Vol. 6 Ano VI nº 2 - Abril/ Maio/ Junho de 2009

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Com esta edição, o periódico Fênix – Revista de História e Estudos Culturais (Volume 6, Ano VI, Número 2 – Abril / Maio / Junho – 2009) dá continuidade à homenagem, iniciada no número anterior, à historiadora Sandra Jatahy Pesavento, falecida no início de 2009.

Estamos muito honrados, pois, neste número Fênix – Revista de História e Estudos Culturais traz aos leitores o Dossiê intitulado “SANDRA JATAHY PESAVENTO: A HISTORIADORA E SUAS INTERLOCUÇÕES”, cuja organização ficou sob a responsabilidade das Profas. Dras. Miriam de Souza Rossini, Maria Luiza Fillipozi Martini e Nádia Maria Weber Santos, que também assina a Apresentação.

Colaboram com este Dossiê: Chiara Vangelista, Jacques Leenhardt, Heloisa Selma Fernandes Capel, Ricardo de Aguiar Pacheco, Luis Fernando Beneduzi e Vanderlei Machado. Como os leitores poderão conferir, estes autores lançam luz sobre diferentes e relevantes aspectos do trabalho da nossa homenageada, que foi uma professora generosa e pesquisadora muito produtiva.

Inicialmente, devemos lembrar que Sandra Pesavento dedicou-se à docência e à pesquisa durante quase quarenta anos! Trabalhou na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, de 1970 a 2009, contribuindo com a formação de várias gerações de historiadores. Entre os anos de 1992 e 2008, logo após o seu credenciamento no Programa de Pós-Graduação em História da UFRGS, devotou-se zelosa e pacientemente à orientação de dezenas de Dissertações de Mestrado e Teses de Doutorado. Ainda no que se refere à sua contribuição para a formação intelectual das novas gerações, merecem destaque as participações em centenas de Bancas Examinadoras de Dissertações de Mestrado e Teses de Doutorado de discentes sob a orientação de outros pesquisadores, do Rio Grande do Sul, demais Estados brasileiros e do Exterior.

Ao lado dessa intensa atividade docente, Pesavento foi uma pesquisadora infatigável. Escreveu para jornais, ministrou minicursos e participou de centenas de congressos científicos. Manteve parcerias internacionais duradouras, particularmente com Jacques Leenhardt [École des Hautes Études en Sciences Sociales (França)] e Chiara Vangelista [Università degli Studi di Torino (Itália)], dentre muitos outros.

Graças à sua notável capacidade de trabalho, foi capaz de produzir mais de cinqüenta e um (51) livros! Dentre eles, destacam-se: Visões do Cárcere (Porto Alegre: Editora Zouk, 2009), Os Sete Pecados da Capital (São Paulo: Hucitec, 2008), História e História Cultural (Belo Horizonte: Editora Autêntica, 2003), Uma outra cidade: o mundo dos excluídos no final do século XIX (São Paulo: Editora Nacional, 2001), Imaginário da cidade: representações do urbano (Paris, Rio de Janeiro e Porto Alegre) (Porto Alegre: Editora da UFGRS, 1999), Exposições Universais: Espetáculos da Modernidade do Século XIX. (São Paulo: HUCITEC, 1997), A burguesia gaúcha: dominação do capital e disciplina do trabalho (RS 1889-1930) (Porto Alegre: Editora Mercado Aberto, 1988).

Como se tudo isso não bastasse, de 1974 a 2008, publicou mais de oitenta (80) capítulos de livros e cento e vinte (120) artigos em periódicos científicos nacionais e estrangeiros. Sem dúvida alguma, Sandra Pesavento entregou-se à pesquisa e à reflexão de maneira apaixonada e – sempre – de bom humor! Ela é um exemplo para todos nós!

Em meio a todas essas atividades, pedimos licença aos leitores para lembrar dos projetos que desenvolvemos em conjunto com ela, o que, para nós, é motivo de muito orgulho. Quando o site www.revistafenix.pro.br entrou no ar em dezembro de 2004, de imediato, recebemos o estímulo de muitos profissionais da área de História. Dentre eles, Sandra Pesavento era a mais animada com o projeto e, de pronto, nos enviou um belo artigo intitulado A INVENÇÃO DO BRASIL – O NASCIMENTO DA PAISAGEM BRASILEIRA SOB O OLHAR DO OUTRO. Este artigo é bem representativo do universo de preocupações de Pesavento, já que analisa a pintura paisagística holandesa sobre o Brasil, de artistas como Frans Post, Gillis Peters, Zacharias Wagener, Georg Macgraf, Albert Eckhout, entre outros. A autora demonstra que, no momento da invasão, conquista e estabelecimento da dominação do nordeste brasileiro no século XVII, essas imagens foram produzidas com o intuito de apreender construções imaginárias de sentido e, por intermédio dessas, observou como, pela paisagem, se fez a “invenção do Brasil” pelo olhar do outro. Este foi o primeiro artigo que ela nos enviou. Em seguida, vieram outros.

De fato, sua colaboração manteve-se firme ao longo desses anos. Se, nesse longo período, fomos capazes de publicar mais de trinta e sete (37) resenhas e se já passamos de duzentos e cinqüenta (250) artigos, cujos autores trabalham em diferentes regiões do país ou do exterior, devemos muito ao seu incentivo e entusiasmo. Quem a conheceu sabe que ela foi uma pesquisadora de grande capacidade de trabalho e Fênix – Revista de História e Estudos Culturais teve o privilégio de publicar outros estudos de sua autoria. Dando continuidade às suas pesquisas a respeito da sensibilidade e da alteridade, bem como em torno da relação História-Pintura, publicou UMA CIDADE SENSÍVEL SOB O OLHAR DO “OUTRO”: JEAN-BAPTISTE DEBRET E O RIO DE JANEIRO (1816-1831). Ainda explorando o binômio História-Imagem, Sandra Jatahy Pesavento publicou MEMÓRIA E HISTÓRIA: AS MARCAS DA VIOLÊNCIA, no qual, a partir de algumas representações visuais de guerra (pinturas e fotografias), analisa os processos de destruição/reconstrução da memória coletiva. Por fim, vale lembrar: sua parceria com a Fênix não ficou restrita ao envio de artigos, visto que, ao lado dos historiadores Mônica Pimenta Veloso e Antonio Herculano Lopes (pesquisadores da Fundação Casa de Rui Barbosa – Rio de Janeiro), organizou o DOSSIÊ “HISTÓRIA CULTURAL & MULTIDISCIPLINARIDADE”.

Todavia, isso é apenas uma pequena parte da parceria que tivemos com Sandra Jatahy Pesavento. Na realidade, desde 1999, nossos contatos foram quase semanais, tendo em vista a criação do GT Nacional de História Cultural da Associação Nacional de História (ANPUH). Ao lado de historiadores como Maria Izilda Santos de Matos, Antonio Herculano Lopes, Mônica Pimenta Veloso, entre outros, tivemos o privilégio de participar dessa estimulante empreitada. Ao longo desses anos, Sandra Pesavento – sempre de bom humor! – exerceu uma liderança incontestável não só em virtude de sua forte personalidade, de sua incomum capacidade de trabalho, ou de seus contatos com pesquisadores estrangeiros, mas, principalmente, graças à sua inteligência e à sua vontade de manter a coesão interna do GT Nacional de História Cultural.

Estas homenagens são necessárias e justas, pois, acima de tudo, Sandra Jatahy Pesavento foi uma LIDERANÇA INTELECTUAL.

Além dessas merecidas homenagens, a presente edição de Fênix – Revista de História e Estudos Culturais traz para os que “navegam” pelas páginas de nosso periódico outros bons motivos para dedicar-se à leitura, já que, em sua Seção Livre, podem ser encontrados artigos de Francis Albert Cotta, Níncia Cecilia Ribas, Doralice Sátyro Maia, Alexander Martins Vianna, Maria Isabel Borges, Raimundo César de Oliveira Mattos, Renatho Costa, Cibélia Renata da Silva, Pedro Luis Machado Sanches, Rosemere Olimpio de Santana, Emília Saraiva Nery e Rodrigo Modesto Nascimento.

Esses artigos, sem dúvida, também merecem uma atenção especial, pois permitem que os leitores entrem em contato com propostas de trabalho frutíferas, sugestivas e estimulantes à construção do conhecimento.

Na seção dedicada às resenhas, vale à pena, primeiramente, conferir o texto de Rodrigo Francisco Dias. Nele o autor apresenta, de maneira cuidadosa, as inúmeras e relevantes contribuições feitas por Fernão Pessoa Ramos em Mas afinal… O que é mesmo Documentário? (São Paulo: Senac – São Paulo, 2008). Trata-se de uma obra cuja leitura é obrigatória para todos aqueles que queiram aprofundar suas pesquisas na Área de Comunicação, particularmente no que se refere ao aparato teórico-metodológico ou conceitual utilizado no estudo da cinematografia brasileira ou estrangeira. Mais uma vez, Fernão Ramos, da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), oferece aos leitores um livro imprescindível, tanto para os iniciantes, quanto para os já bastante experientes!

Por outro lado, os interessados em ampliar seus conhecimentos a respeito das idéias de Nelson Werneck Sodré poderão encontrar na resenha assinada por Julierme Sebastião Morais Souza uma análise criteriosa de uma publicação recentemente lançada, mas que, sem dúvida, já se tornou fundamental: Dicionário Crítico Nelson Werneck Sodré (Rio de Janeiro: UFRJ, 2008). Este Dicionário, cuja organização ficou sob a responsabilidade do competente e respeitado historiador Marcos Silva (da Universidade de São Paulo – USP), descortina um amplo leque de temas e abordagens, lançando novos olhares sobre o conjunto da obra desse pensador brasileiro, ao mesmo tempo, controvertido e instigante.

Antes de encerrar este Editorial, queremos agradecer a todos que conosco têm colaborado – com esforço e generosidade – para manter em funcionamento este periódico científico. Somos gratos não só aos que se responsabilizam pelas atividades internas (seja trabalhando arduamente na Secretaria Executiva, desempenhando a complexa função de WEBMASTER, emitindo pareceres detalhados, seja ainda revisando todos os textos com a necessária delicadeza e elegância), mas também àqueles que enviam Artigos, Resenhas ou organizam Dossiês.

Por fim, não menos importante é agradecer, in memoriam, à nossa amiga Sandra Pesavento pelas inúmeras alegrias compartilhadas, pelas instigantes parcerias profissionais e, sobretudo, pelos estímulos que recebemos em momentos difíceis, que nos ajudaram a afastar as tristezas e a enfrentar muitas adversidades. Dar continuidade ao seu trabalho não será tarefa fácil. De nossa parte, continuaremos a trabalhar, seguindo o seu exemplo. Agora, Sandra é uma estrela brilhante no firmamento. Sua luz iluminará nossos caminhos e, com certeza, nos ajudará a não esquecer os deveres de nosso ofício.

Aos leitores de mais esse número, agradecemos pela atenção e, sinceramente, esperamos que ele proporcione uma leitura agradável e proveitosa.

Alcides Freire Ramos e Rosangela Patriota
Editores da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais

OLHARES SOBRE A POLÍCIA NO BRASIL: A CONSTRUÇÃO DA ORDEM IMPERIAL NUMA SOCIEDADE MESTIÇA

  • Francis Albert Cotta

RESUMO: Ao correr os olhos nas aquarelas do alemão Johann Moritz Rugendas e do francês Jean- Baptiste Debret é possível identificar ações da polícia no cotidiano brasileiro, e mais especificamente do Rio de Janeiro, nas primeiras décadas do século XIX. A iconografia, em diálogo com outras fontes, lança luz sobre as estratégias de institucionalização da polícia numa sociedade composta, em sua maioria, por negros e mestiços. Uma das grandes contradições de uma cidade que pretendia ter polícia era a tarefa de manter a manutenção da escravidão. Assim, a necessidade de manter a ordem e o controle através de mecanismos repressivos impediu o surgimento de instituições responsáveis pela polícia enquanto guardiã dos direitos do homem e do cidadão. Entretanto, na esfera cotidiana observam-se acomodações e “desvios de conduta” de militares responsáveis pela polícia que interagiam com as comunidades locais, formadas por negros e mestiços.

PALAVRAS-CHAVE: Polícia e Sociedade – História Militar – Brasil

WATCHMEN E O DISCURSO DISTÓPICO DO “BEM MAIOR”

  • Níncia Cecília Ribas Borges Teixeira
  • Wyllian Eduardo de Souza Correa

RESUMO: Considerada pela crítica como a obra prima do quadrinho autoral, Watchmen, do inglês Alan Moore, circula por questões interdisciplinares em uma versão alternativa dos anos 80. O presente trabalho foca na construção interdiscursiva do argumento do “bem maior”, que serve de justificativa para a utilização de medidas extremas com a sociedade. Tal discurso presente no desfecho da História em Quadrinhos se configura como um projeto distópico, que ultrapassa pontos subjetivos em prol de uma coletividade totalitária, plausível diante das condições de produção da paranóia nuclear da Guerra Fria.

PALAVRAS-CHAVE: Watchmen – História em Quadrinhos – Guerra Fria – Análise do Discurso

A ILUMINAÇÃO PÚBLICA DA CIDADE DA PARAHYBA: SÉCULO XIX E INÍCIO DO SÉCULO XX

  • Doralice Sátyro Maia
  • Henrique Elias Pessoa Gutierres
  • Maria Simone Morais Soares

RESUMO: Durante o século XIX, as cidades brasileiras são marcadas por transformações em sua estrutura ocasionadas pelas idéias de modernidade que passaram a definir uma nova forma de ordenação do espaço urbano. É a chegada dos tempos modernos que se inicia no século XIX e se consolida no início do XX. A implantação desses novos equipamentos e serviços públicos visava solucionar os múltiplos problemas que afligiam às cidades. Partindo desse entendimento, o presente estudo tem por objetivo averiguar o processo de iluminação pública da Cidade da Parahyba, atual João Pessoa – PB, durante o século XIX e início do XX. E ainda analisar a forma e os meios em que foi implantado esse tipo de serviço, bem como as transformações que ele provocou no cotidiano da população desta cidade.

PALAVRAS-CHAVE: Iluminação pública – Cidade da Parahyba – Século XIX e início do século XX

AS AMEAÇAS À CORPORIDADE ESTATAL EM ROMEU E JULIETA

  • Alexander Martins Vianna

RESUMO: A partir de uma abordagem eliasiana, este ensaio pretende demonstrar o quanto que a materialidade textual do Q2(1599) de Romeu e Julieta expressa, como tese moral, que a segurança da ordem pública tradicional emergiria se as autoridades patriarcais das casas Capuleto, Monéquio e do Príncipe Escalo fossem simultaneamente fortalecidas, desde que viessem, combinados a isso, o ethos da cortesia (em nível individual), o ideal de discreto e o reconhecimento geral da justiça pública como um valor central e condição para a paz social.

PALAVRAS-CHAVE: Estado – Duelo – Materialidade Textual – Retórica

OS (RE)POSICIONAMENTOS IDENTITÁRIOS E O JOGO ÉTICO-POLÍTICO NOS QUADRINHOS PASQUINIANOS

  • Maria Isabel Borges

RESUMO: Neste artigo, o objetivo é analisar o jogo ético-político nos quadrinhos do jornal O Pasquim, com vistas a reivindicar identidades dos sujeitos atuantes e a constituir uma política de nomeação, resultando na emissão de julgamentos de valor contra o sistema militar.

PALAVRAS-CHAVE: O Pasquim – Cartuns – Política de nomeação – Identidades – Jogo ético-político

A JUVENTUDE OPERÁRIA CATÓLICA

  • Raimundo César de Olíveira Mattos

RESUMO: A JOC – Juventude Operária Católica – desempenhou um papel importante no cenário nacional na construção de uma nova utopia, principalmente a partir do golpe de 1964 que procurou amordaçar as poucas vozes que se levantaram para defender os direitos dos trabalhadores. Representativa, ainda, de uma nova maneira de organização do laicato na Igreja Católica, não encontrou, por parte da hierarquia eclesiástica, o apoio suficiente para sobreviver e, mesmo não extinta oficialmente como foi a Juventude Universitária Católica, acabou desaparecendo devido à perseguição militar e ao descaso de muitos bispos que não compreenderam a sua importância. Destacamos, em nossa dissertação de mestrado, esta importância que rendeu os frutos de novos movimentos sociais dentro da Igreja que, agredida em sua hierarquia, acabou por voltar-se contra um regime que muitos eclesiásticos chegaram a aplaudir.

PALAVRAS-CHAVE: Utopia – Juventude Operária – Laicato

A CIDADE DECIFRADA DE ATENAS A BAGDÁ – DE PLATÃO A AL-FARABI REMINISCÊNCIAS PLATÔNICAS E FARABIANAS EM MATRIX

  • Renatho Costa

RESUMO: A concepção de cidade, como estrutura para a satisfação dos interesses humanos, é objeto de estudos há séculos. Nesse artigo a intenção é propor uma discussão acerca do modelo de cidade ideal constante em “A República”, de Platão e, num segundo momento, analisar a proposta de cidade virtuosa de Al-Farabi. A partir do desenvolvimento desses dois conceitos de cidade, apresentar-se-á a importancia da cidade na trama do filme Matrix e como, em muitos aspectos, as questões propostas por Platão e Al- Farabi retornam com novas e velhas roupagens. Pretende-se, com isso, demonstrar que a base referencial que fundamenta a trama de alguns filmes, ditos hollywoodianos, como Matrix, está ligada aos pensamentos filosóficos e, isso proporciona releituras modernizadas de antigos anseios da humanidade.

PALAVRAS-CHAVE: Al-Farabi – Cidade – “Matrix” – Platão

A RELIGIOSIDADE CAIPIRA: A FESTA DO DIVINO EM PIRACICABA

  • Cibélia Renata da Silva Pires

RESUMO: Este presente artigo faz parte de uma pesquisa de mestrado em andamento sobre a formação e expansão da cultura e do dialeto caipira em Piracicaba, região localizada no Estado de São Paulo. Sendo parte de uma pesquisa maior, procurou-se dar ênfase em apenas uma parte deste estudo, priorizando-se a experiência lúdico-religiosa vivenciada através da Festa do Divino em Piracicaba. Esta é uma festa lusobrasileira que de Portugal chegou ao Brasil carregada de simbolismo e significação, ficando conhecida por todas as regiões por onde passaram os bandeirantes. Outras manifestações culturais e religiosas, tais como o cururu e a congada, também estão presentes nesta festa e nelas podemos ver amalgamadas duas tradições, duas culturas diferentes que agora unidas fazem parte da cultura caipira de Piracicaba.

PALAVRAS-CHAVE: Piracicaba – Festa do Divino – Caipira

MÚSICA E VESTIMENTA NA PINTURA DE VASOS GREGOS ANTIGOS

  • Pedro Luis Machado Sanches

RESUMO: O presente texto pretende tecer uma pequena série de apontamentos sobre a figuração de músicos em vasos cerâmicos gregos antigos. Nestes comentários, o enfoque será dado às vestimentas, que praticamente identificam tais músicos, e às relações entre aspectos visuais e musicais dos recitais públicos e concursos – sobretudo no caso dos agônes musicais em grandes festivais. Para além de ter sido um “sinal distintivo da profissão” e um “complemento obrigatório da apresentação”, veremos que a vestimenta do músico antigo carregava aspectos simbólicos e que sua representação na cerâmica pode lançar luz ao estudo das circunstancialidades de recitais e concursos, seja na identificação destas circunstancialidades, seja ao revelar as características das vestimentas que compõem com os gestos um “espetáculo visual”.

PALAVRAS-CHAVE: Cerâmica ática de figuras vermelhas – Vestimentas de músico – Concursos

OS RAPTOS CONSENTIDOS E O COTIDIANO DAS CIDADES - O PAPEL DAS FESTAS – NA PARAÍBA DO PERÍODO IMPERIAL

  • Rosemere Olimpio de Santana

RESUMO: Neste artigo, trabalho com o que chamei de “raptos consentidos” na Paraíba, entre as décadas de 80 e 90 do Séc. XIX e os anos de 1910. A pesquisa apontou para um emaranhado discursivo que deu visibilidade às práticas amorosas e às relações de poder, presentes nas práticas dos “raptos consentidos”. Procuramos apreender, mesmo que parcialmente, o cotidiano dos envolvidos citados pelos processos criminais por raptos bem como as redes de relacionamento entre homens e mulheres. Assim, fomos percebendo, através de todo o caminho que antecedia os raptos, como esses casais se encontravam, quais táticas utilizavam e que meios e artifícios usavam para convencer um ao outro. Analisando o rapto como lugar de tensões que transcendem o simples fato de resistência a uma ordem patriarcal, mas que também institui uma alternativa para as práticas amorosas.

PALAVRAS-CHAVE: Raptos consentidos – Cultura histórica – Antidisciplina – Relações amorosas – Paraíba

SONS DA CONTRACULTURA: RAUL SEIXAS ENTRE CIDADES E SOCIEDADES ALTERNATIVAS

  • Emília Saraiva Nery

RESUMO: Trata-se de um estudo sobre as tensões no campo da música brasileira, na década de 1970 e a maneira singular como Raul Seixas se inseriu nos debates sobre sua época, favorecendo a popularização de temas como a vida em comunidades alternativas. Por fim, aponta-se a especificidade da obra de Raul Seixas enquanto lentes de conflitos históricos e culturais. Assim sendo, a grande tônica de sua obra foi a recusa às formas de existência e a construção de uma temporalidade própria para os anos 1970.

PALAVRAS-CHAVE: História do Brasil – Música – Raul Seixas

RELAÇÕES ENTRE O PATRIMÔNIO MATERIAL E IMATERIAL: O CASO DO CEMITÉRIO JAPONÊS

  • Rodrigo Modesto Nascimento

RESUMO: Este artigo propõe uma discussão em torno das relações entre o patrimônio imaterial e material no estudo de tombamento do Cemitério Japonês, localizado em Álvares Machado, município do interior do Estado de São Paulo. O artigo divide-se em três partes fundamentais: na primeira apresento as discussões teóricas sobre o patrimônio imaterial, em seguida analiso o tombamento estadual do Cemitério e, por fim, as relações entre o material e o imaterial.

PALAVRAS-CHAVE: Política de patrimônio – Memória da imigração japonesa – Patrimônio imaterial

DOSSIÊ “SANDRA JATAHY PESAVENTO: A HISTORIADORA E SUAS INTERLOCUÇÕES”

APRESENTAÇÃO DO DOSSIÊ “SANDRA JATAHY PESAVENTO: A HISTORIADORA E SUAS INTERLOCUÇÕES”

  • Nádia Maria Weber Santos
  • Maria Luiza Martini
  • Miriam de Souza Rossini

SANDRA JATAHY PESAVENTO: IMAGENS, LEMBRANÇAS, INDÍCIOS

  • Chiara Vangelista

RESUMO: Este artigo tem como objetivo ressaltar a importância da produção hitoriográfica de Sandra Jatahy Pesavento.

PALAVRAS-CHAVE: Historiografia brasileira – História Cultural – Sandra Jatahy Pesavento

A IMAGEM DE SI NO RETRATO FOTOGRAFICO FIN DE SIÈCLE: DE PARIS PARA PORTO ALEGRE

  • Jacques Leenhardt

RESUMO: A emergência de novas técnicas de reprodução mecânica de imagem abriu caminho para a produção de “imagens de si” em vários álbuns de fotografias em Paris e Porto Alegre. Com este artigo, propomo-nos discutir as relações entre fotografia e retrato “fin de siécle” (na segunda metade do século XIX), em Paris e Porto Alegre, especialmente a produção de “imagens de si” como “representações de si”.

PALAVRAS-CHAVE: Fotografia – Imagens de Si – Representações de si

ENTRE ACÁCIAS E IPÊS, CORES E FORMAS DA HISTÓRIA CULTURAL

  • Heloisa Selma Fernandes Capel

RESUMO: Este artigo procura resgatar a interlocução da produção historiográfica de Sandra Jatahy Pesavento com os estudos e pesquisas em história em Goiás, bem como sua participação efetiva na criação dos cursos de pós-graduação Lato e Stricto Sensu da Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Destaca sua contribuição, como referencial intelectual e humano, para o mapeamento dos contornos da história cultural e os processos de formação acadêmica de historiadores que lidam com o diálogo entre história, arte e cultura.

PALAVRAS-CHAVE: Historiografia brasileira – Sandra Jatahy Pesavento – História Cultural – Arte

UMA RESENHA PARA SANDRA JATAHY PESAVENTO

  • Ricardo de Aguiar Pacheco

RESUMO: Este artigo pretende ser uma resenha em homenagem à historiadora Sandra Jatahy Pesavento. Para isto, ele faz uma revisão da bibliografia desta autora recortando como a questão social é abordada por ela em diferentes momentos de sua produção. Procura mostrar que as significativas mudanças nas estratégias de abordagem, bem como nos referenciais teóricos demonstram a versatilidade dessa intelectual e a disposição da autora em dialogar com as novas teorias da historiografia contemporânea.

PALAVRAS-CHAVE: Historiografia – História Cultural – Teoria da História

FRAGMENTOS IDENTITÁRIOS: A LITERATURA COMO NARRATIVA SENSÍVEL DO SUL PROFUNDO

  • Luis Fernando Beneduzi

RESUMO: Os caminhos da História e da Literatura têm se entrecruzado através do tempo e – nos últimos anos – se observa o nascimento de estudos teórico-metodológicos que buscam analisar e discutir esse tipo de abordagem. Trabalha-se em um diálogo com a ampla produção de Sandra Pesavento sobre os encontros entre esses dois campos de conhecimento, tendo em vista sua valiosa colaboração para o avanço dessa discussão. Compreender – na esfera das sensibilidades – as dinâmicas de produção de identidades, em um contexto entendido como “sul profundo”, a partir da análise de uma obra literária A casa das sete mulheres, é objeto central deste texto. Entende-se que a narrativa de Letícia Wierzchowski partilha de um fenômeno secular de construção de idéias-imagens sobre o Rio Grande do Sul e sobre o povo sul-rio-grandense e que esse processo formativo toma forma nas representações imagéticas que ela constrói sobre os gaúchos, a partir das diferentes personagens do romance.

PALAVRAS-CHAVE: Literatura do Rio Grande do Sul – Sensibilidade – Identidade Regional – Imaginário – Representação

UMA HISTÓRIA DAS MULHERES: REPRESENTAÇÕES FEMININAS NA OBRA OS SETE PECADOS DA CAPITAL DE SANDRA PESAVENTO

  • Vanderlei Machado

RESUMO: O presente artigo tem por finalidade ressaltar a importância do livro Os Sete Pecados da Capital, da historiadora Sandra Jatahy Pesavento, para os/as historiadores/as da chamada História das Mulheres. A partir da análise de um conjunto diversificado de fontes, Sandra Pesavento, nos possibilita perceber as representações divulgadas por uma elite masculina acerca de mulheres que viveram na cidade de Porto Alegre, no final do século XIX e início do século XX. Apesar do pensamento misógino presente nos documentos coligidos pela historiadora, é possível perceber a luta das mulheres para sobreviver numa cidade marcada por uma série de transformações em seu espaço urbano e pela transição do trabalho escravo para o trabalho assalariado.

PALAVRAS-CHAVE: Sandra Jatahy Pesavento – História das mulheres – Cidade – Representação

EM BUSCA DA DEFINIÇÃO: MAS AFINAL... O QUE É MESMO DOCUMENTÁRIO? DE FERNÃO PESSOA

  • Rodrigo Francisco Dias

DICIONÁRIO CRÍTICO NELSON WERNECK SODRÉ: O BALANÇO DE UMA OBRA E DAS FISSURAS DA
SOCIEDADE BRASILEIRA DO SÉCULO XX

  • Julierme Sebastião Morais Souza
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