamin), além de investigar dados sobre o elemento sagrado (Mircea Eliade).

PALAVRAS-CHAVE: Narrador – Experiência – Sagrado

NOTAS DE PESQUISA SOBRE A CORRESPONDÊNCIA ENTRE ALCEU AMOROSO LIMA E JACKSON DE FIGUEIREDO (1919-1928)

  • Adalmir Leonidio

RESUMO: Este artigo busca analisar a correspondência entre Jackson de Figueredo e Alceu Amoroso Lima, a partir da hipótese central de uma visão de mundo romântica e conservadora presente em ambos os autores.

PALAVRAS-CHAVE: Jackson de Figueiredo – Alceu Amoroso Lima – Romantismo – Conservadorismo

A DISTINÇÃO ENTRE PRINCÍPIO POÉTICO E PRINCÍPIO FILOSÓFICO: DA INVENÇÃO À INTERPRETAÇÃO

  • Alexandre Costa

RESUMO: O surgimento histórico da filosofia perfaz um duplo movimento frente à forma de saber que lhe é pré-existente, a antiga poesia mítica grega: se por um lado a filosofia só pôde surgir em função dos caminhos já antes percorrido pelos poetas, por outro ela nasce propondo um modelo de compreensão do real alternativo ao mito-poético. O gesto de ruptura que marca essa alternativa concentra-se numa nova concepção da idéia de princípio (arché) que, em contraste com a tradição anterior, perderá seu caráter temporal e histórico. Ao analisar as idéias de princípio na poesia antiga e na filosofia nascente, identificase também uma distinção na ordem do método para o conhecimento do real: enquanto a mito-poética opera como uma modalidade de pensamento fundamentada na arte da invenção, a filosofia encontrará na idéia de theoría o seu método, abandonando a invenção poética e dando início, simultaneamente, ao modo de pensamento que ainda hoje podemos denominar interpretação.

PALAVRAS-CHAVE: Poesia antiga – Origem da filosofia – Hesíodo – Tales – Anaximandro

NELSON WERNECK SODRÉ, HISTORIADOR

  • Ivan Ducatti

RESUMO: Pretende-se com este trabalho analisar como Nelson Werneck Sodré precisou a categoria feudal em suas obras de história da formação histórica brasileira. Este trabalho busca verificar a importância desse autor para a Historiografia uma vez que, ao longo de sua carreira como historiador, construiu uma questão que, para ele, era fundamental na história socioeconômica brasileira: a formação da burguesia brasileira, articulando-se com as classes latifundiárias e a burguesia internacional, representada pelo imperialismo econômico.

PALAVRAS-CHAVE: Feudal – Burguesia – modos de produção

O CARÁTER, O PÁTHOS E A ESCRITA HISTÓRICA

  • Deise Zandoná

RESUMO: Este artigo versa sobre o caráter do escritor (de Luciano e dos historiadores), o páthos e a escrita histórica no texto Como se deve escrever a história, único tratado sobre história legado pela antiguidade, escrito por Luciano de Samósata, sofista que viveu no segundo século de nossa era.

PALAVRAS-CHAVE: Luciano de Samósata – História – Ethos

REPRESENTAÇÕES MENTAIS: O PENSAMENTO NARRATIVO E O PENSAMENTO PARADIGMÁTICO INTEGRADOS

  • Ana Teresa Contier
  • Marcio Lobo Netto

RESUMO: O artigo procura entender como o homem formula seus pensamentos, e, com eles, age no mundo. Não nos cabe esgotar tal assunto e sim, discuti-lo e apresentar um modelo de como este processo possivelmente ocorre. Para tanto fizemos uma releitura dos modos de pensamento estudados pelo psicólogo Jerome Bruner na década de 80: pensamento narrativo e paradigmático. O autor defende que estes dois tipos de pensamento atuam de forma independente, porém, nós defendemos que eles estão inter-relacionados. Entendemos por pensamento narrativo a narrativa criada pelo homem, baseada em sua memória e na sua interação com demais e pensamento paradigmático como as proposições derivadas da história narrada. O ser humano em contato com a sociedade, cultura e sua própria vivência cria suas narrativas que espelham narrativas coletivas e delas depreendem uma série de proposições.

PALAVRAS-CHAVE: Pensamento narrativo – Pensamento paradigmático – Sociedade

BRASIL DO TEATRO ENGAJADO: A TRAJETÓRIA DE VIANINHA, PAULO PONTES E CHICO BUARQUE

  • Dolores Puga Alves de Sousa

RESUMO: Este artigo apresenta uma reflexão sobre a trajetória de três importantes artistas brasileiros: Vianinha, Paulo Pontes e Chico Buarque, particularmente o modo como eles articularam criação artística e questões políticas, durante o período da ditadura militar no Brasil.

PALAVRAS-CHAVE: Teatro Brasileiro – Vianinha – Paulo Pontes – Chico Buarque

DOSSIÊ "MUNDO ROMANO"

APRESENTAÇÃO DO DOSSIÊ “MUNDO ROMANO”

  • Ana Teresa Marques Gonçalves

MORTE E VIDA NA ARENA ROMANA: A CONTRIBUIÇÃO DA TEORIA SOCIAL CONTEMPORÂNEA

  • Renata Senna Garraffoni
  • Pedro Paulo A. Funari

RESUMO: Nos últimos anos, no contexto das discussões sobre o caráter heterogêneo e multifacetado das sociedades, o estudo do mundo antigo tem passado por reflexões críticas aos modelos normativos, que tendiam à homogeneidade e à ênfase no consenso social. O estudo dos espetáculos de vida e morte nas arenas romanas mostrou-se campo de reflexão privilegiado para a crítica aos modelos normativos. A partir de estudo de documentação arqueológica original, mostramos como morte e vida assumem contornos pouco usuais, vistos à luz das reflexões epistemológicas recentes.

PALAVRAS-CHAVE: Gladiadores – Império Romano – Morte e Vida

OS OFÍCIOS: MEIOS DE SOBREVIVÊNCIA DOS SETORES SUBALTERNOS DA SOCIEDADE ROMANA

  • Luciane Munhoz de Omena

RESUMO: Proporemos uma reflexão sobre a prática dos ofícios realizados pelos setores subalternos da sociedade romana como forma de sobrevivência, para mostrar a criação de regras estratégicas que extrapolavam o universo das doações realizadas pelos membros aristocráticos ou pelo imperator. Veremos, no curso desta discussão, uma idéia central: a não ociosidade da plebs.

PALAVRAS-CHAVE: Ofício – Plebs – Poder

O ESPAÇO URBANO DA CIDADE DE BALSA: UMA REFLEXÃO SOBRE O CONCEITO DE ROMANIZAÇÃO

  • Norma Musco Mendes

RESUMO: O objetivo deste artigo consiste em discutir o conceito de romanização e em explorar alguns dos temas centrais da teoria pós-colonial. Nosso terceiro objetivo consiste em observar de maneira refletida o impacto da dominação de Roma na paisagem do sul da província da Lusitânia através da organização das civitates e da produção do espaço urbano social da civitas de Balsa.

PALAVRAS-CHAVE: Romanização – Teoria pós-colonial – A civitas de Balsa

EDUCAÇÃO, FILOSOFIA E PODER NO SÉCULO IV: TEMÍSTIO DE BIZÂNCIO E A DEFESA DA AÇÃO PÚBLICA DOS FILÓSOFOS NA ORATIO XXVI

  • Gilvan Ventura da Silva

RESUMO: Com o presente artigo, temos por objetivo discutir a opinião de Temístio de Bizâncio expressa em sua Oratio XXVI intitulada “O direito do filósofo a falar em público”, acerca da atuação política dos filósofos e retores no século IV. A escola neoplatônica, principal corrente intelectual pagã do final da Antigüidade, propugnava que os filósofos deveriam se retirar da cidade, evitando assim qualquer intervenção no governo da polis. Já Temístio, por sua vez, se opõe a esse tipo de concepção e, no confronto com aqueles que o acusam de desvirtuar o conhecimento filosófico por meio de inovações espúrias, defende a importância da filosofia para a construção do espaço público com base na antiga tradição intelectual grega estabelecida por Sócrates, Platão e Aristóteles.

PALAVRAS-CHAVE: Temístio de Bizâncio – Filosofia – Educação

O MUNDO ROMANO NO SÉCULO IV: DECADÊNCIA OU REESTRUTURAÇÃO

  • Cláudio Umpierre Carlan

RESUMO: o artigo começa com uma apresentação da numismática como um documento alternativo, analisando as questões políticas relativas ao mundo romano durante o governo de Constantino I, o grande. Enfatiza-se nessa discussão, a importância do uso de uma variedade de fontes: iconográficas, arqueológicas. Usando como fonte iconográfica a coleção numismática do acervo do Museu Histórico Nacional/ RJ, analisamos a imagem como uma fonte de propaganda, legitimando o poder imperial.

PALAVRAS-CHAVE: Moeda – Poder – Política

A ESCRAVIDÃO NO CENTRO DO PODER: OBSERVAÇÕES ACERCA DA FAMILIA CAESARIS

  • Fábio Duarte Joly

RESUMO: Este artigo apresenta uma reflexão sobre a concepção de Estado na historiografia sobre o Império Romano e sua influência na representação da familia Caesaris.

PALAVRAS-CHAVE: Império Romano – Estado – Libertos imperiais

“O LEÃO ESTÁ DE OLHO”: UM ESTUDO DE CASO DE UM MOSAICO DA ÁFRICA PROCONSULAR

  • Regina Maria da Cunha Bustamante

RESUMO: Abordaremos alguns aspectos do processo de comunicação no mundo romano a partir da análise de um mosaico com a figura central de um leão e uma inscrição musiva, datado da primeira metade do século III e proveniente das termas da cidade de Uzitta na província da África Proconsular.

PALAVRAS-CHAVE: África Proconsular – Mosaico – Comunicação

RUPTURAS E CONTINUIDADES: OS ANTONINOS E OS SEVEROS

  • Ana Teresa Marques Gonçalves

RESUMO: O objetivo deste artigo é analisar a aproximação dos Imperadores Severos com as imagens utilizadas pelos governantes Antoninos, tomando como base de análise as informações trazidas pelas obras de Herodiano, Dion Cássio, Sexto Aurélio Victor, Flávio Eutrópio e pela História Augusta e a Epitome de Caesaribus, além de epígrafes e moedas.

PALAVRAS-CHAVE: Período Severiano – Imperador – Roma

TEORIA DA LITERATURA “REVISITADA”: UMA IMPORTANTE CONTRIBUIÇÃO PARA OS ESTUDOS LITERÁRIOS E ÁREAS AFINS

  • Fani Miranda Tabak

QUESTIONAMENTOS ACERCA DOS CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE GLOBALIZAÇÃO, IDENTIDADE E PÓS-MODERNIDADE A PARTIR DA OBRA DE STUART HALL

  • Maurício Pedro da Silva
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