Vol. 4 Ano IV nº 4 - Outubro/ Novembro/ Dezembro de 2007

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É com imensa satisfação que lançamos mais um número da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais (Volume 4, Ano IV, Número 4 – Outubro / Novembro / Dezembro de 2007).

O site www.revistafenix.pro.br entrou no ar em dezembro de 2004 com o objetivo de trazer a público uma publicação que se caracterizasse pela agilidade, universalidade e gratuidade. Essa preocupação, porém, não encerrava as expectativas depositadas na sua criação. Pelo contrário, o grande propósito era tornar acessível uma publicação capaz de incentivar a interlocução acadêmica e a ampla divulgação de pesquisas instigantes e de alto nível, procurando traduzir a dinâmica e a diversidade dos diálogos interdisciplinares da pesquisa histórica e dos Estudos Culturais.

Os resultados positivos obtidos com esse projeto, considerando também a atual edição, materializam-se na publicação de vinte e quatro (24) resenhas cento e sessenta e sete (167) artigos, oriundos de diferentes estados do Brasil: Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Pernambuco, Piauí, Paraíba, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Distrito Federal.

Ademais, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais acolheu onze (11) dossiês, a saber: Chico Buarque & Vianinha: arte e política no Brasil Contemporâneo (organizado pela Editoria), História Oral (organização de Paulo Roberto de Almeida), Homenagem a Jorge Andrade – 50 anos d’ A Moratória: Encruzilhadas da Literatura e da História (organização de Diógenes Maciel), Cinema-História (organização de Sheila Schvarzman), Teoria da História (organização de Pedro Spinola Pereira Caldas), História e Visualidades (organização de Alcides Freire Ramos), Teorias do Espetáculo e da Recepção (organização de Robson Camargo), Mundo Romano (organização de Ana Teresa Marques Gonçalves), Estudos Literários (organizado pela Editoria), História da Ciência (organização de Antonio Augusto Passos Videira) e História Cultural & Multidisciplinaridade (organizado por Sandra Pesavento, Mônica Pimenta Velloso e Antonio Herculano).

Vale salientar que, ao longo desse período, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais deu passos decisivos para a sua consolidação no meio acadêmico. Isto pode ser afirmado não somente por ter sido incluída no Portal de Periódicos de Acesso Livre da CAPES e em um importante indexador internacional, o DOAJ – Directory of Open Access Journals, ambas ocorridas em 2006, mas também pelo fato de ela ter melhorado sua avaliação no QUALIS CAPES. Tudo isso contribuiu para o aumento de seu impacto junto à comunidade acadêmica nacional e internacional das áreas de História, Letras e Artes.

Como comprovação dessa melhora, deve-se destacar o aumento considerável da remessa de artigos, a predominância da colaboração de doutores e o recebimento de artigos internacionais. Outro indicador importante para a avaliação das atividades desenvolvidas nesses últimos anos diz respeito ao número de visitas ao site www.revistafenix.pro.br, isto é, até o momento, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais recebeu mais de oitenta e três mil (83.000) consultas, assim divididas: 70% dos acessos originam-se do Brasil, e os 30% restantes são internacionais (Portugal, EUA, México, França, Itália, Espanha, Alemanha, Suécia, Inglaterra, entre outros).

Entretanto, é preciso que se diga: muito pouco teria sido feito sem o envolvimento da Secretaria Executiva e dos Conselhos Editorial e Consultivo. O desprendimento e a coragem dos diretamente envolvidos nessa empreitada foram de grande importância para o bom encaminhamento dos trabalhos, mantendo a qualidade editorial e publicando artigos de excelência. Acima de tudo, devemos aqui registrar uma especial menção aos nossos leitores e colaboradores: sem eles, nada disso teria sido possível. Por esta razão, queremos expressar nossos mais sinceros agradecimentos a todos aqueles que, acessando o site ou enviando seus artigos, contribuíram e contribuem para que a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais tenha sido tão bem recebida.

Com efeito, mais um bom exemplo dessa afirmação pode ser verificado neste número, que ora vem a público. Nele, o leitor será motivado a conhecer melhor a contribuição dos pesquisadores brasileiros que se dedicam à História Cultural graças ao Dossiê organizado por organizado por Sandra Pesavento, Mônica Pimenta Velloso e Antonio Herculano e que é composto por artigos de Sandra Pesavento, Márcia Abreu, Maria de Fátima Costa, Luiz Carlos Villalta, Mônica Pimenta Velloso, Antonio Herculano, Sylvia Regina Bastos Nemer, Márcia Helena Saldanha Barbosa, Mauro Gaglietti, Cláudia Mesquita, Eliézer Cardoso de Oliveira, Jeniffer Alves Cuty, Marcos Edílson de Araújo Clemente, Dilton Cândido Santos Maynard e Cristiano Cezar Gomes da Silva.

Como se isso não bastasse, ao consultar a seção livre, o leitor entrará em contato com o sedutor artigo de Sainy C. B. Veloso, que investiga o diálogo interdisciplinar da História com a Arte, discutindo a intervenção dos sem-teto no espaço modernista da cidade de Brasília. Por outro lado, os interessados nas questões relativas à História Moderna terão a oportunidade de aprofundar seus conhecimentos a partir da leitura dos artigos de Ricardo Luiz de Souza, Sandra Aparecida Pires Franco, Cândida Barros / Toru Maruyama e Maria Izabel B. Morais Oliveira. Ainda na seção livre, os nossos leitores poderão encontrar o artigo de Alcides Freire Ramos e Rosangela Patriota, o qual lança questões provocativas sobre o diálogo entre as linguagens artísticas (especialmente Cinema e Teatro) e o ensino de História. Completando essa seção, Alex Lombello Amaral e Mônica Karawejczyk apresentam reflexões instigantes acerca da História brasileira. O primeiro, voltando-se para o século XIX, discute aspectos da História da Imprensa, e a segunda enfoca a inclusão das mulheres como atores na vida política, centrando sua análise na questão da participação feminina nas eleições.

Na Seção dedicada às resenhas, os nossos leitores poderão conferir avaliações críticas de dois lançamentos recentes: os livros de Luiz Nazario (Todos os corpos de Pasolini. São Paulo: Perspectiva, 2007), e Tânia Nunes Davi (Subterrâneos do Autoritarismo. Uberlândia: Edufu, 2007).

A expectativa em relação a esse novo número é a de que ele tenha aceitação semelhante aos anteriores.

Mais uma vez, agradecemos pelos artigos enviados e, antecipadamente, pelo apoio na divulgação deste periódico.

Boa leitura a todos!

Alcides Freire Ramos, Rosangela Patriota e Pedro Spinola Pereira Caldas
Editores da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais

COMPOSIÇÃO PONTOS PRETOS SOBRE FUNDO VERDE-AMARELO: OS FAZERES ARTÍSTICOS E HISTÓRICOS DOS SEM-TETO EM BRASÍLIA (2000-2006)

RESUMO: O artigo investiga o agenciamento interdisciplinar, entre História e Arte, discutindo a intervenção dos sem-teto no espaço modernista da cidade de Brasília e nossas contradições culturais.

PALAVRAS-CHAVE: Sem-teto – Brasília – Cultura Brasileira

MAQUIAVELISMO: A TEORIA E O ADJETIVO

RESUMO: A teoria política criada por Maquiavel possui fundamentos morais que conferem, a ela, um sentido profundamente inovador. Meu objetivo é estudar a relação entre política e moral estabelecida pelo autor, pensando como a questão ética, para além do senso comum, adquire importância fundamental no pensamento do autor, que buscou construir uma moral leiga, voltada para a busca de eficiência, mas, também, para a preservação do bem público.

PALAVRAS-CHAVE: Moral – Estado – Modernidade

REFORMAS POMBALINAS E O ILUMINISMO EM PORTUGAL

RESUMO: O objetivo principal deste texto é o de verificar quais as mudanças e reformas que estavam ocorrendo em Portugal no século XVIII e que poderiam alterar a situação portuguesa no contexto europeu. Assim como também verificar se existiram tentativas de modernização anteriores e qual foi o papel de Pombal neste contexto.

PALAVRAS-CHAVE: Reformas – Portugal – Marquês de Pombal

O PERFIL DOS INTÉRPRETES DA COMPANHIA DE JESUS NO JAPÃO E NO BRASIL NO SÉCULO XVI

RESUMO: O objetivo do trabalho é comparar dados biográficos dos intérpretes da Companhia de Jesus no Japão e no Brasil no século XVI a fim de conhecer as estratégias usadas pela Ordem para obter competência em japonês e em tupi. Os catálogos anuais são a principal fonte de informação a respeito das habilidades lingüísticas dos jesuítas. Duas questões são analisadas por meio dos dados biográficos dos jesuítas intérpretes: (a) a relação entre posição hierárquica e o conhecimento das línguas vernáculas e (b) a política de admissão para aqueles que já conheciam aquelas línguas.

PALAVRAS-CHAVE: Jesuítas – Intérpretes – Evangelização

BOSSUET E LUÍS XIV: JUSTIÇA, BONS EXEMPLOS E BEM COMUM. VIRTUDES FUNDAMENTAIS AO PRÍNCIPE CRISTÃO PARA O FORTALECIMENTO DE SEU PODER

RESUMO: Estabelecer uma comparação entre Bossuet e Luís XIV buscando demonstrar que para ambos o príncipe devia dar bons exemplos, como exercer a justiça, agir em prol do bem comum e, assim, promover a paz no reino. Demonstrar que estas imagens estavam inseridas no mundo simbólico do século XVII francês e que serviam para reforçar o poder do monarca absolutista.

PALAVRAS-CHAVE: Bossuet e Luís XIV – Político/simbólico – Monarquia Absolutista

LINGUAGENS ARTÍSTICAS (CINEMA E TEATRO) E O ENSINO DE HISTÓRIA: CAMINHOS DE INVESTIGAÇÃO

RESUMO: Este artigo apresenta uma reflexão acerca do diálogo entre as linguagens artísticas
(especialmente Cinema e Teatro) e o trabalho do historiador, particularmente sobre como usar essas linguagens no ensino de História. Acima de tudo, este ensaio discute algumas possibilidades e contradições dessas propostas de ensino-aprendizagem.

PALAVRAS-CHAVE: Ensino de História – História e Cinema – História e Teatro

DOCUMENTO INÉDITO: HISTÓRIA DO JORNAL ASTRO DE MINAS PELA PENA DO PADRE JOSÉ MARINHO

RESUMO: A história do padre José Antonio Marinho e sua história sobre o periódico Astro de Minas são ricos em “notícias” sobre o Primeiro Reinado (1822-1831) a sobre a Regência (1831-1840), sobre os homens pobres de cor e sobre a imprensa no Brasil.

PALAVRAS-CHAVE: Homens negros pobres – Imprensa; Primeiro Reinado – Regência

MULHERES, MODERNIDADE E SUFRÁGIO: UMA APROXIMAÇÃO POSSÍVEL

RESUMO: Este artigo tenta fazer a ligação entre a modernidade e a emancipação das mulheres. O enfoque principal será dado na inclusão de novos atores na vida política, neste caso, as mulheres, motivo pelo qual se centrará a análise na questão da participação feminina no pleito eleitoral.

PALAVRAS-CHAVE: Sufrágio Feminino – Modernidade – Mulher

DOSSIÊ "HISTÓRIA CULTURAL & MULTIDISCIPLINARIDADE"

APRESENTAÇÃO DO DOSSIÊ “HISTÓRIA CULTURAL & MULTIDISCIPLINARIDADE”

UMA CIDADE SENSÍVEL SOB O OLHAR DO “OUTRO”: JEAN-BAPTISTE DEBRET E O RIO DE JANEIRO

RESUMO: Este texto analisa o modo como Jean-Baptiste Debret – pintor e membro da Missão Artística Francesa de 1816 – olhou para o Rio de Janeiro como uma cidade “sensível”.

PALAVRAS-CHAVE: Sensibilidades – Historia Cultural – Cidade – Jean-Baptste Debret – Imagem

O CONTROLE À PUBLICAÇÃO DE LIVROS NOS SÉCULOS XVIII E XIX: UMA OUTRA VISÃO DA CENSURA

RESUMO: O artigo examina a ação da censura lusitana entre meados do século XVIII e início do XIX, prestando especial atenção à avaliação de romances. A observação do funcionamento interno dos tribunais censórios revela que eles eram espaço de discussão, controvérsia e disputa, bem como mostra que a censura aos romances considerava não apenas sua conveniência política, religiosa e moral, mas também sua qualidade estética.

PALAVRAS-CHAVE: Censura – Leitura – Romance

AIMÉ-ADRIEN TAUNAY: UM ARTISTA ROMÂNTICO NO INTERIOR DE UMA EXPEDIÇÃO CIENTÍFICA

RESUMO: Aimé-Adrien Taunay foi desenhista da expedição russa comandada por G. H. Langsdorff entre 1825-1828 percorreu o interior do Brasil. Neste tempo realizou uma obra construída com delicada intuição artística. Sem dúvida, seu trabalho – junto com o de Rugendas e Ender – está entre os melhores realizados pelos artistas-viajantes que visitaram o país. Entretanto, sua participação nesta empresa científica foi toda ela marcada por indecisões e fortíssimos conflitos com seu chefe. Sensível, Aimé-Adrien não conseguiu adaptar-se aos rígidos preceitos exigidos por Langsdorff nem ao exaustivo cotidiano que uma viagem deste porte impõe. Revisando o acervo desta expedição foi possível encontrar documentos que permitiram violar um pouco do seu universo móvel, com êxitos, percalços, vicissitudes e atritos que emergem de uma prolongada convivência contínua. Com base nestes documentos, estuda-se a obra de Taunay, discutindo a arte produzida por viajantes na primeira metade do século XIX e os conflitos vividos por Taunay como desenhista da expedição russa ao interior do Brasil.

PALAVRAS-CHAVE: A-A. Taunay – arte de viajantes – expedição científicas – Langsdorff

O ENCOBERTO DA VILA DO PRÍNCIPE (1744-1756): MILENARISMO-MESSIANISMO E ENSAIO DE REVOLTA CONTRA BRANCOS EM MINAS GERAIS

RESUMO: Este artigo propõe-se a apresentar a trajetória e as idéias de João Lourenço ou Antônio da Silva, eremita e milenarista que circulou pela Vila do Príncipe (atual Serro), Capitania de Minas Gerais, nos idos de 1744, dizendo-se o Encoberto e propondo-se a realizar uma sedição de índios, pardos e negros, cativos e forros. Baseia-se fundamentalmente em fontes inquisitoriais, primeiramente encontradas pela historiadora portuguesa Ana Margarida Santos Pereira.

PALAVRAS-CHAVE: Milenarismo – Messianismo – Serro – Sedição – Minas Colonial

“É QUASE IMPOSSÍVEL FALAR A HOMENS QUE DANÇAM’’; REPRESENTAÇÕES SOBRE O NACIONAL – POPULAR

RESUMO: Este artigo discute o diálogo entre as artes, a literatura e a história cultural, mostrando como, através delas, é possível compor um imaginário da nacionalidade brasileira, baseado no corpo (gestualidade e dança populares).

PALAVRAS-CHAVE: História cultural – História das Sensibilidades – Literatura e Artes – Modernidade

MARTINS PENA E O DILEMA DE UMA SENSIBILIDADE POPULAR NUMA SOCIEDADE ESCRAVISTA

RESUMO: A obra cômica de Luiz Carlos Martins Pena (1815-1848) apresenta um variado painel da sociedade do Rio de Janeiro de seu tempo, com um olhar sensível para a realidade vivida pela população livre, pobre ou remediada, branca ou mestiça. Mas, seguindo a sina de seus contemporâneos, encontra claros limites na representação do irrepresentável: a violência da escravidão. Ainda assim, Martins Pena deixa passar pelas frestas algo do conflito básico que opõe brancos e negros. As noções de popular e nacional que perpassam suas peças teriam influência longeva no esforço secular da intelectualidade de fundar a Pátria no nível simbólico.

PALAVRAS-CHAVE: Comédia – Rio de Janeiro – Escravidão

O FOLHETO POPULAR E AS REVISTAS ILUSTRADAS: OS CIRCUITOS DE COMUNICAÇÃO CIDADE / SERTÃO NA VIRADA DO SÉCULO XIX PARA O SÉCULO XX

RESUMO: Na literatura de cordel, e em particular na obra de Leandro Gomes de Barros, a mulher, vista na literatura popular tradicional como frágil, ingênua e generosa, passa a ser retratada como uma figura maliciosa, frívola e superficial. O homem, por sua vez, também passa a ser representado segundo novos padrões de comportamento e moralidade: de um ser dotado de força e coragem, ele começa a aparecer como um tipo galante, interesseiro, cheio de artimanhas para conseguir seus objetivos. Tais representações, largamente veiculadas pelas Revistas Ilustradas, começam a chegar ao sertão nordestino junto com os primeiros folhetos que teriam atuado como canal de difusão de certa “sensibilidade moderna” em um tipo de sociedade onde as idéias circulantes nos meios mais cosmopolitas do país eram até então muito restritas.

PALAVRAS-CHAVE: Literatura de Cordel – Revistas Ilustradas – Trocas Culturais

O CRONOTOPO E A INSERÇÃO DA HISTÓRIA NA NARRATIVA DE DYONÉLIO MACHADO

RESUMO: O trabalho propõe uma reflexão sobre o cronotopo no romance O louco do Cati (1942), de autoria de Dyonélio Machado. Considerando-se, de acordo com o teórico russo Mikhail Bakhtin, que o cronotopo é a interligação das relações temporais e espaciais artisticamente assimiladas pela literatura e que é por meio desse elemento que a “realidade histórica” se introduz no romance, cabe examinar o modo pelo qual se processa o entrecruzamento do espaço e do tempo, e a representação da História, na ficção de Dyonélio Machado.

PALAVRAS-CHAVE: História e Ficção – Tempo e Espaço – Regimes Ditatoriais

A CIDADE E O DINHEIRO REPRESENTADOS NAS OBRAS DE GEORG SIMMEL E DE DYONÉLIO MACHADO

RESUMO: Examina-se o romance Os ratos, de Dyonélio Machado, tendo em vista a crítica da
modernidade empreendida por Georg Simmel, no contexto de uma economia monetária desenvolvida, socializante e agregadora das ações cotidianas. Do mesmo modo que a cidade é o centro da circulação do dinheiro, ela é lugar propício para a atitude blasé. Como na metrópole a concentração é muito grande, exige-se do indivíduo o máximo de seus nervos. O caráter blasé, a indiferença diante de tudo e todos, reverte em uma desvalorização de tudo e todos, e, por fim, no sentimento de depreciação da própria individualidade. Viver na cidade grande supõe sempre estratégias de sobrevivência em meio à concentração – estratégias que são, o mais das vezes, comportamentos estilizados.

PALAVRAS-CHAVE: Os ratos – Atitude blasé – Cidade

A CIDADE “AO RÉS DO CHÃO”: OS CARIOCAS E AS CARIOCAS POR SÉRGIO PORTO E STANISLAW PONTE PRETA

RESUMO: No campo dos estudos sobre a estreita relação entre literatura e, mais especificamente, a crônica jornalística – e a conformação de identidades culturais, este artigo aborda os elementos selecionados pelo cronista Sérgio Porto e seu heterônimo literário Stanislaw Ponte Preta na identificação de um “jeito de ser” carioca. A experiência urbana fez desse autor intérprete de uma nova realidade que se apresentava para o Rio de Janeiro e seus habitantes, no momento de inserção do Brasil na modernidade da segunda metade dos anos cinqüenta e início dos sessenta do século XX, período de transferência da capital federal para Brasília e da criação do estado da Guanabara.

PALAVRAS-CHAVE: Identidade – Imprensa – Carioca

ENTRE O FASCÍNIO E O HORROR: A LITERATURA CATÁSTROFE EM GOIÁS

RESUMO: O objetivo deste artigo é analisar a literatura catástrofe, a partir do estudo de algumas obras literárias goianas inspiradas numa catástrofe: O tronco e Pão cozido debaixo de brasa e A menina que comeu Césio. Estas obras são caracterizadas por uma tensão, decorrente da consternação que os humanos sentem diante da tragédia e o fascínio de contar bem uma história, o principal objetivo dos romancistas. Essa tensão se manifesta na utilização do sublime, categoria estética propícia a abordar o fascínio e o horror. Outra característica dessas obras é a presença do maravilhoso. Enfim, a análise dessas obras literárias pode ajudar esclarecer até que ponto as obras históricas estão permeados de elementos estéticoliterários, como defende a história cultural.

PALAVRAS-CHAVE: Literatura-catástrofe – Sublime – Maravilhoso

MEMÓRIA E CONTEMPLAÇÃO NO UNIVERSO DE MARIO QUINTANA: DESLOCAMENTOS POR ESPAÇOS E TEMPOS AMPLIADOS PELO IMAGINÁRIO POÉTICO

RESUMO: Este trabalho busca analisar as nuanças nas representações de espaço construído – a casa – presente na obra de Mario Quintana e de tempos rememorados ou imaginados por este poeta gaúcho. No recorte proposto, encontram-se os poemas produzidos no início da década de 1980, os quais afirmam a maturidade do poeta no trânsito entre universos reais e fantásticos, bem como sua permanente referência ao tempo passado. A casa de sua infância é maior que o mundo; ela remete a um ideal e a uma eterna busca. A pluralidade de imagens nos encaminha à leitura hermenêutica, através da compreensão das superposições entre espaços e tempos escritos no imaginário do poeta.

PALAVRAS-CHAVE: Imaginário Poético – Memória e Contemplação

CANGAÇO E CANGACEIROS: HISTÓRIAS E IMAGENS FOTOGRÁFICAS DO TEMPO DE LAMPIÃO

RESUMO: Este trabalho analisa a relação história e fotografia em seus aspectos teóricos e metodológicos, com enfoque no cangaço da fase de Virgulino Ferreira da Silva (Lampião) entre 1926-38. Há imagens fotográficas de Lampião e seu bando em pelo menos duas ocasiões: a primeira, em 1926, quando esteve em Juazeiro, Ceará, para encontro com Padre Cícero. Na segunda ocasião, em 1936, o mascate Benjamim Abrahão Botto filmou Lampião e seu bando no deserto do Raso da Catarina. As fotografias mostram os cangaceiros em cenas da vida cotidiana, em poses de guerra, rezando, lendo. Tal aparato fotográfico expõe um conjunto de representações do cangaço. Duas questões são colocadas: qual o lugar da imagem fotográfica enquanto evidência histórica? Quais são os limites e as possibilidades da iconografia fotográfica do cangaço?

PALAVRAS-CHAVE: Cangaço – História – Fotografia

O ANTI-MACUNAÍMA: MÁRIO DE ANDRADE E A MITIFICAÇÃO DE DELMIRO GOUVEIA

RESUMO: Investiga-se a construção de Delmiro Gouveia, agroindustrial cearense, como contraponto a Macunaíma em textos de Mário de Andrade. As fontes utilizadas serão crônicas, correspondências e o romance Macunaíma. Neste material, observa-se como diferente da indisposição para o trabalho, traço marcante na personagem andradiana, Delmiro é representado como um brasileiro raro, voltado para o trabalho e o progresso.

PALAVRAS-CHAVE: Delmiro Gouveia – Mário de Andrade -Macunaíma

ENTRE A HISTÓRIA E A LITERATURA: AS MÚLTIPLAS LETRAS, OS MÚLTIPLOS TEMPOS, OS MÚLTIPLOS OLHARES EM GRACILIANO RAMOS

RESUMO: Neste artigo buscamos discutir possibilidades de diálogos entre a história e a literatura. A partir da obra Vidas Secas, de Graciliano Ramos e de alguns dos seus manuscritos não-ficcionais, analisamos os vários olhares acerca do autor e a sua visão sobre o momento histórico vivenciado durante a década de 1930 e 1940 no Brasil. Abordamos questões sobre memória, história, literatura e narrativa, em que a tessitura histórica e a tessitura literária se aproximam e também se afastam em um diálogo que tem sido retomado com maior ênfase na contemporaneidade.

PALAVRAS-CHAVE: Graciliano Ramos – História – Literatura – Memória – Narrativa

PAIXÃO E RIGOR: O OLHAR DE LUIZ NAZÁRIO PELOS CORPOS DE PASOLINI

SUBTERRÂNEOS DO AUTORITARISMO: DE GRACILIANO RAMOS A NELSON PEREIRA DOS SANTOS – UMA PROPOSTA DE ESTUDO DE TÂNIA NUNES DAVI