Vol. 6 Ano VI nº 3 - Julho/ Agosto/ Setembro de 2009

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Com esta edição, o periódico Fênix – Revista de História e Estudos Culturais (Volume 6, Ano VI, Número 3 – Julho / Agosto / Setembro – 2009) dá continuidade à homenagem, iniciada no número anterior, à historiadora Sandra Jatahy Pesavento, falecida no início de 2009.

Estamos muito honrados, pois, neste número, Fênix – Revista de História e Estudos Culturais traz aos leitores a segunda parte do Dossiê intitulado “SANDRA JATAHY PESAVENTO: A HISTORIADORA E SUAS INTERLOCUÇÕES”, cuja organização ficou sob a responsabilidade das Profas. Dras. Nádia Maria Weber Santos (que também assina a Apresentação), Miriam de Souza Rossini e Maria Luiza Fillipozi Martini.

Colaboram nesta segunda parte do Dossiê: Nádia Maria Weber dos Santos, Marcia Abreu, Maria Angelica Zubaran, Carla Simone Rodeghero, Monica Pimenta Velloso e Eduardo França Paiva. Como os leitores poderão conferir, estes autores lançam luz sobre diferentes e relevantes aspectos do trabalho da nossa homenageada, que foi uma professora generosa e pesquisadora muito produtiva.

Inicialmente, devemos lembrar que Sandra Pesavento dedicou-se à docência e à pesquisa durante quase quarenta anos! Trabalhou na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, de 1970 a 2009, contribuindo com a formação de várias gerações de historiadores.

Graças à sua notável capacidade de trabalho, foi capaz de produzir mais de cinqüenta e um (51) livros! Dentre eles, destacam-se: Visões do Cárcere (Porto Alegre: Editora Zouk, 2009), Os Sete Pecados da Capital (São Paulo: Hucitec, 2008), História e História Cultural (Belo Horizonte: Editora Autêntica, 2003), Uma outra cidade: o mundo dos excluídos no final do século XIX (São Paulo: Editora Nacional, 2001), Imaginário da cidade: representações do urbano (Paris, Rio de Janeiro e Porto Alegre) (Porto Alegre: Editora da UFGRS, 1999), Exposições Universais: Espetáculos da Modernidade do Século XIX. (São Paulo: HUCITEC, 1997), A burguesia gaúcha: dominação do capital e disciplina do trabalho (RS 1889-1930) (Porto Alegre: Editora Mercado Aberto, 1988).

Estas homenagens são necessárias e justas, pois, acima de tudo, Sandra Jatahy Pesavento foi uma LIDERANÇA INTELECTUAL.

Em meio a todas essas atividades, pedimos licença aos leitores para lembrar dos projetos que desenvolvemos em conjunto com ela, o que, para nós, é motivo de muito orgulho. Quando o site www.revistafenix.pro.brentrou no ar em dezembro de 2004, de imediato, recebemos o estímulo de muitos profissionais da área de História. Dentre eles, Sandra Pesavento era a mais animada com o projeto e, de pronto, nos enviou um belo artigo intitulado A INVENÇÃO DO BRASIL – O NASCIMENTO DA PAISAGEM BRASILEIRA SOB O OLHAR DO OUTRO. Este artigo é bem representativo do universo de preocupações de Pesavento, já que analisa a pintura paisagística holandesa sobre o Brasil, de artistas como Frans Post, Gillis Peters, Zacharias Wagener, Georg Macgraf, Albert Eckhout, entre outros. A autora demonstra que, no momento da invasão, conquista e estabelecimento da dominação do nordeste brasileiro no século XVII, essas imagens foram produzidas com o intuito de apreender construções imaginárias de sentido e, por intermédio dessas, observou como, pela paisagem, se fez a “invenção do Brasil” pelo olhar do outro. Este foi o primeiro artigo que ela nos enviou. Em seguida, vieram outros.

De fato, sua colaboração manteve-se firme ao longo desses anos. Se, nesse longo período, fomos capazes de publicar mais de trinta e nove (39) resenhas e se já passamos de duzentos e sessenta e sete (267) artigos, cujos autores trabalham em diferentes regiões do país ou do exterior, devemos muito ao seu incentivo e entusiasmo. Quem a conheceu sabe que ela foi uma pesquisadora de grande capacidade de trabalho e Fênix – Revista de História e Estudos Culturais teve o privilégio de publicar outros estudos de sua autoria. Dando continuidade às suas pesquisas a respeito da sensibilidade e da alteridade, bem como em torno da relação História-Pintura, publicou UMA CIDADE SENSÍVEL SOB O OLHAR DO “OUTRO”: JEAN-BAPTISTE DEBRET E O RIO DE JANEIRO (1816-1831). Ainda explorando o binômio História-Imagem, Sandra Jatahy Pesavento publicou MEMÓRIA E HISTÓRIA: AS MARCAS DA VIOLÊNCIA, no qual, a partir de algumas representações visuais de guerra (pinturas e fotografias), analisa os processos de destruição/reconstrução da memória coletiva. Por fim, vale lembrar: sua parceria com a Fênix não ficou restrita ao envio de artigos, visto que, ao lado dos historiadores Mônica Pimenta Veloso e Antonio Herculano Lopes (pesquisadores da Fundação Casa de Rui Barbosa – Rio de Janeiro), organizou o DOSSIÊ HISTÓRIA CULTURAL & MULTIDISCIPLINARIDADE.

Todavia, isso é apenas uma pequena parte da parceria que tivemos com Sandra Jatahy Pesavento. Na realidade, desde 1999, nossos contatos foram quase semanais, tendo em vista a criação do GT Nacional de História Cultural da Associação Nacional de História (ANPUH). Ao lado de historiadores como Maria Izilda Santos de Matos, Antonio Herculano Lopes, Mônica Pimenta Veloso, entre outros, tivemos o privilégio de participar dessa estimulante empreitada. Ao longo desses anos, Sandra Pesavento – sempre de bom humor! – exerceu uma liderança incontestável não só em virtude de sua forte personalidade, de sua incomum capacidade de trabalho, ou de seus contatos com pesquisadores estrangeiros, mas, principalmente, graças à sua inteligência e à sua vontade de manter a coesão interna do GT Nacional de História Cultural.

Além dessas merecidas homenagens, a presente edição de Fênix – Revista de História e Estudos Culturais traz para os que “navegam” pelas páginas de nosso periódico outros bons motivos para dedicar-se à leitura, já que, em sua Seção Livre, podem ser encontrados artigos de Alba Pedreira Vieira, Alda Heizer, Alessandro Santos da Rocha, Kenia Maria de Almeida Pereira, Leandro Henrique Magalhães, Osvaldo Mariotto Cerezer, Paulo Rogério de Souza, Pedro Vilarinho Castelo Branco, Ronaldo Amaral, Rosangela Patriota e Vera Silveira Regert.

Esses artigos, sem dúvida, também merecem atenção especial, pois permitem que os leitores entrem em contato com propostas de trabalho frutíferas, sugestivas e estimulantes à construção do conhecimento.

Na seção dedicada às resenhas, vale à pena conferir os textos de Leilane Aparecida Oliveira e Mateus Henrique de Faria. Ambos analisam de maneira criteriosa publicações recentes que, sem dúvida, descortinam temas promissores e instigantes. Na resenha assinada por Leilane Oliveira, intitulada Dicionário do Teatro Brasileiro: Temas, formas e conceitos – O universo cênico em movimento, temos a oportunidade de conhecer melhor as inovações introduzidas na segunda edição desta obra de referência. Como salienta J. Guinsburg, “O Dicionário do Teatro Brasileiro concretiza um projeto editorial e acadêmico. Editorial, por que a Perspectiva, cujo interesse pela arte cênica e particularmente pela produção teatral brasileira já se expressou em quase duzentos títulos dedicados aos diferentes aspectos e enfoques deste genêro de criação, tinha em mira desde há muito reunir um repertório que fosse acessível e confiável aos estudiosos e aos praticantes de nosso universo cênico. Acadêmico, porque, desde logo, os organizadores pensaram em trazer para esta obra a grande contribuição que as pesquisas e estudos universitários proporcionaram para a enorme ampliação e aprofundamento históricos e estéticos”. Trata-se, sem dúvida, de uma publicação da Editora Perspectiva, com o apoio do SESC São Paulo, que já se tornou fundamental para os que desejam ficar atualizados em relação à pesquisa em Artes Cênicas no Brasil. Por outro lado, os leitores deste número do periódico Fênix – Revista de História e Estudos Culturais poderão ainda conferir as densas considerações feitas pelo Prof. Dr. Mateus Henrique de Faria Pereira a respeito do livro A Experiência do Tempo: conceitos e narrativas na formação nacional brasileira (1813-1845), no qual o autor da obra, Valdei Lopes de Araujo, professor da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), “procura pensar as inter-relações entre o acontecimento Independência e a formação do conceito moderno de história no Brasil, a partir das formas de lidar com o tempo, produzidas pelos intelectuais do mundo luso-brasileiro”. Como demonstra a aludida resenha, A Experiência do Tempo é leitura obrigatória para todos aqueles que queiram aprofundar suas pesquisas na área de Teoria da História.

Por fim, não menos importante é agradecer, in memoriam, à nossa amiga Sandra Pesavento pelas inúmeras alegrias compartilhadas, pelas instigantes parcerias profissionais e, sobretudo, pelos estímulos que recebemos em momentos difíceis, que nos ajudaram a afastar as tristezas e a enfrentar muitas adversidades. Dar continuidade ao seu trabalho não será tarefa fácil. De nossa parte, continuaremos a trabalhar, seguindo o seu exemplo. Agora, Sandra é uma estrela brilhante no firmamento. Sua luz iluminará nossos caminhos e, com certeza, nos ajudará a não esquecer os deveres de nosso ofício.

Aos leitores de mais esse número, agradecemos pela atenção e, sinceramente, esperamos que ele proporcione uma leitura agradável e proveitosa.

Alcides Freire Ramos e Rosangela Patriota
Editores da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais

SOBRE O TEATRO BRASILEIRO CONTEMPORÂNEO E A ENCENAÇÃO DE “RESTOS” [“WRECKS”] POR ANTONIO FAGUNDES

  • Rosangela Patriota

RESUMO: Este artigo tem por objetivo mostrar a importância da dramaturgia de Neil LaBute e apresenta a forma como a criatividade artística do ator brasileiro Antonio Fagundes fertiliza e confere materialidade/sensibilidade à trajetória trágica de Edward Carr (Restos).

PALAVRAS-CHAVE: História Cultural – Teatro Brasileiro – Antonio Fagundes – Neil LaBute – Restos

MACHADO DE ASSIS E O TEATRO DE ANTÓNIO JOSÉ DA SILVA

  • Kenia Maria de Almeida Pereira

RESUMO: Este artigo enfoca o diálogo intertextual entre o escritor brasileiro Machado de Assis e o dramaturgo luso-brasileiro António José da Silva, mais conhecido como O judeu. Machado de Assis faz várias menções, principalmente em suas crônicas e em seus ensaios, ao trabalho e à vida de António José. Machado de Assis tinha uma grande admiração pelo teatro de O judeu, tanto que lhe dedicou um poema interessante, intitulado António José.

PALAVRAS-CHAVE: Machado de Assis – António José da Silva – intertextualidade – Teatro

DANÇANDO NOS ESPACOS DAS RUPTURAS: OLHARES SOBRE INFLUÊNCIAS DAS DANÇAS MODERNA E EXPRESSIONISTA NO BRASIL

  • Alba Pedreira Vieira

RESUMO: Dentre as interfaces que a Dança estabelece com várias outras áreas como as Ciências Sociais e Humanas, destaco nesse trabalho historiográfico a relação entre a História e a Dança. Pensar a dança a partir do enfoque histórico traz inúmeras possibilidades para essa linguagem artística, pois nos permite ampliar a compreensão do homem na sociedade. Apesar dos esforços dos recentes estudos brasileiros em se ampliar as investigações sobre a História da Dança no Brasil, ainda há muito a se explorar sobre as influências da Dança Moderna e Expressionista no nosso país. A orientação metodológica é dada pela história oral, mais especificamente entrevistas temáticas semi-estruturadas com professores e coreógrafos, precursores e/ou seguidores, da Dança Moderna e/ou Expressionista no país. A interpretação e análise dos dados coletados, bem como os resultados são explorados e discutidos neste artigo.

PALAVRAS-CHAVE: História – Dança Moderna – Dança Expressionista

ORÍGENES: UM ASCETA CONDESCENDENTE COM A MATÉRIA. A AMBIGUIDADE
ESPIRITUAL-MATERIAL NA EXISTÊNCIA BEM-AVENTURADA

  • Ronaldo Amaral

RESUMO: A natureza tão controversa das formulações filosófico-teológicas de Orígenes de Alexandria, encontra, segundo nosso ponto de vista, um de seus maiores exemplos em suas especulações acerca da condição e do estado da existência bem aventurada. Este lugar, diferentemente dos demais Padres da Igreja, pode ser desde já especulado, segundo Orígenes. Constitui-se um lugar, ora indiferente a este mundo fenomenológico, ora muito consoante a sua natureza e condições; ora desvinculado da imagem do Paraíso Edênico, ora ele mesmo; ora um lugar de absoluta perfeição e estado espiritualizado, ora um lugar de diversidade de perfeições e de categorias de existir. A aposcatástasis, já tão discutida, será aqui só a porta de entrada para a problemática mais exasperada, e que ela mesma introduz: a do estado e da condição da vida bem-aventurada em sua relação com a preexistência divina e com a existência mundana.

PALAVRAS-CHAVE: Orígenes de Alexandria – Aposcatástasis – Preexistência divina – Existência Mundana

ESTUDO GENEALÓGICO E MESSIANISMO PORTUGUÊS: O REI PARA BANDARRA

  • Leandro Henrique Magalhães

RESUMO: Bandarra foi um sapateiro que viveu na Vila de Trancoso, no século XVI, comunidade cristã nova localizada na região da Beira. Foi detido pela inquisição devido a autoria de trovas de caráter messiânico que, apesar de proibida, adquire importância junto a tradição profética lusitana, tornando-se fundamental para os estudiosos do sebastianismo e da restauração portuguesa. Nesta obra são apontados diversos problemas sociais que, segundo Bandarra, só seriam resolvidos após a vinda de um líder, um rei que retomasse a ordem e, ao mesmo tempo, mantivesse em curso o processo de expansão ultramarina e de guerra contra os mouros. É neste sentido que o autor identifica, em suas Trovas, este rei, apresentando suas características e nos dando pistas genealógicas. Pretendemos, aqui, como fizeram os sebastianistas e restauracionistas, identificar quem era o rei referido. De certa forma, trilharemos os mesmos caminhos de seus leitores, ao buscar pistas e formular argumentos para legitimar a interpretação aqui proposta.

PALAVRAS-CHAVE: Trovas de Bandarra – Messianismo Português – Genealogia

EDUCAÇÃO E DOMINAÇÃO SOCIAL: O ENSINO DE HISTÓRIA NO REGIME MILITAR BRASILEIRO

  • Osvaldo Mariotto Cerezer

RESUMO: O estudo realizou uma análise das influências e imposições do regime militar brasileiro sobre o ensino de História. Usamos a história oral como metodologia para coleta dos dados, entrevistando três professores de História que atuaram em Santa Maria/RS, durante os anos de 1970 e 1980. Os dados foram analisados a partir da perspectiva teórica oferecida por Bourdieu e Passeron sobre poder e violência simbólica. Os resultados mostram que o Estado utilizou o ensino de História como mecanismo para a imposição e dominação social a partir da defesa e exaltação de idéias condizentes com o contexto político de poder autoritário.

PALAVRAS-CHAVE: História da Educação – Práticas pedagógicas – Autoritarismo militar

RELEITURA DA HISTÓRIA DO HOLOCAUSTO POR MEIO DA ESCRITURA AUTOBIOGRÁFICA DAS VÍTIMAS

  • Vera Silveira Regert

RESUMO: O Holocausto é tema relevante de estudos em diversas universidades da Europa e dos Estados Unidos, tema de inúmeras pesquisas e teses de doutoramento; é foco central de incontáveis publicações. Comparando com as instituições européias, no Brasil pouco se privilegiam esses estudos, porque considerados de insignificante proximidade com os brasileiros, tanto no tempo quanto na relação de espaço. Este artigo procura aproximar e ampliar o conhecimento do Holocausto enquanto fato histórico revisitado por diferentes teóricos, evidenciando-o através do relato das vítimas e resgatando a reflexão que ele suscitou e os desdobramentos que continua provocando entre as mais diversas áreas do conhecimento humano.

PALAVRAS-CHAVE: Holocausto – Narrativa das vítimas – Repercussões

O TEATRO E A DEMOCRACIA NA GRÉCIA DO SÉCULO V A.C.: UM GÊNERO ARTÍSTICO
A SERVIÇO DA ARISTOCRAICA NO PERÍODO CLÁSSICO

  • Paulo Rogério de Souza
  • Alessandro Santos da Rocha

RESUMO: O processo de transição do génos arcaico para a pólis clássica provocou várias mudanças no cenário da sociedade grega. As transformações na forma de viver e de administrar a comunidade fez com que se abandonassem antigos preceitos religiosos que norteavam a vida do homem e se tomassem outros parâmetros para sua organização social. Foi nesse contexto que a tragédia grega surgiu, e devido a sua força educativa foi adotada pelos novos legisladores da cidade-Estado como um instrumento para ajudar a formar o cidadão que deveria viver e administrar a pólis. Dentre os poetas trágicos desse momento histórico, Sófocles se destacou por sua proposta pedagógica de formação do modelo de homem/cidadão apoiado no conceito de justa medida, à serviço da aristocracia.

PALAVRAS-CHAVE: Transformação social – Pólis – Sófocles – Teatro – Educação

CIÊNCIA PARA TODOS: A EXPOSIÇÃO DE PARIS DE 1889 EM REVISTA

  • Alda Heizer

RESUMO: A Exposição de Paris de 1889, objeto de reflexão de historiadores brasileiros, franceses e de outras nacionalidades, pode ser “visitada” através dos periódicos franceses do final do século XIX. Elegemos como objeto de análise aspectos da museografia da Exposição de Paris de 1889, presentes na Revue Scientifique (revue rose).

PALAVRAS-CHAVE: História da Ciência – Exposições de Paris de 1889 – Periódicos

A INFÂNCIA EM TERESINA NAS PRIMEIRAS DÉCADAS DO SÉCULO XX

  • Pedro Vilarinho Castelo Branco

RESUMO: Este trabalho analisa a produção discursiva de um grupo de intelectuais piauienses que, durante o século XX, orientaram sua escrita para uma ação modernizadora das noções de infância. O principal argumento se organiza em torno da tese de que esta produção discursiva oferecia parâmetros culturais que favorecessem, o rompimento com uma mentalidade rural, fundada na tradição e na oralidade, e por outro lado, o surgimento de novas práticas sociais lastreadas numa relação com a cultura escrita, com as sociabilidades citadinas e com a escola.

PALAVRAS-CHAVE: Infância – Literatos – Sociabilidades

DOSSIÊ “SANDRA JATAHY PESAVENTO: A HISTORIADORA E SUAS INTERLOCUÇÕES
(SEGUNDA PARTE)”

A SENSIBILIDADE NA VIDA E OBRA DA HISTORIADORA SANDRA PESAVENTO - A QUESTÃO DA INTERDISCIPLINARIDADE, POSTURA CRÍTICA E A HISTÓRIA CULTURAL

  • Nádia Maria Weber Santos

RESUMO: Este artigo tem por objetivo mostrar a importância da sensibilidade e da subjetividade como objetos de estudo e fontes para historiadores. Trazendo como exemplo um aprendizado dentro de uma trajetória profissional individual, que tem como marco inicial a relação de orientação em pesquisa de pósgraduação com a historiadora Sandra Jatahy Pesavento (PPG História UFRGS), apresento a forma como a subjetividade do historiador (na sua vida e na sua obra) fertiliza e confere importância às relações interdisciplinares, fora e dentro de campos acadêmicos, tornando-as práticas críticas de pesquisa e interpretação na História Cultural.

PALAVRAS-CHAVE: História Cultural – Sandra Pesavento – Sensibilidades – Interdisciplinaridade

A LIBERDADE E O ERRO: A AÇÃO DA CENSURA LUSO-BRASILEIRA (1769-1834)

  • Márcia Abreu

RESUMO: Este artigo focaliza a censura luso-brasileira entre 1768, data do estabelecimento da Real Mesa Censória, e 1834, momento no qual se encerrou um período de mais de 300 anos de censura praticamente ininterrupta em Portugal. Apresenta-se um histórico da criação e transformação dos organismos encarregados da censura para, em seguida, examinar seu modo de funcionamento interno e as reações dos censores diante de sua função e dos livros que examinavam.

PALAVRAS-CHAVE: Censura luso-brasileira – Leitura – Séculos XVIII e XIX

A INVENÇÃO BRANCA DA LIBERDADE NEGRA: MEMÓRIA SOCIAL DA ABOLIÇÃO EM PORTO ALEGRE

  • Maria Angélica Zubaran

RESUMO: O objetivo deste trabalho é investigar como uma memória social da abolição foi construída pelas elites políticas regionais em Porto Alegre, durante a “libertação dos escravos” em sete de setembro de 1884, quase quatro anos antes da abolição nacional e na mesma data da independência nacional. Defendo que as elites políticas regionais construíram um discurso abolicionista que se apropriou das narrativas de um passado glorioso de tradições libertárias rio-grandenses para legitimar a estratégia das emancipações condicionais. Por outro lado, argumento que a narrativa dominante sobre a abolição em Porto Alegre ocultou a participação de abolicionistas afrodescendentes e de sociedades negras e produziu uma invenção branca da liberdade negra.

PALAVRAS-CHAVE: Memória Social – Abolição – Afro-brasileiros

SANDRA PESAVENTO E A GRANDE PERGUNTA

  • Carla Simone Rodeghero

RESUMO: Este artigo analisa parte da trajetória intelectual de Sandra Jatahy Pesavento chamando a atenção para a recorrência, na produção da historiadora, de perguntas voltadas para o entendimento da forma como os indivíduos interpretavam o mundo em que viviam. Alguns trabalhos de sua autoria, distribuídos no período que vai de 1994 a 2007, ajudaram a sustentar a hipótese sobre a centralidade destas perguntas na obra de Sandra Pesavento.

PALAVRAS-CHAVE: Sandra Pesavento – Nova História Cultural – Imaginário – Representações

SENSIBILIDADES SOCIAIS E HISTÓRIA DE VIDA

  • Monica Pimenta Velloso

RESUMO: Adotando a perspectiva da História Cultural, este artigo analisa parte da trajetória intelectual de Sandra Jathay Pesavento, mostrando a importância da sensibilidade e da subjetividade como objetos de estudo.

PALAVRAS-CHAVE: Sandra Jatahy Pesavento – História Cultural – Sensibilidade e subjetividade

POR UMA HISTÓRIA CULTURAL DA ESCRAVIDÃO, DA PRESENÇA AFRICANA E DAS MESTIÇAGENS

  • Eduardo França Paiva

RESUMO: Proposta metodológica de pensar temas tão extensos, polêmicos e multifacetados, tais como a escravidão, a presença de africanos de várias origens nas Américas e as mestiçagens biológicas e culturais que aí se processaram, em perspectiva da História Cultural. Para tanto, optou-se por ensaiar comparações e conexões históricas, bem como por fazê-las a partir de fontes variadas, entre as quais se incluem documentos manuscritos coloniais, crônicas antigas, memórias oral e visual e iconografia. Os ensaios rapidamente realizados nos textos baseiam-se em extensa historiografia, em categorias e em conceitos que, principalmente, a partir de uma História Cultural ampla, desenvolvida nos últimos 30 anos, têm contribuído fortemente para a renovação dos estudos sobre a temática abordada.

PALAVRAS-CHAVE: Escravidão – Mestiçagens – Presença Africana – História Cultural – História Comparada – Histórias Conectadas

“DICIONÁRIO DO TEATRO BRASILEIRO: TEMAS, FORMAS E CONCEITOS” – O UNIVERSO CÊNICO EM MOVIMENTO

  • Leilane Aparecida Oliveira

UMA LEITURA HISTORIOGRÁFICA DE TRÊS CONTRIBUIÇÕES DO LIVRO A EXPERIÊNCIA DO TEMPO

  • Mateus Henrique de Faria Pereira