O NÃO-FIGURATIVO (UM FRAGMENTO)

  • Luiz Costa Lima Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-RJ
Palavras-chave: Romantismo alemão, Abstracionismo, Sujeito, Mimesis

Resumo

Pela comparação de dois quadros, de Kandinsky e Mondrian, o autor procura mostrar a absoluta insuficiência da designação que normalmente engloba os autores, i.e., serem eles abstratos. Mostra-se como se diferenciam pela maneira como se dá a relaçao do sujeito-pintor com a obra produzida; como, em Kandinsky, a obra não se autonomiza de uma intenção autoral, mantendo-se a obra vassala de uma significação antes postulada que alcançada; em Mondrian, ao invés, como o sujeito importa apenas como constituinte de algo que dele se torna independente. A essa diferença de modos de estar o sujeito presente corresponde uma outra: em Kandinsky, a subordinação à intenção significativa corresponde um amálgama de linhas e cores de sentido aleatório ou abstrato, ao passo que, em Mondrian, a autonomia do sujeito provoca um "correlato objetivo" a uma cena do mundo – o abstrato dá lugar à produção de uma cena, correspondente ao que temos chamado de mímesis da produção.

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Biografia do Autor

Luiz Costa Lima, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-RJ

Professor Titular da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – Departamento de História.

Referências

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Publicado
2006-09-14
Como Citar
Costa Lima, L. . (2006). O NÃO-FIGURATIVO (UM FRAGMENTO). Fênix - Revista De História E Estudos Culturais, 3(3), 1-13. Recuperado de https://www.revistafenix.pro.br/revistafenix/article/view/805