Os jornais alternativos e a legitimidade política da juventude comunista

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DOI:

https://doi.org/10.35355/revistafenix.v22i2.1531

Palavras-chave:

Imprensa alternativa, Legitimidade política, Juventude, Comunismo

Resumo

A Era Vargas caracterizou-se pela acentuada criminalização do dissenso. Qualquer forma de contestação à ordem estabelecida era objeto de repressão por parte da Delegacia de Ordem Política e Social de São Paulo (DOPS/SP), a polícia política da época. Nesse contexto, o comunismo figurou entre as culturas políticas mais perseguidas. No seio dessa repressão, a Juventude Comunista, órgão do Partido Comunista do Brasil (PCB) voltado ao público infantojuvenil, atuou política e ideologicamente por meio de diferentes jornais alternativos. Sua estratégia consistia em legitimar as próprias ações e deslegitimar as dos adversários, ao mesmo tempo em que fortalecia a coesão identitária e doutrinária entre seus ativistas. O objetivo deste artigo é analisar as estratégias empregadas pela Juventude Comunista para promover a circularidade cultural de suas ideias nas diversas camadas da sociedade brasileira. Uma leitura desses periódicos revela a constante prática da crítica. Embora a qualidade dos textos publicados variasse consideravelmente, dada a forma de trabalho, e a carga emotiva apresentasse grande diversidade, todos eles compartilhavam a construção de seus argumentos com base em pressupostos ideológicos.

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Biografia do Autor

Márcio Santos de Santana , Universidade Estadual de Londrina - UEL

Professor Associado no Departamento de História, na área de Teoria da História e Professor Permanente do Programa de Pós-Graduação em História Social da Universidade Estadual de Londrina.(UEL). Doutor em História Econômica pela Universidade de São Paulo (USP). 

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Publicado

2026-02-08

Como Citar

SANTANA, M. S. de. (2026). Os jornais alternativos e a legitimidade política da juventude comunista. Fênix - Revista De História E Estudos Culturais, 22(2), 446–473. https://doi.org/10.35355/revistafenix.v22i2.1531