Antônio Carlos Pacheco e Silva e a Patologização no Feminino (Brasil, Primeira Metade do Século XX)

  • Alzira Lobo de Arruda Campos Universidade Santo Amaro
  • Lucciano Franco de Lira Siqueira Universidade Santo Amaro
  • Paulo Fernando de Souza Campos Universidade Santo Amaro
Palavras-chave: História da Saúde, História das Mulheres, Compêndios Médicos, Antônio Carlos Pacheco e Silva

Resumo

O artigo analisa a patologização do feminino no compêndio Psiquiatria Clínica e Forense de Antonio Carlos Pacheco e Silva. O método analítico micro-histórico evidencia circunstâncias de vida de uma mulher exposta pela lógica médica que excluía quem não atingisse o lugar de esposa e mãe, cuja experiencia individual emerge do manual médico como caso exemplar de esquizofrenia. Os resultados indicam que a medicalização da sociedade construiu a representação do feminino desviante como negação do casamento e da maternidade.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Alzira Lobo de Arruda Campos, Universidade Santo Amaro

Livre-docente em Metodologia da História (UNESP); Doutora em História Social (USP); Professora Titular do Programa em Ciências Humanas da Universidade Santo Amaro (UNISA). Grupo de Pesquisa Ciência, Saúde, Gênero e Sentimento – CISGES/UNISA/CNPq.

Lucciano Franco de Lira Siqueira, Universidade Santo Amaro

Mestrando/Bolsista Parcial do Programa em Ciências Humanas da Universidade Santo Amaro (UNISA). Graduado em História (UNISA).  Grupo de Pesquisa Ciência, Saúde, Gênero e Sentimento – CISGES/UNISA/CNPq.

Paulo Fernando de Souza Campos , Universidade Santo Amaro

Doutor em História (UNESP) com Pós-Doutorado em História da Enfermagem (EE-USP). Professor Adjunto do Programa em Ciências Humanas da Universidade Santo Amaro (UNISA). Grupo de Pesquisa Ciência, Saúde, Gênero e Sentimento – CISGES/UNISA/CNPq.

Referências

FONTES

FREITAS, Augusto Teixeira de. Legislação do Brasil: consolidação das leis civis. Publicação autorizada pelo Governo. Terceira Edição mais aumentada. Rio de Janeiro: B.L Garnier, 1876.

LOMBROSO, C.; LASCHI, B. Le crime politique et les révolution: au droit, à l’anthropologie criminelle et à la science du gouvernement. Tradução francesa de BOUCHARD, A. Tome II, Paris: Félix Alcan Éditeur, 1892.

PACHECO E SILVA, Antônio Carlos. Psiquiatria Clínica e Forense. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1940.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BASSANEZI, Carla Beozzo. Virando as páginas, revendo as mulheres: revistas femininas e relações homem-mulher, 1945-1964. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1996.

CAMPOS, Alzira Lobo de Arruda. Casamento e família em São Paulo colonial: caminhos e descaminhos. São Paulo: Paz e Terra, 2003.

DIAS, Maria Odila Leite da Silva. Novas subjetividades na pesquisa histórica feminista: uma hermenêutica das diferenças. Revista estudos feministas, Florianópolis, v. 2, n. 2, p. 373-382, 1994. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/ref/article/view/16219. Acesso em 20 abr. 2020.

FEDERICI, Silvia. Calibã e a Bruxa: mulheres corpo e acumulação primitiva. São Paulo: Editora Elefante, 2017.

FERLA, Luís Antônio Coelho. Frios, sujos e malvados sob medida: do crime ao trabalho, a utopia médica do biodeterminismo em São Paulo (1920-1945). Tese (Doutorado em Ciências) - Universidade de São Paulo, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências, São Paulo, 2005.

FOUCAULT, Michael. A ordem do discurso: aula inaugural no Collège de France pronunciada em 2 de dezembro de 1970. 3. ed. São Paulo: Edições Loyola, 1996.

LUCA, Tania Regina de. A revista do Brasil: Um diagnóstico para a (n)ação. São Paulo: UNESP, 1999.

MARINHO, Maria Gabriela S. M. C; TARELOW, Gustavo. Psiquiatria e imigração: Antonio Carlos Pacheco e Silva, o Hospital do Juquery e o “despejo da escória”. Seletividade e Assimetrias no Tratamento Psiquiátrico de imigrantes em São Paulo (1923-1937). In: MOTA, André; MARINHO, Maria Gabriela S.M.C; SILVEIRA, Cássio (org). Saúde e História de migrantes e imigrantes: direitos, instituições e circularidades. São Paulo: CD.G Casa de Soluções e Editora, 2014. v. 5.

OSTOS, Natascha Stefania Carvalho de. A questão feminina: a importância estratégica das mulheres para a regulação da população brasileira (1930-1945). Cadernos Pagu, Campinas, n. 39, p. 313-343, 2012.

PERROT, Michelle. Os Excluídos da História: operários, mulheres e prisioneiros. São Paulo: Paz e Terra, 2010.

RAGO, Margareth. Epistemologia feminista, gênero e história: descobrindo historicamente o gênero. Santiago de Compostela: CNT- Compostela, 2012.

SCHWARCZ, L. M. Biografia como gênero e problema. História Social, Campinas, n. 24, p. 51-73, 2013.

TARELOW, Gustavo Queródia. Antonio Carlos Pacheco e Silva: psiquiatria e política em uma trajetória singular (1898-1988). Tese (Doutorado em Ciências) - Universidade de São Paulo, Faculdade de Medicina, São Paulo, 2018.

TARELOW, Gustavo Queródia; MOTA, André. Eugênia, organicismo e esquizofrenia: diagnósticos psiquiátricos sob a lente de Antonio Carlos Pacheco e Silva, nas décadas de 1920-40. Dimensões, n. 34, p. 255-279. 2015. Disponível em: http://periodicos.ufes.br/dimensoes/article/view/11118. Acesso em: 15 mai. 2020.

TODOROV, Tzvetan. A Conquista da América. A questão do outro. Trad. Beatriz Perrone Moisés. São Paulo: Martins Fontes Editora, 1991.

VALENTIM, Renata Patrícia Forain de; MARTINS, Renara Dahwache; RODRIGUES, Mariana Martelo. Ideários da educação feminina na primeira república brasileira. Cadernos Pagu, Campinas, n. 57, 2019. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/cpa/n57/1809-4449-cpa-57-e195706.pdf. Acesso em: mai.2020.

Publicado
2021-12-15
Como Citar
Lobo de Arruda Campos, A., Franco de Lira Siqueira, L., & de Souza Campos , P. F. . (2021). Antônio Carlos Pacheco e Silva e a Patologização no Feminino (Brasil, Primeira Metade do Século XX). Fênix - Revista De História E Estudos Culturais, 18(2), 339-358. https://doi.org/10.35355/revistafenix.v18i2.1086