Chamadas de Dossiês

 

Dossiê: HISTÓRIA DA SAÚDE E DAS DOENÇAS: SUJEITOS, SABERES E PRÁTICAS 

A pandemia recente de COVID-19 tem despertado o interesse da comunidade acadêmica e da sociedade em geral sobre a saúde e a doença, não somente como fenômenos relacionados à biologia, mas como acontecimentos sociais, por isso, dotados de historicidade. Nesse sentido, a historiografia pode oferecer reflexões significativas, que ampliam a compreensão sobre o comportamento de pessoas comuns, agentes sanitários e instituições de saúde frente à ameaça de doenças endêmicas e epidêmicas em diferentes contextos.

 A história da Saúde e das Doenças é um campo consolidado entre os historiadores no Brasil, com pesquisas nos programas de pós-graduação em nível de mestrado e doutorado, além de uma série de publicações de artigos, livros autorais e de coletâneas sobre a temática. Ela permite investigações em articulação com diversas categorias como gênero, raça, trabalho, assistência, ciência e se debruça sobre as formas de organização e desorganização social por meio das enfermidades.

Este dossiê tem como objetivo reunir trabalhos que discutam temáticas no campo da Historiografia da Saúde e das Doenças, a exemplo das crenças e valores dos indivíduos sobre o adoecimento, a produção de conhecimentos e circulação de saberes científicos, os desafios enfrentados pela medicina no combate às enfermidades, a construção de políticas sanitárias, a organização e atuação das instituições de assistência à saúde.

 O objetivo desta publicação é fomentar diálogos que funcionem como ferramentas para a compreensão de questões contemporâneas e que auxiliem os indivíduos a refletir sobre a sociedade em que se vive e a enfrentar os desafios que lhes são impostos cotidianamente.

Prazo para envio dos artigos: 30 de agosto de 2021 ( Os artigos devem ser enviados na nossa aba “Submissões” com o seguinte destaque: assunto “[Dossiê História da saúde e das doenças] ”)  

Organizadores: 
Azemar dos Santos Soares Júnior (UFRN)
Ricardo dos Santos Batista (UNEB/USP)

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Dossiê: A GUERRA DOS CEM ANOS: CONFLITOS, SABERES E REGULAÇÕES
 

Em 1954, Jan Frans Verbruggen argumentou em sua “Arte da guerra na Europa ocidental durante a Idade Média” que a experiência dos combatentes, a exemplo do medo da morte e da mutilação, bem como a moralidade guerreira, são elementos incontornáveis para o escrutínio analítico sobre o período. Três décadas adiante, Philippe Contamine, em sua obra magna “A guerra na Idade Média” (1980), ofereceu robustas evidências sobre como os fazeres bélicos se constituem em amplos fenômenos culturais entrelaçados com outras esferas da vida social, e por isso permitem aos historiadores estudarem toda uma série de relações entre a realidade e o ideal, entre a prática e a ética, e entre os fatos e a lei.

Em meio a trilha de interrogações sobre as atividades guerreiras nas temporalidades que balizam o medievo, o labor de pesquisadores dedicados a destrincharem tanto o universo narrativo das contendas como o de recomendações prescritivas elaborados durante a Guerra dos Cem Anos (1337 – 1453) se insere. O interesse acerca das animosidades que inflamaram as relações entre os reis da Inglaterra, França e de seus aliados na Cristandade levantou dentre os letrados do período um número comum de preocupações ao longo do período que marcou as animosidades, a exemplo da importância dada a aspectos ligados a “logística” do conflito, a evolução das táticas de combate e as inúmeras violências perpetradas contra os inermis (indivíduos desarmados) tanto nas expedições de saque como nos momentos de ocupação dos Lancaster na França. Em uma mesma medida, ganharam importância a produção e circulação de escritos voltados ao ordenamento e categorização burocráticos de informações, como cartulários, inventários e listas de arrolamento de guerreiros e de bens móveis.

Lado a lado com tais elementos, os escritos coevos testemunharam o surgimento de reflexões engendradas por religiosos e laicos preocupados com o âmbito moral das ações dos homens, transparecendo assim suas inquietações a respeito de regramentos do corpo frente às paixões experimentadas em momentos de expedições militares. Exemplos disso são admoestações lançadas contra o desgaste da potência corpórea com o sexo e o consumo excessivo de bebidas em detrimento do fazer marcial per se, e mesmo da busca por enriquecimento individual por meios considerados juridicamente ilícitos.

Ao mesmo tempo em que o bom governo das armas pontuou para a necessidade de salvação das almas frente às violências testemunhadas em uma guerra entre cristãos, as reflexões a respeito do governo de si em tempos de animosidades configuram entendimentos válidos acerca das muitas esferas possíveis de enfrentamento para além do campo de batalha, como a moralidade e a lei destacadas por Phillipe Contamine

Em razão disso, o presente dossiê configura-se como espaço para o recebimento de contribuições a debaterem não apenas acerca dos muitos conflitos e batalhas ocorridos no intervalo de mais de um século, mas, sobretudo, convidam à reflexão a respeito dos saberes e das regulações que pautaram as atividades marciais na Guerra dos Cem Anos. Ademais, é fundamental atentar-se ao fato de que, para além de pensar sobre a documentação coeva, é igualmente desejável não ignorar entendimentos posteriores sobre o conflito: nesse âmbito, por exemplo, pode-se pensar nas reinterpretações formuladas já pelos positivistas do século XIX e pelos estudos cronísticos na segunda metade do século XX; ou mesmo considerar representações realizadas pelas artes – a exemplo do cinema, literatura, música e jogos eletrônicos - que dialogam com o debate historiográfico contemporâneo.

 
Organizador: Prof. Dr. Fernando Pereira dos Santos
 
Prazo para envio dos artigos: 29 de setembro de 2021 ( Os artigos devem ser enviados na nossa aba “Submissões” na seção "dossiê")