Vol. 9 Ano IX nº 3 - Setembro/ Outubro/ Novembro/ Dezembro de 2012

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UM MILHÃO E QUINHENTAS MIL (1.500.000) CONSULTAS!

É com imensa satisfação que lançamos mais um número da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais (Volume 9, Ano IX, Número 3 – Setembro / Outubro / Novembro / Dezembro – 2012).

O site www.revistafenix.pro.br entrou no ar em dezembro de 2004 com o objetivo de trazer ao público leitor uma publicação que se caracterizasse pela agilidade, universalidade e gratuidade. Essa preocupação, porém, não encerrava as expectativas depositadas na sua criação. Pelo contrário, o grande propósito era tornar acessível uma publicação capaz de incentivar a interlocução acadêmica e a ampla divulgação de pesquisas instigantes e de alto nível, procurando traduzir a dinâmica e a diversidade dos diálogos interdisciplinares da pesquisa histórica e dos Estudos Culturais.

Os resultados positivos obtidos com esse projeto, considerando também a atual edição, materializam-se na publicação de SESSENTA E OITO (68) RESENHAS QUATROCENTOS E DOIS (402) ARTIGOS, oriundos de diferentes estados: Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Pernambuco, Piauí, Paraíba, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Distrito Federal.

Ademais, , a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais acolheu DEZESSETE (17) DOSSIÊS, a saber: Chico Buarque & Vianinha: arte e política no Brasil Contemporâneo (organizado pela Editoria), História Oral (organização de Paulo Roberto de Almeida), Homenagem a Jorge Andrade – 50 anos d’A Moratória: Encruzilhadas da Literatura e da História (organização de Diógenes Maciel), Cinema-História (organização de Sheila Schvarzman), Teoria da História (organização de Pedro Spinola Pereira Caldas), História e Visualidades (organização de Alcides Freire Ramos), Teorias do Espetáculo e da Recepção (organização de Robson Camargo), Mundo Romano (organização de Ana Teresa Marques Gonçalves), Estudos Literários (organizado pela Editoria), História da Ciência (organização de Antonio Augusto Passos Videira), História Cultural & Multidisciplinaridade (organizado por Sandra Pesavento, Mônica Pimenta Velloso e Antonio Herculano) Sandra Jatahy Pesavento: a Historiadora e suas Interlocuções (organizado por Nádia Maria Weber Santos, Maria Luiza Martini e Miriam de Souza Rossini), Jogos Teatrais no Brasil: 30 Anos (organizado por Ingrid Dormien Koudela e Robson Corrêa de Camargo), O Tapete Voador – Teorias do Espetáculo e da Recepção (organizado por Marcus Mota e Robson Corrêa de Camargo), Tempo e História (organizado por André Fabiano Voigt), Histórias Visuais: Experiências de Pesquisa entre História e Arte (organizado por Maria Elizia Borges e Heloisa Selma Fernandes Capel) e História e Saúde (organizado por Iranilson Buriti de Oliveira).

ale salientar que, ao longo desse período, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais deu passos decisivos para a sua consolidação no meio acadêmico. Isto pode ser afirmado não somente por ter sido incluída no Portal de Periódicos de Acesso Livre da CAPES e em um importante indexador internacional, o DOAJ – Directory of Open Access Journals, ambas ocorridas em 2006, mas também pelo fato de ela ter melhorado sua avaliação no QUALIS CAPES. Tudo isso contribuiu para o aumento de seu impacto junto à comunidade acadêmica nacional e internacional das áreas de História, Letras e Artes.

Como comprovação dessa melhora merece destaque o aumento considerável da remessa de artigos, a predominância da colaboração de doutores e o recebimento de artigos internacionais. Outro indicador importante para a avaliação das atividades desenvolvidas nesses últimos anos diz respeito ao número de visitas ao site www.revistafenix.pro.br, isto é, até o momento, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais recebeu cerca de UM MILHÃO E QUINHENTAS MIL (1.500.000) CONSULTAS, assim divididas: 70% dos acessos originam-se do Brasil, e os 30% restantes são internacionais (Portugal, EUA, México, França, Itália, Espanha, Alemanha, Suécia, Inglaterra, entre outros).

Para melhorar ainda mais, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais, desde o início de 2010, por decisão de seus editores, passou a lançar seus números de quatro em quatro meses. Essa mudança, longe de apontar para um estreitamento do espaço utilizado para a divulgação de artigos e resenhas, tem permitido a otimização dos recursos humanos e materiais disponíveis para o cumprimento de todas as etapas de trabalho envolvidas na edição de uma revista científica.

Nunca é demais lembrar: tudo o que foi feito, desde o mês de dezembro de 2004, em prol da melhoria, expansão e diversificação deste periódico científico, deveu-se ao envolvimento da Secretaria Executiva, dos Conselhos Editorial e Consultivo, bem como de nosso Webmaster. O desprendimento e a coragem dos diretamente envolvidos nessa empreitada foram de grande importância para o bom encaminhamento dos trabalhos, mantendo a qualidade editorial e publicando artigos de excelência.

Acima de tudo, queremos expressar nossos mais sinceros agradecimentos a todos aqueles que, acessando o site ou enviando seus artigos, contribuem para que a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais seja tão bem recebida. Devemos aqui registrar uma especial menção aos nossos leitores e colaboradores: sem eles, nada disso teria sido possível.

Mais um bom exemplo dessa afirmação pode ser verificado neste número, que ora vem a público. Para nós é uma honra poder publicar na SEÇÃO LIVRE os excelentes artigos de Agenor Sarraf Pacheco (UFPA), Ana Cristina Pereira Lage (UniBH), Elizangela Barbosa Cardoso (UFPI), Fernanda Verdasca Botton (UniABC), Flavio Botton (UniABC), Isaías Pascoal (IFSULDEMINAS), Luis Vitor Castro Júnior (UEFS),  Paulo Roberto Monteiro de Araujo (MACKENZIE) e Paulo Rodrigo Andrade Haiduke (UFPR). Além disso, muito nos honra o fato de que este número oferece aos leitores o DOSSIÊ intitulado HISTÓRIA E SAÚDE, cuja organização, competente, ficou sob a responsabilidade de Iranilson Buriti de Oliveira. Nele, o leitor poderá encontrar artigos de Azemar Dos Santos Soares Júnior (Unb), Christiane Maria Cruz de Souza (IFBA), Iranilson Buriti de Oliveira (UFCG) e Flávio André Alves de Britto (UFCG), Keila Queiroz e Silva (UFCG), Serioja Rodrigues Cordeiro Mariano (UFPB) e Nayana R. C. Mariano (UFPB).

Como se isso não bastasse, a seção reservada às Resenhas presenteia o leitor com três (03) avaliações críticas que merecem ser vistas mais de perto, cujos autores são: Julierme Morais, Leilane Aparecida Oliveira e Rodrigo de Freitas Costa.

Mais uma vez, agradecemos pelos artigos enviados e, antecipadamente, pelo apoio na divulgação deste periódico.

Boa leitura a todos!

Alcides Freire Ramos, Rosangela Patriota e Rodrigo de Freitas Costa
Editores da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais

  • Agenor Sarraf Pacheco

RESUMO: Sob a regência e orientação teórica dos Estudos Culturais Britânicos, Latino-Americanos e do Pensamento Pós-Colonial, operando, especialmente, com as categorias de análise mediações, traduções, lutas culturais, identidades e saberes locais, a comunicação propõe-se a desvelar o processo de construção de uma das faces das identidades amazônicas, só muito recentemente visibilizada pelas novas pesquisas históricas: as identidades afroindígenas. Inicialmente apresentamos as ferramentas analíticas à luz dos argumentos que sustentam nossa perspectiva de leitura da realidade social regional. Em seguida revisitamos trajetórias de confecção da tese de Doutorado em História Social na PUC-SP, defendida em junho de 2009, momento em que questionamos concepções identitárias sociais cunhadas sobre populações marajoaras, cujas adjetivações empregadas silenciavam as matrizes étnico-raciais que as constituíram. Nesse empreendimento, acompanhamos trânsitos, tensões e trocas culturais experienciadas por índios, negros, colonos e colonizadores, dando especial atenção para tramas forjadas por nativos e diaspóricos em circuitos de campos e florestas marajoaras, em tempos coloniais e no rasgar da era contemporânea. A perspectiva é visibilizar, nas astúcias e “rastros/resíduos” da memória de grupos remanescentes de tradições orais, impressas em fontes escritas, orais e visuais, consistentes intercâmbios que forjaram identidades, culturas e saberes afroindígenas em “zonas de contato” da Amazônia Marajoara.

PALAVRAS-CHAVE: Amazônia Marajoara – Identidades Afroindígenas – Saberes Locais

  • Artur Cesar Isaia

RESUMO: Este artigo persegue a obra de alguns intelectuais da umbanda durante as décadas de 1930 e 1940, sobretudo atendo-se à sua relação com o Estado Novo. Durante este período os intelectuais umbandistas procurarão no estado o seu interlocutor por excelência, tentando afirmar a identidade da nova religião como totalmente acorde com a representação da nação e do estado propalada pelo regime. Assim toma corpo um discurso conciliador e harmônico do Brasil e da umbanda, aproximando-se da visão miscigenada e triádica propalada pelo estado.

PALAVRAS-CHAVE: Umbanda – Religiões Mediúnicas – Intelectuais – Estado Novo

  • Ana Cristina Pereira Lage

RESUMO: Este artigo pretende trabalhar com a correspondência trocada entre a primeira superiora das Filhas de Caridade de São Vicente de Paulo de Mariana (MG) e a sede da congregação em Paris. Por meio desta correspondência é possível perceber o caminho trilhado pelas doze irmãs desde Paris até o local do destino. As impressões ao longo da viagem demonstram as diferenças culturais entre as vicentinas e as pessoas dos locais por onde passavam. Embora tivessem a orientação de manutenção da cultura organizacional para o bem desempenho da obra, tiveram que sofrer algumas adaptações para serem aceitas em Minas Gerais. Exemplifica-se a adaptação por meio do ensino do piano e a aceitação quando já não eram mais atormentadas pelos bichos de pé. Verifica-se como o fortalecimento das Irmãs Vicentinas esteve ligado à adaptação cultural de seus princípios aos desejos das famílias mineiras na segunda metade do século XIX.

PALAVRAS-CHAVE: Filhas de Caridade – Correspondência – Cultura Organizacional

  • Elizangela Barbosa Cardoso

RESUMO: Através do estudo da escrita de Higino Cunha, Clodoaldo Freitas e Corinto Andrade, o artigo aborda a avaliação destes bacharéis e intelectuais acerca do feminismo, entre o final do século XIX e o início do século XX, bem como as diferentes posições assumidas em relação às demandas feministas. Mostra que a elaboração de uma escrita que visava interferir no social, mediante a veiculação de ideais de feminilidade e de relações de gênero, foi uma das reações ao feminismo. Identifica o medo e o ódio despertados pelas reivindicações feministas e também a identificação masculina com o movimento. Argumenta que as diferentes reações masculinas ao feminismo expressam diferentes formas de experienciar a masculinidade no período em estudo.

PALAVRAS-CHAVE: Feminismo – Papéis femininos – Masculinidade

  • Fernanda Verdasca Botton

RESUMO: O presente artigo tem como objetivo analisar a musicalidade e o drama que compunham o melodrama em sua concepção primeira. Para tanto, estudaremos as obras que originaram o gênero em questão: Dafne (de Jacopo Peri e Ottavio Rinuccini), Pygmalion (Horace Coignet e Jean-Jacques Rousseau) e Coelina, ou l’enfant du Mystère (René-Charles Guilbert de Pixérécourt).

PALAVRAS-CHAVE: Melodrama – Música – Teatro

  • Flavio Botton

RESUMO: O que esse trabalho pretende é mostrar os elementos da arte barroca por meio da análise dos quadros de Rembrandt que fazem uso das temáticas bíblicas.

PALAVRAS-CHAVE: Rembrandt – Arte Barroca – Arte e História

  • Isaías Pascoal

RESUMO: Este artigo pretende analisar o processo de esclerose do escravismo no Brasil a partir das transformações verificadas no Direito e na atuação da magistratura na segunda metade do século XIX. Assume que o Direito é uma instância condicionada pelas relações sociais. A sua evolução revela as tendências e as contradições sociais inerentes à lenta débâcle do escravismo no Brasil.

PALAVRAS-CHAVE: Direito – Escravidão – Mudança

  • Luis Vitor Castro Júnior

RESUMO: O desafio deste texto consiste em compreender as artimanhas do corpo na roda de capoeira como potência artística, a partir da falas de velhos mestres, bem como analisar os discursos utilizados por Catunda e Sodré sobre a capoeira como arte. Nesta caminhada, enveredamos na história oral como dispositivo de investigação capaz de produzir ressonâncias orais. Nos discursos elaborados pelos escritores percebe-se a tentativa de justificar a capoeira como arte usando outras linguagens artísticas, bem como a inédita ideia de Muniz Sodré em considerar a arte mandingueira do corpo que é capaz de criar, de improvisar e de re-significar as multiplicidades gestuais, já nas falas encarnadas dos mestres residem a experiência da ‘arte do fazer’ que através da roda, eles criam novos territórios estéticos e éticos, no qual o ritual da roda de capoeira aglutina em si as diversas formas de linguagem artísticas.

PALAVRAS-CHAVE: Capoeira – Arte – Saber – Corpo

  • Paulo Roberto Monteiro de Araujo

RESUMO: O artigo analisa a questão multicultural no filme “Beleza Americana” como filme de resistência política no ambiente de produção cinematográfica hollywoodiana. Deste modo, a preocupação do presente texto é verificar como as forças sociais agem na contemporânea sociedade norte-americana.

PALAVRAS-CHAVE: Cinema – Política – Multiculturalismo – Resistência – Contemporâneo

  • Paulo Rodrigo Andrade Haiduke

RESUMO: Este artigo é parte de uma dissertação de mestrado que têm por objeto o romance A la Recherche du Temps Perdu de Marcel Proust (1871-1922) e que prioriza a discussão do uso da literatura nos estudos históricos. O objetivo é localizar historicamente o gênero literário romance, ou seja, buscar sua contextualização histórica. Embora o foco aqui não seja analisar exaustivamente o referido romance proustiano, há algumas citações e referências a esta obra. Pois o presente texto surgiu da necessidade de compreender em que espaço, já constituído historicamente, o escritor Marcel Proust conseguiu lançar e firmar seu projeto criador, sua Recherche. Portanto este artigo é resultado da problematização de uma modalidade de fonte histórica (um romance do início do século XX), a qual exigiu um recuo temporal para compreender as especificidades históricas do gênero romance.

PALAVRAS-CHAVE: Romance – Literatura Francesa – Modernidade

DOSSIÊ HISTÓRIA E SAÚDE

  • Azemar dos Santos Soares Júnior

RESUMO: Este artigo tem por objetivo analisar a educação física divulgada por médicos e professores como mola propulsora para assegurar a saúde e o bem viver na Paraíba. São profissionais que viam no discurso científico e na modelação corporal, a “melhor” forma de possuir um corpo belo e saudável. Discursos que eram publicados nos jornais da Paraíba e que eram utilizados como instrumentos pedagógicos que visava educar através da educação física do corpo como higiene da alma. Textos que se inserem no projeto de medicalização dos costumes, dos espaços e dos corpos, que normatizam a partir da infância e contribuem para a formação de uma história da saúde e das doenças. Problematizo notícias do jornal A União, correspondências e artigos publicados no início do século XX por médicos sanitaristas e educadores que foram imprescindíveis para a construção dessa história do corpo que se exercita, que se embeleza, se higieniza, dessa História Cultural.

PALAVRAS-CHAVE: Educação física – Corpo – Saúde

  • Christiane Maria Cruz de Souza
  • Gilberto Hochman

RESUMO: Esse artigo analisa a resposta da população de Salvador à epidemia varíola que incidiu com violência sobre a cidade no segundo semestre de 1919. Os mecanismos de cognição e defesa adotados pelos soteropolitanos no decorrer da epidemia serão pontos desenvolvidos nesse texto. Focaliza os ritos coletivos e individuais informados tanto por concepções científicas quanto religiosas, que abrangeram desde medidas sanitárias, como o isolamento dos casos suspeitos, o expurgo da casa e dos objetos do enfermo, etc., até rituais religiosos como reuniões de oração, procissões, dentre outros. A análise desses ritos permite a percepção dos valores socioculturais daquela sociedade, revelados sob o impacto da epidemia.

PALAVRAS-CHAVE: Epidemias – Varíola – Religião – Medicina – Bahia

  • Iranilson Buriti de Oliveira
  • Flávio André Alves Britto

RESUMO: Este artigo faz uma leitura da cidade de Campina Grande ante à ameaça da peste bubônica de 1912. Nesse período, a cidade vivencia um dos mais dramáticos episódios daquele fatídico ano: a chegada da peste bubônica e o surto de doentes que cada dia aumentava mais. Preocupados com tal episódio, uma série de políticos e intelectuais unem-se para “salvar” a cidade e os seus habitantes, utilizando a imprensa como um veículo educativo para fazer circular as idéias sobre prevenção, tratamento e higienização. O Jornal A Imprensa ganha estatuto de um “manual” educativo, no qual o médico responsável pela Diretoria de Higiene, Dr. Teixeira de Vasconcelos, veicula suas narrativas sobre a peste bubônica. Desta forma, um dos objetivos desta narrativa é mostrar a imprensa como um espaço de educação de corpos e mentes e o médico como um educador de sentidos, de posturas, de maneiras corretas para se livrar da peste e da morte.

PALAVRAS-CHAVE: Peste Bubônica – Campina Grande – Saúde

  • Keila Queiroz e Silva

RESUMO: Inspirada pela microhistória, bem como pela microsociologia, procurei dar visibilidade aos corpos cuidados e cuidadores dos porões da domesticidade na cena urbana. Recorri aos conceitos de estabelecidos e outsiders utilizados por Elias (2001) para analisar os papéis sociais e as relações intergeracionais entre os idosos, as crianças, os jovens e os adultos no cotidiano doméstico de famílias paraibanas. Neste cenário, os estabelecidos são os jovens hedonistas e os adultos produtivos que colam as suas identidades ao paradigma do trabalho, os outsiders são os que não têm vida pública, são os corpos que pulsam tempo lento e sentimento de domesticidade. O desprestígio dos corpos que precisam de cuidados tem se intensificado, bem como a sua solidão, esse abismo sígnico entre visíveis e invisíveis tem arruinado as vidas citadinas contemporâneas.

PALAVRAS-CHAVE: – Estabelecidos – Outsiders – Territórios citadinos – Famílias natimortas

O MEDO ANUNCIADO: A FEBRE AMARELA E O CÓLERA NA PROVÍNCIA DA PARAÍBA (1850-1860)

  • Serioja Rodrigues Cordeiro Mariano
  • Nayana R. C. Mariano

RESUMO: O artigo tem por objetivo discutir as epidemias de febre amarela e do cólera que assolaram a província da Paraíba, entre as décadas de 1850 a 1860, bem como o saber médico, impulsionado em prol de uma “missão higienista”, que passou a organizar propostas de intervenção e conformação da sociedade. Nesse período a Paraíba, assim como outras províncias do Brasil, vivenciava o medo dos hóspedes indesejáveis, que eram representados pela febre amarela e o cólera. Constatamos, a partir dos relatórios dos Presidentes de Província, dos códigos de postura e de alguns periódicos, como os projetos de intervenção social revelam práticas autoritárias, que negavam a liberdade individual a partir de um discurso construído pela medicina da época que objetivava legitimação, e essa aproximação com o poder público, visava institucionalização.

PALAVRAS-CHAVE: Doenças – Saber médico – Higiene – Paraíba Imperial