Vol. 4 Ano IV nº 2 - Abril/ Maio/ Junho de 2007

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É com imensa satisfação que lançamos mais um número da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais (Volume 4, Ano IV, Número 2 – Abril/ Maio/ Junho/2007).

O  site www.revistafenix.pro.br entrou no ar em dezembro de 2004 com o objetivo de trazer a público uma publicação que se caracterizasse pela agilidade, universalidade e gratuidade. Essa preocupação, porém, não encerrava as expectativas depositadas na sua criação. Pelo contrário, o grande propósito era tornar acessível uma publicação capaz de incentivar a interlocução acadêmica e a ampla divulgação de pesquisas instigantes e de alto nível, procurando traduzir a dinâmica e a diversidade dos diálogos interdisciplinares da pesquisa histórica e dos Estudos Culturais.

Os resultados positivos obtidos com esse projeto, considerando também a atual edição, materializam-se na publicação de dezoito (18) resenhas e cento e vinte e nove (129) artigos, oriundos de diferentes estados do Brasil: Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Pernambuco, Piauí, Paraíba, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Distrito Federal.

Ademais, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais acolheu nove (09) dossiês, a saber: Chico Buarque & Vianinha: arte e política no Brasil Contemporâneo (organizado pela Editoria), História Oral (organização de Paulo Roberto de Almeida), Homenagem a Jorge Andrade – 50 anos d’ A Moratória: Encruzilhadas da Literatura e da História (organização de Diógenes Maciel), Cinema-História (organização de Sheila Schvarzman), Teoria da História (organização de Pedro Spinola Pereira Caldas), História e Visualidades (organização de Alcides Freire Ramos), Teorias do Espetáculo e da Recepção (organização de Robson Camargo), Mundo Romano (organização de Ana Teresa Marques Gonçalves) e Estudos Literários (organizado pela Editoria).

Vale salientar que, ao longo desse período, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais deu passos decisivos para a sua consolidação no meio acadêmico. Isto pode ser afirmado não somente por ter sido incluída no Portal de Periódicos de Acesso Livre da CAPES e em um importante indexador internacional, o DOAJ – Directory of Open Access Journals, ambas ocorridas em 2006, mas também pelo fato de ela ter melhorado sua avaliação no QUALIS/CAPES. Tudo isso contribuiu para o aumento de seu impacto junto à comunidade acadêmica nacional e internacional das áreas de História, Letras e Artes.

Como comprovação dessa melhora, deve-se destacar o aumento considerável da remessa de artigos, a predominância da colaboração de doutores e o recebimento de artigos internacionais. Outro indicador importante para a avaliação das atividades desenvolvidas nesses últimos anos diz respeito ao número de visitas ao site www.revistafenix.pro.br, isto é, até o momento, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais recebeu mais de sessenta e seis mil (66.000) consultas, assim divididas: 70% dos acessos originam-se do Brasil, e os 30% restantes são internacionais (Portugal, EUA, México, França, Itália, Espanha, Alemanha, Suécia, Inglaterra, entre outros).

Além disso, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais concorreu a recursos de Edital de apoio a publicações científicas e, com base no bom desempenho desses últimos anos, foi contemplada e já está recebendo suporte financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Por fim, cabe sublinhar que, como coroamento de todo esse processo, em 2008, receberá apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), tendo em vista a liberação das verbas previstas no Edital 07/2007, referente ao Programa de Apoio a Publicações Científicas e Tecnológicas.

Entretanto, é preciso que se diga: muito pouco teria sido feito sem o envolvimento da Secretaria Executiva e dos Conselhos Editorial e Consultivo. O desprendimento e a coragem dos diretamente envolvidos nessa empreitada foram de grande importância para o bom encaminhamento dos trabalhos, mantendo a qualidade editorial e publicando artigos de excelência. Acima de tudo, devemos aqui registrar uma especial menção aos nossos leitores e colaboradores: sem eles, nada disso teria sido possível. Por esta razão, queremos expressar nossos mais sinceros agradecimentos a todos aqueles que, acessando o site ou enviando seus artigos, contribuíram e contribuem para que a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais tenha sido tão bem recebida.

Com efeito, mais um bom exemplo dessa afirmação pode ser verificado neste número, que ora vem a público. Nele, o leitor será motivado a conhecer melhor a contribuição dos pesquisadores brasileiros que se dedicam aos Estudos Literários, graças ao Dossiê organizado pela Editoria e que é composto por artigos de Glória Braga Onelley, Adelaide Stooss-Herbertz, Márcia Maria de Medeiros, Keila Carvalho/Janaína Cordeiro, Donizeth Aparecido dos Santos, Marcelo José Caetano, Edwar de Alencar Castelo Branco e Pedro Amaral.

​Como se isso não bastasse, ao consultar a seção livre, com o artigo de Jacques Leenhardt (É cole des Hautes Études en Sciences Sociales – EHESS/Paris), os nossos leitores entrarão em contato com uma provocante incursão pelos Estudos da Imagem, enfocando particularmente os trabalhos de Marcel Duchamp, Andy Warhol e Magritte. Igualmente sedutor é o artigo de Maria Antonia Couto da Silva, que se volta para as relações entre Pintura e Fotografia no Brasil do século XIX. Por outro lado, os interessados nas questões relativas ao binômio História e Cinema terão a oportunidade de aprofundar seus conhecimentos a partir da leitura dos artigos de Johnni Langer/ Luciana de Campos e Tânia Nunes Davi. Ainda na seção livre, os nossos leitores poderão encontrar os artigos de Maria Luiza Gonçalves Baracho e Paula Regina Siega, os quais lançam olhares inovadores sobre a telenovela brasileira. Completando essa seção, José Adriano Fenerick, discutindo a vanguarda musical paulista da década de 1980, e Sergio Alberto Feldman, com um artigo que procura entender a presença do Diabo no ciclo da vida das comunidades judaicas medievais, apresentam reflexões instigantes e que, certamente, despertarão muito interesse.

Na Seção dedicada às resenhas, os nossos leitores poderão conferir avaliações críticas de três lançamentos recentes: os livros de Rosangela Patriota (A Crítica de um Teatro Crítico. São Paulo: Perspectiva, 2007), Antônio José da Silva – o Judeu. (Obras do Diabinho da mão furada. Introdução de Kênia Maria de Almeida Pereira. São Paulo: Imprensa Oficial/ Oficina do Livro Rubens Borba de Moraes, 2006) e Viola Spolin (Jogos teatrais na sala de aula: o livro do professor. Tradução de Ingrid Dormien Koudela. São Paulo: Perspectiva, 2007).

A expectativa em relação a esse novo número é a de que ele tenha aceitação semelhante aos anteriores.

Mais uma vez, agradecemos pelos artigos enviados e, antecipadamente, pelo apoio na divulgação deste periódico.

Boa leitura a todos!

Alcides Freire Ramos, Rosangela Patriota e Pedro Spinola Pereira Caldas
Editores da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais

AS AMBIVALÊNCIAS DA IDENTIDADE CORPORAL

  • Jacques Leenhardt

RESUMO: Este artigo discute historicamente o modo como foram construídas as noções de perfeição corporal, enfocando algumas representações fotográficas e pictóricas do século XIX e XX, que foram propostas por Marcel Duchamp, Andy Warhol, Magritte, entre outros.

PALAVRAS-CHAVE: História Cultural – Fotografia e Pintura – Duchamp – Warhol – Magritte

AS RELAÇÕES ENTRE PINTURA E FOTOGRAFIA NO BRASIL DO SÉCULO XIX: CONSIDERAÇÕES ACERCA DO ÁLBUM BRASIL PITORESCO DE CHARLES RIBEYROLLES E VICTOR FROND

  • Maria Antonia Couto da Silva

RESUMO: Propomo-nos neste artigo oferecer subsídios para o estudo das relações entre pintura e fotografia no Brasil, na segunda metade do século XIX. Introduzida no país nesse período, a fotografia causou um impacto cultural. Retomando os códigos de representação da pintura, e apoiada na exatidão das formas e na fidelidade do registro, a fotografia instituiu um novo olhar sobre a natureza. O surgimento das técnicas inéditas de reprodução mecânica da imagem, como a litografia e a fotografia, abriu caminho ainda para a produção de vários álbuns de artistas viajantes que divulgaram a paisagem e os costumes brasileiros. Em nossa pesquisa partimos da análise do livro Brasil Pitoresco de Charles Ribeyrolles e Victor Frond, publicado em 1861, procurando compreender sua importância em relação às artes visuais no período.

PALAVRAS-CHAVE: Brasil – Pintura – Século XIX – Fotografia – Victor Frond e Charles Ribeyrolles

THE WICKER MAN: REFLEXÕES SOBRE A WICCA E O NEO-PAGANISMO

  • Johnni Langer
  • Luciana de Campos

RESUMO: O presente estudo propõe uma reflexão acerca das apropriações sociais e históricas do neopaganismo, especialmente a wicca, tendo como principais fontes os filmes O homem de palha (1973) e O Sacrifício (2006), confrontados com algumas obras literárias que originaram este fenômeno mágicoreligioso. Procuramos demonstrar que a wicca mudou de sentido para as sociedades na qual estava inserida, dos anos 1960 até hoje. Além disso, também buscamos refletir a relação do cinema como meio de propagação e interpretação da História, estabelecendo estereótipos e apropriações imaginárias sobre religião.

PALAVRAS-CHAVE: Neo-paganismo – Cinema e História – Cultura Celta

CINEMA E HISTÓRIA: REPRESENTAÇÕES DO AUTORITARISMO EM MEMÓRIAS DO CÁRCERE DE NELSON PEREIRA DOS SANTOS

  • Tânia Nunes Davi

RESUMO: Este artigo discute Memórias do Cárcere, filme de Nelson Pereira dos Santos, baseado em obra homônima de Graciliano Ramos, de modo a mostrar as apropriações feitas pelo cineasta da obra literária, bem como os diálogos entre arte e sociedade.

PALAVRAS-CHAVE: História e Cinema – Cinema Brasileiro – Nelson Pereira dos Santos

TELEVISÃO BRASILEIRA: UMA (RE)VISÃO

  • Maria Luiza Gonçalves Baracho

RESUMO: Revendo a bibliografia especializada, da década de 1970 em diante, verifica-se que poucos autores analisaram os vinte primeiros anos da televisão brasileira. Essa tem sido uma tarefa de memorialistas, que registram lembranças e saberes daquela época. Há quem afirme que, no Brasil, a TV seria um fenômeno significativo somente depois da criação da Rede Globo. Sem dúvida, com as redes nacionais foi reformulado o antigo modo de fazer televisão, que, nem por isso, deve ser esquecido. O que se pretende é apontar algumas das razões que ainda fazem, do início da TV brasileira, um tema de pouco interesse para a historiografia.

PALAVRAS-CHAVE: Televisão – História – Bibliografia

A SEGUIR, CENAS DE UM REGIME MILITAR: POLÍTICA E PROPAGANDA NAS NOVELAS BRASILEIRAS DOS ANOS 1970

  • Paula Regina Siega

RESUMO: Este artigo discute as telenovelas brasileiras produzidas durante os anos 1970, demonstrando a sua instrumentalização pela propaganda militar e apontando para as semelhanças em relação ao cinema fascista.

PALAVRAS-CHAVE: Telenovelas brasileiras – Propaganda – Ditadura

VANGUARDA PAULISTA: APONTAMENTOS PARA UMA CRÍTICA MUSICAL

  • José Adriano Fenerick

RESUMO: Este artigo é um estudo sobre a crítica cultural (musical) contida nas canções da chamada Vanguarda Paulista. Inseridos no campo dos alternativos e independentes do começo da década de 1980, e portanto distantes das regras impostas pelo grande mercado de música no país, os integrantes da Vanguarda Paulista criaram um contraponto crítico e importante, registrado em suas canções, para se pensar a produção musical brasileira disseminada pela indústria cultural nos últimos 20 anos. Assim, ao analisar algumas de suas canções, este estudo procura pontuar e debater alguns aspectos da cultura musical brasileira recente.

PALAVRAS-CHAVE: Vanguarda Paulista – Indústria Cultural – Música Popular Brasileira

A PRESENÇA DO DIABO NO COTIDIANO MEDIEVAL JUDAICO: OS RITOS DE PASSAGEM

  • Sergio Alberto Feldman

RESUMO: Este artigo almeja entender a presença do Diabo no ciclo da vida das comunidades judaicas medievais. O Judaísmo é estritamente monoteísta não oferecendo espaço para algum tipo de dualismo, tampouco a teologia judaica aceita a existência do Diabo. Entretanto, a realidade é distante da teoria: os judeus, especialmente as camadas menos cultas de sua população, de fato crêem e temem o Diabo. Os rabinos e eruditos devem levar em conta estas crenças e superstições. Esta contradição é transparente nas tradições e nos costumes do Judaísmo medieval. Há explicações opostas sobre os significados destes rituais/cerimônias, celebrações e símbolos: algumas são eruditas e filosóficas, já outras são apenas significados populares de superstições e crenças.

PALAVRAS-CHAVE: Diabo – Judaísmo – Religião Popular

DOSSIÊ "ESTUDOS LITERÁRIOS"

APRESENTAÇÃO DO DOSSIÊ “ESTUDOS LITERÁRIOS” *

  • Alcides Freire Ramos
  • Rosangela Patriota
  • Pedro Spinola Pereira Caldas

TEÓCRITO E VIRGÍLIO: UM DIÁLOGO BUCÓLICO

  • Glória Braga Onelley

RESUMO: Propõe-se o presente trabalho fazer um exame intertextual entre passagens de alguns Idílios de Teócrito e a Segunda Bucólica de Virgílio. Antes, porém, de serem analisados os elementos líricos e bucólicos e as semelhanças de expressão e de imagens entre os dois maiores expoentes do gênero bucólico, serão apresentadas, para melhor compreensão da poesia bucólica latina, algumas particularidades de composição dos poetas alexandrinos, em especial de Teócrito, que grande influência exerceu na formação literária de Virgílio, muito embora tenha a poesia pastoril recebido a marca, o timbre e o colorido do estilo pessoal do mantuano.

PALAVRAS-CHAVE: Poesia Bucólica – Teócrito – Virgílio – Intertextualidade

OS LEITORES E AS LEITURAS DA OBRA DE STEFAN ZWEIG NO BRASIL

  • Adelaide Stooss–Herbertz

RESUMO: Os leitores e as leituras da obra de Stefan Zweig no Brasil é um estudo da recepção da obra Brasil, país do futuro pelos leitores brasileiros, bem como da crítica e uma reflexão sobre a atualidade desta obra. Para analisarmos o papel do leitor na construção de sentidos para o texto partimos da compreensão que o próprio autor tinha do leitor e da leitura e de conceitos desenvolvidos pela estética da recepção. Esta reflexão sobre o papel do leitor procura incluir o ensaio no conjunto de obras do autor, sugerindo a presença do imaginário na imagem do Brasil nela constituída.

PALAVRAS-CHAVE: Stefan Zweig – Teoria da Recepção – Brasil, país do futuro

DAS CONTRIBUIÇÕES DE GEOFFREY CHAUCER PARA A LITERATURA E A HISTÓRIA

  • Márcia Maria de Medeiros

RESUMO: A obra de Geoffrey Chaucer é de suma importância para o estudioso que se debruça sobre a literatura inglesa do século XVI. Espelho da mentalidade de uma época reflete muito dos usos e costumes da Inglaterra. O presente trabalho procura analisar as contribuições deste autor para a literatura e a para a história abordando especialmente as questões relativas à morte em um dos contos que ilustra as páginas de Contos da Cantuária, a saber, O vendedor de Indulgências.

PALAVRAS-CHAVE: Literatura Medieval – Mentalidades – Morte

O NOVO MUNDO DE SEXTA-FEIRA: IRONIA E RECRIAÇÃO MESTIÇA NA LITERATURA LATINO-AMERICANA

  • Keila Carvalho
  • Janaína Cordeiro

RESUMO: Tomando por base a análise da peça Adeus, Robinson, de Julio Cortázar, este artigo discute os elementos a partir dos quais a literatura latino-americana, especificamente, resignifica e traduz a experiência imperialista, de forma a subverter o papel destinado ao mundo colonizado pelo discurso do dominador. Nesse sentido, pelo próprio contexto de produção da peça em questão, dá-se especial ênfase para a conjuntura política dos anos 1970, mas simultaneamente, recupera-se o valor deste tipo de produção literária para o tempo presente uma vez que resgata o caráter de resistência cultural e política que a diferencia. Além disso, procura-se contestar o rótulo de “Literatura do Terceiro Mundo”, eventualmente atribuído a produção das ex-colônias, na medida em que tal classificação reserva a este discurso uma posição intransponível de subalternidade.

PALAVRAS-CHAVE: Literatura – América Latina – Resistência

POETAS DE TODO O MUNDO

  • Donizeth Aparecido dos Santos

RESUMO: O artigo apresenta uma abordagem do sentimento de solidariedade entre os negros de todo o mundo, presente na poesia dos escritores africanos de língua portuguesa: Francisco José Tenreiro, Agostinho Neto, Viriato da Cruz e Noémia de Sousa, bem como dos afro-brasileiros Solano Trindade e Oliveira Silveira. A solidariedade negra, oriunda do Pan-africanismo e difundida pelos movimentos culturais negros surgidos a partir dele, foi uma das maiores recorrências literárias na poesia africana de língua portuguesa dos anos 1940 e 1950 e na afro-brasileira da década de 1960 à de 1980.

PALAVRAS-CHAVE: Poesia africana de língua portuguesa – Poesia afro-brasileira – Solidariedade

ITINERÁRIOS AFRICANOS: DO COLONIAL AO PÓS-COLONIAL NAS LITERATURAS AFRICANAS DE LÍNGUA PORTUGUESA

  • Marcelo José Caetano

RESUMO: Em primeiro lugar, constata-se que muitas são as “Áfricas” e diversas são as literaturas africanas em língua portuguesa. Em seguida, tomando-se a obra literária de Agostinho Neto e Pepetela como norte reflexivo, pensa-se sobre os lugares e não-lugares da África e sobre a possibilidade de uma mentalidade pós-colonial nos países africanos colonizados por Portugal. Depois disto, há uma reflexão por meio da qual os processos independentistas são considerados como fundamentais, mas como insuficientes à emergência de uma mentalidade pós-colonial.

PALAVRAS-CHAVE: Literaturas africanas – Colonialismo e Pós-Colonialismo

TODA PALAVRA GUARDA UMA CILADA: TORQUATO NETO ENTRE A VERTIGEM E A VIAGEM

  • Edwar de Alencar Castelo Branco

RESUMO: Muito já se escreveu sobre Torquato Neto e sua atividade intelectual. Entretanto, alguma coisa permanece na sombra, especialmente no concernente à apropriação histórica de seus textos. A ênfase dada aos textos reunidos em Os últimos dias de Paupéria, os quais ganharam grande publicidade a partir do início dos anos setenta, acabou por ofuscar boa parte da produção literária de Torquato. Do mesmo modo, textos importantes, como Arte e cultura popular, permanecem inéditos e ofuscados pela intensidade do foco que se projeta sobre o “Torquato tropicalista”. Este texto, com o intuito de refletir sobre esse silêncio, propõe uma apropriação e uma revisão histórica dos textos torquateanos, de modo que eles possam expressar as condições de existir para parte da juventude brasileira nos anos sessenta.

PALAVRAS-CHAVE: Literatura Brasileira – Torquato Neto – Anos sessenta

CONTRADIÇÕES DA CARNE – A MULHER E O NEGRO EM DOIS MOMENTOS DO NATURALISMO BRASILEIRO

  • Pedro Amaral

RESUMO: O objetivo deste trabalho é analisar as obras A carne, de Júlio Ribeiro, e Submundo da sociedade, de Adelaide Carraro, representativas de dois momentos do Naturalismo brasileiro (e, ambas, censuradas quando de seu lançamento, sob a acusação de pornografia) do prisma das caracterizações da mulher e do negro por elas apresentadas. Nosso objetivo é examinar se as obras em tela serviriam para corroborar o ponto de vista segundo o qual o Naturalismo, em suas diversas fases, seria fundamentalmente conservador, diluidor de conflitos que marcam a sociedade brasileira, ou se, diferentemente – esta é nossa hipótese – as obras de Ribeiro e Carraro seriam exemplo sobretudo de uma postura contraditória, hesitante em relação a questões como o lugar da mulher e do negro na sociedade – e neste sentido refletiriam contradições e hesitações que, ontem como hoje, marcam o enfrentamento dessas questões no Brasil.

PALAVRAS-CHAVE: Literatura Brasileira – Naturalismo – Adelaide Carraro – Júlio Ribeiro

PARA QUE SERVE A HISTÓRIA? A ATUALIDADE DE VIANINHA EM A CRÍTICA DE UM TEATRO CRÍTICO

  • Eliane Alves Leal
  • Rodrigo de Freitas Costa
  • Thaís Leão Vieira

OBRAS DO DIABINHO DA MÃO FURADA: ENHORABUENA!

  • Orlando Fernández Aquino

JOGOS TEATRAIS NA SALA DE AULA: UM MANUAL PARA O PROFESSOR

  • Maria Abadia Cardoso