Vol. 7 Ano VII nº 2 - Maio/ Junho/ Julho/ Agosto de 2010

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É com imensa satisfação que lançamos mais um número da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais (Volume 7, Ano VII, Número 2 – Maio / Junho / Julho / Agosto – 2010).

O site www.revistafenix.pro.br entrou no ar em dezembro de 2004 com o objetivo de trazer ao público leitor uma publicação que se caracterizasse pela agilidade, universalidade e gratuidade. Essa preocupação, porém, não encerrava as expectativas depositadas na sua criação. Pelo contrário, o grande propósito era tornar acessível uma publicação capaz de incentivar a interlocução acadêmica e a ampla divulgação de pesquisas instigantes e de alto nível, procurando traduzir a dinâmica e a diversidade dos diálogos interdisciplinares da pesquisa histórica e dos Estudos Culturais.

Os resultados positivos obtidos com esse projeto, considerando também a atual edição, materializam-se na publicação de QUARENTA E SEIS (46) RESENHAS e TREZENTOS E QUATORZE (314) ARTIGOS, oriundos de diferentes estados: Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Pernambuco, Piauí, Paraíba, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Distrito Federal.

Ademais, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais acolheu treze (13) dossiês, a saber: Chico Buarque & Vianinha: arte e política no Brasil Contemporâneo (organizado pela Editoria), História Oral (organização de Paulo Roberto de Almeida), Homenagem a Jorge Andrade – 50 anos d’A Moratória: Encruzilhadas da Literatura e da História (organização de Diógenes Maciel), Cinema-História (organização de Sheila Schvarzman), Teoria da História (organização de Pedro Spinola Pereira Caldas), História e Visualidades (organização de Alcides Freire Ramos), Teorias do Espetáculo e da Recepção (organização de Robson Camargo), Mundo Romano (organização de Ana Teresa Marques Gonçalves), Estudos Literarios (organizado pela Editoria), História da Ciência (organização de Antonio Augusto Passos Videira), História Cultural & Multidisciplinaridade (organizado por Sandra Pesavento, Mônica Pimenta Velloso e Antonio Herculano) Sandra Jatahy Pesavento: a Historiadora e suas Interlocuções (organizado por Nádia Maria Weber Santos, Maria Luiza Martini e Miriam de Souza Rossini) Jogos Teatrais no Brasil: 30 Anos (organizado por Ingrid Dormien Koudela e Robson Corrêa de Camargo).

Vale salientar que, ao longo desse período, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais deu passos decisivos para a sua consolidação no meio acadêmico. Isto pode ser afirmado não somente por ter sido incluída no Portal de Periódicos de Acesso Livre da CAPES e em um importante indexador internacional, o DOAJ – Directory of Open Access Journals, ambas ocorridas em 2006, mas também pelo fato de ela ter melhorado sua avaliação no QUALIS CAPES. Tudo isso contribuiu para o aumento de seu impacto junto à comunidade acadêmica nacional e internacional das áreas de História, Letras e Artes.

Como comprovação dessa melhora merece destaque o aumento considerável da remessa de artigos, a predominância da colaboração de doutores e o recebimento de artigos internacionais. Outro indicador importante para a avaliação das atividades desenvolvidas nesses últimos anos diz respeito ao número de visitas ao site www.revistafenix.pro.br, isto é, até o momento, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais recebeu mais de OITOCENTAS MIL (800.000) consultas, assim divididas: 70% dos acessos originam-se do Brasil, e os 30% restantes são internacionais (Portugal, EUA, México, França, Itália, Espanha, Alemanha, Suécia, Inglaterra, entre outros).

Para melhorar ainda mais, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais, a partir de 2010, por decisão de seus editores, passará a lançar seus números de quatro em quatro meses. Essa mudança, longe de apontar para um estreitamento do espaço atualmente utilizado para a divulgação de artigos e resenhas, permitirá a otimização dos recursos humanos e materiais disponíveis para o cumprimento de todas as etapas de trabalho envolvidas na edição de uma revista científica. Isso, sem dúvida, terá um impacto positivo, o que poderá ser observado já nos números que serão lançados neste ano.

Nunca é demais lembrar: tudo o que foi feito, desde o mês de dezembro de 2004, em prol da melhoria, expansão e diversificação deste período científico, deveu-se ao envolvimento da Secretaria Executiva, dos Conselhos Editorial e Consultivo, bem como de nosso Webmaster. O desprendimento e a coragem dos diretamente envolvidos nessa empreitada foram de grande importância para o bom encaminhamento dos trabalhos, mantendo a qualidade editorial e publicando artigos de excelência.

Acima de tudo, queremos expressar nossos mais sinceros agradecimentos a todos aqueles que, acessando o site ou enviando seus artigos, contribuem para que a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais seja tão bem recebida. Devemos aqui registrar uma especial menção aos nossos leitores e colaboradores: sem eles, nada disso teria sido possível.

Mais um bom exemplo dessa afirmação pode ser verificado neste número, que ora vem a público. É uma honra poder publicar os excelentes artigos de Paula Regina Siega, Fee-Alexandra Haase, Arnaldo José Zangelmi, Isaías Pascoal, Luciana Souza de Oliveira Stambonsky, Iranilson Buriti de Oliveira, Vanderlei Sebastião de Souza, Giuseppe Federico Benedini, Paulo Cesar Tomaz, Glória Braga Onelley, Solimar Guindo Messias Bonjardim, Daniel de Castro Bezerra, Maria Augusta Mundim Vargas, Rafael Alves Pinto Junior, Luciene Pereira Carris Cardoso, Jucélia Bispo dos Santos, Júlia Silveira Matos, Lucia M. A. Ferreira, Marilda Ionta e Hamlet Fernández Díaz.

Como se isso não bastasse, a Seção reservada às resenhas presenteia o leitor com duas apreciações críticas que merecem ser conferidas mais de perto.

A primeira, assinada por Alexandre Francisco Solano, oferece uma avaliação criteriosa do livro O Desafio Biográfico – Escrever uma Vida (São Paulo: EDUSP, 2009). Para demonstrar ao leitor a importância das temáticas tratadas por François Dosse, o comentarista, sempre muito cuidadoso e atento, questiona: “a biografia cerca-se somente da inventividade ficcional ou de uma identidade puramente científica?” Em resposta, Solano argumenta: “Ao longo da exposição do historiador francês, notamos que a memória, para o biógrafo, é o artifício que lhe possibilita lembrar e fazer recordar uma vida. Nesse sentido, há a necessidade do outro, que partilha suas recordações sobre figuras históricas inolvidáveis ou não. O passado, pelos olhos atentos do agora, nos traz imagens diversas de um mesmo indivíduo, permitindo-nos a reconstrução de faces não reveladas, de sujeitos em aspectos plurais.” Recomenda-se, pois, a consulta da totalidade do texto de Alexandre para que o leitor possa se convencer não apenas da atualidade e relevância, mas principalmente da qualidade acadêmica deste lançamento da Editora da Universidade de São Paulo.

A segunda resenha, assinada Grace Campos Costa e Rodrigo Francisco Dias, trata de uma obra que, sem exageros, é leitura obrigatória para todos aqueles que desejam conhecer mais a respeito dos diálogos entre Cinema e História. O livro comentado intitula-se A história nos filmes, os filmes na história (São Paulo: Paz e Terra, 2010). Seu autor é o pesquisador norte-americano Robert A. Rosenstone. Sem dúvida alguma, Grace e Rodrigo desenvolvem seus argumentos, ao longo de todo o texto, com muita segurança e maturidade, salientando que “o intenso contato com obras cinematográficas históricas, certamente, contribui não só para a formação do gosto estético de grande parte da população, mas para a formação da própria consciência histórica das pessoas.” Com o intuito de demonstrar o quanto o livro de Rosenstone é fundamental, os autores da resenha advertem que ”os historiadores não devem ignorar os filmes históricos, essas obras são muito presentes e importantes na formação da cultura histórica da sociedade contemporânea, ou seja, na produção de conhecimento a respeito do passado. Os filmes históricos devem ser tomados como objetos de grande atenção por parte dos historiadores, devem ser vistos como documentos históricos.” Sem subterfúgios, os comentaristas discutem, de maneira muito competente, a tese central (e muito polêmica) de Rosenstone, ou seja, a idéia segundo a qual os cineastas “[…] são (ou podem ser) historiadores, se, com essa palavra, nos referirmos a pessoas que confrontam os vestígios do passado (rumores, documentos, edifícios, lugares, lendas, histórias orais e escritas) e os usam para contar enredos que fazem sentido para nós no presente”. A história nos filmes, os filmes na história, obra lançada pela Editora Paz e Terra deverá fazer parte da biblioteca básica de todos os pesquisadores que se interessam pelos diálogos da História com o Cinema, como demonstra esta resenha assinada por dois pesquisadores jovens e promissores.

Mais uma vez, agradecemos pelos artigos enviados e, antecipadamente, pelo apoio na divulgação deste periódico.

Boa leitura a todos!

Alcides Freire Ramos e Rosangela Patriota
Editores da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais

TRÓPICOS (1967, GIANNI AMICO): UM CASO PARTICULAR DA RECEPÇÃO DO CINEMA NOVO NA ITÁLIA

  • Paula Regina Siega

RESUMO: Analisando o filme de Gianni Amico, Trópicos, indicamos de que modo o autor italiano reelabora criativamente as influências do Cinema Novo. Ao aplicar o método de mediação entre estética e história apontado por Jauss na sua teoria da recepção, buscamos delinear a perspectiva histórica com a qual o filme é realizado, sem com isso desconsiderar os seus aspectos formais.

PALAVRAS-CHAVE: Trópicos – recepção – estética – história

EVIDÊNCIA COMO FRONTEIRA ENTRE OBSERVAÇÃO E RETÓRICA ESTUDOS DA HERANÇA RETÓRICA EM DISCURSOS DE CONHECIMENTO EM ARGUMENTAÇÃO TEORIA EXEMPLIFICADA EM CASOS DE TRANSFERÊNCIAS DE TÉCNICA RETÓRICA NA EXPERIÊNCIA EMPÍRICA

  • Fee-Alexandra Haase

RESUMO: Os termos mudam de significado assim que são usados em um idioma, contexto, disciplina ou doutrina específica. A evidência é uma delas. Este artigo afirma que evidência é um conceito que podemos comunicar universalmente e consiste em três partes para o desenvolvimento do discurso relacionado. Neste artigo, examinaremos em parte as condições e os limites que a era pós-moderna oferece para evidências na argumentação em textos de pensadores da pós-modernidade, pesquisa e comentaristas. Na parte II, descrevemos o lugar da evidência em uma disciplina racional teórica (retórica), enfocando a questão de como a evidência se refere ao modelo clássico de argumentação em retórica. Com um modelo topológico de evidência, concluímos que o argumento evidencial como portador da argumentação pode ser uma experiência oral, escrita ou sensual, por exemplo visual, significa e ilustra isso em exemplos que compreendem meios de evidência e meios comunicativos. Apesar do emprego de evidências em vários campos, mostraremos que a evidência como conceito pode ser descrita como referência à experiência sensual. Na parte III, mostramos em exemplos as condições e a aplicação prática de evidências. Afirmamos que quando processos artificiais e técnicos dominam o desenvolvimento do conhecimento e limitam os aspectos probatórios, o conhecimento obtido pode ser apenas um conhecimento que é uma referência ao processo técnico, mas carece de autenticidade evidencial.

PALAVRAS-CHAVE: Estudos de Retórica – Teoria da Argumentação – Experiência Empírica

HISTÓRIA, MEMÓRIA E IDENTIDADE NUM INSTITUTO DIVIDIDO (1979-1994)

  • Arnaldo José Zangelmi

RESUMO: Esse trabalho pretende reconstruir parte da história do Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS/UFOP), principalmente sobre o foco das disputas políticas internas decorrentes, em parte, do processo de redemocratização do Brasil. Nossa análise está centrada no antagonismo existente entre grupos distintos dentro do Instituto, um mais localista e tradicionalista, outro mais expansionista e dinâmico. As articulações políticas desses segmentos em conflito se deram, como mostraremos, em várias esferas, como, por exemplo, nas disputas pelo currículo acadêmico do Curso de História, pela distribuição do poder, pela moralidade, etc. Nesse sentido, tentou-se também compreender a formação da memória do ICHS, em estreita relação com essas disputas. Salientamos essa formação principalmente em relação às diferentes noções de democracia emergentes nesse conflito.

PALAVRAS-CHAVE: Conflito – Memória – Identidade

HABERMAS

  • Isaías Pascoal

RESUMO: Este artigo procura mostrar a importância do pensamento de Habermas nas Ciências Sociais contemporâneas, sua contribuição para o entendimento da sociedade atual a partir da utilização dos conceitos de sistema e mundo da vida, bem como expressar os problemas teóricos daí advindos.

PALAVRAS-CHAVE: Sistema – Mundo da vida – Colonização – Comunicação

A FALA DOS PASSOS: A CONSTRUÇÃO DE UM ESPAÇO SAGRADO JUDAICO NA CIDADE DO NATAL

  • Luciana Souza de Oliveira Stambonsky
  • Iranilson Buriti de Oliveira

RESUMO: O presente artigo busca dar visibilidade ao discurso sobre a construção e a apropriação de um espaço sagrado estabelecido por um grupo de judeus que chegaram à cidade do Natal no primeiro decênio do século XX. O que se questiona é: qual o espaço sagrado delimitado por esses judeus na cidade do Natal? Que motivos os levaram a construir? O que esse espaço simbolizava? Visando compreender tais questionamentos buscaremos desenvolver uma reflexão sobre esse espaço utilizando fontes revistas, jornais da época e bibliográficas que nos permitirão estabelecer um diálogo com as noções de espaço construído por Michel de Certeau, Mircéia Eliade, Michel Foucault, Douglas Santos, Durval Muniz Albuquerque Júnior, Margaret Wertheim, entre outros autores.

PALAVRAS-CHAVE: Judaísmo – Espaços – Natal

O NATURALISMO DE EUCLIDES DA CUNHA: CIÊNCIA, EVOLUCIONISMO E RAÇA EM OS SERTÕES

  • Vanderlei Sebastião de Souza

RESUMO: Este artigo trata das concepções naturalistas presentes na narrativa literária de Euclides da Cunha em Os Sertões. Embora essa obra seja mais freqüentemente associada ao pré-modernismo, meu interesse consiste em demonstrar que seu autor está imerso nas interpretações que marcaram o naturalismo literário do último quartel do século XIX, de modo que a experiência social é apreendida por Euclides da Cunha a partir de uma forte dependência em relação aos fatores biológicos ou ecológicos. Deste modo, considerando que ciência, natureza e sociedade aparecem como elementos imbricados ao longo das páginas de Os Sertões, o objetivo central deste trabalho é analisar em que termos o naturalismo, as teorias evolucionistas e as idéias raciais são acionadas por Euclides da Cunha em sua interpretação sobre a formação nacional brasileira.

PALAVRAS-CHAVE: Euclides da Cunha – Naturalismo – Ciência – Evolucionismo – Raça

“FILOSOFIA PERONISTA”: AS LINHAS IDEOLÓGICAS DO JUSTICIALISMO – ANÁLISE DO DISCURSO
DE JUAN DOMINGO PERÓN NO ENCERRAMENTO DO PRIMER CONGRESO NACIONAL DE FILOSOFÍA

  • Giuseppe Federico Benedini

RESUMO: Em 9 de abril de 1949, em Mendoza, na Argentina, concluia-se o Primeiro Congresso Nacional de Filosofia; organizado pela Universidad Nacional de Cuyo, foi a maior reunião filosófica organizada até então na América Latina, com a participação de mais de 20 delegações de países de Europa e das Américas. O presidente argentino Juan Domingo Perón aproveitou desta ocasão para expor, na conferência de encerramento, as linhas ideológicas que fundamentavam sua ação de governo.

PALAVRAS-CHAVE: Juan Domingo Perón – Peronismo – História da Argentina – Primer Congreso de Filosofia

A PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL E SUA TRAJETÓRIA NO BRASIL

  • Paulo Cesar Tomaz

RESUMO: O presente artigo tem como objetivo discorrer sobre a preservação do patrimônio cultural, bem como refletir sobre sua trajetória de preservação em âmbito nacional. O estudo do patrimônio cultural promove a valorização e a consagração daquilo que é comum a determinado grupo social no tempo e no espaço, visto o mesmo possuir significações relevantes por ser parte de sua construção histórica. Busca-se nesse sentido compreender como a idéia de preservação obteve seu desenvolvimento na esfera pública do governo brasileiro.

PALAVRAS-CHAVE: Patrimônio cultural – Preservação – Memória nacional

CALÍMACO E CATULO: A CABELEIRA DE BERENICE

  • Glória Braga Onelley
  • Shirley Fátima Gomes de Almeida Peçanha

RESUMO: Apresentam-se, no presente trabalho, particularidades culturais e estético-literárias do período alexandrino, que, de certa forma, condicionaram a poesia de Calímaco de Cirene, modelo de poetas latinos, entre os quais Catulo. Indica-se, ainda, como o poema de número 66 deste último, tradução para o latim do fragmento 110 de Calímaco, A cabeleira de Berenice, constitui um guia importante para trazer luz aos versos perdidos do referido fragmento calimaquiano e para dar sentido a seus versos remanescentes.

PALAVRAS-CHAVE: Período alexandrino – Elegia – Calímaco – Catulo

A MORTE DO CRISTÃO EM TRANSFORMAÇÃO: AS CIDADES E O ESPAÇO DA MORTE

  • Solimar Guindo Messias Bonjardim
  • Daniel de Castro Bezerra
  • Maria Augusta Mundim Vargas

RESUMO: O presente artigo tem como objetivo discutir as alterações causadas pela sociedade na morte do cristão e, consequentemente, na organização do espaço das cidades. A premissa inicial é que toda cidade ou espaço urbano é passível de reconstrução na medida em que a sociedade se desenvolve, isto é, se modifica, e consciente ou inconscientemente reorganiza seu espaço. Com essa afirmação, pode-se completar que a morte, como produto social, vai modificando o espaço das cidades juntamente com a sociedade. No decorrer da história são muitas as alterações que aconteceram no território da morte. Quando o Cristianismo se torna a religião oficial do Estado, a Igreja transforma a morte num ritual presente na vida diária das pessoas. Porém quando Igreja e Estado se separam outra transformação ocorre e a morte passa a não mais ocupar o mesmo território sagrado das Igrejas.

PALAVRAS-CHAVE: Modo de vida – Território da morte – Reorganização do espaço

A OBRA DE ARTE COMO REPRESENTAÇÃO DE VITÓRIA: MAINO E LA RECUPERACIÓN DE BAHÍA DEL BRASIL EN 1625

  • Rafael Alves Pinto Junior

RESUMO: Este trabalho tem por objetivo analisar o quadro de Juan Bautista Maino Pastrana (1578- 1649) La recuperación de Bahía del Brasil en 1625 como elemento simbólico de representação de vitória militar no reinado de Felipe IV (1605-1665). A obra de arte é uma fonte historiográfica privilegiada, de onde podemos ir além das circunstâncias da encomenda e ver as ambições do artista. Como expressão de uma alegoria do poder monárquico, o pintor expressa uma série de elementos visuais relacionados numa trama narrativa que parecem fazer parte exclusivamente à natureza da obra: encomendada por Olivares para fazer parte da decoração do Salón dos Reinos, La recuperación de Bahia fazia parte de um conjunto maior de pinturas bélicas de diversos artistas espanhóis, concebidas para apresentar ao mundo a imagem destacada da grandeza militar do Rei.

PALAVRAS-CHAVE: História da arte – Pintura espanhola – Representação

NOTAS SOBRE O PAPEL DA SOCIEDADE DE GEOGRAFIA DO RIO DE JANEIRO E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA
O DESENVOLVIMENTO DO SABER GEOGRÁFICO NO BRASIL

  • Luciene Pereira Carris Cardoso

RESUMO: O presente artigo pretende analisar a contribuição da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro para o reconhecimento do território brasileiro e a promoção do desenvolvimento do saber geográfico no Brasil. A entidade apresentava-se como um espaço de sociabilidade reunindo diversos intelectuais, políticos e cientistas.

PALAVRAS-CHAVE: Território – Brasil – Sociedades geográficas

CIÊNCIA, SABER LOCAL E CONSTRUÇÃO DE VALORES

  • Jucélia Bispo dos Santos

RESUMO: Pesquisar é realmente um trabalho difícil, pois exige daquele que executa a investigação uma postura que move valores e aspirações. Quando iniciei o desenvolvimento da pesquisa em comunidades de quilombos, executei uma análise reflexiva sobre o que pretendia alcançar com esta produção, ou seja, houve um questionamento sobre qual seria o principal objetivo deste trabalho, cujo tema centra-se nos estudos das comunidades de quilombos de Irará, no estado da Bahia. Neste processo, articulei os seguintes questionamentos: O que são valores? Como os valores científicos são formados? Quais são os valores dos sujeitos que moram comunidades quilombolas? Como entender a formação histórica dos valores dos povos que residem em comunidades tradicionais? Como podemos explicar as contradições que surgem entre os valores científicos e valores locais? Qual relação a ciência estabelece com o saber local de comunidades tradicionais? Dava-me conta de que, além de apresentar um ponto-de-vista sobre a temática, teria de defendê-lo, expondo com precisão os motivos que induziram tal opinião. Portanto, compreendei que a lógica de uma etnografia tem muito a ver com a construção de um estudo teórico de natureza reflexiva que consiste na ordenação de idéias sobre um determinado tema, mas que se aproxima de valores, tradicões e necessidades reais dos sujeitos pesquisados.

PALAVRAS-CHAVE: Valores – Ciência – Experiência – Cultura -Quilombolas

CARTAS TROCADAS: SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA E OS BASTIDORES DA REVISTA KLAXON

  • Júlia Silveira Matos

RESUMO: Sérgio Buarque de Holanda consagrou-se por seu conceito de “Homem Cordial”, sua obra histórica é marcada pela preocupação e centralidade no estudo das gentes do Brasil, suas estruturas sociais, culturais e políticas. Nesse sentido, podemos nos perguntar: Qual sua participação no interior do movimento modernista brasileiro? Com o intuito de responder esses questionamentos, no presente artigo analisaremos a correspondência de Sérgio Buarque de Holanda nos anos de 1920, como um dos articuladores da revista modernista Klaxon.

PALAVRAS-CHAVE: Modernismo – Correspondência – Sérgio Buarque de Holanda

REPRESENTAÇÕES DA SOCIABILIDADE FEMININA NA IMPRENSA DO SÉCULO XIX

  • Lucia M. A. Ferreira

RESUMO: As práticas discursivas da imprensa constituem-se como espaço sócio-histórico em que se articulam o poder e as transformações sociais e participam da construção da identidade cultural e da memória social. Os resultados apresentados neste trabalho fazem parte de um estudo sobre as representações da figura feminina na imprensa brasileira durante o século XIX. O discurso jornalístico é comparado ao discurso da história e às narrativas dos viajantes estrangeiros que registraram suas visões acerca da sociedade brasileira. Se, no início do século XIX, as mulheres eram praticamente invisíveis na imprensa, as mudanças nas configurações das representações ao longo do tempo indicam mudanças nos padrões relacionais e um crescente questionamento acerca de uma identidade feminina até então construída com referência exclusiva ao domínio familiar doméstico.

PALAVRAS-CHAVE: Imprensa brasileira – Século XIX – Representação – Figura feminina

AMIZADES LÍQUIDAS: CONSIDERAÇÕES SOBRE OS ELOS (INTER)SUBJETIVOS NOS WEBLOGS

  • Marilda Ionta

RESUMO: Neste texto, busco problematizar as relações de amizade forjadas na cultura digital. Mais especificamente, discuto os vínculos sociais construídos em weblogs escritos por mulheres. A dimensão (inter) subjetiva da amizade, mediada na atualidade pelas novas tecnologias de comunicação, faz dessa prática social um locus atraente para compreensão dos deslocamentos que vêm ocorrendo na produção de nossa subjetividade contemporaneamente. Assim, a partir da análise de alguns blogs, indago sobre a pedagogia relacional e as políticas de amizade contidas nos blogs femininos e feministas na Internet, ou seja, nos vínculos sociais mediados por um novo saber técnico-científico que dá tonalidade à sociedade de informação.

PALAVRAS-CHAVE: Amizade – Subjetividade – Cultura digital

EVENTO TEÓRICO DO DÉCIMO BIENAL DA HAVANA: INCÓGNITA DE SUAS CONTRADIÇÕES​

  • Hamlet Fernández Díaz

RESUMO: Neste artigo é realizada uma avaliação do Evento Teórico da Décima Bienal de Havana, destacando seus sucessos e contradições. Nele, o eixo temático ‘integração e resistência na era global’, proposto pelos organizadores como tema central das reflexões, é tomado como pretexto para dialogar com algumas das apresentações apresentadas e atualizar conceitos tão espinhosos quanto possível: “integração ”,“ Resistência ”,“ recepção artística ”e“ treinamento público ”. Da mesma forma, é feita uma incursão no complexo problema das políticas culturais na era da globalização. Em uma palavra, é dada continuidade virtual às discussões que ocorreram no Evento Teórico da 10ª Bienal de Havana, oferecendo uma visão enriquecedora e enriquecedora do evento acima mencionado.

PALAVRAS CHAVE: Bienal de Havana – Pós-modernidade – Recepção artística – Políticas

A BIOGRAFIA DESAFIADA: OS CONTORNOS DE UMA VIDA POR FRANÇOIS DOSSE

  • Alexandre Francisco Solano∗

O CINEMA COMO NARRATIVA HISTÓRICA: ROBERT A. ROSENSTONE E A LINGUAGEM HISTÓRICA FÍLMICA

  • Grace Campos Costa
  • Rodrigo Francisco Dias