Chamadas de Dossiês

Chamada para Dossiê: Agentes da diplomacia: trocas culturais e políticas entre os século XIII e XVIII.

A necessidade do homem negociar, comunicar-se com outros povos, nações ou territórios, seja em busca de aliança militar, alianças matrimoniais ou trocas comerciais levou já na antiguidade os governos e procurarem estabelecer relações cordiais. Na Grécia Antiga, embaixadores eram enviados com missões pontuais para estabelecerem negócios ou acordos entre as cidades-estados. Porém, é somente no final da Idade Média, que essa prática passa a ser mais usual e ganha um caráter permanente com o estabelecimento de representações diplomáticas no estrangeiro. Nesse sentido, o primeiro Estado a buscar enviar e manter representantes em outros territórios é a Igreja com a figura dos núncios apostólicos, aos quais o papa delegava o poder de lhe representar nas celebrações religiosas e nos eventos oficiais.

Com o Renascimento e a formação dos Estado Moderno a prática do envio de embaixadores e o estabelecimento de embaixadas pelos europeus tornam-se mais frequentes. Ao mesmo tempo o papel dos prelados amplifica-se com as missões permanentes e o campo da diplomacia vai se especializando, com a criação de sistemas burocráticos, rituais e cargos. Naturalmente, durante o final da Idade Média apesar dos evidentes avanços, a própria maleabilidade dos sistemas administrativos formais, os Estados, ainda limitavam uma regularidade diplomática. Assim sendo, a maioria das embaixadas eram extraordinárias e efêmeras, havia poucos diplomatas de formação. Contudo, com o adentrar do período moderno essa regularidade se ampliou, em especial na península itálica, onde a diplomacia sempre parece ter sido pioneira. Essa é sem dúvida a percepção da historiografia clássica sobre a questão, com destaque para a obra pioneira de Garrett Mattingly, bem como as percepções do historiador britânico, radicado nos Estados Unidos, Jeremy Black.

Na historiografia os estudos sobre história da diplomacia ou da diplomacia surgem atrelados aos estudos da história política, a partir das perspectivas do positivismo, ainda no século XIX. Assim, até meados do século XX os estudos são sempre ligados a história política e as relações internacionais entre as potências da época medieval e moderna. Somente depois de uma ampla renovação da História Política, após a década de 1970 que esse panorama passa a mudar, ganhando forças no início do século XXI, quando o estudo da história da diplomacia passa a ser explorado pelo viés da história social e cultural. Merece destaque a obra de René Remond – Por uma História Política.

No Brasil, Evaldo Cabral de Mello – diplomata e historiador- marca o ponto de viragem da historiografia com a publicação em 1998 da obra O Negócio do Brasil: Portugal, os Países Baixos e o Nordeste, 1641-1669. Nesse momento o diálogo acadêmico entre Portugal e Brasil também se intensifica, e os novos estudos sobre a diplomacia e a história da diplomacia surgem renovando a historiografia e propondo um novo olhar sobre diversos momentos da história medieval e moderna em Portugal e no resto da Europa.

No dossiê que apresentamos objetivamos explorar a figura dos agentes diplomáticos e sua circulação pelas diferentes partes da Europa e do mundo, tendo em vista que eram sujeitos heterogêneos em suas formações acadêmicas, quando tinham, e na posição social que ocupavam em seus reinos. Contudo, tinham em comum o envolvimento com questões culturais, fosse para divulgar o seu país ou para defender a causa relativa a missão que desenvolviam. Não obstante, muitos desses personagens faziam circular textos próprios, literários ou políticos não apenas na língua latina e francesa– a língua da diplomacia- mas também no idioma local. Sem deixar de lado as negociações políticas que se envolviam.

Nesse sentindo propomos apresentar as mais recentes produções historiográficas sobre a temática no período entre o século XIII e o Congresso de Viena em 1815 no primeiro quartel do século XIX, produzida por historiadores brasileiros e estrangeiros, pensando os debates sobre a história da diplomacia e diplomacia para além dos grandes tratados, refletindo sobre o papel dos agentes diplomáticos e as trocas culturais e políticas a partir desses sujeitos da história, por suas missões, trajetórias e ou biografias. Este dossiê receberá trabalhos de pesquisadores da área de História, Ciências Política e Relações Internacionais.

Organizadores: Prof. Dr. Luciano Cesar da Costa -Doutor em História pela Universidade Federal Fluminense, professor da rede de ensino pública e privada no Rio de Janeiro.

Prof. Dr. Rodrigo Ricupero - Doutor em História pela Universidade de São Paulo, professor do departamento de História da Universidade de São Paulo e no Programa de Pós-graduação em História Econômica-FFLCH-USP.

Prof. Dr. Thiago Groh - Doutor em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, professor do colegiado de História da Universidade Federal do Tocantins- campus Araguaína. 

 

Prazo para envio dos artigos: 30/07/2022 - Os artigos devem ser enviados na nossa aba "Submissões na seção "Dossiê".