Vol. 16 Ano XVI nº 1 - Janeiro - Junho de 2019

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MAIS DE QUATRO MILHÕES E QUINHENTOS MIL (4.500.000) LEITORES!

É com imensa satisfação que lançamos mais um número da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais (Volume 16, Ano XVI, Número 1 – Janeiro / Junho – 2019).

Nesse momento, temos novamente que expressar os nossos sinceros agradecimentos e a nossa gratidão a todos(as) que se envolveram, com desprendimento e coragem, na efetividade desta revista. Muito do que foi feito, desde o mês de dezembro de 2004, em prol da melhoria, expansão e diversificação deste periódico científico, deveu-se ao envolvimento da Secretaria Executiva, dos Conselhos Editorial e Consultivo, bem como de nosso Webmaster. Ao lado disso, devemos, com muita alegria, agradecer a todos aqueles que enviaram seus artigos, pois, fazendo isso, contribuíram para que Fênix – Revista de História e Estudos Culturais pudesse se consolidar, ao longo dos últimos quatorze (14) anos. Por fim, é fundamental registrar uma especial manifestação de agradecimento aos(às) nossos(as) leitores(as): sem eles(as), nada disso teria sido possível. Foi graças ao interesse e ao apoio deles(as) que esse projeto editorial obteve acolhida tão positiva.

O site www.revistafenix.pro.br entrou no ar em dezembro de 2004 com o objetivo de trazer ao público leitor uma publicação que se caracterizasse pela agilidade, universalidade e gratuidade. Essa preocupação, porém, não encerrava as expectativas depositadas na sua criação. Pelo contrário, o grande propósito era tornar acessível uma publicação capaz de incentivar a interlocução acadêmica e a ampla divulgação de pesquisas instigantes e de alto nível, procurando traduzir a dinâmica e a diversidade dos diálogos interdisciplinares da pesquisa histórica e dos Estudo Culturais.

Os resultados positivos obtidos com esse projeto, considerando também a atual edição, materializam-se na publicação de CENTO E SEIS (106) RESENHAS SEISCENTOS E VINTE E UM (621) ARTIGOS, oriundos de diferentes estados: Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Pernambuco, Piauí, Paraíba, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Distrito Federal.

AdemaisFênix – Revista de História e Estudos Culturais acolheu VINTE E TRÊS (23) DOSSIÊS, a saber: Chico Buarque & Vianinha: arte e política no Brasil Contemporâneo (organizado pela Editoria), História Oral (organização de Paulo Roberto de Almeida), Homenagem a Jorge Andrade – 50 anos d’A Moratória: Encruzilhadas da Literatura e da História (organização de Diógenes Maciel), Cinema-História (organização de Sheila Schvarzman), Teoria da História (organização de Pedro Spinola Pereira Caldas), História e Visualidades (organização de Alcides Freire Ramos), Teorias do Espetáculo e da Recepção (organização de Robson Camargo), Mundo Romano (organização de Ana Teresa Marques Gonçalves), Estudos Literários (organizado pela Editoria), História da Ciência (organização de Antonio Augusto Passos Videira), História Cultural & Multidisciplinaridade (organizado por Sandra Pesavento, Mônica Pimenta Velloso e Antonio Herculano) Sandra Jatahy Pesavento: a Historiadora e suas Interlocuções (organizado por Nádia Maria Weber Santos, Maria Luiza Martini e Miriam de Souza Rossini), Jogos Teatrais no Brasil: 30 Anos (organizado por Ingrid Dormien Koudela e Robson Corrêa de Camargo), O Tapete Voador – Teorias do Espetáculo e da Recepção (organizado por Marcus Mota e Robson Corrêa de Camargo), Tempo e História (organizado por André Fabiano Voigt), Histórias Visuais: Experiências de Pesquisa entre História e Arte (organizado por Maria Elizia Borges e Heloisa Selma Fernandes Capel), História e Saúde (organizado por Iranilson Buriti de Oliveira), Encontros entre Brasil e Itália: Intercâmbios Acadêmicos [organizado por Rodrigo de Freitas Costa e Fulvia Zega (Università degli Studi di Genova)], História e Literatura abordagens e diálogos (organizado por Euclides Antunes de Medeiros e Olivia Macedo Miranda Cormineiro), Dossiê Cartas (Organizado por Francisco Alcides do Nascimento e Frederico Osanam Amorim Lima), Escola sem Partido e formação humana (organizado por Nivaldo Alexandre de Freitas e Merilin Baldan), História e Humor (organizado por João Pedro Rosa Ferreira, Leandro Antônio de Almeida e Thaís Leão Vieira) e, neste número, História, Literatura e Religião ( organizado por Artur Cesar Isaia).

Vale salientar que, ao longo desse período, Fênix – Revista de História e Estudos Culturais deu passos decisivos para o seu amadurecimento e aceitação no meio acadêmico. Como comprovação disso, merece destaque: o aumento considerável da remessa de artigos, a predominância da colaboração de doutores e o recebimento de artigos internacionais. Acrescente-se como indicador importante para a avaliação das atividades desenvolvidas, nesses últimos anos, o número de visitas ao site www.revistafenix.pro.br e de Downloads dos arquivos. Em outros termos: até o momento, Fênix – Revista de História e Estudos Culturais recebeu a prestigiosa atenção de MAIS DE QUATRO MILHÕES E QUINHETOS MIL (4.500.000) LEITORES, assim distribuídos: 70% dos acessos originam-se do Brasil, e os 30% restantes são internacionais (Portugal, EUA, México, França, Itália, Espanha, Alemanha, Suécia, Inglaterra, entre outros).Para melhorar ainda mais, a Fênix – Revista de História e Estudos Culturais, desde o início de 2013, por decisão de seus editores, passou a lançar seus números de seis em seis meses. Essa mudança, longe de apontar para um estreitamento do espaço utilizado para a divulgação de artigos e resenhas, tem permitido a otimização dos recursos humanos e materiais disponíveis para o cumprimento de todas as  etapas de trabalho envolvidas na edição de uma revista científica.

Frente a isso, é motivo de muita alegria poder publicar neste número SEIS (06) excelentes ARTIGOS na SEÇÃO LIVRE, cujos autores(as) são: Nelson Tomelin Jr. e Maria do Rosário da Cunha Peixoto, Felipe Araujo Xavier, Edésio de Lara Melo, Juracy Assmann Saraiva e Cátia Silene Kupssinskü, Rodrigo Freitas Costa e Gustavo Lopes de Souza.

Neste número, com muito entusiasmo, publicamos o DOSSIÊ HISTÓRIA, LITERATURA E RELIGIÃO, cuja organização foi feita pelos Professor Artur Cesar Isaia. Os interessados nesse assunto poderão conferir as reflexões de Ronaldo Vainfas e Mário Branco, José Eduardo Franco e Vanda Figueiredo, Lígia Bellini, Maria Bernardete Ramos Flores, Artur Cesar Isaia, Edgard Leite Ferreira Neto, Edilece Souza Couto, Rosângela Wosiack Zulian, Renata Siuda-Ambroziak, Solange Ramos de Andrade e Rafaela Arienti Barbieri e Cleusa Maria Gomes Graebin.

Como se isso não bastasse, a seção reservada às RESENHAS presenteia o leitor com DUAS (02) textos instigantes. De fato, merecem ser vistas, mais de perto, as avaliações críticas de Rodrigo Francisco Dias e Samuel Nogueira Mazza.

Mais uma vez, agradecemos pelas resenhas e artigos enviados e, antecipadamente, pelo apoio na divulgação deste periódico.

Boa leitura a todos!

Alcides Freire Ramos, Rosangela Patriota e Rodrigo de Freitas Costa 
Editores da Fênix – Revista de História e Estudos Culturais

RESUMO: Este artigo se propõe apreender dimensões de conflito na formação da propriedade e dos latifúndios na Amazônia a partir de práticas de derrubada da floresta e constituição de relações precárias de trabalho na região durante a ditadura civil-militar de 1964. As análises aqui desenvolvidas partem de conjunto documental da Justiça Trabalhista do estado do Amazonas, com foco para autos judiciais produzidos nas décadas de 1970 e 1980 pela Junta de Conciliação e Julgamento do município de Itacoatiara. Buscamos a partir desses processos trabalhistas surpreender articulações sociais amplas entre a imposição de práticas degradantes de trabalho e a destruição da natureza, em campo institucional marcado pela disputa e resistência de trabalhadores e trabalhadoras.

PALAVRAS-CHAVE: Amazônia, latifúndio – processos trabalhistas – ditadura civil-militar de 1964

RESUMO: Este artigo tem como objetivo apresentar as reflexões histórico-políticas de Delio Cantimori voltadas para a relação entre o Estado Italiano e a formação ético-moral do povo. Levando em consideração as mudanças ideológicas do intelectual italiano, primeiramente, busco apresentar sua interpretação do projeto de sociedade fascista como a verdadeira revolução civil italiana, para depois explorar a inflexão política, na qual Cantimori se distanciou do pensamento Idealista Atualista e do Partido Nacional Fascista e depositou sua crença política no projeto ético-político comunista no contexto em que se interessava pelo estudo dos reformadores políticos radicais, utopistas e jacobinos italianos que atuaram na fase inicial do Risorgimento.

PALAVRAS-CHAVE: Delio Cantimori – Risorgimento – Fascismo – Utopistas – Jacobinos italianos

RESUMO: Este artigo aborda a historicidade da peça denominada Marcha da Paixão. Esta marcha fúnebre, de banda, própria para acompanhamento de enterros e procissões, produzida na segunda metade século XIX é, ainda hoje, executada por ocasião da cerimônia do Descendimento da Cruz, no período da Semana Santa em São João del-Rei. Objetiva-se reconstituir os elementos que viabilizaram a produção desta peça musical, bem como sua reapropriação contínua pela memória musical-religiosa até a atualidade.

PALAVRAS-CHAVE: Marcha fúnebre – banda de música – memória – São João del-Rei

RESUMO: Este artigo analisa aspectos culturais do Brasil no século XIX, expressas na tela Cena de família de Adolfo Augusto Pinto, assinada por José Ferraz de Almeida Júnior, artista brasileiro que produziu obras consideradas marcos para a história das artes plásticas. O estudo, embasado em pesquisa bibliográfica, se ampara no pressuposto de que produções imagéticas, feitas pelo homem desde o período da pré-história até a contemporaneidade, se configuram como instrumentos de comunicação e de representação do mundo. Portanto, por meio da análise indutiva da obra pictórica mencionada e dos signos nela expressos, é possível destacar aspectos socioculturais do período na qual foi produzida. 

PALAVRAS-CHAVE: Cultura – Imagem – José Ferraz de Almeida Júnior

RESUMO: Este artigo visa discutir o documentário “Pro dia nascer feliz”, dirigido por João Jardim e lançado em 2007, sob a perspectiva da constituição da educação brasileira contemporânea. Muito se discute sobre o papel da educação pública e de qualidade entre nós brasileiros, seja no campo acadêmico, ou das artes, como o cinema. Porém, quando se pretende levantar questões a respeito do tema muitas vezes se deixa de lado os aspectos históricos desse debate. Neste texto, aliamos História, Cinema e produção de conhecimentos com o objetivo de historicizar o debate sobre o papel da educação pública, universal e laica.

PALAVRAS-CHAVE: História – Cinema – Constituição Histórica da Educação Pública

RESUMO: Este artigo discute a presença, na história em quadrinhos (HQ) Camelot 3000 (1983-85) de temas oriundos da literatura medieval, particularmente do romance de cavalaria Le Morte d’Arthur, de Thomas Malory, que a HQ em parte continua e em parte adapta. Busca-se demonstrar como as escolhas envolvidas nessa adaptação servem a um discurso duplamente alicerçado: de um lado, forças diabólicas oriundas do medievo se amalgamam aos problemas de um apocalíptico ano 3000, como campos de concentração e uso abusivo da ciência, de modo a constituírem um bloco maléfico claramente discernível; contrapõem-se a este, de outro lado, aspectos heróicos e miraculosos da Idade Média. Discute-se, então, como o discurso daí produzido apresenta, nostalgicamente, o retorno à Idade Média como solução para os males do presente, do qual o futuro distante da HQ não é mais que um espelho.

PALAVRAS-CHAVE: Idade Média – Histórias em quadrinhos – Thomas Malory – Camelot 3000

RESUMO: O artigo examina o papel da correspondência na logística da Companhia de Jesus, com ênfase nas cartas emergenciais relacionadas à conquista holandesa no Brasil, no século XVII, muitas vezes redigidas por padres aprisionados ou exilados pelos holandeses. Os autores defendem que, neste gênero epistolar, prevalece o tom de resistência contra o avanço dos “hereges calvinistas” em terra católica, bem como de alerta contra inacianos dissidentes. Neste sentido, destacam-se as cartas do padre Francisco Ferreira sobre o inimigo calvinista e as que monitoravam o padre dissidente Manoel de Moraes. O artigo sublinha, enfim, a inserção desta correspondência, entre o que se poderia chamar de serviço de inteligência militar da Companhia de Jesus.

PALAVRAS-CHAVE: Jesuítas – Brasil holandês – Correspondência inaciana – Inteligência militar jesuítica

RESUMO: Considerando a literatura do ponto de vista da receção e da recriação de personagens históricas, analisaremos a presença da figura do padre António Vieira na ficção literária do Brasil. Para isso, debruçar-nos-emos sobre as obras “Mariana Pinta”, de Firmino Rodrigues da Silva, Manuel de Moraes – Crónica do Século XVII, de João Manuel Pereira da Silva, e Boca do Inferno, de Ana Miranda, com o propósito de mostrarmos de que modo António Vieira é (re)construído, a partir de dados e elementos biográficos, como personagem ficcional.

PALAVRAS-CHAVE: Personagens históricas – recriação – Padre António Vieira – ficção literária brasileira

RESUMO: Este artigo examina o livro Soledades de Buçaco (1634), de Bernarda Ferreira de Lacerda, um conjunto de narrativas em verso a propósito do convento carmelita masculino de Santa Cruz do Buçaco, buscando compreender as formas como essa autora portuguesa se apropria de aspectos da religiosidade e de ideias filosóficas do mundo ibérico moderno. A obra é também analisada em relação a um quadro das práticas da escrita dos séculos XVI e XVII, em especial a escrita de mulheres, e de seus contextos institucionais e sociais. O artigo sugere, ainda que brevemente, os desígnios e vinculações por trás da elaboração e publicação do livro, e os modos pelos quais ele promove o culto e o poder da ordem do Carmelo.

PALAVRAS-CHAVE: Espiritualidade – Práticas da escrita – Mundo ibérico moderno – Carmelitas – Bernarda Ferreira de Lacerda

RESUMO: O assunto desse artigo aborda o uso da imagem de Jesus Cristo, em diferentes aspectos. Para o integralista Plínio Salgado, sob o lema “Deus, Pátria, Família”, Jesus em seu resplendor divino provê o Homem Integral. Para o Anarquismo libertário de Han Ryner, Jesus foi um homem que levara uma vida livre e errante, longe de todo vínculo social. Dá-se ênfase sobre ressalvas e/ou adesões à cristologia nietzschiana, extra-moral e avessa a todas as coerções do cristianismo. O debate fica entre a defesa do indivíduo contra o Estado, por um lado, e de outro, a submissão das forças vitais do indivíduo em prol do Estado Integral. A principal fonte trabalhada são ensaios sobre a vida de Jesus.

PALAVRAS-CHAVE: Anarquismo – Integralismo – cristianismo – Jesus Cristo – Anticristo

RESUMO: Nos anos 1940 surge a obra “Os mistérios da Magia”, da autoria de Lourenço Braga. O autor dedicou-se a escrever obras de viés doutrinário sobre a Umbanda, fazendo parte da geração dos chamados intelectuais da nova religião. Faz parte, portanto, de uma geração dedicada a tornar a Umbanda conhecida e a propor um esforço identitário, capaz de peculiarizá-la frente a um amplo prisma de realidades cultuais aparentadas ou assumidamente ligadas ao passado africano. Neste sentido, Lourenço Braga habita um espaço interdiscursivo no qual as homologias com o Espiritismo e com a própria religião dominante aparecem como recursos narrativos, apontando para o distanciamento com os valores africanos. Ao contrário de suas obras de conteúdo explicitamente doutrinário, “Os mistérios da Magia” trata-se de um romance. Assim, a construção da narrativa e dos personagens, bem como os valores que veicula, apontam para a condição documental da obra, capaz de ser interrogada pelo trabalho historiográfico na busca de representações de uma realidade datada. No caso específico aqui enfocado, a obra de Lourenço Braga remete a valores, a projetos de identidade religiosa, a simplificações imaginárias extremamente importantes para o esforço compreensivo do trabalho dos primeiros intelectuais da Umbanda.

PALAVRAS-CHAVE: Umbanda – Magia – Espiritismo

RESUMO: Espírito de Deus é identificado em diversos momentos centrais da literatura bíblica hebraica. Propicia a distinção do povo de Israel, do judeu e do profeta, dos outros povos e pessoas, e, portanto, é um elemento separador. A literatura profética assinala, no entanto, um futuro de redenção, no qual todos serão tocados por esse mesmo Espírito. O Espírito, de forma paradoxal, separa mas também permite transcender a separação. Na literatura posterior à Bíblia hebraica fica claro o poder do Espírito em perdoar, e portanto reunir, os pecadores aos justos. Nos textos rabínicos, o estágio superior na vivência do Espírito está relacionado “ao mundo que virá”, ou ao retorno de Elias, o advento do Messias e a ressurreição dos mortos. Isto é, a plenitude do Espírito. Onde se instalará a Paz, o Bem e a Salvação, numa dimensão universal.

PALAVRAS-CHAVE: Judaísmo rabínico – Espírito Santo – Profecia

RESUMO: A imagem de Santa Bárbara, a do trovão, embarca no saveiro em Santo Amaro da Purificação, recôncavo da Baía de Todos os Santos, em direção a Salvador para ser a peça principal de uma exposição de arte religiosa. Na rampa do mercado, a santa sai do andor e transforma-se em Yansã. O orixá veio à Bahia para fazer justiça e, para encontrar seus filhos, manifesta-se em festas e terreiros de candomblé. Esse é o enredo do livro O sumiço da santa, publicado por Jorge Amado em 1988. Este artigo tem como objetivo analisar, por meio da literatura, as crenças afro-brasileiras e católicas ligadas aos cultos da santa e do orixá na cidade do Salvador. 

PALAVRAS-CHAVE: Santa Bárbara – Yansã – O sumiço da santa – Jorge Amado – Bahia

RESUMO: A imagem de Santa Bárbara, a do trovão, embarca no saveiro em Santo Amaro da Purificação, recôncavo da Baía de Todos os Santos, em direção a Salvador para ser a peça principal de uma exposição de arte religiosa. Na rampa do mercado, a santa sai do andor e transforma-se em Yansã. O orixá veio à Bahia para fazer justiça e, para encontrar seus filhos, manifesta-se em festas e terreiros de candomblé. Esse é o enredo do livro O sumiço da santa, publicado por Jorge Amado em 1988. Este artigo tem como objetivo analisar, por meio da literatura, as crenças afro-brasileiras e católicas ligadas aos cultos da santa e do orixá na cidade do Salvador. 

PALAVRAS-CHAVE: Santa Bárbara – Yansã – O sumiço da santa – Jorge Amado – Bahia

RESUMO: No artigo a autora pretende demonstrar, aproveitando como exemplos fragmentos dos folhetos de literatura de cordel nordestina, que, apesar do Diabo/Demônio/Satanás ser na tradição judaico-cristã uma criatura racional, incorpórea, que tem por objetivo a maldade, ele aparece muitas vezes na literatura de cordel como um personagem amistoso, compreensível frente às falhas humanas, às vezes até tentando prevenir os homens de errar e acabar no inferno superpovoado. Os poetas populares da literatura de cordel sabem apresentar o Diabo de uma perspectiva contrária à fé cristã e à doutrina católica, quase como amigo dos homens, companheiro em dificuldades e desgraças deste mundo. Ao mesmo tempo, fazê-lo sem perder qualidades demoníacas de assombrar e assim, provocar conversões, cumprindo desta maneira nas narrativas populares em verso uma função importantíssima: a de socialização no quadro normativo cristão do sistema de crenças tradicionais inerentes à religiosidade popular do Nordeste. A sui generis “subcultura” regional forte do catolicismo brasileiro, vigente ainda hoje nas camadas populares.

PALAVRAS-CHAVE: Diabo – literatura de cordel – mal – bondade

RESUMO: O presente artigo objetiva analisar a narrativa literária O bebê de Rosemary, publicada em 1967 por Ira Levin nos Estados Unidos, para pensar as relações entre literatura e religião. O livro aborda a mudança do casal Rosemary e Guy Woodhouse para o Edifício Bramford em Nova York, local no qual tem contato com um grupo satanista que fez de Rosemary, a mãe do filho de Satã. Em prol da análise foram utilizadas as reflexões de Michel de Certeau (2006), Roger Chartier (2002) e DanièleHervieu-Léger (2008) para perceber contextualmente os posicionamentos religiosos expressos nas práticas e ideias dos personagens da narrativa.

PALAVRAS-CHAVE: Literatura – Religião – História

RESUMO: O artigo discute a obra “Regras do decoro e da urbanidade cristãs”, de João Batista de La Salle, fundador da congregação religiosa francesa Instituto dos Irmãos das Escolas Cristãs, apontando a sua intrínseca comunicação com a esfera do religioso, a partir de uma linguagem criadora de uma determinada forma de ser e estar no mundo e como dispositivo eficaz para a ordenação da realidade dos alunos das escolas dos Irmãos, mais conhecidos no Brasil como Irmãos Lassalistas. O texto apresenta alguns aspectos históricos sobre La Salle, contextualiza a escrita das Regras e indica obras que inspiraram seu autor, sua composição e discute a mensagem religiosa que a perpassa.

PALAVRAS-CHAVE: Regras de decoro e urbanidade – Manual de civilidade – Escolas de La Salle – França

A PRESENÇA DE ANTONIO FAGUNDES NA CENA TEATRAL BRASILEIRA

CINEASTAS E HISTORIADORES: AS RELAÇÕES ENTRE FICÇÃO E HISTÓRIA NA CINEMATOGRAFIA AMERICANA