Vol. 6 Ano VI nº 1 - Janeiro/ Fevereiro/ Março de 2009

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Esta edição da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais (Volume 6, Ano VI, Número 1 – Janeiro / Fevereiro / Março – 2009) foi elaborada com forte emoção, ainda sob o impacto do falecimento da historiadora Sandra Jatahy Pesavento. Com este número, queremos fazer uma homenagem à nossa querida amiga, que nos apoiou desde o início, de maneira entusiasmada e com bom humor.

Neste momento, vale à pena lembrar: quando o site www.revistafenix.pro.br entrou no ar em dezembro de 2004, de imediato, recebemos o estímulo de muitos profissionais da área de História. Dentre eles, Sandra Pesavento era a mais animada com o projeto e, de pronto, nos enviou um belo artigo intitulado A INVENÇÃO DO BRASIL – O NASCIMENTO DA PAISAGEM BRASILEIRA SOB O OLHAR DO OUTRO. Este artigo é bem representativo do universo de preocupações de Pesavento, já que analisa a pintura paisagística holandesa sobre o Brasil, de artistas como Frans Post, Gillis Peters, Zacharias Wagener, Georg Macgraf, Albert Eckhout, entre outros. A autora demonstra que, no momento da invasão, conquista e estabelecimento da dominação do nordeste brasileiro no século XVII, essas imagens foram produzidas com o intuito de apreender construções imaginárias de sentido e, por intermédio dessas, observou como, pela paisagem, se fez a “invenção do Brasil” pelo olhar do outro. Este foi o primeiro artigo que ela nos enviou. Em seguida, vieram outros.

Com efeito, sua colaboração manteve-se firme ao longo desses anos. Se, nesse longo período, fomos capazes de publicar mais de trinta e cinco resenhas e se já passamos de duzentos e quarenta artigos, cujos autores trabalham em diferentes regiões do país ou do exterior, devemos muito ao seu incentivo e entusiasmo. Quem a conheceu sabe que ela foi uma pesquisadora de grande capacidade de trabalho e a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais teve o privilégio de publicar outros estudos de sua autoria. Dando continuidade às suas pesquisas a respeito da sensibilidade e da alteridade, bem como em torno da relação História-Pintura, publicou UMA CIDADE SENSÍVEL SOB O OLHAR DO “OUTRO”: JEAN-BAPTISTE DEBRET E O RIO DE JANEIRO (1816-1831). Ainda explorando o binômio História-Imagem, Sandra Jatahy Pesavento publicou MEMÓRIA E HISTÓRIA: AS MARCAS DA VIOLÊNCIA, no qual, a partir de algumas representações visuais de guerra (pinturas e fotografias), analisa os processos de destruição/reconstrução da memória coletiva. Por fim, vale lembrar: sua parceria com a Fênix não ficou restrita ao envio de artigos, visto que, ao lado dos historiadores Mônica Pimenta Veloso e Antonio Herculano Lopes (pesquisadores da Fundação Casa de Rui Barbosa – Rio de Janeiro), organizou o DOSSIÊ “HISTÓRIA CULTURAL & MULTIDISCIPLINARIDADE”.

Entretanto, isso é apenas uma pequena parte da parceria que tivemos com Sandra Jatahy Pesavento. Na realidade, desde 1999, nossos contatos foram quase semanais, tendo em vista a criação do GT Nacional de História Cultural da Associação Nacional de História (ANPUH). Ao lado de historiadores como Maria Izilda Santos de Matos, Antonio Herculano Lopes, Mônica Pimenta Veloso, entre outros, tivemos o privilégio de participar dessa estimulante empreitada. Ao longo desses anos, Sandra Pesavento, sempre de bom humor, exerceu uma liderança incontestável não só em virtude de sua forte personalidade, de sua incomum capacidade de trabalho, ou de seus contatos com pesquisadores estrangeiros, mas, principalmente, graças à sua inteligência e à sua vontade de manter a coesão interna do GT Nacional de História Cultural.

Acima de tudo, ela foi uma LIDERANÇA INTELECTUAL. Sem meias palavras: é preciso dar destaque ao papel que ela desempenhou! Como todos sabemos, LIDERANÇAS INTELECTUAIS estão se tornando cada vez mais raras. Neste contexto, quando pensamos na trajetória de Sandra Pesavento e, sobretudo, no papel de LIDERANÇA INTELECTUAL que ela desempenhou à frente do GT Nacional de História Cultural, nos damos conta da falta que ela faz. Por esse motivo, as homenagens são necessárias e merecidas.

Sandra Pesavento dedicou-se à docência e à pesquisa durante quase quarenta anos. Trabalhou na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, de 1970 a 2009, contribuindo com a formação de várias gerações de historiadores. Com efeito, entre os anos de 1992 e 2008, logo após o seu credenciamento no Programa de Pós-Graduação em História da UFRGS, ela foi incansável, dedicando-se à orientação de dezenas de Dissertações de Mestrado e Teses de Doutorado. Ainda no que se refere à sua contribuição para a formação intelectual das novas gerações, merece destaque a sua participação em centenas de Bancas Examinadoras de Dissertações de Mestrado e Teses de Doutorado de discentes sob a orientação de outros pesquisadores, do Rio Grande do Sul, demais Estados brasileiros e do Exterior.

Da mesma forma, foi uma pesquisadora muito dedicada. Escreveu para jornais, ministrou mini-cursos, e participou de centenas de congressos científicos. Manteve parcerias internacionais duradouras, particularmente com Jacques Leenhardt [École des Hautes Études en Sciences Sociales (França)] e Chiara Vangelista [Università degli Studi di Torino (Itália)], dentre muitos outros.

Graças à sua incomum capacidade de trabalho, foi capaz de produzir mais de oitenta capítulos de livros. Publicou, de 1980 a 2009, cinqüenta e um livros. Dentre eles, destacam-se: Visões do Cárcere (Porto Alegre: Editora Zouk, 2009), Os Sete Pecados da Capital (São Paulo: Hucitec, 2008), História e História Cultural (Belo Horizonte: Editora Autêntica, 2003), Uma outra cidade: o mundo dos excluídos no final do século XIX (São Paulo: Editora Nacional, 2001), Imaginário da cidade: representações do urbano (Paris, Rio de Janeiro e Porto Alegre) (Porto Alegre: Editora da UFGRS, 1999), Exposições Universais: Espetáculos da Modernidade do Século XIX. (São Paulo: HUCITEC, 1997), A burguesia gaúcha: dominação do capital e disciplina do trabalho (RS 1889-1930) (Porto Alegre: Editora Mercado Aberto, 1988).

Como se tudo isso não bastasse, de 1974 a 2008, publicou mais de cento e vinte artigos em periódicos científicos nacionais e estrangeiros. Sem dúvida alguma, Sandra Pesavento dedicou-se de maneira infatigável à pesquisa e à reflexão. Ela é um exemplo para todos nós!

Estamos muito honrados, pois, neste número da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais, trazemos ao público leitor mais um artigo de Sandra Pesavento, intitulado Cidades Imaginárias: Literatura, História e Sensibilidades. Este ensaio faz parte do Dossiê SENSIBILIDADES À MARGEM, organizado por Nádia Maria Weber Santos. Este conjunto de textos é o resultado de um projeto de pesquisa, financiado pelo CNPq, desenvolvido de julho de 2006 a julho de 2008, no Núcleo de Pesquisa em História (NPH) do IFCH da UFRGS, sob a coordenação de Sandra Pesavento. Publicam também neste DOSSIÊ os seguintes pesquisadores: Rosemary Fritsch Brum, Francisco Carvalho Jr., Maria Luiza Martini, Benito Bisso Schmidt, Juliano Antoniolli, Nádia Maria Weber Santos e Paula Tatiane de Azevedo. Na seção dedicada às resenhas, o leitor poderá conferir, nesta edição da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais, o texto em que Raquel Czarneski Borges avalia o livro Os Sete Pecados da Capital de Sandra Pesavento. Na seção livre, estamos publicando artigos de Arilson Silva de Oliveira, Cássio Santos Melo, Elson de Assis Rabelo, Emerson Dionisio Gomes de Oliveira, Flávia Cópio Esteves, Francisco de Assis Ferreira Melo, Marylu Alves de Oliveira, Philonila Maria Nogueira Cordeiro, Samarkandra Pereira dos Santos Pimentel e Ubirathan Rogério Soares, os quais, sem dúvida, também merecem uma atenção especial do leitor, pois constituem frutíferas contribuições à construção do conhecimento. 

Por fim, queremos agradecer, in memoriam, à nossa amiga Sandra Pesavento pelas inúmeras alegrias compartilhadas, pelas instigantes parcerias profissionais e, sobretudo, pelos estímulos que recebemos em momentos difíceis, que nos ajudaram a afastar as tristezas e a enfrentar muitas adversidades. Dar continuidade ao seu trabalho não será tarefa fácil. De nossa parte, continuaremos a trabalhar, seguindo o seu exemplo. Agora, Sandra é uma estrela brilhante no firmamento. Sua luz iluminará nossos caminhos e, com certeza, nos ajudará a não esquecer os deveres de nosso ofício.

Aos leitores de mais esse número, agradecemos pela atenção e, sinceramente, esperamos que ele proporcione uma leitura agradável e proveitosa.

Alcides Freire Ramos e Rosangela Patriota
Editores da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais

IDÉIAS PARA O INFERNO SEGUNDO LEÓN FERRARI

  • Emerson Dionisio Gomes de Oliveira

RESUMO: O artista visual argentino León Ferrari tem sido considerado um crítico importante aos posicionamentos da Igreja Católica, na América Latina, nas últimas três décadas. Nosso trabalho buscou compreender como textos e obras deste artista representam o Inferno, importante motivo de seu discurso sarcástico, que visa destacar os paradoxos entre uma sociedade representada como laica e seu universo religioso. Ferrari utiliza elementos caros à arte contemporânea como a apropriação da história da arte e a contra-ironia, da mesma forma que faz uso de elementos de um modernismo tardio, como as justaposições incomuns e os procedimentos aleatórios, ambos marcadamente surrealistas.

PALAVRAS-CHAVE: História da Arte – Religião – Arte Contemporânea

MULHERES PARA MUITO ALÉM DO FIGURINO: AS DIVORCIADAS GAÚCHAS DOS SÉCULOS XVIII E XIX

  • Ubirathan Rogério Soares

RESUMO: Este artigo discute o processo de secularização presente nas rupturas dos relacionamentos matrimonial no Rio Grande do Sul, entre 1766 e 1890. O texto expõe alguns processos de divórcio impetrados por mulheres vivendo no interior do estado. Esses atos revelam questões sobre formação, constituição e desenvolvimento da sociedade, que apresentam maior visibilidade nas pequenas localidades. Mostram mais significativamente as estruturas da sociedade rural tradicional, onde se constrói o sistema de alianças patrimoniais, e a ultrapassagem deste sistema para o casamento como local de construção do regime da sexualidade, típico das sociedades atuais.

PALAVRAS-CHAVE: Sexualidade – Sociedade Tradicional – Relações Conjugais – Divórcios

RUMORES DA MISÉRIA, ECOS DA HISTÓRIA: A EMERGÊNCIA DO ESTEREÓTIPO DA POBREZA PIAUIENSE NOS ANOS 1950 E 1960

  • Elson de Assis Rabelo

RESUMO: Este artigo discute a produção do estereótipo da pobreza piauiense do final dos anos 1950 até os anos 1960. Atravessando diferentes domínios de enunciados, como a literatura, os discursos econômicos e as matérias de jornal, além de manter relações inextricáveis com as práticas desenvolvimentistas encetadas pelos governos populistas, o tema da pobreza piauiense era reiterado em enunciados de dentro e de fora do Piauí, na busca por soluções para a crise econômica que o Estado vivia então, e para sua inserção nas instituições que estavam sendo criadas para auxiliar o Nordeste.

PALAVRAS-CHAVE: Piauí – Estereótipo da pobreza – Identidade Cultural

AS DIABRURAS, GOSTOSURAS E TRAVESSURAS DE NOSSO FAUSTO BRASILEIRO

  • Francisco de Assis Ferreira Melo

RESUMO: Esta pesquisa centra-se na análise comparativa de dois textos: O Saci, de Monteiro Lobato, e Fausto, de Goethe. O nosso objeto na análise será, mais especificamente, as relações entre os seres humanos e os demônios, Saci e Mefistófeles. Em ambos os casos, essas obras desenvolvem um diálogo entre o mundo real e o sobrenatural, através de pactos geradores de conflitos nas vidas dos homens.

PALAVRAS-CHAVE: Literatura Comparada – Pactos – Demônios

GUERRA DE PALAVRAS: A CONSTRUÇÃO DO INIMIGO “QUINTA COLUNA” PELA IMPRENSA PERNAMBUCANA
DURANTE A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

  • Philonila Maria Nogueira Cordeiro

RESUMO: Quando o Brasil deixa a neutralidade decretada em 1939 aliando-se aos Estados Unidos, alguns jornais em Pernambuco vão desenvolver um discurso centrado no pan-americanismo e em acusações aos indivíduos que simpatizavam com as idéias nazi-fascistas, chamados de quinta-coluna e traidores da pátria. Tais discursos transformam-se em uma guerra de palavras desenvolvendo na sociedade recifense um clima de suspeição, onde qualquer cidadão poderia ser considerado um inimigo em potencial. Analisaremos neste texto os discursos do jornalista Mario Melo, do Jornal Pequeno, como exemplo desse momento.

PALAVRAS-CHAVE: Quinta Coluna – Segunda Guerra Mundial – Nazismo

MAS AFINAL, O QUE ERA MESMO O COMUNISMO? A SIGNIFICAÇÃO DA PALAVRA “COMUNISMO” ATRAVÉS DOS TEXTOS ANTICOMUNISTAS QUE CIRCULARAM NO PIAUÍ DA DÉCADA DE 1960

  • Marylu Alves de Oliveira

RESUMO: O objetivo deste artigo é analisar as principais significações dadas a palavra “comunismo” ao longo da década de 1960 através dos textos anticomunistas que foram produzidos e circularam no estado do Piauí. Permanências/rupturas é a melhor definição para essa significação, uma vez que algumas características atribuídas ao comunismo permanecerem durante toda a década de 1960, contudo, percebese que, também, outros elementos foram se modificando na sua significação determinada pelos contextos e acontecimentos sociais daquele momento na política brasileira e piauiense.

PALAVRAS-CHAVE: Comunismo – Anticomunismo – Década de 1960

LITERATURA, HISTÓRIA E SOCIEDADE EM ESTILO DE CASA: UM CASAMENTO NO ARRABALDE, DE FRANKLIN TÁVORA

  • Samarkandra Pereira dos Santos Pimentel

RESUMO: Neste artigo analisaremos a novela Um Casamento no Arrabalde, do escritor cearense Franklin Távora, publicada em 1869. Daremos ênfase às características românticas e também realistas, que coexistem na obra, e ao papel do narrador, tipicamente benjaminiano, pois é a partir de suas interferências constantes que tomaremos conhecimento das temáticas da novela: anticlericalismo, casamento, amor, história, bairrismo, em suma, as polêmicas que permearam a sociedade do século XIX e que foram representadas por Távora.

PALAVRAS-CHAVE: Literatura – História – Sociedade

A ÍNDIA MUITO ALÉM DO INCENSO: UM OLHAR SOBRE AS ORIGENS, PRECEITOS E PRÁTICAS DO VAISHNAVISMO

  • Arilson Silva de Oliveira

RESUMO: Buscamos compreender o contexto sócio-histórico (ética e visão de mundo) do vaishnavismo, bem como, de forma resumida, as principais fontes e idéias teológicas, seus espaços, sua origem, seus precursores, suas divindades, suas práticas e, por fim, sua gama literária inserida na tradição indiana (ou parte integrante do que hoje se conhece como hinduísmo) e de forma latente nos ancestrais textos védicos. Chegamos à compreensão de que esta tradição religiosa volta-se para a devoção de um deus multifacetado, possuindo raízes históricas envoltas na ortodoxia brahmânica, ou seja, na milenar concepção de que os brahmanas (mestres) são os agentes sociais capazes de orientar toda a sociedade para o além-mundo. Além disso, o mais proeminente desses mestres foi, com certeza, aquele que é considerado uma encarnação direta de deus: Caitanya.

PALAVRAS-CHAVE: Vaishnavismo – Caitanya – Índia

NARRATIVAS DE PAULICÉIA: CAIPIRAS NUMA CIDADE EM TRANSFORMAÇÃO

  • Cássio Santos Melo

RESUMO: Este artigo é parte de nossa pesquisa de mestrado cuja temática refere-se a um tipo de teatro que fez bastante sucesso nos palcos paulistanos nas primeiras décadas do século XX, o qual trazia o caipira entre as personagens principais de suas tramas. A questão que tentaremos explorar aqui é a de compreender por meio de duas peças teatrais: São Paulo Futuro (1914) e Clevelândia (1927), as novas sensações, projeções e frustrações de uma cidade em constante mudança nas primeiras décadas do século XX, narradas pela personagem caipira.

PALAVRAS-CHAVE: Caipira – Teatro – São Paulo

“SOB” SENTIDOS DO POLÍTICO: HISTÓRIA, GÊNERO E PODER NO CINEMA DE ANA CAROLINA

  • Flávia Cópio Esteves

RESUMO: O diálogo entre filmes e História é focalizado, neste trabalho, através da trilogia escrita e dirigida pela cineasta brasileira Ana Carolina. Em Mar de rosas (1977), Das tripas coração (1982) e Sonho de valsa (1986), estão em cena relações de poder na esfera familiar, as faces femininas que habitam os sonhos de um homem em um colégio católico de meninas e os desejos românticos de uma mulher de trinta anos. Relações sociais cotidianas e conflitos subjetivos compõem, por meio das personagens femininas, um espaço de análise do poder em suas múltiplas dimensões — em outras palavras, concebendo e vivenciando o pessoal como político.

PALAVRAS-CHAVE: História e Cinema – Estudos de Gênero – Representações

DOSSIÊ "SENSIBILIDADES À MARGEM"

APRESENTAÇÃO DO DOSSIÊ “SENSIBILIDADES À MARGEM”

  • Nádia Maria Weber Santos

CIDADES IMAGINÁRIAS: LITERATURA, HISTÓRIA E SENSIBILIDADES

  • Sandra Jatahy Pesavento

RESUMO: Este artigo equaciona história cultural e sensibilidades, discutindo as construções mentais e simbólicas, elaboradas pela literatura sobre as realidades urbanas. Para isto, analisa a obra Incidente em Antares, do escritor gaúcho Érico Veríssimo, publicada em 1971, em um período marcante da ditadura militar brasileira.

PALAVRAS-CHAVE: História e literatura – Urbano – Erico Veríssimo – Sensibilidades

FLÁVIO KOUTZII: UM OLHAR SOBRE AS SENSIBILIDADES DA GERAÇÃO 68 EM PORTO ALEGRE

  • Benito Bisso Schmidt
  • Juliano Antoniolli

RESUMO: O objetivo deste artigo é examinar como o militante de esquerda Flávio Koutzii (1943) é representado em textos de caráter memorialístico escritos por seus companheiros de militância e por outros indivíduos que com ele conviveram na década de 1960, especialmente no âmbito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Busca-se, desta forma, acessar alguns aspectos das sensibilidades da chamada “geração 68” em Porto Alegre. Para tanto, utiliza-se como referenciais teóricos os conceitos de memória e geração.

PALAVRAS-CHAVE: Flávio Koutzii – 1968 – Memória – Geração

CELESTINA IN PROVÍNCIA

  • Maria Luiza Martini

RESUMO: Este trabalho narra um espetáculo experimental, uma leitura POP de La Celestina de Fernando de Rojas, 1502, que marca o surgimento de um grupo de teatro em Porto Alegre e produz um documento da sensibilidade dos anos 70 (Grupo de Teatro Província).

PALAVRAS-CHAVE: Cinema – Sensibilidade – Recepção fílmica

A SENSIBILIDADE FÍLMICA: UMA CARTOGRAFIA DA MEMÓRIA DO CLUBE DE CINEMA DE PORTO ALEGRE (1960-1970)

  • Rosemary Fritsch Brum
  • Francisco Carvalho Jr.

RESUMO: O Clube de Cinema de Porto Alegre (CCPOA) foi fundado em 1948 por Pablo Fontoura Gastal, utilizando a forma associativa como modelo para a condição coletiva de recepção do cinema. O CCPOA inseriu-se significativamente no conjunto de experiências das instituições, textos, atividades e agentes que tem configurado o cinema como acontecimento. Ele é apreendido no cruzamento entre a sofisticação e sensibilidade da recepção fílmica dos estudos de cinema e as histórias de vida de pessoasfonte.

PALAVRAS-CHAVE: Cinema – Sensibilidade – Recepção fílmica

ENTRELAÇANDO PASSADO, PRESENTE E FUTURO: UMA BUSCA SENSÍVEL DA MEMÓRIA FAMILIAR

  • Nádia Maria Weber Santos
  • Paula Tatiane de Azevedo

RESUMO: Este artigo apresenta o resultado de uma pesquisa que teve como objetivo buscar uma “sensibilidade à margem”, ou seja, o desenrolar de uma história de vida de um individuo comum (TR) que foi internado de maio a setembro de 1937, no Hospital Psiquiátrico São Pedro de Porto Alegre. Nesta nova pesquisa, realizada com a família deste “personagem do urbano”, descortinou-se um novo olhar e novas reflexões foram feitas sobre este indivíduo, o qual foi marginalizado na sociedade em seu momento histórico. Entre os fatos mais relevantes, teve-se a notícia que ele se suicidou em 1938, perto de sua residência, em Canoas (RS). Tendo como base o resgate da memória familiar, a problemática em questão foi perceber as sensibilidades e as representações acerca da loucura e como diante de uma situação extraordinária a família reconstrói (ou reconstruiu) essa história de vida.

PALAVRAS-CHAVE: História Cultural – Sensibilidade – Representações – Memória familiar

A SINISTRA PORTO ALEGRE, CAPITAL DE PECADOS

  • Raquel Czarneski Borges