Vol. 6 Ano VI nº 4 - Outubro/ Novembro/ Dezembro de 2009

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Com esta edição, o periódico Fênix – Revista de História e Estudos Culturais (Volume 6, Ano VI, Número 4 – Outubro / Novembro / Dezembro – 2009) publica a terceira e última parte da homenagem à historiadora Sandra Jatahy Pesavento, falecida no início de 2009.

Estamos muito honrados, já que esta homenagem se tornou realidade a partir do Dossiê intitulado “SANDRA JATAHY PESAVENTO: A HISTORIADORA E SUAS INTERLOCUÇÕES”, cuja organização ficou sob a responsabilidade das Profas. Dras. Nádia Maria Weber Santos, Miriam de Souza Rossini e Maria Luiza Fillipozi Martini, que também assinam a Apresentação.

Colaboram nesta terceira parte do Dossiê: Artur Cesar Isaia, Daniela Marzola Fialho, Maria Luiza Martini, Miriam de Souza Rossini, e Zita Rosane Possamai. Como os leitores poderão conferir, estes autores lançam luz sobre diferentes e relevantes aspectos do trabalho da nossa homenageada, que foi uma professora generosa e pesquisadora muito produtiva.

Inicialmente, devemos lembrar que Sandra Pesavento dedicou-se à docência e à pesquisa durante quase quarenta anos! Trabalhou na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, de 1970 a 2009, contribuindo com a formação de várias gerações de historiadores.

Graças à sua notável capacidade de trabalho, foi capaz de produzir mais de cinqüenta e um (51) livros! Dentre eles, destacam-se: Visões do Cárcere (Porto Alegre: Editora Zouk, 2009), Os Sete Pecados da Capital (São Paulo: Hucitec, 2008), História e História Cultural (Belo Horizonte: Editora Autêntica, 2003), Uma outra cidade: o mundo dos excluídos no final do século XIX (São Paulo: Editora Nacional, 2001), Imaginário da cidade: representações do urbano (Paris, Rio de Janeiro e Porto Alegre) (Porto Alegre: Editora da UFGRS, 1999), Exposições Universais: Espetáculos da Modernidade do Século XIX. (São Paulo: HUCITEC, 1997), A burguesia gaúcha: dominação do capital e disciplina do trabalho (RS 1889-1930) (Porto Alegre: Editora Mercado Aberto, 1988).

Estas homenagens são necessárias e justas, pois, acima de tudo, Sandra Jatahy Pesavento foi uma LIDERANÇA INTELECTUAL.

Em meio a todas essas atividades, pedimos licença aos leitores para lembrar dos projetos que desenvolvemos em conjunto com ela, o que, para nós, é motivo de muito orgulho. Quando o site www.revistafenix.pro.brentrou no ar em dezembro de 2004, de imediato, recebemos o estímulo de muitos profissionais da área de História. Dentre eles, Sandra Pesavento era a mais animada com o projeto e, de pronto, nos enviou um belo artigo intitulado A INVENÇÃO DO BRASIL – O NASCIMENTO DA PAISAGEM BRASILEIRA SOB O OLHAR DO OUTRO. Este artigo é bem representativo do universo de preocupações de Pesavento, já que analisa a pintura paisagística holandesa sobre o Brasil, de artistas como Frans Post, Gillis Peters, Zacharias Wagener, Georg Macgraf, Albert Eckhout, entre outros. A autora demonstra que, no momento da invasão, conquista e estabelecimento da dominação do nordeste brasileiro no século XVII, essas imagens foram produzidas com o intuito de apreender construções imaginárias de sentido e, por intermédio dessas, observou como, pela paisagem, se fez a “invenção do Brasil” pelo olhar do outro. Este foi o primeiro artigo que ela nos enviou. Em seguida, vieram outros.

De fato, sua colaboração manteve-se firme ao longo desses anos. Se, nesse longo período, fomos capazes de publicar QUARENTA E UMA (41) resenhas e se já chegamos a DUZENTOS E SETENTA E NOVE (279) artigos, cujos autores trabalham em diferentes regiões do país ou do exterior, devemos muito ao seu incentivo e entusiasmo. Quem a conheceu sabe que ela foi uma pesquisadora de grande capacidade de trabalho e Fênix – Revista de História e Estudos Culturais teve o privilégio de publicar outros estudos de sua autoria. Dando continuidade às suas pesquisas a respeito da sensibilidade e da alteridade, bem como em torno da relação História-Pintura, publicou UMA CIDADE SENSÍVEL SOB O OLHAR DO “OUTRO”: JEAN-BAPTISTE DEBRET E O RIO DE JANEIRO (1816-1831). Ainda explorando o binômio História-Imagem, Sandra Jatahy Pesavento publicou MEMÓRIA E HISTÓRIA: AS MARCAS DA VIOLÊNCIA, no qual, a partir de algumas representações visuais de guerra (pinturas e fotografias), analisa os processos de destruição/reconstrução da memória coletiva. Por fim, vale lembrar: sua parceria com a Fênix não ficou restrita ao envio de artigos, visto que, ao lado dos historiadores Mônica Pimenta Veloso e Antonio Herculano Lopes (pesquisadores da Fundação Casa de Rui Barbosa – Rio de Janeiro), organizou o DOSSIÊ HISTÓRIA CULTURAL & MULTIDISCIPLINARIDADE.

Todavia, isso é apenas uma pequena parte da parceria que tivemos com Sandra Jatahy Pesavento. Na realidade, desde 1999, nossos contatos foram quase semanais, tendo em vista a criação do GT Nacional de História Cultural da Associação Nacional de História (ANPUH). Ao lado de historiadores como Maria Izilda Santos de Matos, Antonio Herculano Lopes, Mônica Pimenta Veloso, entre outros, tivemos o privilégio de participar dessa estimulante empreitada. Ao longo desses anos, Sandra Pesavento – sempre de bom humor! – exerceu uma liderança incontestável não só em virtude de sua forte personalidade, de sua incomum capacidade de trabalho, ou de seus contatos com pesquisadores estrangeiros, mas, principalmente, graças à sua inteligência e à sua vontade de manter a coesão interna do GT Nacional de História Cultural.

Além dessas merecidas homenagens, a presente edição de Fênix – Revista de História e Estudos Culturais traz para os que “navegam” pelas páginas de nosso periódico outros bons motivos para dedicar-se à leitura, já que, em sua Seção Livre, podem ser encontrados artigos de Alexandre Fernandes Corrêa, Alexandre Tavares do Nascimento Lira, Cid Vasconcelos, Eduardo Gusmão de Quadros, Isaías Pascoal, Ivan Ducatti, Julierme Sebastião Morais Souza, Maria Amélia Assis Alves Crivelente, Maria da Penha Smarzaro Siqueira, Michelle Fonseca Nasr, Núbia Braga Ribeiro e Tatiana Batista Alves.

Esses artigos, sem dúvida, também merecem atenção especial, pois permitem que os leitores entrem em contato com propostas de trabalho frutíferas, sugestivas e estimulantes à construção do conhecimento.

Na seção dedicada às resenhas, vale à pena conferir os textos de Pedro Spinola Pereira Caldas e Diogo da Silva Roiz. Ambos analisam de maneira criteriosa publicações recentes que, sem dúvida, descortinam temas promissores e instigantes.

Na resenha intitulada A história das cidades: questões metodológicas e debates, elaborada por Diogo da Silva Roiz, temos a oportunidade de conhecer melhor as contribuições de José D’Assunção Barros, em seu novo livro Cidade e História. O principal objetivo desta obra, segundo Roiz, encontra-se no mapeamento “das diversas discussões efetuadas pela historiografia ao longo do tempo, com vistas a apontar suas proximidades e diferenças, destacando os avanços que foram alcançados por esse campo de pesquisa, como ainda o de permitir que se visualizem as principais fontes compulsadas e as dificuldades mais comuns enfrentadas neste tipo de pesquisa”. Trata-se, inegavelmente, de uma publicação útil para os que desejam ficar atualizados em relação aos caminhos percorridos pelos estudos históricos quando estes se debruçam sobre o tema das cidades.

Por outro lado, com a leitura da resenha intitulada Discursos do método: necessidade e eficácia política da Etnografia do IHGB, os leitores deste número do periódico Fênix – Revista de História e Estudos Culturais poderão conferir as densas considerações feitas por Pedro Spinola Pereira Caldas a respeito do livro Os Índios no Império do Brasil: A Etnografia do IHGB entre as décadas de 1840 e 1860. De acordo com Caldas, a autora da obra, Kaori Kodama, analisa “a relação entre o emprego da etnografia como uma ‘operação historiográfica’ (no sentido de Michel de Certeau) correlata à fundação do IHGB. […] O investimento na etnografia, por parte dos membros do IHGB mostra ao leitor que esta construção tem a função de formar uma identidade que venha a suplantar experiências desorientadoras: a legitimação temporal do Império do Brasil e a criação de uma imagem nacional unificada, que pudesse, dentro do ideal de unidade, comportar não somente os índios em si, mas a própria diversidade existente entre os diferentes ‘povos’”. Portanto, como demonstra a aludida resenha, Os Índios no Império do Brasil é leitura obrigatória para todos aqueles que desejam conhecer um pouco mais a respeito do IHGB.

Por fim, não menos importante é agradecer, in memoriam, à nossa amiga Sandra Pesavento pelas inúmeras alegrias compartilhadas, pelas instigantes parcerias profissionais e, sobretudo, pelos estímulos que recebemos em momentos difíceis, que nos ajudaram a afastar as tristezas e a enfrentar muitas adversidades. Dar continuidade ao seu trabalho não será tarefa fácil. De nossa parte, continuaremos a trabalhar, seguindo o seu exemplo. Agora, Sandra é uma estrela brilhante no firmamento. Sua luz iluminará nossos caminhos e, com certeza, nos ajudará a não esquecer os deveres de nosso ofício.

Aos leitores de mais esse número, agradecemos pela atenção e, sinceramente, esperamos que ele proporcione uma leitura agradável e proveitosa.

Alcides Freire Ramos e Rosangela Patriota
Editores da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais

TEATRO DAS MEMÓRIAS E DAS HERANÇAS BIOCULTURAIS: AÇÃO CULTURAL ENTRE O PASSADO E O FUTURO

  • Alexandre Fernandes Corrêa

RESUMO: Texto sobre a função sócio-cultural dos museus na atualidade e suas relações com os acervos culturais e naturais, as políticas do patrimônio cultural e da memória social.

PALAVRAS-CHAVE: Museu – Patrimônio – Memória

O PENSAMENTO EDUCACIONAL CONSERVADOR EM AÇÃO NO DEBATE DA LEI DE DIRETRIZES E BASES

  • Alexandre Tavares do Nascimento Lira

RESUMO: O objetivo deste artigo é analisar o debate que resultou na Lei n. º 4024/1961, acerca do ensino de 1.º e 2º graus que entrou em vigor sob o governo de João Goulart considerando o processo de lutas iniciadas na sociedade civil, que perpassou o Estado em toda a sua extensão. Este debate percorreu todo o período democrático. Este artigo aborda o debate parlamentar e a intensa mobilização na sociedade civil onde a questão do financiamento da educação emergiu. Neste ponto destacamos personagens como Gustavo Corção e Carlos Lacerda, que travaram intensa militância política, preparando as condições para o predomínio dos interesses privados na educação brasileira.

PALAVRAS-CHAVE: Política e educação – Educação e sociedade – Pensamento Conservador

CIRCULAÇÃO DE ARTÍFICES NO NORDESTE COLONIAL: INDÍCIOS DA AUTORIA DO FORRO DA IGREJA DO CONVENTO DE SANTO ANTÔNIO DA PARAÍBA

  • Carla Mary S. Oliveira

RESUMO: Até hoje permanece desconhecida a autoria da pintura ilusionista que adorna o forro da nave central da igreja do Convento de Santo Antônio da Paraíba, considerado o ápice da Escola Franciscana do Nordeste por Germain Bazin, bem como sua correta datação. Ao longo da segunda metade do século XX sua produção foi atribuída a alguns artífices da Escola Baiana de pintura do século XVIII, especialmente a José Joaquim da Rocha ou um de seus aprendizes, mas tal fato carece de comprovação documental e, de semelhança estilística em comparação às obras certamente produzidas pelo mestre baiano ou seus seguidores. Pretende-se demonstrar, através do uso do conceito de paradigma indiciário de Ginzburg, que o autor da pintura é outro: um artífice recifense de final do setecentos, Manoel de Jesus Pinto, ex-aprendiz de João de Deus e Sepúlveda, e cuja atuação no convento paraibano se justificaria pela circulação de indivíduos, serviços e mercadorias entre a Capitania Anexa da Paraíba e a Vila do Recife de fins do século XVIII e começos do XIX.

PALAVRAS-CHAVE: Paraíba – Pintura Barroca – Convento Franciscano

O CINEMA VIRA NOTÍCIA NOS ESTADOS UNIDOS: SEGUNDAS IMPRESSÕES SOBRE CINEMA PELA MÍDIA

  • Cid Vasconcelos

RESUMO: Artigo que detalha alguns pontos de uma pesquisa ainda em fase inicial sobre a representação do cinema em seus mais diversos significados por parte da mídia escrita americana entre 1895 e 1910, destacando a questão da moralidade e os processos de classificação dos mais diversos aspectos do dispositivo cinematográfico, tendo como ponto de partida 125 jornais do período dos mais diversos estados norte-americanos. O intuito maior é o de cotejar representações de historiadores do período, centrados sobretudo em órgãos de imprensa especializados, com percepções específicas de jornais não especializados.

PALAVRAS-CHAVE: História do Cinema – Imprensa – Primeiro Cinema

DERRIDA REVOLUCIONA A HISTÓRIA?

  • Eduardo Gusmão de Quadros

RESUMO: A dicotomia entre pensadores modernos e pós-modernos criou no Brasil uma série de leituras equivocadas, marcadas pelo preconceito. Aqueles que foram classificados como pós-modernos acabaram interpretados, muitas vezes, mais politicamente do que epistemologicamente. Isso aconteceu com a compreensão do pensamento de Jacques Derrida, que é estudado apenas em alguns guetos acadêmicos, em particular, ligados aos Estudos Literários. Mas um pensador que constituiu sua obra num intenso combate com a metafísica não teria algo a ensinar aos historiadores? Este texto pretende, então, abordar alguns dos conceitos propostos pelo eminente filósofo argelino. A nosso ver, eles podem contribuir decisivamente para a renovação do conhecimento histórico atual.

PALAVRAS-CHAVE: Hermenêutica – Historiografia – Pós-estruturalismo – Derrida

A QUESTÃO DO CONHECIMENTO NO INTERIOR DAS CIÊNCIAS DO HOMEM

  • Isaías Pascoal

RESUMO: Este artigo tem como finalidade refletir sobre a questão do conhecimento no interior das Ciências Sociais, evidenciar o quanto ela é complexa e o peso que possui em seu interior. Toma como base a produção de vários autores que a ela se dedicaram.

PALAVRAS-CHAVE: Conhecimento – Perspectiva – Discurso – Reflexão

ECONOMIA FEUDAL NO BRASIL – PARA DISCUTIR NELSON WERNECK SODRÉ

  • Ivan Ducatti

RESUMO: Pretende-se analisar como Nelson Werneck Sodré precisou a categoria feudal em suas obras de história da formação histórica brasileira, É importante frisar que o conceito “feudal” tem estatuto de centralidade na obra de Sodré. Quanto a isso, tentar-se-á localizar e demonstrar se, realmente, a questão feudal é uma categoria central para o autor, e perceber se feudal está ligado a uma sociedade de classes que se forma em torno de seu modo de produção ou se trata-se de uma metáfora política para justificar os obstáculos ao desenvolvimento da burguesia nacional e da sujeição desta ao imperialismo.

PALAVRAS-CHAVE: Conhecimento – Perspectiva – Discurso – Reflexão

CINEMA: TRAJETÓRIA NO SUBDESENVOLVIMENTO, DE PAULO EMÍLIO SALLES GOMES: PROFÍCUA
INTERLOCUÇÃO IDEOLÓGICA COM ISEB E PCB

  • Julierme Sebastião Morais Souza

RESUMO: No presente artigo buscamos demonstrar que os ensaios Panorama do cinema brasileiro: 1896/1966, Pequeno Cinema Antigo e Cinema: trajetória no subdesenvolvimento, publicados na obra clássica Cinema: trajetória no subdesenvolvimento, de Paulo Emílio Salles Gomes, conseguiram conquistar uma eficácia política no interior dos debates travados na sociedade brasileira das décadas de 1960 e 1970 porque em um de seus vieses receptivos eles dialogaram ideologicamente com as mais significativas perspectivas que nortearam a intelligentsia esquerdista nacional no período supracitado. A saber: aquelas do ISEB e do PCB.

PALAVRAS-CHAVE: Cinema Brasileiro – Paulo Emílio Salles Gomes – ISEB – PCB

ESCRAVOS E COMPADRES: ESTRATÉGIAS CATIVAS NA PIA BATISMAL MATO GROSSO - 1824-1871

  • Maria Amélia Assis Alves Crivelente

RESUMO: A população cativa, africana, em Mato Grosso, desenvolveu, de forma particular, relações pessoais de compadrio, tal como se pode observar em outras regiões da colônia. Isso mostra estratégias de sobrevivência e busca por possíveis ganhos no universo escravista. Neste caso, a expectativa de um futuro mais abrandado para seus filhos batizados nos rituais católicos.

PALAVRAS-CHAVE: Escravidão – Minas de Mato Grosso – Compadrio – Infância Escrava

A QUESTÃO REGIONAL E A DINÂMICA ECONÔMICA DO ESPÍRITO SANTO - 1950/1990

  • Maria da Penha Smarzaro Siqueira

RESUMO: O Espírito Santo, situado na área geo-econômica mais dinâmica do país (região sudeste), por suas tradicionais características socioeconômicas, durante um longo período histórico, não acompanhou esse dinamismo regional, mantendo suas tendências de região periférica com uma economia primárioexportadora apoiada na agricultura cafeeira, principal agente das articulações econômicas do estado. A política de modernização da economia vai ter início a partir dos anos de 1960, com a erradicação dos cafezais improdutivos, desestruturação do modelo agrário-exportador tradicional e um amplo projeto de industrialização, num plano de ação aliado à política de integração nacional.

PALAVRAS-CHAVE: Questão regional – Cafeicultura – Modernização – Industrialização

A MÚSICA POMERANA CAPIXABA: A FESTA E CASAMENTO E OUTRAS REFLEXÕES

  • Michelle Fonseca Nasr

RESUMO: Nesta comunicação apresentamos a importância de uma visão etnomusicológica da música pomerana para os descendentes pertencentes ao grupo de metais Banda de Metais Pommerchor, moradores do distrito de Melgaço, localizado na cidade de Domingos Martins – ES. As músicas aqui são entendidas como parte dos processos ritualísticos da famosa festa de casamento Pomerana, que estabelece códigos musicais e paramusicais (além da música). Desta forma, a repetição das canções do repertório em manifestações tradicionais pomeranas reforça uma identidade entre os descentes deste grupo, destacando as relações afetivas vividas por eles que são divididas a partir das músicas escolhidas – pelo próprio grupo – como referência.

PALAVRAS-CHAVE: Etnomusicologia – Música Pomerana – Domingos Martins ES

A GUERRA SANGUINOLENTA AOS ÍNDIOS NO SERTÃO COLONIAL

  • Núbia Braga Ribeiro

RESUMO: Este artigo reflete acerca da concepção de guerra contra os índios no sertão da América Portuguesa, principalmente entre as décadas de 1730 e 1740. Toma-se como referência para a análise a narrativa de Luiz de Nascimentos e Souza, registrada em 7 de abril de 1788, intitulada “Rellação da sanguinolenta Guerra” aos índios Paiaguá no ano de 1733. Também, para a análise da narrativa busca-se dialogar com as fontes que revelam a situação de outros grupos indígenas no período e com estudiosos da história indígena que tratam da concepção de guerra.

PALAVRAS-CHAVE: Índios – Guerra -Colônia

O ENSAIO SOCIOLÓGICO DE GILBERTO FREYRE: DIALOGISMO DE FORMAS DISCURSIVAS

  • Tatiana Batista Alves

RESUMO: O artigo aponta para duas bases fundamentais do ensaio de Gilberto Freyre, em particular, Casa-Grande & Senzala — o discurso científico e a narrativa literária, que dialogam em harmonia e estabelecem um campo de sentidos singular nas Ciências Sociais do início do século XX. Dessa forma, o ensaio freyreano fez uma das interpretações mais ricas, inovadoras, polêmicas e contraditórias do Brasil. Para afirmar e comprovar que a sociedade e a cultura brasileira são de natureza híbrida, o autor constrói também um texto híbrido, que dialoga com diversas formas de representação, estabelecendo, assim, uma comunhão perfeita entre o objeto de investigação e o texto que o representa.

PALAVRAS-CHAVE: Ensaio – Literatura – Ciência – Dialogismo – Hibridismo

DOSSIÊ “SANDRA JATAHY PESAVENTO:
A HISTORIADORA E SUAS INTERLOCUÇÕES (TERCEIRA PARTE)”

AS CRENÇAS DA CIDADE NA OBRA DE SANDRA PESAVENTO

  • Artur Cesar Isaia

RESUMO: O artigo enfoca a presença saliente das crenças na obra de Sandra Pesavento. Voltada para a cidade de Porto Alegre, a autora não neglicenciou o universo mítico no qual a população ancorava sua maneira de ser e sentir. As crenças que o texto enfoca extrapolam o tradicionalmente posto como religioso. Nesse sentido, são enfocados desde a crença na ciência e na razão, típicas da elite republicana rio-grandense do final do século XIX, chegando à crença nos poderes sobrenaturais de homens e mulheres do povo, cultivada pela população pobre e marginalizada da cidade.

PALAVRAS-CHAVE: Sandra Pesavento – Crenças – Historiografia

O TEMPO E A FORMA DA CIDADE

  • Daniela Marzola Fialho

RESUMO: Ao examinar as relações entre a história urbana e suas representações gráficas, em particular sua representação pela computação gráfica, examino a questão da representação como forma de dar sentido às coisas; as técnicas de representação por imagens, as quais se diferenciam historicamente; e a produção histórica do espaço urbano através das formas de representação gráfica. Busco mostrar, especificamente como a computação representa o passado da cidade e qual o estatuto dessa representação para a memória de Porto Alegre? As ferramentas teóricas desse trabalho, ligadasà computação gráfica e às questões sobre representação e memória, foram operacionalizadas no exame das diferentes formas de representação gráfica do espaço urbano de Porto Alegre. O desenho em computação gráfica, que encerra este trabalho, deteve-se na representação d e um espaço central da cidade no início e final do século XX. E mostra as cidades do presente e do passado produzidas pela computação gráfica.

PALAVRAS-CHAVE: Representação -História Cultural – Forma Urbana – Computação Gráfica

O PODER DA REPRESENTAÇÃO: A FICÇÃO INVADE A VIDA

  • Maria Luiza Martini

RESUMO: Este artigo discute o texto “Morrer de amor: Neco, Chiquinha e a Estrhycnina” que faz parte do livro “Os Sete Pecados da Capital” de Sandra Pesavento. A historiadora constrói dois objetos, “morrer de amor”, e o poder da representação no final do século XIX. Ela trabalha com as cartas dos suicidas, o jornalismo de folhetim e a literatura, através de metodologia da história cultural: “história dentro da história”.

PALAVRAS-CHAVE: Metodologia de História Cultural – Sensibilidades – Final do século XIX – Ficção – Sandra Jatahy Pesavento

PERSPECTIVAS DOS FILMES DE RECONSTITUIÇÃO HISTÓRICA NO CINEMA BRASILEIRO DOS ANOS 70

  • Miriam de Souza Rossini

RESUMO: Este texto pretende discutir alguns aspectos teóricos relacionados à problemática do cinemahistória, tendo como objeto específico de estudo as tendências dos filmes de reconstituição histórica feitos no Brasil a partir dos anos 70. Esse gênero de filme será abordado enquanto espaço de representação de memória e de identidade cultural de uma nação, e enquanto representante das diferentes tendências historiográficas sobre os assuntos retratados. Daí os constantes conflitos a que está sujeito e as diferentes interpretações que suscita. Essa discussão é tributária da minha pesquisa de doutorado, realizada junto ao Programa de Pós-Graduação em História da UFRGS, sob orientação da Professora Doutora Sandra Jatahy Pesavento, no âmbito da História Cultural.

PALAVRAS-CHAVE: História Cultural – Cinema – História – Cinema brasileiro dos anos 70

UMA MIRADA PARA O VISUAL

  • Zita Rosane Possamai

RESUMO: Este artigo objetiva abordar a contribuição da historiadora Sandra Jatahy Pesavento ao processo museológico brasileiro, enfocando a realização de pesquisas, exposições e publicações entre os anos de 1987 e 1992. A partir da produção de exposições e publicações realizadas pela historiadora e sua equipe, pretende-se analisar, especialmente, de que forma foram concebidas e tratadas as imagens visuais naquele contexto.

PALAVRAS-CHAVE: Museu – Exposições – Fotografia – Imaginário -Imagem

A HISTÓRIA DAS CIDADES: QUESTÕES METODOLÓGICAS E DEBATES

  • Diogo da Silva Roiz

DISCURSOS DO MÉTODO: NECESSIDADE E EFICÁCIA POLÍTICA DA ETNOGRAFIA DO IHGB

  • Pedro Spinola Pereira Caldas
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