A histeria nas teses médicas brasileiras

a educação física e moral como método preventivo do histerismo

  • Fernando Marques de Mello Júnior Universidade Estadual Paulista – UNESP
Palavras-chave: Histeria, Medicina, Higiene, História do Brasil

Resumo

Doença predominantemente feminina, a histeria foi objeto de estudo de uma série de teses médicas produzidas pelos médicos das Faculdades de Medicina do Rio de Janeiro e da Bahia ao longo do século XIX e início do XX. Assim, o presente estudo visa observar como a construção da histeria esteve ligada à constituição física do sexo feminino e ao processo de urbanização e civilização do Rio de Janeiro. Além disso, o artigo visa analisar o modo como os médicos do período procuraram tratar a doença antes do seu aparecimento por meio da educação física e moral das jovens. Para tanto, serão analisadas as teses cunhadas nas faculdades de medicina do Rio de Janeiro e da Bahia entre 1838, ano da primeira tese brasileira sobre a histeria, e, 1909, quando Antonio Austregésilo publica Histeria e síndrome histeróide, trabalho que marca o início do desmembramento diagnóstico da histeria.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

REFERÊNCIAS

FONTES

ABREU, Maurillo Tito Nabuco de. Da histeria no homem. Tese apresentada à Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, 1890.

BARROS, José Joaquim Ferreira Monteiro. Considerações Gerais sobre a Mulher, e sua Diferença do Homem e sobre o Regime que deve seguir no Estado de Prenhes. Tese apresentada à Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, 1845.

CARDOZO, Cid Emiliano de Olinda. Influência da civilização sobre o desenvolvimento das afecções nervosas. Tese apresentada à Faculdade de Medicina da Bahia, 1857.

CORRÊA, Horácio. Histeria. Tese apresentada à Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, 1878.

COSTA, José Luiz da. Considerações sobre o amor. Tese apresentada à Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, 1848.

FAUSTO, João de Oliveira. Dissertação acerca da menstruação seguida de regras higiênicas relativas às mulheres menstruadas. Tese apresentada à Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, 1846.

GONSALVES, Rodrigo José. Dissertação sobre a Histeria. Tese apresentada à Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, 1846.

MACHADO, João da Matta. Dissertação física, moral e intelectual da mocidade no Rio de Janeiro e de sua influência sobre a saúde. Tese apresentada à Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, 1875.

MELLO, José Tavares de. Considerações sobre a higiene da mulher durante a puberdade e o aparecimento do fluxo catamenial. Tese apresentada à Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, 1841.

MOURA, Constantino L. da Silva. Histeria. Tese apresentada à Faculdade de Medicina da Bahia, 1862.

OLIVEIRA, Manoel Francisco de. Histeria. Tese apresentada à Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, 1878.

SANTOS JUNIOR, Miguel Couto dos. Histeria. Tese apresentada à Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, 1878.

SEIXAS, Antonio Luiz de Sousa. Dissertação sobre a histeria. Tese apresentada à Faculdade de Medicina da Bahia, 1851.

SENA, Joaquim Antão de. Dissertação sobre a histeria. Tese apesentada à Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, 1844.

SILVEIRA, Tristão Eugenio da. Histeria. Tese apresentada à Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, 1878.

TORRES, Antônio Gonçalves de Lima. Breves considerações sobre o físico e o moral da mulher nas diferentes fases da sua vida. Tese apresentada à Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, 1848.

VALLE Luiz Vianna D'Almeida. Mulher e matrimônio medicamente considerados. Tese apresentada à Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, 1847.

BIBLIOGRAFIA

CAPONI, Sandra. Loucos e degenerados: uma genealogia da psiquiatria ampliada. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2012.

COSTA, Jurandir Freire. Ordem Médica e Norma Familiar. Rio de Janeiro: Graal, 1989.

COSTA, Jurandir Freire. A face e o verso – Estudos sobre o homoerotismo II. São Paulo: Escuta, 1995.

FOUCAULT, Michel. O poder psiquiátrico. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

GAGLIARDO, Vinicius Cranek. Uma paris dos trópicos?: Perspectivas da europeização do Rio de Janeiro oitocentista. São Paulo: Alameda, 2014.

MACHADO, Roberto (et. al.). Danação da Norma: Medicina Social e Construção da Psiquiatria no Brasil. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1978.

MAINENTE, Renato Aurélio. Reformar os Costumes ou Servir o Público: visões sobre o teatro no Rio de Janeiro oitocentista. Tese (Doutorado em História) – Faculdade de Ciências Humanas de Sociais, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Franca, 2016.

NADAF, Yasmin Jamil. O romance-folhetim francês no Brasil: um percurso histórico. Letras, Santa Maria (RS), Universidade Federal de Santa Maria, v. 19, n. 2, jul.-dez. 2009, p. 119-138.

NUNES, Silvia Alexim. O corpo do diabo entre a cruz e a caldeirinha: um estudo sobre a mulher, o masoquismo e a feminilidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileiroa, 2000.

VERONA, Elisa Maria. Da feminilidade oitocentista. São Paulo: Editora UNESP, 2013.

Publicado
2021-12-17
Como Citar
Marques de Mello Júnior, F. . (2021). A histeria nas teses médicas brasileiras: a educação física e moral como método preventivo do histerismo. Fênix - Revista De História E Estudos Culturais, 18(2), 385-397. https://doi.org/10.35355/revistafenix.v18i2.1162